Parto humanizado

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No parto humanizado a protagonista é a gestante e seu filho que está para nascer. Tão importante quanto os procedimentos médicos também é a atenção e cuidado com o delicado momento em que mãe e filho estão vivendo. Uma diferença marcante dessa nova forma de parto são os procedimentos, muitas vezes não necessários, de rotina usados nos hospitais como indução do parto, corte do períneo (episiotomia), uso de anestesia, raspagem dos pelos pubianos, parto cirúrgico (ou cesariana). Esses e outros procedimentos são utilizados apenas quando a gestante e seu cuidador concordam na manobra a ser feita, isto é, a gestante participa ativamente do processo.

Seu cuidador orienta-a e ajuda-a nos momentos necessários. O papel de cuidador pode ser atuado pelo marido ou companheiro da gestante, doula e outros profissionais da área médica. Além do acolhimento físico, seu cuidador se preocupa e age ativamente no acolhimento emocional da gestante.

Antes, durante e após o parto a intervenção médica ocorre apenas quando a situação exige e não por praticidade. Como cada ser humano é único, com suas peculiaridades, o parto possui uma diversidade de situações muito grande. É tarefa do cuidador estar preparado para todas essas diversas possibilidades e agir conforme a gestante e o momento exigem. Por isso, no parto humanizado não existe um procedimento específico ou normas rígidas a serem adotadas.

Há uma confusão de ideias sobre esse novo conceito no Brasil. Comumente os partos são encarados como procedimentos mecânicos ao invés de existir um respeito à individualidade da gestante. Pessoas e até médicos podem confundir erroneamente o termo parto humanizado como sinônimo de parto sem anestesia, parto na banheira, parto em domicílio etc.

O parto humanizado não se limita apenas ao momento do nascimento do bebê mas sim à todo processo da gestação, do nascimento e do pós-parto.

O parto no Brasil[editar | editar código-fonte]

Boa parte dos nascimentos no Brasil (53,7%) ocorrem por cesárea.[1]

No entanto, por se tratar de um procedimento cirúrgico, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que esses casos não ultrapassem 15%. Essa indicação se refere aos partos de risco, quando há situações como posição inadequada do feto (que permanece sentado ou atravessado mesmo após tentativas para mudá-lo de posição) e descolamento prematuro de placenta.

Histórico da humanização do parto no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil existe há muitos anos uma crescente mobilização em favor da humanização dos partos. Recentemente, essa luta teve um novo reforço a partir do caso da mulher Adelir, que foi forçada a se submeter a uma cirurgia cesárea contra a sua vontade. Em protesto, foi organizado nacionalmente um conjunto de manifestações, chamado "Somos Todas Adelir".

Cuidador[editar | editar código-fonte]

Idealmente, no parto humanizado, os seguintes profissionais participam do processo:

  • Doula
  • Obstetriz ou enfermeira obstetra
  • Médico Ginecologista Obstetra
  • Médico Anestesista
  • Médico Pediatra Neonatal

É comum se referir ao médico que adota o parto humanizado adicionando a palavra humanizado ou fim de sua especialidade. Portanto uma médica obstetra é chamada de médica obstetra humanizada.

Essa classificação não tem o objetivo de menosprezar ou diminuir o trabalho de médicos que não adotam o parto humanizado, apenas deixar mais claro qual a filosofia e práticas adotadas no atendimento ao paciente.

Práticas do parto humanizado[editar | editar código-fonte]

A professora do Instituto de Ciências da Educação (ICED-UFPA) Edna Barreto, militante do Movimento pela Humanização do Parto e Nascimento, afirma que “o parto mais aconselhável é aquele que a mulher pode ter liberdade, pode fazer escolhas, é respeitada e está bem informada. Do ponto de vista da medicina baseada em evidências científicas, das boas práticas de atenção ao parto da Organização Mundial da Saúde (OMS) e dos protocolos de humanização do nascimento do Ministério da Saúde, o parto mais saudável para as mães e os bebês é o parto normal, sem intervenções desnecessárias”.

A seguir seguem uma relação dos cuidados adicionais que a gestante possui no parto humanizado.

Essa discriminação não é completa e visa apenas mostrar algumas das práticas adotadas no parto humanizado.

Cuidados no pré natal[editar | editar código-fonte]

Fortalecimento e alongamento do períneo[editar | editar código-fonte]

O períneo é um músculo que envolve a região da vagina e do ânus. Esse músculo é importante no parto normal pois ele deverá estar suficientemente alongado para a passagem do recém nascido.

