Redículo

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Redículo[1] (em latim: Rediculus) era um antigo deus romano que tinha um templo perto da Porta Capena e um campo sagrado na Via Ápia.

Origem e natureza[editar | editar código-fonte]

Esta divindade era provavelmente um dos lares de Roma, um deus protetor da cidade. Ele teria aparecido a Aníbal quando ele acampou fora de Roma em 211 a.C. urgindo-o para que retornasse (em latim: redire) a Cartago.[2][3] O relato de Festo sobre os eventos conta que Aníbal, chegando perto da cidade, viu aparições no ar e se encheu de medo, o que fez com que ele voltasse imediatamente[4]:

Um relato aponta que aparição do deus se deu na forma de uma tempestade de granizo.[6] Depois do recuo de Aníbal, os romanos construíram um altar no local em homenagem a Redículo Tutano (em latim: Rediculus Tutanus), o deus "que fez retornar e protegeu".[7]

Outros derivam o nome do deus da palavra romana ridiculus, que significa "risível".[4] O fracasso de Aníbal em tomar Roma fez dele o objeto de escárnio dos romanos e, para perpetuar sua humilhação, os habitantes da cidade ergueram um altar ao deus do riso. Varrão dá ao deus o epíteto Tutano ("protetor") e coloca falas em sua boca em sua "Saturae Menippeae" ("Hercules tuam fidem", XXXIX)[4]:

Outros autores, como Robert Burn, alegam que esta lenda é "completamente indigna de crédito".[8] Outros propõem que ele seria apenas o deus da volta segura para casa para os viajantes. Seja como for, é inegável que os viajantes deixando a cidade geralmente oravam no templo antes de seguiram pela Via Ápia.[9]

O templo e o campo[editar | editar código-fonte]

O túmulo de Herodes Ático e Ápia Ânia Regila, perto da Igreja Domine Quo Vadis, já foi confundido com o Templo de Redículo; o templo, porém, foi descrito por Plínio como estando do lado oposto da Via Ápia,[10] tendo sido dedicado em 65 d.C..[10]

Curiosamente havia um túmulo no Campo de Redículo (em latim: campus Rediculi) dedicado a um famoso corvo falante, segundo conta Plínio em sua História Natural (X.60)[10]: um sapateiro tinha uma banca no Fórum Romano e possuía um corvo domesticado que, sendo um sucesso entre os jovens romanos, acabou se tornando uma figura pública. Quando ele foi morto por um sapateiro rival, eles o executaram e deram ao pássaro um funeral público, carregando-o numa liteira até seu local de enterro no campo de Redículo.[10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Queiroz 1998, p. 61.
  2. «Rediculus». Myth Index (em inglês). 2008. Arquivado do original em 5 de março de 2016 
  3. Adkins, Lesley; Roy A. Adkins (2004). Handbook to Life in Ancient Rome (em inglês). Nova Iorque: Infobase Publishing. p. 301 
  4. a b c Sale, George; et al. (1747). An Universal History (em inglês). XII. Londres: T. Osborne. pp. 299–300 
  5. Harrington, Karl Pomeroy (2002). The Roman Elegiac Poets (em inglês). Londres: Anthem Classics. p. 278 
  6. Eaton, Charlotte (1892). Rome in the Nineteenth Century (em inglês). I. Londres: George Bell & Sons. p. 387 
  7. Mommsen, Theodor (1873). William P. Dickson, ed. The History of Rome (em inglês). II. Nova Iorque: Scribner, Armstrong, & Co. p. 202 
  8. Burn, Robert (1871). Rome and the Campagna (em inglês). Cambrígia: Deighton, Bell and Co. p. 432 
  9. Pomeroy, Sarah (2007). The Murder of Regilla (em inglês). Cambrígia, Massachusetts: Harvard University Press. p. 156 
  10. a b c d Hare, Augustus (1905). Walks in Rome (em inglês) 17 ed. Londres: Kegan Paul, Trench, Truebner & Co. p. 291 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Queiroz, Maria José de (1998). Os males da ausência, ou, A literatura do exílio. Rio de Janeiro: Topbooks. ISBN 8586020540