Shirley Ardell Mason

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Shirley Ardell Mason
Shirley Ardell Mason.jpg
Nascimento 25 de janeiro de 1923
Dodge Center, Minnesota, EUA
Morte 26 de fevereiro de 1998 (75 anos)
Lexington, Kentucky, EUA
Nacionalidade Estados Unidos Americana
Ocupação Artista comercial

Shirley Ardell Mason (Dodge Center, 25 de janeiro de 1923Lexington, 26 de fevereiro de 1998) foi uma paciente psiquiátrica americana e artista comercial que obteve notoriedade por ter o transtorno de múltiplas personalidades, atualmente denominado transtorno dissociativo de identidade. Sua vida virou obra de ficção no livro Sybil, e dois filmes de mesmo nome foram feitos em 1976 e 2007. Tanto o livro como os filmes utilizaram o nome Sybil Isabel Dorsett para proteger a identidade de Mason, porém, no remake de 2007 sua identidade original é revelada ao término do filme.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Shirley Ardell Mason nasceu e foi criada em Dodge Center, Minnesota, filha única de Walter Mason (um carpinteiro e arquiteto) e Martha Alice "Mattie" Hageman. No que diz respeito à mãe de Mason: "...muitas pessoas em Dodge Center diziam Mattie" — "Hattie" no livro — "era bizarro", segundo Bettie Borst Christensen, que cresceu na mesma rua. "Ela tinha uma risada de bruxa... Ela não costumava rir muito, mas quando o fazia, era como um berro." Christensen lembra da mãe de Mason andando após escurecer, olhando para as janelas dos vizinhos. A certa altura, a mãe de Mason teria sido diagnosticada com esquizofrenia.[1]

No início de 1950, Mason foi uma professora substituta e estudante na Universidade de Columbia. Ela há muito sofria de desmaios e colapsos emocionais e, finalmente, entrou para a psicoterapia com Cornelia B. Wilbur, uma psiquiatra freudiana. As sessões em conjunto são a base do livro.

Algumas pessoas na cidade natal de Mason, leram o livro tendo reconhecido Mason como Sybil. Por esse tempo, Mason havia rompido quase todos os laços com o seu passado e estava morando na West Virginia. Mais tarde, ela se mudou para Lexington, Kentucky, onde viera morar perto de Dra. Wilbur. Ela lecionava arte em uma faculdade comunitária e abriu uma galeria de arte para fora de sua casa por muitos anos.[1] [2]

Mason é diagnosticada com câncer de mama em 1990, do qual recusa o tratamento, mas depois entra em remissão. No ano seguinte, Wilbur desenvolve a doença de Parkinson e Mason se muda para a casa de Wilbur para cuidar dela até a sua morte, em 1992. Mason morre de câncer de mama em 26 de fevereiro de 1998.[1]

Sybil[editar | editar código-fonte]

Romance de Flora Rheta Schreiber, Sybil é uma versão ficcional da história de Mason. O livro afirma que Mason tinha múltiplas personalidades, como resultado do abuso sexual infantil severo nas mãos de sua mãe, a quem sua psiquiatra Cornelia Wilbur acreditava ter sido esquizofrênica.[3] O livro foi transformado em um filme de TV, estrelado por Sally Field e Joanne Woodward, em 1976. O filme foi refeito em 2007, com Tammy Blanchard como Sybil e Jessica Lange como Dra. Wilbur.

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico de Mason foi contestado. O psiquiatra Herbert Spiegel viu Mason em várias sessões de Wilbur, enquanto estava de férias, e sentiu que Dra. Wilbur estava manipulando Mason a se comportar como se tivesse múltiplas personalidades quando ela, na verdade, não tinha. Spiegel suspeita de que Wilbur tenha divulgado o caso de Mason para ganho financeiro. De acordo com Spiegel, a paciente de Wilbur era histérica, mas não mostrava sinais de múltiplas personalidades; na verdade, mais tarde ele afirmou que Mason negou-lhe que ela era "múltipla", mas afirmou que Wilbur queria que ela "fosse" as identidades. Spiegel confrontou Wilbur, que respondeu que a editora não iria publicar o livro, a menos fosse o que ela diria que fosse.[4]

Em agosto de 1998, o psicólogo Robert Rieber de John Jay College of Criminal Justice desafiou o diagnóstico de Mason, alegando que ela era sim uma "histérica extremamente sugestionável" e também afirmou que ele acreditava que Wilbur havia manipulado ela, a fim de garantir um negócio do livro.[5] [6] Em uma revisão do livro de Rieber, Bifurcation of the Self, Mark Lawrence afirma que Rieber distorcia repetidamente as provas e deixava de fora uma série de fatos importantes sobre o caso de Mason, a fim de promover o seu caso contra a validade do diagnóstico.

Sybil Exposed, de Debbie Nathan, baseia-se em um arquivo de papéis de Schreiber armazenado na John Jay College of Criminal Justice[7] e outras fontes de primeira mão criminosa. Nathan descreve a suposta manipulação de Wilbur para com Mason e vice-versa, entrando em detalhes pessoais sobre a vida de Mason, Wilbur e Schreiber. Nathan atribui problemas físicos e sensoriais de Mason a um caso ao longo da vida de anemia perniciosa, mas equivocada no momento para os sintomas psicogênicos causados por estresse. Nathan afirma que Wilbur e Mason conscientemente perpetraram uma fraude. Ela cita uma conhecida carta de 1958 escrita por Mason (que é reproduzida em Sybil), na qual ela afirma para posar com um múltiplo de atenção e emoção. Nathan afirma que Schreiber escreveu Sybil baseado em histórias persuadidas por ela durante a terapia, e que esse caso criou uma "indústria" de repressão de memória.[8] O caso continua a ser controverso. Apesar de os papéis de Wilbur terem sido destruídos, as cópias e trechos dentro de Flora Rheta Schreiber Papers de Lloyd Sealy Library em John Jay College, foram selados em 1998.[7]

Referências

  1. a b c Miller, M; Kantrowitz B (24-01-1994). Unmasking Sybil Newsweek. (em inglês)
  2. Van Arsdale, S (02-08-2001). "Sybil: Famous multiple personality case was a stranger in our midst" Ace Weekly. (em inglês)
  3. Schreiber, Flora Rheta (1973). Sybil. New York: Warner Books, Inc. p. 460.
  4. Borch-Jacobsen, M (24-04-1997). "Sybil: The Making of a Disease - An Interview with Dr. Herbert Spiegel" New York Review of Books 44 (7). (em inglês)
  5. Rieber, R (1998). "Hypnosis, false memory and multiple personality: a trinity of affinity". History of Psychiatry 10 (37): 3–11. DOI:10.1177/0957154X9901003701. PMID 11623821.
  6. Schreiber, Flora Rheta; Rieber, Robert W. (2006). The bifurcation of the self: the history and theory of dissociation and its disorders. Berlin: Springer.
  7. a b Nathan, Debbie. "A Girl Not Named Sybil" New York Times. (em inglês)
  8. Smith, K (16-10-2011). "'Sybil' is one big psych-out" New York Post. (em inglês)