Existem exercícios e massagens para trabalhar o períneo de forma a prepará-lo melhor para o trabalho de parto.

Estudo[editar | editar código-fonte]

A maior arma para a gestante antes do momento do parto, é a busca por conhecimento, experiências e discussão sobre o momento do parto.

Atualmente existem diversas obras bibliográficas à respeito do assunto.

Grupos de discussão podem ajudar a novas reflexões e dar maior segurança na hora do parto.

O parto em si, como acontecimento fisiológico é natural do ser humano, porém a ignorância dos detalhes desse momento pode levar a uma frustração da gestante.

Cuidados no momento do parto[editar | editar código-fonte]

Anestesia[editar | editar código-fonte]

Muitos partos humanizados não utilizam anestesia, por isso a gestante se conscientiza das possíveis dores e suas consequências que poderão surgir na hora do parto.

Num parto comum hospitalar, a parturiente recebe um hormônio sintético para imitar a ocitocina e acelerar o processo do parto, processo chamado de indução. Uma das desvantagens desse hormônio sintético é o aumento da dor. Por tanto, num parto no qual existe o uso da ocitocina artificial, é mais difícil a parturiente suportar a dor.

Relatos mostram que apesar da ausência do uso da anestesia, a parturiente normalmente consegue suportar a dor. Tais relatos mostram que a consciência corpórea é maior e, dessa maneira, a parturiente pode ajudar de forma muito melhor no trabalho de parto.[1]

Administração das dores e incômodos[editar | editar código-fonte]

A doula possui importante papel para ajudar a parturiente em técnicas não invasivas para diminuir a dor, como, mas não se limitando à:

  • Banho de água quente
  • Massagem
  • Bolsa de água quente
  • Posições corporais
  • Conversa

Tempo do parto[editar | editar código-fonte]

Por respeitar o processo fisiológico da parturiente o parto humanizado pode levar diversas horas. Por isso, o acompanhamento pelo cuidador à parturiente se torna bastante importante.

Parto humanizado não significa parto com muitas horas de trabalho de parto, mas que, caso necessário, a parturiente e o cuidador estarão preparados caso seja necessário esperar o momento adequado ao nascimento.

Corte do períneo (episiotomia)[editar | editar código-fonte]

O corte do períneo ocorre apenas quando, após exame durante o trabalho de parto, o médico obstetra verifica que a passagem do bebê pelo períneo será prejudicada devido à um alongamento do mesmo insuficiente.

Diferentemente dos partos em hospitais, no parto humanizado normalmente ocorre sem o corte do períneo.

Ambiente da sala de parto[editar | editar código-fonte]

Para criar uma atmosfera favorável para a parturiente e para o ser humano recém chegado, evita-se o uso excessivo de ar condicionado, de luzes fortes e barulhos.

O ambiente da sala de parto ideal se assemelha ao ambiente intrauterino do feto.

Corte do cordão umbilical[editar | editar código-fonte]

Após o nascimento, o transporte dos últimos nutrientes, incluindo oxigênio e hormônios, levados da mãe para o bebê através do cordão são respeitados. O corte do cordão umbilical ocorre apenas depois que o pulsar do sangue no cordão se esgota.

Se há pulsação de sangue no cordão umbilical, há atividade e, consequentemente, existe a entrega de nutrientes para o bebê mesmo que ele já esteja fora da barriga da mãe.

Cuidados no pós parto[editar | editar código-fonte]

Após o nascimento do bebê o pediatra neonatal avalia a saúde do recém nascido e muitos dos procedimentos adotados comumente em hospitais são deixados de lado, como:

  • Colírio de nitrato de prata nos olhos do bebê;
  • Desobstrução das vias aéreas;
  • Imediato teste do pezinho;
  • Injeção de vitamina K.

Logo após o nascimento, o bebê preferencialmente fica no colo da mãe. E, passados alguns minutos, é incentivado o aleitamento materno.

Amamentação[editar | editar código-fonte]

A amamentação materna é incentivada e direcionada para existir de forma agradável e prazerosa entre a mãe e o bebê.

Referências

  1. Parto Com Amor, Autor: Luciana Benatti e Marcelo Min, Editora: Panda Books, ISBN: 8578881052, ISBN-13: 9788578881054, Edição: 1ª, 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]