Pastelaria Mexicana

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Pastelaria Mexicana
Estilo dominante Modernismo
Arquiteto Jorge Ferreira Chaves
Construção 1961-1962
Função atual Comercial (pastelaria, restaurante)
Património Nacional
Classificação  Monumento de Interesse Público
Data 2014
DGPC 72827
SIPA 5958
Geografia
País Portugal
Cidade Lisboa
Coordenadas 38° 44' 24" N 9° 8' 11" O
Geolocalização no mapa: Lisboa
Pastelaria Mexicana está localizado em: Lisboa
Pastelaria Mexicana

A Pastelaria Mexicana é uma histórica pastelaria, café, snack-bar e restaurante com salão para banquetes localizado na Praça de Londres, na cidade de Lisboa, em Portugal.

Adquiriu notoriedade quando foi ampliada e totalmente remodelada em 1961/62 segundo projeto do arquiteto Jorge Ferreira Chaves.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Está integrada num edifício em estilo português suave construído nos anos 1940.

"Claramente aberto para o espaço exterior, o espaço interno pretendia romper com a tradicionalista arquitetura da área, e com a do próprio edifício onde se inseria".[1]
"Notabilíssimo exemplo que levou aos limites, para a época e em Portugal, as tendências expressionistas criadas no interior do Movimento Moderno desde o princípio do século XX (...) a Mexicana desenvolve um sentido fenomenológico do conceber a arquitetura que atinge um ponto alto, até excecional, na História da Arquitetura em Portugal."[2]
"Trata-se de uma obra notável, tanto pela conceção do espaço como pelas obras plásticas que contêm.".[3]
"Jorge Ferreira Chaves tratou plasticamente cada elemento arquitetónico da Mexicana.
Pavimentos, paredes, tecto, coluna, candeeiros etc, têm uma vida própria encontrando-se sintagmaticamente de modo a definir áreas e percursos, perspetivas e ambientes."[2]
"Perfis de linha quebrada e ângulos não retos, elementos-chave de um organicismo de linhagem internacional redescoberto naquela década de 1960", foram "integrados de modo brilhante no exemplo de 'obra total' que foi a Mexicana."[4]

As únicas peças não integrantes do projeto são as cadeiras, tendo o arquiteto escolhido um modelo do designer José Espinho.

Como em algumas das principais obras deste arquiteto, a Pastelaria Mexicana inclui obras plásticas conceptualmente integradas:

  • Coluna escultórica, tecto e outros elementos, concebidos pelo próprio arquiteto Jorge Ferreira Chaves;[2]
  • painel cerâmico em azulejos polícromos relevados "Sol Mexicano", de Querubim Lapa, no salão de chá;[2]
  • painel cerâmico em azulejos polícromos, também de Querubim Lapa,[2] envolvendo a entrada do edifício, que também dá acesso ao Salão de banquetes no 1º andar do edifício;
  • Pintura mural de João Câmara Leme[2], no restaurante da cave;
  • Vitral estilizado e cenográfico de molduras em betão do pintor-vitralista Mário Costa,[5] na entrada do WC;

Presença no cinema[editar | editar código-fonte]

Duas sequências do filme português de 1995 "Corte de Cabelo", de Joaquim Sapinho, foram rodadas em espaços da "Mexicana". A rodagem do filme é anterior à obra de alteração daquele espaço que ocorreu em 1996. Figura, numa dessas sequências, o quiosque/tabacaria cilíndrico suspenso que existiu na entrada do café e que foi demolido em 1996, já posteriormente ao despacho que colocou este objeto em vias de classificação.

Classificação como imóvel de interesse público[editar | editar código-fonte]

Integra o inventário de Arquitetura do Movimento Moderno do Docomomo Ibérico e encontrava-se, desde 1996, em vias de classificação como imóvel de interesse público pelo Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico.[6] A proposta de classificação foi apresentada em 1994 por Manuel Pedro Ferreira Chaves e Michel Toussaint Alves Pereira. Vinte anos depois, a pastelaria Mexicana, em Lisboa, foi reconhecida como Monumento de Interesse Público por despacho da secretaria de Estado da Cultura, que a considera um testemunho da arquitetura moderna.[7]

«A classificação da Pastelaria Mexicana, incluindo o seu património artístico integrado, reflete os critérios constantes do artigo 17.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro, relativos ao caráter matricial do bem, ao génio do respetivo criador, ao seu valor estético, técnico e material intrínseco, à sua conceção arquitetónica e urbanística, e à sua extensão e ao que nela se reflete o ponto de vista da memória coletiva.» «No seu conjunto, a Pastelaria Mexicana constitui, tanto pela conceção espacial como pelos elementos decorativos integrados, um notável testemunho das tendências expressionistas do movimento da Arquitetura Moderna em Portugal, traduzindo exemplarmente a adaptação das linguagens internacionais e do organicismo típico da década de 1960 numa verdadeira “obra total”.»[8]

História[editar | editar código-fonte]

A Mexicana, inicialmente uma confeitaria e leitaria, foi fundada em 1946 por José Vicente, Adelino Antunes, Augusto Godinho e Manuel Penteado, quatro naturais do Concelho de Tomar, e os dois primeiros, empresários da construção civil lisboeta da primeira metade do século XX.

Foi local de encontro de vários artistas ligados ao Surrealismo e ao Neorealismo bem como de arquitetos da geração que fixou o Movimento Moderno em Portugal, entre os quais o próprio Jorge Ferreira Chaves cujo atelier se situava nas imediações.

