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Partido Socialista da Albânia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Partido Socialista da Albânia
'Partia Socialiste e Shqipërisë'
LíderTaulant Balla
PresidenteEdi Rama
Secretário-geralBlendi Klosi
FundadorFatos Nano
Fundação13 de junho de 1991 (34 anos)
SedeTirana,  Albânia
IdeologiaSocial-democracia
Reformismo
Europeísmo
Atlantismo
Espectro políticoCentro-esquerda
PublicaçãoZëri i Popullit
(A Voz do Povo)
Ala de juventudeForumi i Rinisë Eurosocialiste të Shqipërisë
(Fórum da Juventude Euro-Socialista da Albânia)
AntecessorPartido do Trabalho da Albânia (1941-1991)
Membros (2024)93 000[1]
Afiliação internacionalInternacional Socialista
Afiliação europeiaPartido Socialista Europeu (associado)
Parlamento da Albânia
83 / 140
Câmaras Municipais
54 / 61
Cores     Roxo
     Magenta
Página oficial
http://www.ps.al

O Partido Socialista da Albânia (em albanês: Partia Socialiste e Shqipërisë), também conhecido pelo acrónimo PSSh, é um partido político social-democrata albanês, fundado em 13 de junho de 1991[2] como sucessor legal do extinto Partido do Trabalho da Albânia, força política hegemônica durante a vigência do regime socialista no país.[3]

O PSSh é membro associado do Partido Socialista Europeu e da Internacional Socialista. Na política externa, adota posicionamentos pró-europeístas, atlantistas e pró-americanistas, alinhando-se à centro-esquerda no espectro ideológico.[4] Nos dias atuais, consiste na principal força majoritária do sistema político albanês, vencendo as últimas 4 eleições parlamentares por maioria absoluta. Edi Rama, seu atual presidente, é também o primeiro-ministro da Albânia desde 2013.[5]

Histórico

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Oposição (1992–1997)

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Em 1997, a falência de um fundo de investimentos lastreado pelo Estado que prometia lucros anuais de 300%, o que foi posteriormente classificado como esquema de pirâmide financeira, acarretou em graves danos ao incipiente setor bancário albanês, prejudicando fortemente a população que havia investido seus recursos nele.[6]

Diante deste cenário, o PSSh, principal força política de oposição ao governo de centro-direita liderado pelo presidente Sali Berisha e pelo primeiro-ministro Aleksandër Meksi, liderou manifestações populares nas ruas de Tirana que culminariam na chamada Revolta das Pirâmides, onde manifestantes enfrentaram as forças de segurança governamentais. Cerca de 2 000 pessoas foram mortas nos confrontos.[7]

Em resposta à agitação popular, o pressionado governo de centro-direita decidiu antecipar a realização de uma nova eleição parlamentar para o mesmo ano. O PSSh vence o pleito de forma arrasadora e obtém sua primeira maioria absoluta no Parlamento da Albânia ao eleger 101 deputados. A majoritária bancada socialista, então, elege Rexhep Meidani como presidente da República e Fatos Nano como primeiro-ministro.[8]

Governo (1997–2005)

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Durante o Conflito no Kosovo em 1998, um deputado do oposicionista Partido Democrático da Albânia (PDSh) é assassinado e o então primeiro-ministro Fatos Nano, ao ser acusado de envolvimento no caso, decide renunciar ao cargo, sendo substituído por Pandeli Majko.[9] O partido, então, começa a experimentar um declínio em seus índices de aprovação: apesar de conseguir obter um 2.º mandato consecutivo ao vencer a eleição parlamentar de 2001, o PSSh vê sua bancada parlamentar cair de 101 para 73 deputados, ficando perigosamente próximo de perder a maioria absoluta necessária para governar sem a necessidade de formar coalizões com partidos minoritários.[10]

Fatos Nano retornou à liderança do partido e ao cargo de primeiro-ministro em 2002, porém seu novo governo, apesar de ter sido o responsável por iniciar as negociações para a adesão da Albânia na União Europeia (UE) e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), foi marcado por uma série de turbulências políticas que minaram sua imagem pública e acarretaram na eclosão de protestos populares liderados pelo oposicionista PDSh. Como consequência, na eleição parlamentar de 2005, o PSSh perdeu as eleições para o PDSh e com sua bancada parlamentar reduzida para 42 deputados, passou a liderar a oposição ao governo liberal de centro-direita liderado por Sali Berisha.[11]

