Sauron

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Sauron, O Senhor do Escuro
Concepção cinematográfica de Sauron
Descrição ficcional
Nascimento Antes da criação de Arda
Morte Destruído em 25 de março de 3019 da 3ª Era do Sol (apenas morte física)
Família Servos de Morgoth

Sauron é um personagem do universo fictício da Terra-média criado por J.R.R. Tolkien, antagonista da trilogia O Senhor dos Anéis, tendo sido o responsável por forjar o Um Anel.[1] Aparece também como o Necromante em O Hobbit e como tenente de Morgoth na obra Silmarillion. Tolkien aponta que os Ainur, as forças "angelicais" de seu mito, "eram capazes de muitos graus de erro e de fracasso", sendo o caso mais extremo "a rebelião e o mal satânico absoluto de Morgoth e de seu seguidor Sauron".[2] Sauron aparece com mais frequencia como "o Olho", como se estivesse desencarnado.

Tolkien, enquanto negava que o mal absoluto pudesse existir, afirmou que Sauron chegou o mais próximo possível de uma vontade totalmente maligna.[3] Comentaristas compararam Sauron ao personagem-título do romance Drácula de Bram Stoker, de 1897. Sauron é visto brevemente em uma forma humanóide na trilogia de filmes de Peter Jackson, que de outra forma o mostra como um Olho flamejante e desencarnado.

Em sua homenagem, a NASA chamou a galáxia NGC 4151 como Olho de Sauron.[1]

História[editar | editar código-fonte]

No início dos tempos, antes que os valares entrassem em Arda (a Terra), Sauron era um dos mais poderosos maiar, aprendiz de Aulë.

Sauron sentiu-se atraído por Melkor, ou Morgoth, tornando-se seu mais fiel tenente e sendo o segundo depois dele, mesmo quando o Valar foi derrotado e aprisionado nos confins do mundo.

Na Primeira Era, ele aparece como antagonista de Beren e Lúthien na Balada de Leithian. Após a derrota de Morgoth, os Valar intimaram Sauron a comparecer a um julgamento no qual seria tratada a sua pena. Depois de cumprida a pena, ele seria liberto e voltaria a viver em paz. Mas, com medo, Sauron fugiu da presença dos Valar. Talvez pela ausência de seu senhor, Sauron em pouco tempo tornou-se razoavelmente bom, mas, solitário, em uma espécie de exílio, começou a maquinar o mal.

Forjadura dos Anéis[editar | editar código-fonte]

A mão de Sauron e o Um Anel.

Sauron conseguiu a amizade de alguns na Terra-Média sob a identidade de Annatar (que significa o Senhor dos Presentes). Adotou bela aparência e fingiu ser amigo dos Elfos, entre eles, o grande artífice élfico da época, Celebrimbor, de Azevim (em élfico Eregion), filho de Curufin que por sua vez era filho de Fëanor (criador dos Silmarils), desenhista dos portões de Moria. Sauron deu a Celebrimbor a ideia de se fazerem anéis muito belos, que tivessem como característica principal um determinado poder com o qual consertariam os danos causados pelas disputas dos Valar à Terra-média, tornando-a tão bonita quanto Valinor. Celebrimbor aceitou a ideia e forjou, sem a ajuda de Sauron, Três Anéis: Narya, o Anel de Fogo, Nenya, o Anel da Água, e Vilya, o Anel do Ar.

Secretamente, Sauron forjou em Orodruin (Montanha da Perdição) um Anel mais forte e mais poderoso do que qualquer outro e com um laço, um encantamento, que lhe dava o poder de controlar todos os outros anéis e também aqueles que os usassem. Sauron planejava controlar os demais anéis e assim adquirir todos os seus poderes. Então, invadiu Eregion, tomou todos os Anéis e deu Nove aos Homens e Sete aos anões.

Após descobrir os planos de Sauron, Celebrimbor conseguiu esconder os Três anéis por ele criados. Assim, uma nova guerra começava, na qual Sauron procuraria, por todos os meios, conseguir os Três Anéis.

Os Nove[editar | editar código-fonte]

Os Nove, Sauron tomou para si com facilidade, pois o coração dos homens é facilmente corrompido, e os homens que os detinham tornaram-se seus mais poderosos servos e escravos de sua vontade, os Espectros do Anel. Na língua negra, Nazgûl (Nazg = anel).