Pelo requinte e qualidade da sua arquitetura, após a obra de 1962, foi o primeiro estabelecimento deste tipo a obter o estatuto de "Utilidade Turística", atribuído pelo Secretariado Nacional de Informação. Este estatuto reduzia significativamente as obrigações fiscais da empresa, porém foi retirado ao fim de poucos anos, por a gestão do estabelecimento não corresponder ao nível exigido.

Atualmente é local de reunião da tertúlia tauromáquica "A Mexicana".

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

Notas
  1. FERNANDES, José Manuel –“A Mexicana” in Arquitectura do Movimento Moderno: inventário Docomomo ibérico: 1925 / 1965; Associação dos Arquitectos Portugueses: Fundação Mies van der Rohe: Docomomo Ibérico; 1997. (p. 287)
  2. a b c d e f TOUSSAINT, Michel - “A Pastelaria Mexicana e o lado expressionista da arquitectura moderna“ in Jornal Arquitectos nº 132, Fevereiro 1993 (pp. 20 - 29)
  3. FERNANDES, José Manuel – “Que viva a Mexicana! (ou a batalha da Mexicana)” in Lisboa em obras; 1997; Livros horizonte. (pp. 205 - 208 )
  4. AGAREZ, Ricardo - "De regra, renda e desenho: arquitetura para a Misericórdia de Lisboa c. 1960" in AA.VV. - Património Arquitectónico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Vol. 2. Lisboa: Santa Casa da Misericórdia; 2010. Tomo I (p. 87)
  5. SANTOS, Rui Afonso in NEVES, José Manuel das - Cadeiras Portuguesas Contemporâneas; Edições Asa (p. 62)
  6. «Pastelaria, Café e Restaurante "Mexicana"». Património Imóvel. IGESPAR. Consultado em 21 de lulho de 2010  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  7. Público 10.04.2014 "Pastelaria Mexicana em Lisboa é monumento de interesse público"
  8. Diário da República, 2.ª série — N.º 71 — 10 de abril de 2014"Portaria n.º 262/2014"

Outras Informações[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • TOUSSAINT, Michel - A Pastelaria Mexicana e o lado expressionista da arquitectura moderna. J-A Jornal Arquitectos nº 132, Fevereiro 1994. (p. 20 / 29).
  • TOUSSAINT, Michel - Pastelaria Mexicana. Guia de Arquitectura Lisboa 94; Lisboa: edição Associação dos Arquitectos Portugueses, Sociedade Lisboa 94 e F.A.U.T.L.; 1994. (pp. 330– 331).
  • FERNANDES, José Manuel - Adeus Mexicana. Expresso Revista de 5 de Fevereiro de 1994. (pp. 78–79).
  • FERNANDES, José Manuel - Preocupação em relação à adulteração do café Mexicana. INFORMAÇÃO ARQUITECTOS nº17, Agosto 1994. (p. 4).
  • FERNANDES, José Manuel - Lisboa Moderna: Abaixo assinado. INFORMAÇÃO ARQUITECTOS nº17, Agosto 1994. (p. 4).
  • RAPOSO, Francisco Hipólito - Pode ser que já seja irremediável salvar-se a Pastelaria Mexicana de uma intervenção pouco feliz. in VIDA: Revista do semanário O Independente, 18 de Fevereiro de 1994. (pp. 36–37).
  • MIGUEL, João Dias – Mexicana vai ser galetizada. Jornal Público, 10 de fevereiro de 1994. (p. 47).
  • ROCHA, João Manuel – Compasso de espera na Mexicana: Trabalhos adiados para Março. Jornal Público, 19 de fevereiro de 1994.
  • S.A. - Obras da Mexicana avançam mesmo. Jornal Público, 25 de fevereiro de 1994.
  • ROCHA, João Manuel – Sampaio aprova obras na Mexicana: Proposta na gaveta enquanto IPPAR é consultado. Jornal Público, Data indeterminada.
  • MIGUEL, João Dias – Mexicana divide Câmara: DPE emite parecer desfavorável e polícia detecta obras ilegais. Jornal Público, 23 de julho de 1994. (p. 42).
  • MIGUEL, João Dias – Abaixo assinado contra obras na Mexicana. Jornal Público, Quarta-feira 27 de julho de 1994. (p. 46).
  • FERREIRA, Cristina – Ordem para avançar com obras na Mexicana: IPPAR desbloqueia impasse. Jornal Público, Quarta-feira 29 de novembro de 1995. (p. 46).
  • FERREIRA, Cristina – CML aprova obras na Mexicana: João Soares dá luz verde. Jornal Público, 12 de dezembro de 1995. (p. 51).
  • S.A. - Mexicana em perigo. Jornal Expresso, 16 de julho de 1994.
  • Gil, Susana – Minimercado Mexicana. Jornal O Independente, 29 de julho de 1994. (p. 22).
  • LOURENÇO, Dionilde - Cuidado com ela. Jornal O Independente, 22 de dezembro de 1995. (p. 43).
  • S.A. - Comissão favorável a obras na Mexicana. Jornal Correio da Manhã, 13 de maio de 1994.
  • S.A. - Obras na Mexicana. Jornal Correio da Manhã, 30 de novembro de 1995. (p. 11).
  • S.A. - Mexicana renasce com obra de 100 mil contos. Jornal Correio da Manhã, 7 de maio de 1996. (p. 10).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]