Sarcocistose

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Sarcocistose
Sarcocisto de 4mm no esôfago de uma ovelha visto por um microscópio visual.
Classificação e recursos externos
CID-10 A07.8
MeSH D012522
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Sarcocistose é uma doença parasitária causada pelo protozoário Sarcocystis que pode afetar aves, répteis e mamíferos, inclusive humanos. O protozoário causa infecções intestinais ou/e musculares. Geralmente é assintomático, mas podem ser encontradas no músculo esquelético e cardíaco humano causando sintomas como febre, anorexia, prostração, palidez das mucosas, corrimento nasal e ocular, dispneia, salivação e podem ser fatais.[1]

Causa[editar | editar código-fonte]

O Sarcocystis tem um ciclo de dois hospedeiros[1]:

  • Hospedeiros definitivos: animais que comem carne como cão, gato, homem...;
  • Hospedeiros intermediários: animais que comem vegetal como bovinos, ovinos, suínos e raramente o homem...;

Existem diferenças morfológicas entre os sarcocysts encontrados em vários animais. Os seres humanos são normalmente infectados por duas espécies de sarcocystis: o Suihominis Sarcocystis (suíno) e Bovihominis Sarcocystic (bovino).

Cozinhar bem a carne mata o parasita, apenas animais que comem carne crua ou mal passada são infectados.[2]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Embora raro a sarcocistose pode causar a morte de bovinos, suínos e ovinos que foram gravemente infectados. Sarcocistose muscular é um problema mais sério no sudeste asiático.[3]

Infecção muscular intermediária

Os sintomas mais comuns em quem ingeriu os oocistos e se tornou hospedeiro intermediário são[4]:

Infecção intestinal definitiva

Os sintomas mais comuns em quem comeu carne contaminada crua ou mal passada e se tornou hospedeiro definitivo são[4]:

Em bovinos

Bovinos podem ser infectados pelo Sarcocystis cruzi, pelo Sarcocystis hirsuta e pelo Sarcocystis hominis. As espécies de Sarcocystis que infectam o homem (S. hominis) e que infectam o gato (S. hirsuta) causam poucos ou nenhum sintomas nos bovinos. Já o S. cruzi, cujo hospedeiro definitivo é o cão, provoca doença severa em bovinos e pode ser fatal.[1]

A infecção do S.cruzi em bovinos causa:

  • Febre;
  • Perda do apetite;
  • Palidez das mucosas;
  • Corrimento nasal e ocular;
  • Dispneia;
  • Salivação;
  • "Sentar" e "deitar" frequentemente.

Progressão[editar | editar código-fonte]

As diferentes espécies de sarcocystis estão associadas ao ciclo presa-predador (ciclo heteroxeno), com estágios assexuados nos hospedeiros intermediários (presa) e um estágio sexuado nos hospedeiros definitivos (predador).[1]

Este protozoário tem como hospedeiros definitivos animais carnívoros como o cão, o gato ou seres humanos e possuem vários hospedeiros intermediários com as aves, os répteis, pequenos roedores, herbívoros e suínos.[1]

Os animais que comem carne crua ou mal passada contendo cistos musculares viáveis do protozoário podem ser infectados e não apresentar sintomas. Depois nas fezes eles espalham os oocistos, com dois esporocistos e oito esporozoítos. Os esporozoítos são liberados dos esporocistos no intestino e infectam os animais herbívoros.[1]

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Sarcocistos passam por diversas fases variando em virulência e sintomatologia causada dependendo da fase em que se encontra.

A incidência de infecção intestinal por Sarcocystis no sudeste asiático está entre 19 e 23%, sendo a maior parte dos casos assintomática.[5]

Em análises de 50 kibes preparados por 25 restaurantes diferentes em São Paulo todas as amostras possuíam sarcocystis, sendo que 94% possuíam o S. hominis, 70% possuiam o S. hirsuta e 92% o S. cruzi. [6]

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Não alimentar cachorros que convivem com gado com carne crua evita a infecção de ambos. A infecção em gatos e humanos dificilmente causa problemas ao gado.[1]

Cozinhar a carne mata o protozoário. Só alimentar os animais com ração evita problemas ao homem.[1]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Não existe tratamento eficaz para a infecção, seja no hospedeiro intermediário ou no definitivo. Quando ocorre um surto no gado, colocar amprólio na dieta dos animais ajuda a diminuir o sofrimento do animal. O próprio organismo pode destruir o protozoário em infecções mais leves, mas muitos bovinos morrem com essa infecção.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i NAKASATO, Fernanda Hatsue1 e col. SARCOCYSTIS SPP: REVISÃO DE LITERATURA. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353 Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VI – Número 11 – Julho de 2008 – Periódicos Semestral. http://www.revista.inf.br/veterinaria11/revisao/edic-vi-n11-RL86.pdf
  2. http://www.enr.gov.nt.ca/_live/pages/wpPages/Sarcocystosis.aspx
  3. http://www.stanford.edu/group/parasites/ParaSites2006/Sarcocystosis/intro.html
  4. a b http://emedicine.medscape.com/article/228279-overview#a0199
  5. Wilairatana P, Radomyos P, Radomyos B, et al. Intestinal sarcocystosis in Thai laborers. Southeast Asian J Trop Med Public Health. Mar 1996;27(1):43-6.
  6. Pena, H. F., S. Ogassawara, and I. L. Sinhorini. 2001. Occurrence of Cattle Sarcocystis species in raw kibbe from Arabian food establishments in the city of Sao Paolo, Brazil, and experimental transmission to humans. J. Parasitol. 87:1459-1465.