Telessaúde

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Ambox important.svg
Este artigo ou seção parece estar escrito em formato publicitário ou apologético.
Por favor ajude a reescrever este artigo para que possa atingir um ponto de vista neutro, evitando assim conflitos de interesse.
Para casos explícitos de propaganda, em que o título ou todo o conteúdo do artigo seja considerado como um anúncio, considere usar {{ER|6|2=~~~~}}, regra n° 6 da eliminação rápida.

Telessaúde tem sido concebida como o uso de {{Tecnologias de Informação e Comunicação]] – TIC para oferecer serviços e cuidados em saúde à distância [1]. Frequentemente, o termo telessaúde é empregado como sinônimo de telemedicina e e-saúde. Há diversos conceitos, que ampliam o escopo da telessaúde a inúmeras atividades relacionadas à saúde. Ela pode ser definida como a promoção de saúde, relacionada a serviços de informação, através de tecnologias de telecomunicações. Os serviços de telessaúde podem ser simples, como dois profissionais de saúde discutindo um caso por telefone, ou mais sofisticados com uso de redes de vídeo e web-conferências, de sistemas de registros eletrônicos em saúde e até o uso da robótica. O atendimento em saúde depende da troca de informações sobre o paciente, daí vem a possibilidade de uso de ferramentas de telessaúde a fim de ampliar os horizontes dessa rotina.

História[editar | editar código-fonte]

No início do século XX a comunicação via rádio foi usada para prover serviços médicos para a Antártica. Em 1910 o primeiro “estetoscópio elétrico” via telefone ocorreu na Inglaterra e ainda em 1924, pesquisas descreveram o potencial de um “radio doutor”, capaz de “ver e ser visto pelo paciente”. Na década 50, imagens radiológicas foram transmitidas pela primeira vez, entre West Chester e Filadelfia, na Pensilvânia. Nesse mesmo período um vídeo interativo foi empregado em um projeto no qual o Instituto Psiquiátrico de Nebrasca começou realizar teleconsultas de psiquiatria com o Norfolk State Hospital, a 112 milhas de distância. Esses foram os primeiros relatos da telecomunicação empregada na área da saúde e desde então esse campo da ciência vem aumentando exponencialmente sua importância.[2].

No Brasil, duas ações reúnem instituições de excelência no território nacional para as atividades de telessaúde no Sistema Único de Saúde: a Rede Universitária de Telemedicina – Rute [3] e o Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes [4].

A Rute surgiu em 2005 como ação para implantar infraestrutura de interconexão nos hospitais universitários e unidades de ensino de saúde no Brasil. A Rute vem fortalecendo projetos de telessaúde, de modo a facilitar o intercâmbio entre grupos de pesquisas nacionais por rede de conexão com alta velocidade. Além disso, apoia operacionalmente uma centena de grupos multi-institucionais de discussão, os Special Interest Groups (SIGs).

O Programa Nacional de Telessaúde realizado desde 2007 em parceria dos ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, inclui o uso de um programa que permite a troca de informações via internet entre médicos do SUS, médicos especialistas e pacientes. Segundo relatório divulgado em março de 2010 pelo Ministério da Saúde, 50% dos deslocamentos de pacientes em tratamento de 9 Estados brasileiros foram reduzidos com a implementação do serviço [5]. A redução de encaminhamentos desnecessários desses pacientes já gerou uma economia para o SUS de R$ 35 milhões.

O Programa de Telessaúde envolve diversos núcleos pelo Brasil e oferecem diversas formas de tele assistência em saúde. O profissional de saúde que utiliza o programa tem acesso a vídeos e materiais dentro do site sobre doenças mais prevalentes, pode participar de videoconferências e teleconsultas on-line ou off-line, além de telediagnóstico de eletrocardiogramas (ECG).

Uma ação nacional[editar | editar código-fonte]

Programa Telessaúde Brasil Redes é uma ação nacional que busca melhorar a qualidade do atendimento e da atenção básica no Sistema Único da Saúde (SUS), integrando ensino e serviço por meio de ferramentas de tecnologias da informação, que oferecem condições para promover a Teleassistência e a Teleducação.