Novo período na Oposição (2005–2013)

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Em outubro de 2005, após a renúncia de Nano à presidência do partido em decorrência dos maus resultados eleitorais, primárias internas foram realizadas e Edi Rama, à época prefeito da capital Tirana, foi eleito como novo presidente do PSSh ao vencer o ex-presidente socialista Rexhep Meidani.[12] Sob a liderança de Rama, visto à época como um gestor público altamente promissor após vencer o prêmio Prefeito do Mundo de 2004[13], os socialistas experimentaram uma recuperação gradual de sua popularidade junto à opinião pública ao promoverem mudanças profundas no comando do partido com o novo presdiente afastando diversos líderes influentes da velha guarda dos cargos de liderança para substituí-los por membros mais jovens programaticamente alinhados à sua nova liderança. Inspirada pelas políticas progressistas do chamado Novo Trabalhismo, idealizadas pelo primeiro-ministro britânico à época, Tony Blair, bem como da Terceira Via, idealizada pelo sociólogo britânico Anthony Giddens, a nova plataforma política do PSSh passou a defender uma "terceira via para além da direita e da esquerda tradicionais".[14]

Apesar de liderar a oposição ao governo liberal do PDSh, a bancada parlamentar do PSSh decidiu apoiar um conjunto de emendas constitucionais apresentadas pelo então partido governista no Parlamento da Albânia que visavam reformar a legislação eleitoral do país, substituindo-se o sistema de representação majoritária por um sistema de representação proporcional de lista aberta, além de restringir os poderes presidenciais, afastando o sistema de governo albanês do semipresidencialismo e aproximando-o do parlamentarismo. Apesar das críticas contumazes feitas pelo presidente da Albânia à época Bamir Topi, bem como de seus partidários do Movimento Socialista pela Integração, as emendas foram aprovadas por maioria qualificada graças aos votos combinados dos 2 grandes partidos majoritários.

A apertada derrota eleitoral na eleição parlamentar de 2009 não afastou Rama da presidência do partido, já que os socialistas lograram expandir sua bancada parlamentar ao eleger 65 deputados. Em vez disso, o PSSh optou por acirrar as relações com o reeleito governo liberal do PDSh, boicotando os debates parlamentares por meses e realizando uma greve de fome para despertar a atenção nacional e internacional para a situação. O acalorado debate político em torno da lisura do pleito legislativo deste ano foi apontado por analistas políticos europeus como um dos motivos para o fracasso da tentativa da Albânia de obter o status de candidata oficial nas negociações de adesão à UE.

Para disputar a eleição parlamentar de 2013, o PSSh decidiu formar uma coligação eleitoral com os partidos minoritários LSI, PBDNJ e PDK denominada Aliança por uma Albânia Europeia (em albanês: Aleanca për Shqipërinë Europiane). Enfrentando novamente o governo liberal do PDSh, enfraquecido após múltiplas denúncias de corrupção política e abuso de poder político na condução de processos eleitorais, a coligação socialista centrou suas propostas na integração do país com a União Europeia, na recuperação econômica do país após a eclosão da crise financeira de 2008, na restauração da ordem pública e na democratização das instituições estatais, saindo-se amplamente vitoriosa nas urnas ao receber 53.13% dos votos válidos e eleger 83 deputados, alcançando-se a maioria absoluta.[15]

Retorno ao poder (2013–presente)

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Na eleição parlamentar de 2017, o PSSh volta a disputar o pleito de forma isolada e sagra-se vencedor da disputa após obter 48.19% dos votos válidos, renovando a maioria absoluta alcançada em 2013 ao eleger 74 deputados.[16]

Na eleição parlamentar de 2021, o partido obtém sua terceira vitória eleitoral consecutiva, logrando expandir sua votação tanto em termos absolutos quanto em termos percentuais ao obter 48.67% dos votos válidos, renovando-se novamente sua maioria absoluta, embora tais índices não tenham-se traduzido em expansão de sua bancada parlamentar, mantida em 74 deputados.[17]

