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Portal da Índia

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Disambig grey.svg Nota: Não confundir com o India Gate, em Nova Deli.
Portal da Índia
Gateway of India
Tipo Arco do triunfo
Estilo dominante Indo-sarraceno
Arquiteto George Wittet
Início da construção 1915
Inauguração 4 de dezembro de 1924 (93 anos)
Altura 25
Geografia
País  Índia
Cidade Bombaim
Zona Colaba
Coordenadas 18° 55' 19" N 72° 50' 5" E

O Portal da Índia (em inglês: Gateway of India) é um monumento situado na cidade indiana de Bombaim, construído durante o período colonial britânico (Raj).[1] É um arco do triunfo de basalto, com 26 metros de altura, situado à beira do mar Arábico e de Mumbai Harbour (Front Bay), na zona sul da cidade (South Mumbai), especificamente em Apollo Bunder (ou Wellington Pier), Colaba, no fim da Chhatrapati Shivaji Marg.[2]

A zona era um molhe simples usado por pescadores que foi renovado e usado como local de desembarque dos governadores britânicos e outras personalidades proeminentes. No passado era a primeira estrutura avistada por quem chegasse de barco a Bombaim, que era o porto de entrada da maior parte dos europeus que iam à Índia.[3][4][5] O monumento, por vezes alcunhado Taj Mahal de Bombaim,[6] e é a principal atração turística da cidade.[7]

Foi erigido para comemorar o desembarque do rei Jorge V do Reino Unido e da sua esposa, a rainha Maria, aquando da sua visita à Índia em 1911. Construído em estilo indo-sarraceno, a cerimónia de colocação da primeira pedra ocorreu em 31 de março de 1911, mas o desenho final, da autoria de George Wittet, só foi aprovado em 1914[8] e a construção só foi concluída em 1924.[3] A partir de então, o monumento passou a ser a entrada cerimonial da Índia para os vice-reis e governadores de Bombaim.[9]

História[editar | editar código-fonte]

Cerimónia de inauguração em 1924

O Portal da Índia foi construído para comemorar a visita do rei Jorge V e da rainha Maria a Bombaim, antes do Delhi Durbar, em dezembro de 1911. No entanto, o casal real apenas viu um modelo em cartão da futura estrutura, pois a construção só seria iniciada em 1915,[10] apesar da primeira pedra ter sido colocada simbolicamente em 31 de março de 1911 pelo governador de Bombaim, George Sydenham Clarke. Entre 1915 e 1919 decorreram obras no Apollo Bunder (ou Apollo Bandar, "Porto de Apolo") para conquistar terra ao mar, para servir de base ao monumento e para construir um novo muro marítimo. As fundações foram terminadas em 1920[3] e a construção, em basalto amarelo e cimento,[8] terminou em 1924.[3] Foi inaugurado em 4 de dezembro de 1924 pelo vice-rei, Rufus Isaacs.[3]

As últimas tropas britânicas a abandonar a Índia a seguir à independência, do Primeiro Batalhão de Infantaria Ligeira de Somerset, marcharam pelo monumento numa cerimónia que marcou o fim do governo britânico na Índia realizada em 28 de fevereiro de 1948.[3][11]

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

Vista noturna

O arquiteto George Wittet combinou os elementos do arco triunfal romano e a arquitetura do século XVI de Guzarate,[12] misturando estilos arquitetónicos hindus e muçulmanos.[13] O portal foi construído em basalto amarelo e betão armado.[10] A pedra foi obtida na região e as telas perfuradas são originárias de Gwalior.[14] O edifício ergue-se na extremidade do Apollo Bunder e está virado para o Porto de Bombaim (Mumbai Harbour).[15]

O domo central tem 15 metros de diâmetro e o seu ponto mais alto está 25 metros acima do solo.[16] Toda a frente do porto foi realinhada de forma a que ficasse em linha com um passeio projetado para ir até ao centro da cidade. Em cada um dos lados do arco há grandes salas, com capaciade para 600 pessoas.[10] O custo total das obras ascendeu a 2 milhões de rupias ($US 31 000), dispendidos principalmente pelo governo indiano. Devido à falta de fundos, a estrada de acesso nunca chegou a ser concluída.[3][16]

Simbolismo e significado[editar | editar código-fonte]

Inscrição na fachada, onde se lê «Erigido para comemorar o desembarque na Índia de Suas Majestades o Rei Jorge V e a Rainha Maria no dia 2 de dezembro de MCMXI»

O monumento era o lugar onde os vice-reis e governadores costumavam desembarcar quando chegavam à Índia. Embora erigido para dar as boas-vindas ao rei Jorge V pela sua visita em 1911, o que constituiu um momento de grande significado para a Índia Britânica e para o Império Britânico, atualmente representa uma "recordação monumental da colonização e subjugação do povo da Índia pelos britânicos".[5] Situado ao lado do emblemático Hotel Taj Mahal Palace, inaugurado em 1903[17] o portal era um símbolo do poder e majestade do Império Britânico para quem chegava pela primeira vez à Índia.