A implementação do Programa se inicia em 2007 com o Projeto Piloto em apoio à Atenção Básica envolvendo nove Núcleos de Telessaúde localizados em universidades nos estados do Amazonas, Ceará, Pernambuco, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com a meta de qualificar aproximadamente 2.700 equipes da Estratégia Saúde da Família em todo o território nacional e alcançar os seguintes objetivos:

  • Melhoria da qualidade do atendimento na Atenção Básica no Sistema Único de Saúde (SUS), com resultados positivos na resolubilidade do nível primário de atenção;
  • Expressiva redução de custos e do tempo de deslocamentos; 
  • Fixação dos profissionais de saúde nos locais de difícil acesso; 
  • Melhor agilidade no atendimento prestado; 
  • Otimização dos recursos dentro do sistema como um todo, beneficiando, dessa forma, aproximadamente 10 milhões de usuários do SUS.

Profissões relacionadas[editar | editar código-fonte]

Médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, fonoaudiólogos, odontólogos, psicólogos, farmacêuticos, jornalistas, bibliotecários, cientistas da computação e da informação, profissionais de cinema e tv, entre outros profissionais como técnicos em enfermagem, auxiliares de consultório dentário e agentes comunitários.

TelessaúdeRS-UFRGS[6][editar | editar código-fonte]

O TelessaúdeRS-UFRGS é um projeto do Programa de Pós-graduação em Epidemiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Desde 2005 realiza ações que buscam qualificar a prática e aumentar a resolutividade dos profissionais da saúde da Atenção Primária à Saúde/Atenção Básica (APS/AB) do Sistema Único de Saúde (SUS), fortalecendo os atributos da APS.  As ações do projeto baseiam-se na oferta de teleconsultoria, telediagnóstico e teleducação. O objetivo principal é qualificar o trabalho das equipes de APS/AB, fortalecendo os atributos da APS: acesso de primeiro contato, longitudinalidade, coordenação, integralidade, orientação familiar, orientação comunitária e competência cultural.

Podem ter acesso as ferramentas de Telessaúde do Rio Grande do Sul todos os profissionais de saúde da APS/AB do SUS.

TELECONSULTORIA[editar | editar código-fonte]

Através do serviço de teleconsultoria os profissionais de saúde que trabalham na APS/AB no Brasil têm a possibilidade de esclarecer dúvidas e discutir casos clínicos com uma equipe de altamente qualificada para as questões. As teleconsultorias podem ser feitas através de plataforma online e via canal 0800 644 6543 para médicos que trabalham na APS/AB em todo o Brasil e enfermeiros do Rio Grande do Sul (RS).

  • Canal 0800

Em funcionamento desde 2013, o canal 0800 644 6543 é destinado aos profissionais de saúde da APS/AB e oferece teleconsultorias gratuitas por telefone. O objetivo do serviço é auxiliar os profissionais para um atendimento de qualidade, ágil, imediato e sem custo, além de contribuir na resolução dos problemas de saúde dos pacientes baseada nas melhores evidências científicas. Não há a necessidade de agendamento prévio e custos para quem efetua a ligação telefônica. Confira aqui quem pode ligar.

São mais de 89 mil teleconsultorias respondidas, evitando o encaminhando em 62% de casos, e 99% de satisfação.

  • Plataforma de Telessaude

A Plataforma de Telessaude, desenvolvida pelo TelessaúdeRS-UFRGS, é uma ferramenta disponível para apoiar a tomada de decisão clínica e gerencial dos profissionais de saúde que trabalham na APS/AB. Através dela médicos, enfermeiros, dentistas, agentes comunitários de saúde, entre outros recebem auxílio e soluções quanto a dúvidas clínicas e procedimentos de trabalho. O acesso à plataforma pode ser feito pelo link www.plataformatelessaude.ufrgs.br ou pelo aplicativo, disponível para celulares Android e IOS.

  • RegulaSUS

O RegulaSUS foi desenvolvido para diminuir o tempo de espera por consulta especializada, evitando o deslocamento desnecessário de pacientes, aumentando a resolutividade da Atenção Primária e priorizando o atendimento de casos mais graves. A ação visa qualificar o manejo dos pacientes por meio de ligações e discussões clínicas, com embasamento científico.

A equipe do RegulaSUS desenvolve protocolos de encaminhamento (disponíveis no site do TelessaúdeRS-UFRGS) para identificar, na lista de espera, pacientes que, seguramente, necessitam da consulta especializada, e agiliza a marcação dos casos mais graves. Além disso, para parte dos encaminhamentos com potencial chance de resolução na APS/AB, é promovida uma discussão entre o médico assistente (responsável por cuidar do paciente) e um dos médicos do RegulaSUS.