Na eleição parlamentar de 2025, os socialistas voltaram a vencer por ampla margem de votos, conquistando 53.27% dos votos válidos, o que dessa vez, permitiu expandir sua bancada parlamentar para 83 deputados e assegurar um 4.º mandato consecutivo ao atual primeiro-ministro em exercício Edi Rama.[18]

Resultados eleitorais

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Data CI. Votos % Deputados +/- Status
1992 2.º 433 602 23.87
38 / 140
Novo Oposição
1996 355 402 20.37
10 / 140
Baixa 28
1997 1.º 413 369 52.75
101 / 155
Aumento 91 Governo
2001 555 272 42.27
73 / 140
Baixa 28
2005 2.º 538 906 39.44
42 / 140
Baixa 31 Oposição
2009 1.º 620 586 40.85
65 / 140
Aumento 23
2013 713 407 41.36
65 / 140
Estável 0 Governo
2017 764 791 48.19
74 / 140
Aumento 9
2021 768 134 48.67
74 / 140
Estável 0
2025 856 177 53.27
83 / 140
Aumento 9

Referências

  1. «"Rezultat pozitiv 32 mijë anëtarë të rinj të PS", Rama në Asamblenë e PS: Të miratojmë mbajtjen e Kongresit më 20 Korrik». TV Klan (em albanês). Consultado em 22 de setembro de 2025 
  2. «Albania | Center for Strategic and International Studies». www.csis.org (em inglês). Consultado em 16 de maio de 2022 
  3. «Parties and Elections in Europe». www.parties-and-elections.eu. Consultado em 16 de maio de 2022 
  4. «PS.AL». web.archive.org. 25 de maio de 2022. Consultado em 14 de junho de 2024 
  5. Express, Gazeta (12 de setembro de 2025). «Edi Rama é reeleito primeiro-ministro da Albânia pela quarta vez». Gazeta Express. Consultado em 22 de setembro de 2025 
  6. Marques, Bianca (24 de junho de 2024). «Como um esquema Ponzi quase terminou em guerra civil na Albânia». Jornal Económico. Consultado em 22 de setembro de 2025 
  7. «Guerra da Albânia». memoriaglobo. 21 de fevereiro de 2022. Consultado em 22 de setembro de 2025 
  8. «Albania Vote Seals Victory for Socialists (Published 1997)» (em inglês). 7 de julho de 1997. Consultado em 22 de setembro de 2025 
  9. Bowcott, Owen; Bowcott, By Owen (29 de setembro de 1998). «Albania's PM steps down». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 22 de setembro de 2025 
  10. «CNN.com - Albania's Socialists claim victory - June 25, 2001». edition.cnn.com. Consultado em 22 de setembro de 2025 
  11. Agencies, News. «Berisha declared Albania poll winner». Al Jazeera (em inglês). Consultado em 22 de setembro de 2025 
  12. «Si u ngjit Edi Rama në krye të Partisë Socialiste | ILLYRIA». illyriapress.com (em inglês). Consultado em 22 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 24 de novembro de 2020 
  13. «World Mayor: The winners of the 2004 contest». www.worldmayor.com. Consultado em 22 de setembro de 2025 
  14. «Rruga e Parë, e Dytë, pastaj Rruga e Tretë | Peshku pa ujë». arkivi2.peshkupauje.com (em albanês). Consultado em 22 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 1 de abril de 2018 
  15. «Aliança opositora de esquerda vence eleições na Albânia, diz pesquisa». UOL Notícias. Consultado em 16 de maio de 2022 
  16. Lusa, Agência. «Partido Socialista albanês ganha eleições legislativas com maioria absoluta». Observador. Consultado em 16 de maio de 2022 
  17. Minas, Estado de; Minas, Estado de (26 de abril de 2021). «Premie da Albania se encaminha para terceiro mandato». Estado de Minas. Consultado em 16 de maio de 2022 
  18. «Ampla vitória de premiê socialista nas legislativas da Albânia». UOL. Consultado em 23 de setembro de 2025