Junto ao arco, como símbolo do "orgulho e coragem marata",[18] ergue-se a estátua de Chhatrapati Shivaji Maharaj, o rei indiano que usou guerrilha para fundar o Império Marata na cordilheira Sahyadri (Gates Ocidentais) no século XVII.[19] A estátua foi descerrada em 26 de janeiro de 1961, Dia da República na Índia.[20][21] Na área há também uma estátua do místico hindu Swami Vivekananda.[22]

Vista diurna em agosto de 2005

Junto ao monumento há cinco cais.[23] O primeiro é usado exclusivamente pelo Bhabha Atomic Research Centre, o segundo e o terceiro são usados por ferryboats, o quarto está encerrado e o quinto é exclusivo do Royal Bombay Yacht Club. Depois dos atentados terroristas de 2008 surgiu uma proposta para encerrar todos esses cais e substitui-los por dois novos, a serem construídos perto do vizinho Presidency Radio Club.[24] As excursões turísticas às Grutas de Elefanta partem dos cais 2 e 3, e incluem uma viagem de 50 minutos de ferry.[17][25] Há também ferries para Alibag e Mandwa. É comum dizer-se que estes navios costumam levar mais passageiros do que a sua lotação legal, devido à sua popularidade.[26]

O Portal da Índia é uma atração turística importante e um local de encontro popular entre os locais, vendedores de rua e fotógrafos.[15] Em 2012, A Corporação de Desenvolvimento de Turismo de Maharashtra (Maharashtra Tourism Development Corporation) transferiu o Festival de Música e Dança de Elefanta da sua localização nas Grutas de Elefanta, onde se realizava há 23 anos, para o local do monumento devido àquele espaço ter capacidade para mais espectadores – 2 000 a 2 500, enquanto que as grutas não comportam mais do que 800 pessoas.[27][28]

