Rafael Pinto Bandeira
| Rafael Pinto Bandeira | |
|---|---|
Rafael Pinto Bandeira retratado em desenho de Carlos Julião | |
| Nascimento | |
| Morte | 9 de abril de 1795 (54 anos) |
| Ocupação | Militar |
Rafael Pinto Bandeira (Rio Grande, 16 de dezembro de 1740 – Rio Grande, 9 de abril de 1795) foi um militar brasileiro do século XVIII que Comandou inúmeras batalhas em defesa das possessões portuguesas no Rio Grande do Sul, à época Capitania do Rio Grande de São Pedro. Seus feitos lendários nas lutas contra os espanhóis lhe renderam o reconhecimento como o primeiro grande caudilho do sul do Brasil.[1]
Rafael Pinto Bandeira nasceu no Presídio Jesus-Maria-José (atual cidade de Rio Grande), em 16 de dezembro de 1740, quase quatro anos após a fundação portuguesa do Rio Grande do Sul, marcada pelo desembarque, em 17 de fevereiro de 1737, de uma expedição comandada pelo Brigadeiro José da Silva Paes.[2]
Filho de Francisco Pinto Bandeira[3] e de Clara Maria de Oliveira, incorporou-se em 1754, junto com seu pai ao Corpo de Dragões do Rio Pardo e seguiu para Rio Pardo. Sua trajetória militar começou cedo: ainda com 13 anos, em 1754, já participava ativamente de campanhas, nas quais se manteve envolvido até 1777 — ano em que Portugal e Espanha firmaram o Tratado de Santo Ildefonso. Nesse longo período de conflitos, percorreu amplamente o solo gaúcho, lutando desde a conquista do Forte de São Martinho, nos Sete Povos das Missões (próximo à atual fronteira com a Argentina, na Província de Corrientes), passando por localidades como Rio Pardo — de onde se retirou sob constante perseguição inimiga — até o cerco ao Forte de Santa Tecla, em Bagé, no extremo sul da província, junto à divisa com o Uruguai.
Foi o terceiro brasileiro a alcançar o posto de general no Exército Português e o primeiro natural do Rio Grande do Sul a atingir tal patamar. Ao longo de uma brilhante carreira que se estendeu dos 14 aos 54 anos, ascendeu de simples soldado Dragão do Rio Grande a Brigadeiro, chegando a comandar a Legião de Cavalaria Ligeira e, posteriormente, todas as forças militares da então Capitania de São Pedro — feito inédito para um gaúcho.
Pinto Bandeira teve papel crucial durante a Guerra do Sul (1763–1777), período em que os espanhóis, após duas invasões, ocuparam cerca de dois terços do atual território rio-grandense. Sua liderança na condução de ações de guerrilha contra os invasores, sob ordens do governo central no Rio de Janeiro, foi decisiva para garantir que o Rio Grande do Sul permanecesse sob domínio luso-brasileiro.
Nascido no Rio Grande, ali também faleceu, em 1795. Seus restos mortais estão sepultados na Igreja São Pedro, na mesma cidade onde iniciou e encerrou sua vida.
Controvérsias sobre o local e a data de nascimento
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Em 27 de março de 1917, Aurélio Porto publicou no jornal A Federação um comentário corrigindo outros historiadores, como os irmãos José, Lucas e Henrique Boiteux, e Gustavo Barroso, que afirmavam que Rafael Pinto Bandeira havia nascido em Laguna, no estado vizinho de Santa Catarina, e não na cidade do Rio Grande.[4] Após realizar pesquisas nos arquivos do Bispado de Pelotas, Porto encontrou o assento batismal de Rafael, dando como terminada a controvérsia.[4] Porto não pode achar o registro de casamento de seus pais, mas teve certeza de que ele se realizou em princípios de 1739, na ermida do Forte de Jesus, Maria e José, e não em Laguna, como também se acreditava,[4] até porque, segundo o mesmo, levaria pelo menos 15 dias para vir até o Presídio a fim de ser batizado ali, além de que a residência de Francisco, pai de Rafael, era no Rio Grande, junto ao Presídio, onde haviam casas.[4] Segundo a tradição da família, Rafael nasceu no dia 16 de dezembro, data em que festejava seu aniversário, tendo o batismo ocorrido no dia seguinte.[4]
Representações na cultura
[editar | editar código]É uma das personagens da trilogia histórica O tempo e o vento escrita por Érico Veríssimo. Na versão para a televisão, Rafael Pinto Bandeira foi interpretado pelo ator Lima Duarte.
Referências
- ↑ https://www.oexplorador.com.br/o-primeiro-caudilho-sul-rio-grandense/ Em falta ou vazio
|título=(ajuda) - ↑ Bento, Cláudio Moreira. Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira (1740–1795) Cel. Eng. e EM Cláudio Moreira Bento (PDF). [S.l.: s.n.]
- ↑ PORTO-ALEGRE, Achylles. Homens Illustres do Rio Grande do Sul. Livraria Selbach, Porto Alegre, 1917.
- ↑ a b c d e Porto, Aurélio (27 de março de 1917). «N.º 72» (PDF). A Federação: 3. Consultado em 25 de julho de 2024