TELEDIAGNÓSTICO[editar | editar código-fonte]

  • RespiraNet

Desde 2013, o RespiraNet realiza espirometrias para avaliação e identificação de Doenças Respiratórias Crônicas (DRC). A proposta é qualificar o diagnóstico e acompanhamento das doenças pulmonares, principalmente Asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), além de ampliar e facilitar o acesso gratuito ao exame de espirometria no Rio Grande do Sul, melhorando o manejo das DRC no estado. Quando um paciente necessita de um exame de espirometria, o médico APS/AB no Rio Grande do Sul solicita o exame pela Plataforma de Telessaúde, a equipe do TelessaúdeRS-UFRGS entra em contato com o paciente para realizar o agendamento. O exame é interpretado por médicos pneumologistas do HCPA (Hospital de Clínicas de Porto Alegre) e o laudo é enviado para o médico que solicitou.

Confira aqui a lista das cidades com espirômetros.

  • Teleoftalmo

O TeleOftalmo é um projeto lançado em 2017 com o objetivo de otimizar o acesso da população do Rio Grande do Sul ao diagnóstico e manejo de condições oftalmológicas, além de qualificar a fila de espera para o médico especialista. Ele está disponível para todos os médicos que atuam nos postos de saúde do RS e as principais avaliações oftalmológicas realizadas são: aferição da acuidade visual; medição da pressão ocular; documentação fotográfica do fundo de olho; documentação fotográfica do aspecto externo do olho e exame de refração ocular. Para ter acesso ao serviço, o médico do posto de saúde realiza a solicitação via Plataforma de Telessaúde e a equipe do TelessaúdeRS-UFRGS agenda um horário com o paciente. O exame é realizado remotamente nas unidades do Teleoftalmo pelos oftalmologistas do TelessaúdeRS-UFRGS com apoio presencial da equipe de enfermagem.  O laudo é enviado pela Plataforma de Telessaúde para o médico solicitante.

  • DermatoNet

O DermatoNet é um serviço de telediagnóstico para doenças que se manifestam na pele. O objetivo é dar suporte aos profissionais de saúde no diagnóstico e no manejo de lesões, evitar encaminhamentos e diminuir o tempo de espera para consulta com serviço especializado.  Para esse serviço, os médicos dos postos de saúde da APS/AB do RS fotografam as lesões de pele dos pacientes, quando tiverem dúvidas a respeito do diagnóstico ou tratamento, e enviam as fotos para o TelessaúdeRS-UFRGS pela Plataforma de Telessaúde. As fotos são avaliadas por dermatologistas do projeto que emitem um laudo com orientações de tratamento na APS/AB ou de encaminhamento ao especialista.

  • EstomatoNet

O EstomatoNet é uma ação desenvolvida pelo TelessaúdeRS-UFRGS para auxiliar médicos e dentistas que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) no manejo clínico de lesões estomatológicas e na qualificação do acesso de pacientes ao diagnóstico em estomatologia. Para solicitar o telediagnóstico, basta entrar na Plataforma de Telessaúde, abrir uma nova solicitação de telediagnóstico, anexar as fotos da lesão bucal e preencher os dados.  A foto da lesão e os dados clínicos do paciente são avaliados pela equipe de estomatologistas do EstomatoNet. No laudo, são indicados o diagnóstico mais provável, possíveis diagnósticos diferenciais e sugestões de tratamento. Para acessar o laudo basta o solicitante entrar no seu perfil na Plataforma de Telessaúde.

TELEDUCAÇÃO[editar | editar código-fonte]

O TelessaúdeRS-UFRSG oferece ações de educação permanente para os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS/AB) através de Cursos EAD e Webpalestras. Os cursos são desenvolvidos pelo TelessaúdeRS-UFRGS ou em parceria com outras instituições, abordam assuntos relacionados à prática na APS/AB e são realizados através de ferramentas virtuais de educação a distância. As webpalestras têm como objetivo capacitar os profissionais de saúde realizando palestras online através do canal no YouTube (Telessaúde RS - UFRGS) sobre diversos temas relacionados à APS/AB. Já foram mais de 2 milhões de visualizações no YouTube e mais de 27 mil profissionais de saúde certificados.

APLICATIVOS

Com o objetivo de auxiliar a tomada de decisão clínica o TelessaúdeRS-UFRGS desenvolve, desde 2015, aplicativos para smartphones destinados aos profissionais da saúde. Eles estão disponíveis para download gratuitamente na Google Play e na Apple Store.

