Paraquat

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Paraquat
Alerta sobre risco à saúde
Paraquat-3D-balls.png
Paraquat.svg
Nome IUPAC 1,1'-dimethyl-4,4'-bipyridinium dichloride
Outros nomes paraquat dichloride; methyl viologen dichloride; Crisquat; Dexuron; Esgram; Gramuron; Ortho Paraquat CL; Para-col; Pillarxone; Tota-col; Toxer Total; PP148; Cyclone; Gramixel; Gramoxone; Pathclear; AH 501.
Identificadores
Número CAS 4685-14-7,
1910-42-5 (dicloreto)
2074-50-2 (dimetilsulfato)
SMILES
InChI 1/C12H14N2.2ClH/c1-
13-7-3-11(4-8-13)12-
5-9-14(2)10-6-12;;/
h3-10H,1-2H3;2*1H/
q+2;;/p-2/fC12H14N2.2Cl/
h;2*1h/qm;2*-1
Propriedades
Fórmula molecular C12H14Cl2N2
Massa molar 257.16 g/mol
Aparência off-white powder
Densidade 1.25 g/cm3, solid
Ponto de fusão

175 - 180 °C [1]
Decompõe-se a 300 °C[2]

Ponto de ebulição

> 300 °C [1]

Solubilidade em água high
Riscos associados
MSDS Oxford MSDS
Principais riscos
associados
Toxic
Riscos associados
Frases R R24/25, R26, R36/37/38, R48/25, R35
Frases S S1/2, S22, S28, S36/37/39, S45, S60, S61
Compostos relacionados
Compostos relacionados 4,4'-Bipiridina
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão

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Alerta sobre risco à saúde.

Paraquat, cujo nome comercial é Gramoxone 200 e a nomenclatura conforme a IUPAC é 1,1'-dimetil-4,4'-bipiridina-dicloreto é um viológeno. É um composto quartenário do amônio utilizado como herbicida e altamente perigoso para os humanos, caso ingerido. Esse composto sólido cristalino é instável em meio alcalino, solúvel em água, pouco solúvel em álcool e insolúvel em solventes orgânicos não polares.

História[editar | editar código-fonte]

O Paraquat foi produzido pela primeira vez, com propósitos comerciais pela Sinon Corporation, em 1961 para ICI, (actualmente pela Syngenta) e é hoje um dos herbicidas mais usados.

A União Europeia autorizou o uso do Paraquat em 2004. Na Suécia o Paraquat é proibido desde 1983, por causa da sua aguda toxicidade, ação tóxica irreversível e pelo grande risco de acidentes fatais. A Suécia apoiada pela Dinamarca, Finlândia e Áustria processaram a Comissão Europeia. Em 11 de julho de 2007 e o Tribunal de Primeira Instância da Comunidade Europeia anulou a diretiva que autorizava o Paraquat como substância ativa em defensivos agrícolas.[3]

"Estudo da toxicidade aguda, usando cobaias de laboratório, mostra que o Paraquat pode ser altamente tóxico por inalação, tendo sido classificado na Categoria I (o nível mais alto de todos) por seus efeitos agudos ao ser inalado. Apesar disso a EPA determinou que o tamanho das partículas usadas nas práticas agrícolas é de 400 a 800 μm e isso o coloca no âmbito do que é respirável. O Paraquat é tóxico (Categoria II) por via oral e moderadamente tóxico (Categoria III) por via dérmica. O Paraquat ocasiona irritações, de leves a graves, na pele e nas mucosas, e foi classificado como moderadamente tóxico, Categorías II e IV quanto a essas exposições."[4]

Toxicologia[editar | editar código-fonte]

A ingestão de Paraquat é altamente tóxica para seres humanos e outros mamíferos; causa síndrome de transtorno respiratório. Ainda não há antídotos contra o Paraquat. Por outro lado, a Terra de Fuller e o carvão activado, quando administrados a tempo, podem ser o tratamento recomendado. Dependendo de como se tomou contato, o Paraquat pode causar a morte em menos de 30 dias. Diluído o produto, menor é o risco. O maior risco de envenenamento acidental ocorre durante a diluição ou ao serem enchidos os aparelhos para arpergimento.[5]

Um simples gole, mesmo que cuspido imediatamente, pode causar a morte ao propiciar o desenvolvimento de tecido fibroso nos pulmões e a consequente asfixia.[6] Ingerir Paraquat, durante alguns dias ou semanas, provoca lesões no fígado, pulmões, coração e insuficiencia renal que, normalmente, levam à morte, 30 dias após à ingestão. Quem for exposto por longo período, raramente sobreviverá. A exposição crônica pode causar danos graves aos pulmões, insuficiência renal ou doença cardíaca, além de deformações no esôfago. As mortes acidentais e o suicídio por ingestão de Paraquat são relativamente comuns. Ocorreram 18 mortes, na Austrália, por envenenamento causado por Paraquat, desde o ano 2000.[7]

A intoxicação induzida em ratos permitiu relacionar mecanismos degenerativos muito parecidos à doença de Parkinson.[8]

A exposição prolongada ao Paraquat causa danos aos pulmões e aos olhos, mas a EPA não encontrou efeitos danosos na fertilidade ou na reprodução. Muitos suspeitam de uma possível relação entre o uso do Paraquat e a Doença de Parkinson.

Primeiros socorros[editar | editar código-fonte]

As pessoas contaminadas ou expostas ao Paraquat, (com suspeita de ingestão ou de absorção) devem ser atendidas, imediatamente, por Pronto Socorro. Os primeiros socorros devem seguir as seguintes recomendações:

Proteger o paciente de qualquer contato com a susbtância. Remover as roupas e lavar o paciente com grande quantidade de água. Evitar contaminação secundária por contato. Estabilizar o paciente, mantendo-o em recinto bem ventilado. A administração de oxigênio não é aconselhado, já que não se deve administrá-lo às pessoas que apresentam sintomas de hipoxia; só o pessoal médico especializado pode decidir em cada caso específico. Conduzir o paciente a um hospital apropriado. Em caso de contaminação nos olhos, lavá-los com uma solução salina por, pelo menos, 15 minutos.

A pessoa que socorre a vítima exposta ao produto, deve usar medidas de proteção universais (luvas, avental plástico, máscara, ...) para evitar o contacto com o produto uma vez que o mesmo é altamente tóxico.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Paraquat dichloride». International Programme on Chemical Safety. October 2001. 
  2. EXTOXNET: Stoff- und Toxizitätsdaten (engl.).
  3. Corte de Primera Instancia de la Comunidad Europea, Boletín de Prensa No° 45/07
  4. EPA, [1], revito em 16 de agosto de 2007.
  5. PAN UK, Paraquat, revisada el 13 de outubro del 2006.
  6. Buzik, Shirley C.; Schiefer, H. Bruno; Irvine, Donald G. (1997). Understanding Toxicology: Chemicals, Their Benefits and Risks (Boca Raton: CRC Press). p. 31. ISBN 0-8493-2686-9. 
  7. "Poisoned Latrobe," Gary Stevens, Valley Express 8 de fevereiro de 2008.
  8. K. Ossowska, M. S'Mialowska, K. Kuter, J. Wieron'ska, B. Zieba, J. Wardas, P. Nowak, J. Dabrowska, A. Bortel, I. Biedka, G. Schulze and H. Rommelspacher. (2006). "Degeneration of dopaminergic mesocortical neurons and activation of compensatory processes induced by a long-term paraquat administration in rats: Implications for Parkinson's disease" 141 (4): 2155-2165. DOI:10.1016/j.neuroscience.2006.05.039.