Sauron em Númenor[editar | editar código-fonte]

Em pouco tempo Sauron estava quase dominando a Terra-Média, chegando a aparecer perto dos Portos Cinzentos. Mas Gil-galad, o senhor daquele lugar, chamou os numenorianos, os habitantes da ilha Númenor. Estes eram espantosamente fortes e muito hábeis, detendo longas espadas e arcos de aço, descendentes daqueles das Três Casas Amigas dos Elfos. Atravessaram a Terra-média para confrontar Sauron com um exército tão grande que muitos julgaram ser os Exércitos dos Valar. Mas Sauron, contrariando as expectativas, simulou medo e rendeu-se sem opor resistência, sendo levado cativo pelo rei Ar-Pharazôn para a ilha de Númenor, e a Terra-Média conheceu um pouco de paz.

Nessa época os numenorianos estavam insatisfeitos com sua nova terra e suas limitadas viagens pelos mares liberados pelos valares e muito invejavam a imortalidade dos elfos em Aman, e como Sauron era astuto em pouco tempo tornou-se conselheiro do rei, conseguindo com isso que Númenor declarasse guerra contra os Valar, pois assim "teriam" suas imortalidades. A minoria tentou evitar a guerra (os Fiéis, depois chamados de Dúnedain), mas a maioria já estava envenenada por Sauron (e por sua própria vontade).

O rei então enviou uma poderosa frota para invadir Valinor e conquistar Aman (as Terras Imortais), pois lá ninguém morria. Os Valar, que haviam proibido os numenorianos de ir ao lado oeste (Aman), só os permitindo ir a leste (Terra-Média), como reação por aquele ato de guerra invocaram Ilúvatar, que afundou não só a frota mas toda a ilha de Númenor, assim como modificou o formato da Terra-média. Uma fenda enorme foi aberta sob o mar, entre Númenor e Aman. Houve grande tormenta em Arda.

Sauron, enquanto ria do povo numenoriano no topo de Meneltarma, afogou-se na queda de Númenor, e seu corpo ficou desfigurado. Assim, ele voltou em forma sinistra para Mordor e lá criou uma armadura similar a de Melkor, para prender seu espírito ao corpo, e lá permaneceu escondido. Mas nem todos os numenorianos morreram: Elendil, o Alto, e parte do seu povo, juntamente com seus filhos Isildur e Anárion, que eram chamados de "amigos-dos-elfos", ou Fiéis, escaparam e foram para a Terra-média. Lá fundaram os reinos de Gondor e Arnor e estabeleceram um curto reinado de paz. Ao tomar ciência do estabelecimento dos reinos de Isildur e Anárion, Sauron começa a reunir forças para atacá-los, pois descobriu que um desses novos reinos dos numenoreanos Fiéis (Gondor) ficava em suas fronteiras, achando aquilo uma ousadia grande. Construiu Barad-dûr (fazendo uma cópia a grande torre do conselho de Elendil-Orthanc) e fez exércitos enormes de orcs. Houve várias guerras onde Sauron dizimou muitos elfos e homens.

A Última Aliança[editar | editar código-fonte]

Quando os elfos já não suportavam mais, uniram-se aos homens e a alguns anões formando a Última Aliança, na qual todos os exércitos disponíveis marchariam contra Mordor e destruiriam por vez Sauron. Assim o fizeram, e estavam vencendo. Mas depois de sete anos sitiando a Torre de Sauron, o exército estava cansado e morrendo de fome naquela terra infértil. Então o próprio Sauron se apresentou e lutou contra Gil-galad, Alto-Rei dos Noldor exilados na Terra-Média e Elendil. Jogou Elendil, que caiu com tanto impacto sobre sua espada Narsil, que a quebrou; Gil-Galad então perfurou Sauron com sua Aeglos, mas Sauron caiu por cima de Gil-Galad e o matou. Assim Isildur pegou o toco da Narsil e arrancou o Anel Governante do dedo de Sauron. Ele enfraqueceu-se e fugiu para Dol Guldur, ao sul da Floresta das Trevas por 400 anos, não mais atormentando. Como havia prometido há muito tempo, Isildur destrói então pedra por pedra em Barad-dûr. Gondor então construiu torres de vigia em Mordor no caso de um remoto retorno de Sauron