PESQUISAS

Com uma equipe formada por dez doutores na área de Saúde e mais de 20 pro­fissionais com mestrado e especialização, o TelessaúdeRS-UFRGS desenvolve pesquisas aplicada, clínica, de serviços e sistemas de saúde e de telessaúde/telemedicina no contexto da Atenção Primária à Saúde. O grupo tem larga experiência na avaliação de serviços de saúde, em especial, através da validação do Primary Care Assessment Tool (PCATool) no país.

APOIO

Apoio na implantação e uso o e-SUS/AB

O TelessaúdeRS-UFRGS em parceria com a SES/RS, apoiou de 2013 a julho de 2017 a implantação de Sistemas de Informação e Prontuários Eletrônicos nos postos de saúde e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) no Rio Grande do Sul por meio de suporte e esclarecimento de dúvidas a distância ou presencial.

Apoio na implantação de Núcleos de Telessaúde

Com o objetivo de compartilhar conhecimentos e experiências para contribuir na melhoria da saúde em outros estados e países, o TelessaúdeRS-UFRGS apoiou a formação de novos núcleos de Telessaúde de 2011 a 2015. As atividades envolvidas foram desde orientações para a contratação e treinamento da equipe até a capacitação dos profissionais de saúde nas ferramentas de Telessaúde.

Desde de 2014 presta apoio na implantação do núcleo de Telessaúde de Moçambique. Capacitações de teleconsultores e telerreguladores, testes, auxilio em organização de infraestrutura e identificação, são algumas das ações realizadas pelo Projeto na implantação do Núcleo no país africano.

Rede de Teleassistência de Minas Gerais[7][editar | editar código-fonte]

Em 2005, em resposta a uma Chamada Pública da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG) e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) articulou-se a primeira ação de telessaúde para regiões remotas em Minas Gerais, implementou-se o serviço de teleassistência em 82 municípios. Essa ação, que contou com o apoio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi estruturada como um projeto de pesquisa denominado Minas Telecardio [8]. O objetivo era verificar a hipótese de que a implantação de sistema de telecardiologia de baixo custo em pequenas cidades do interior do Brasil era factível e viável, sendo possível reduzir encaminhamentos desnecessários, melhorar a qualidade da assistência e reduzir o custo da atenção à saúde.

Em 2001 iniciou-se o desenvolvimento de um modelo de telessaúde para apoio à Atenção Primária com foco na teleassistência, por meio de parceira entre o Hospital das Clínicas da UFMG (HC/UFMG) e a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA/BH). Na época, o acordo de cooperação internacional com o Centro Hospitalar Universitário de Rouen, França foi fundamental para o processo por servir de base para capacitação da equipe. A realização conjunta do Primeiro Seminário de Tecnologias da Informação na Área da Saúde, Aplicações e Perspectivas no Brasil e França marcaram essa fase contribuindo para o desenvolvimento da telessaúde no HC/UFMG.

A partir da união de pesquisadores experientes e qualificados de cinco hospitais escola, um dos requisitos da Chamada Pública, foi instituída a Rede de Teleassistência de Minas Gerais (RTMG) [9], constituída por cinco universidades públicas do estado: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade Federal do Triangulo Mineiro (UFTM), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e adesão posterior da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ) em 2009. Foram estruturados polos regionais vinculados a essas universidades, com estrutura clínica e técnico-administrativa necessária ao trabalho proposto.

Evolução do modelo de telessaúde em Minas Gerais[7][editar | editar código-fonte]

A Rede de Teleassistência de Minas Gerais (RTMG), coordenada pelo Centro de Telessaúde do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HCUFMG), é composta por seis universidades públicas (Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes)e Universidade Federal de São João Del Rey). A RTMG presta atendimento a 873 pontos em 660 cidades mineiras desde 2006 com sua última expansão em 2014 [10]. Visa dar suporte aos profissionais da Atenção Primária por meio de atividades assistenciais e educacionais para melhorar a qualidade do atendimento à população de municípios pequenos e remotos. As principais atividades são a teleconsultoria-discussão assíncrona, via Internet, de casos clínicos entre os profissionais locais e os especialistas das universidades e análise e laudos de exames diagnósticos como eletrocardiograma (ECG), que são realizados nos municípios e enviados pela Internet às universidades. A realização dessas atividades permite a redução dos encaminhamentos desnecessários de pacientes a consultas ou propedêuticas especializadas, reduz o tempo de diagnóstico, colabora na fixação de profissionais em zonas remotas por reduzir a sensação de isolamento e promover sua educação permanente, além de reduzir custos com o sistema de saúde.Desde a sua criação, a RTMG realizou mais de 1,2 milhão de laudos de ECGs e mais de 50.000 teleconsultorias em medicina, enfermagem, odontologia, fisioterapia, nutrição, farmácia, fonoaudiologia e psicologia. Nos últimos três anos, a Rede tem trabalhado ainda, no desenvolvimento de modelos de suporte a decisão, visando o auxílio na condução de condições crônicas de saúde.

