Caudilho

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A palavra caudilho (em espanhol, caudillo) refere-se a um líder político-militar no comando de uma força autoritária. Está comumente associada à América Latina do século XIX e início do século XX ou relacionado à época Franquista em Espanha .

Origem[editar | editar código-fonte]

O caudilhismo é um fenômeno cultural que primeiro surgiu durante o início do século XIX na América do Sul revolucionária, como uma forma de líder de milícia com personalidade carismática e um programa suficientemente populista de reformas genéricas a fim de auferir larga adesão, ao menos no início, das pessoas comuns. O caudilhismo eficaz sustenta-se em culto à personalidade.

A raiz do caudilhismo assenta-se na política colonial espanhola de suplementar pequenas forças de soldados profissionais com vastas milícias recrutadas a partir de populações locais a fim de manter a ordem pública. Milicianos ocupavam postos civis, mas eram convocados em intervalos regulares para treinamento e inspeção. O salário pago pela Coroa era meramente nominal; a sua recompensa assentava-se no prestígio, sobretudo por causa do foro militar, que os isentava de certas taxas e tarefas comunitárias obrigatórias (compare-se com a corveia feudal), e, mais significativamente, de persecução civil ou criminial. Longe das capitais coloniais, as milícias ficavam a serviço dos proprietários de terra.

Imagem carismática[editar | editar código-fonte]

Caudilhos tipicamente atribuíam a tarefa de conquistar poder sobre a sociedade e posicionar-se como líderes. Eram capazes de comandar grande número de pessoas e de prender a atenção de vastas multidões entusiasmadas. No período final da República Romana, homens como Caio Mário, Júlio César e Otaviano foram comandantes populistas que possuíam fortes laços pessoais com seus soldados, e a imagem de retomada de valores romanos é freqüentemente utilizada para conquistar apoio ao caudilhismo. Na Itália dos séculos XIII a XVI, fenómeno similar trouxe repetidamente ao poder o condottiere, líder carismático de um bando de mercenários, no momento em que as instituições falhavam temporariamente.

Estrutura de governo[editar | editar código-fonte]

Como o caudilho tipicamente mantinha seu poder controlando redes de apoio que não toleravam qualquer estrutura rival, alguns caudilhos adotaram posições anti-clericais. Muitos usaram seu poder recém-conquistado (ainda irrestrito, uma vez que era extra-constitucional) para aumentar sua riqueza e promover os seus próprios interesses. No ápice do caudilhismo, como na Venezuela, o exército nacional tornou-se supérfluo diante dos exércitos pessoais dos caudilhos: em 1872, as tropas federais venezuelanas foram integralmente dissolvidas.

Caudilhos famosos[editar | editar código-fonte]

Juan Vicente Gómez (18571935). Alguns exemplos de caudilhos poderosos nas América Latina do início do século 19 incluem Juan Manuel de Rosas e Juan Facundo Quiroga na Argentina, Antonio López de Santa Anna no México, José Rafael Carrera na Guatemala e José Gaspar Rodríguez de Francia, “El Supremo”, no Paraguai. Na Venezuela, um século de caudilhismo iniciou-se com o golpe de 1848 de José Tadeo Monagas e prosseguiu, depois da Guerra Federal, com o governo de Antonio Blanco. A tradição de caudilhismo, porém, arrefeceu gradualmente. Após o golpe pelo qual o vice-presidente Juan Vicente Gómez depôs o presidente eleito, Gómez governou a Venezuela, sustentado em sua autoridade pessoal, até à morte.

Caudilhos notórios posteriores incluem Gabriel García Moreno, no Equador, e Rafael Trujillo, na República Dominicana. Ditadores apoiados por militares que controlam eventos políticos mantêm-se como um fator de instabilidade em sociedades latino-americanas.

O governante espanhol Francisco Franco usou, a partir de 1936, o título “Caudillo de España, por la gracia de Dios”, ecoando (como era comum à época) os títulos de “Führer” de Hitler e “Il Duce”de Mussolini. Em Portugal e Espanha, o termo “caudilho” não tem conotação necessariamente pejorativa, pois remonta a antigos guerreiros históricos. A palavra já havia sido usada em referência a homens como Cid Campeador e, em retrospecto, Viriato.

A morte de Cirilo Vázquez, um cacique de Acayucan, Veracruz, foi manchete em jornais do México e dos Estados Unidos.

Caudilhos no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, não houve caudilhos até 1889, pois o sistema político do Império impedia a ascensão destas lideranças. Após a proclamação da República, no entanto, o caudilhismo foi forte particularmente no Rio Grande do Sul, onde deu origem ao castilhismo de Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros, Flores da Cunha e Getúlio Vargas, sendo que este o único caudilho brasileiro em nível nacional.

Outra classificação[editar | editar código-fonte]

Alguns classificam os caudilhos da seguinte maneira:

Observações finais[editar | editar código-fonte]

Caudilhos são lembrados com admiração em histórias nacionalistas populares: Rosas ascendeu da condição de um dos maiores e mais produtivos estancieiros da área, Santa Anna foi o grande líder militar do México, bem como tirano, mais conhecido pelo seu triunfo no Álamo; os irmãos Monagas aboliram a escravidão; Dr. Francia era um creole com diploma em direito que usou apenas três homens quando liderou seu país.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]