Em 2003 explodiram duas bombas colocadas em táxis que se encontravam junto ao monumento, causando pelo menos 44 mortos e 150 feridos.[29] Em novembro de 2008 os quatro homens que atacaram o Hotel Taj Mahal desembarcaram no local.[30] O movimento de pessoas foi restringido em algumas áreas após os incidentes de 2008.[31]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Which company built the Gateway of India?» (em inglês). National Portal of India. india.gov.in. 2005. Arquivado do original em 14 de dezembro de 2011 
  2. Holloway, James (29 de novembro de 1964). «Gateway of India; Colorful, Crowded Bombay Provides An Introduction to Subcontinent» (em inglês). The New York Times 
  3. a b c d e f g Dwivedi, Sharada; Mehotra, Rahul (1995), Bombay: The Cities Within, ISBN 9788185028804 (em inglês), India Book House, consultado em 5 de março de 2015. 
  4. Arnett, Robert (2006), India Unveiled, ISBN 9780965290043 (em inglês), Atman Press, p. 166, consultado em 5 de março de 2015. 
  5. a b Sherry, Simon; St-Pierre, Paul (2000), Changing the Terms: Translating in the Postcolonial Era, ISBN 9780776605241 (em inglês), University of Ottawa Press, p. 245, consultado em 5 de março de 2015. 
  6. Forbes, Duncan (1968), The heart of India (em inglês), Hale, p. 76, consultado em 5 de março de 2015. 
  7. «2003: Bombay rocked by twin car bombs» (em inglês). news.bbc.co.uk. Consultado em 5 de março de 2015. 
  8. a b «Gateway of India» (em inglês). www.mumbainet.com. Consultado em 5 de março de 2015.. Arquivado do original em 13 de Abril de 2012 
  9. Chapman, Kenneth (2006), Peace, War and Friendships, ISBN 9780955188107 (em inglês), Roxana Chapman, p. 151, consultado em 5 de março de 2015. 
  10. a b c Mis S., Melody (2005), How to Draw India's Sights and Symbols, ISBN 9781404227323 (em inglês), Rosen Publishing, p. 42, consultado em 5 de março de 2015. 
  11. Bradnock, Robert W.; Bradnock, Roma; Ballard, Sebastian (1993), South Asian Handbook, ISBN 978-0-8442-9980-8 (em inglês), Trade & Travel Publications, consultado em 5 de março de 2015. 
  12. Gupta, Shobhna (2003), Monuments of India, ISBN 9788124109267 (em inglês), Har-Anand Publications, p. 112, consultado em 5 de março de 2015. 
  13. Sigh, Kirpal; Mathew, Annie, Middle School Social Sciences, ISBN 9788184091038 (em inglês), Frank Brothers, p. 8 
  14. Bajwa, Jagir Singh; Kaur, Ravinder (2007), Tourism Management, ISBN 9788131300473 (em inglês), APH Publishing, p. 240, consultado em 19 de abril de 2015. 
  15. a b Singh, Sarina (2010), Lonely Planet India, ISBN 9781742203478 (em inglês), p. 783–784, consultado em 19 de abril de 2015. 
  16. a b Kapoor, Subodh (2002), The Indian Encyclopaedia, ISBN 9788177552577 (em inglês), Cosmo Publications, p. 2554 
  17. a b De Bruyn, Pippa; Bain, Keith; Allardice, David; Joshi, Shonar (2010), Frommer's India, ISBN 9780470602645 (em inglês), John Wiley & Sons, p. 125 
  18. Chaturvedi, B.K. (2006), Tourist Centers of India, ISBN 9788171821372 (em inglês), Diamond Pocket Books, p. 146, consultado em 19 de abril de 2015. 
  19. «300-feet Shivaji statue in Mumbai's Arabian Sea!» (em inglês). www.rediff.com. 3 de junho de 2008. Consultado em 19 de abril de 2015.. Cópia arquivada em 12 de maio de 2014 
  20. Prasad, Rajendra (1984), Dr. Rajendra Prasad, Correspondence and Select Documents, ISBN 9788170230021 (em inglês), Allied Publishers, p. 205, consultado em 19 de abril de 2015. 
  21. The Illustrated weekly of India (em inglês), 86, Bennett, Coleman & Company, Times of India Press, p. 152, consultado em 19 de abril de 2015. 
  22. Kottis, George C. (2006), Follow the Wind of Your Soul, ISBN 9781467011624 (em inglês), AuthorHouse, p. 101 
  23. Thakkar, Dharmesh (27 de janeiro de 2009). «Gateway of India jetties to move location» (em inglês). New Delhi Television Limited. www.NDTV.com. Consultado em 30 de Abril de 2012.. Arquivado do original em 12 de fevereiro de 2011  |wayb= e |arquivodata= redundantes (ajuda); |wayb= e |arquivourl= redundantes (ajuda); |urlmorta= e |datali= redundantes (ajuda)
  24. Abraham, Renni (29 de janeiro de 2009). «5 jetties may be shut» (em inglês). Daily News and Analysis. www.Dnaindia.com. Consultado em 21 de abril de 2015.. Cópia arquivada em 3 de janeiro de 2015 
  25. «Mumbai heritage week: Revisiting a lost culture in the city of caves» (em inglês). Daily News and Analysis. www.Dnaindia.com. 18 de abril de 2012. Consultado em 21 de abril de 2015.. Cópia arquivada em 13 de maio de 2014 
  26. Dargalkar, Nivedita (2 de outubro de 2011). «Disaster floats at gateway» (em inglês). MiD DAY 
  27. Tembhekar, Chittaranjan; Jaisinghani, Bella (5 de março de 2012). «Elephanta festival 'moves' to Gateway of India» (em inglês). The Times of India. timesofindia.indiatimes.com. Consultado em 21 de abril de 2015. 
  28. Express News Service (27 de março de 2012). «Festival weaves magic» (em inglês). The Indian Express. indianexpress.com. Consultado em 21 de abril de 2015. 
  29. «2003: Bombay rocked by twin car bombs» (em inglês). news.bbc.co.uk. 25 de agosto de 2003. Consultado em 21 de abril de 2015.. Cópia arquivada em 26 de agosto de 2014 
  30. «Terror in Mumbai», Outlook Publishing (em inglês), 8 de dezembro de 2008, consultado em 21 de abril de 2015. 
  31. Lewis, Clara (18 de março de 2012). «Gateway not quite a getaway» (em inglês). Times News Network. The Times of India. Consultado em 21 de abril de 2015.. Cópia arquivada em 21 de abril de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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