Juan Manuel de Rosas

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Juan Manuel de Rosas
Juan Manuel de Rosas em trajes de brigadeiro-general, c. 1845.
17.º Governador da Província de Buenos Aires
Período 7 de março de 1835
até 3 de fevereiro de 1852
Antecessor(a) Manuel Vicente Maza
Sucessor(a) Vicente López y Planes
13.º Governador da Província de Buenos Aires
Período 6 de dezembro de 1829
até 5 de dezembro de 1832
Antecessor(a) Juan José Viamonte
Sucessor(a) Juan Ramón Balcarce
Vida
Nascimento 30 de março de 1793
Buenos Aires, Flag of Spain (1785-1873 and 1875-1931).svg Rio da Prata
Morte 14 de março de 1877 (83 anos)
Southampton,  Reino Unido
Nacionalidade Argentina argentino
Dados pessoais
Partido Partido Unitário
Partido Federal

Juan Manuel José Domingo Ortiz de Rozas y López de Osornio (Buenos Aires, 1793Southampton, Hampshire, 1877) foi um Militar e político argentino. Foi governador da Província de Buenos Aires, com status de um presidente da república.

Entrou muito jovem para o exército, e enfrentou a segunda das chamadas invasões inglesas. Depois disso, foi para o campo e se converteu em um grande proprietário de gado no Pampa, organizando em sua estância um exército pessoal para combater os índios.

Em 1828, ao ser derrubado o governador de Buenos Aires, Dorrego, posteriormente executado pelos unitaristas, Rosas encabeçou um levante popular que triunfou em Buenos Aires e no resto do litoral, enquanto que as províncias do interior permaneciam no campo unitarista. Depois de ter capturado o general unitário Paz, o interior foi reconquistado e a Argentina voltou à unidade sob a égide de Rosas, López e Quiroga.

Primeiro governo[editar | editar código-fonte]

Bandeira utilizada pelas províncias do Pacto Federal de obediência a Rosas

Governador de Buenos Aires (1829-1832), renunciou por não lhe serem concedidos poderes absolutos, deixando o posto com um homem de sua confiança, Balcarce (que logo o trairia). Mesmo assim, Rosas seguiu dominando a situação como comandante em chefe do exército.

Em 1831 se firma o "Pacto Federal" (pacto preexistente), abolindo o centralismo e unificando o país como tal. Foi firmado por Entre Ríos, Santa Fe e Buenos Aires. Logo se juntaram as províncias restantes (Jujuy só declarou sua autonomia em 1834).

Segundo governo[editar | editar código-fonte]

Rosas foi nomeado para um segundo quinqüênio de governo na província de Buenos Aires, entre 1835 a 1840, conferindo-lhe, finalmente a soma do poder público. El Restaurador, como ficou conhecido, exige que se realize um plebiscito, que teve como resultado 9320 votos a seu favor (alguns historiadores contam que foram 8, ou mesmo apenas 5, os votos contrários), devendo ter-se em conta que nesta época a província de Buenos Aires contava com 60.000 habitantes, dos quais não votavam as mulheres, anciãos e crianças.

Novamente governador de Buenos Aires em 1835 com plenos poderes, teve que enfrentar o mal-estar provocado pelo bloqueio da armada francesa (1838) e ao enfrentamento com a Confederação Peruano-boliviana. Lavalle, auxiliar dos franceses, organizou um exército que avançou até Buenos Aires.

Rosas, depois de conseguir um tratado com a França, foi apoiado pelos governadores do interior. Deste modo, em 1842, alcançou um poder absoluto sobre o território argentino.

Memorial in Southampton Old Cemetery

Apoiando-se nas massas federais (camponeses, gaúchos, negros), organizou o Partido Restaurador Apostólico e manteve o país numa perene cruzada contra os unitaristas , exterminando seus inimigos.

Seu governo ditatorial conseguiu a estabilidade política interna, manteve a integridade nacional e favoreceu o crescimento econômico. Interveio nos conflitos internos do Uruguai, apoiando Oribe contra Rivera.

Sitiou Montevidéu, mas os britânicos obrigaram a esquadra argentina a levantar o bloqueio. A Argentina sofreu então a intervenção dos britânicos e franceses, que bloquearam Buenos Aires (1845) e organizaram uma expedição para penetrar pelo rio Paraná, que resultou na Batalha da Vuelta de Obligado, onde a esquadra anglo-francesa superou as defesas e entrou no Rio Paraná. Mesmo derrotado, Rosas firmou-se como uma figura nacionalista, ganhando até mesmo o reconhecimento de José de San Martín(Um dos libertadores da América).

Por outro lado, os bloqueios impuseram sacrifícios notadamente às camadas populares, com altas de preços e impostos, enquanto a elite, notadamente portenha, formada por fazendeiros, financistas e comerciantes atacadista, tinham recursos e condições que o restante da população não dispunha.

Em 1850 o General Urquiza, governador da Província de Entre Ríos, se rebelou com o apoio dos unitaristas e dos Governos do Brasil e de Montevidéu, invadiu Santa Fé, marchou sobre Buenos Aires e derrotou as tropas de Rosas na Batalha de Monte Caseros (1852).

Rosas se exilou na Grã-Bretanha, mais precisamente em uma granja nas cercanias da cidade de Southampton, levando somente caixas com documentação, das quais se utilizaria após sua morte o historiador liberal Adolfo Saldías para escrever sua Historia de la Confederación Argentina. Morreu em 1877. Seus restos foram repatriados à Argentina durante a primeira presidência de Carlos Saúl Menem.

Legado[editar | editar código-fonte]

Estátua equestre de Rosas em Buenos Aires, erguido em 1999, o primeiro monumento erguido em sua homenagem.

Rosas é lembrado como um nacionalista convicto, tradicionalista e conservador, defensor da soberania de seu país. Sua figura ditadora, defensor de seus compatriotas gaúchos. As duas maiores potências do mundo(França e Inglaterra) não foram o suficiente para o "derrocar" do poder. O seu governo baseado no terrorismo de estado gerou um movimento racista chamado revisionismo que gera controversas até os dias de hoje.[carece de fontes?]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Gálvez, Manuel – Vida de Don Juan Manuel de Rosas – Ed. Tor – Buenos Aires (1954).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]