O Anel se Perde[editar | editar código-fonte]

Enquanto Sauron desaparecera o Anel passou a Isildur, que se recusou a destruí-lo, alegando herança de seu reino. Deixou o reino de Gondor para os herdeiros de seu irmão Anárion, pois ele ficaria com Arnor ao norte. Mas quando retornava foi emboscado por orcs. Pôs o Anel, ficando invisível, e quando tentava atravessar o Anduin o Anel o traiu, saindo de seu dedo e fazendo-o ser visto. Foi então morto.

2500 anos depois um pescador ribeirinho chamado Déagol pescava com seu primo Sméagol, quando caiu na água e encontrou o Anel. Sméagol cobiçou o objeto e matou Déagol enforcado, permanecendo assim com o Um Anel por volta de 500 anos. Então Bilbo, numa aventura com os treze anões, se perdeu, indo parar na caverna de Sméagol (Gollum). Assim encontra o Anel e o guarda. Após vários infortúnios, Bilbo conseguiu escapar da perseguição de Gollum, até que o Anel foi parar no Condado, chegando às mãos de Frodo. Alguns anos antes, a vigilância das torres plantadas em Mordor perdeu sua eficácia. Sauron retorna a Mordor, domina o Portão Negro e as torres, reconstrói Barad-dûr, recruta os Nazgûl, e a Montanha da Perdição torna a explodir em chamas. Sauron recomeça a atacar a Terra-Média, agora com o objetivo de simplesmente dominá-la com seu poder sombrio.

A Guerra do Anel[editar | editar código-fonte]

Na Guerra do Anel, onde descreve-se este final da Terceira Era, Frodo, no Conselho de Elrond, em Valfenda (Rivendell), é designado a levar O Anel até a Montanha da Perdição, em Mordor, para lá jogá-lo e acabar definitivamente com o poder de Sauron. Pois somente lá, onde o Anel foi feito, poderia ser destruído. No momento de destruir o Anel, a vontade de Frodo (quase sob o controle do Anel) vacila e Gollum, quando luta com Frodo no túnel que leva ao centro de Orodruim (a Montanha da Perdição), sem querer cai na lava junto com o anel e este se desfaz. Assim, Sauron perdeu todo o seu poder e fugiu definitivamente para nunca mais voltar, dando início à Quarta Era, a Era dos homens.

Como podemos ver, o fim de Sauron foi diferente daquele de seu mestre Melkor, pois este foi banido da existência e nunca mais poderá ser livre (até o juízo final, quando diz-se que ele voltará, confrontará os outros Valar e destruirá Arda). Já Sauron teve seu poder disperso a tal ponto com a destruição final do Um Anel, que não haveria condições para seu retorno, seja em forma física ou espiritual, a não ser que fosse restabelecido pelo poder do próprio Melkor.

Interpretações[editar | editar código-fonte]

O Mal Absoluto[editar | editar código-fonte]

Tolkien afirmou em suas Cartas que, embora ele não pensasse ter tal coisa como um "Mal Absoluto", uma vez que ele fosse "Nulo", "na minha história, Sauron representa uma aproximação do completamente mau tão próximo quanto possível". Ele explicou que, como "todos os tiranos", Sauron começou com boas intenções, mas foi corrompido pelo poder, e que "foi além dos tiranos humanos no orgulho e na ânsia pela dominação", sendo na origem um espírito imortal (angelical - do mesmo gênero de Gandalf e Saruman, mas de uma ordem muito mais elevada). Ele começou como servo de Morgoth; tornou-se seu representante, em sua ausência na Segunda Era; e no final da Terceira Era afirmou ser 'Morgoth retornado'.[3]

Referências

  1. a b O Globo. «Nasa revela 'Olho de Sauron' em galáxia espiral». Consultado em 22 de outubro de 2013. Arquivado do original em 4 de março de 2016 
  2. As Cartas de J. R. R. Tolkien, #156 Para Robert Murray, SJ. (rascunho), 4 de novembro de 1954
  3. a b As Cartas de J. R. R. Tolkien, #183 Notas sobre a crítica de W. H. Auden de O Retorno do Rei
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