A integração dos projetos de telessaúde a nível nacional, estadual e municipal permitiu a criação de importante estrutura de teleassistência e tele-educação no estado, permitindo o compartilhamento do conhecimento entre as universidades e os municípios abrindo-se perspectivas quase infinitas de atuação conjunta e otimização do ensino, pesquisa e assistência à saúde em Minas Gerais. Desta forma, o histórico da telessaúde em Minas Gerais evidencia o seu pioneirismo, não só no componente de articulação política e financiamento, mas também na evolução do modelo de telessaúde adotado. O trabalho realizado foi formalmente reconhecido por meio de prêmios e distinções nacionais e internacionais recebidas.

A seguir um resumo da evolução do modelo de telessaúde em Minas Gerais:

1) Telessaúde como novo processo de trabalho: Início em 2004 com objetivo de prover educação permanente e suporte assistencial para os profissionais do Programa Saúde da Família da capital por meio de teleconsultorias online e offline e teleconferências educacionais.

2) Telessaúde como Pesquisa Acadêmica: Em 2005, por meio do projeto de pesquisa Minas Telecardio, 82 municípios foram conectados a cinco polos universitários por meio de atividades de telecardiologia. A pesquisa resultou na constatação da efetividade e validação de sistema de telecardiologia para regiões remotas.

3) Telessaúde como ação estratégica de fortalecimento da Atenção Primária: Em 2007, houve a integração de 100 municípios do projeto Telessaúde Brasil do Ministério da Saúde e iniciou-se as atividades de teleconsultorias offline. Em 2008, a SES/MG manteve o apoio financeiro para manutenção do serviço e expansão para mais 97 municípios.

4) Telessaúde como serviço de suporte as Redes de Atenção: Em 2009, com nova expansão para 328 municípios, a telessaúde passa a ser reconhecida como um serviço regular, denominado Tele Minas Saúde disponível para 557 municípios e se incorpora definitivamente ao sistema de saúde do estado com perspectiva de expansão para todos os níveis de atenção. Em 2011, 50 municípios foram incorporados à RTMG, totalizando 660 municípios.

Resultados da telessaúde em Minas Gerais[editar | editar código-fonte]

Atualmente a RTMG presta serviços de telessaúde a mais de 660 municípios de Minas Gerais. São oferecidos os serviços de Telediagnóstico (laudo de eletrocardiograma, MAPA e Holter) e Teleconsultoria. A telecardiologia é composta por laudo de eletrocardiograma (ECG) e discussão de casos clínicos urgentes de cardiologia. Para utilizar o serviço de telecardiologia, o município atendido recebeu um computador, uma impressora e um eletrocardiógrafo digital. Um profissional de saúde qualificado do município realiza o exame e envia através do sistema. O exame então é laudado por médicos especialistas em cardiologia em uma central de laudos. O laudo do exame é enviado, via sistema, para o município solicitante que pode imprimi-lo e disponibilizar para o médico local e paciente[11].

A Teleconsultoria é definida através da portaria 2.546 do Ministério da Saúde (2011)[12] como uma consulta entre profissionais da área da saúde, por meio de tecnologia, com objetivo de esclarecer dúvidas sobre procedimentos clínicos, ações de saúde e questões relativas ao processo de trabalho.

Em Fevereiro/2014, a RTMG havia realizado mais de 1,6 milhão de laudos de eletrocardiograma e mais de 56 mil teleconsultorias. Foram implantados também serviços de laudo de MAPA e Holter para diversos pontos remotos de Minas Gerais[13].

Além dos resultados assistenciais, a implantação da telessaúde gera um grande economia de recursos para o sistema de saúde de Minas Gerais apresentando uma taxa de retorno sobre investimento R$ 2,75 para cada R$ 1,00 investido. Esse cálculo leva em consideração o total dos investimentos realizados para implantação da telessaúde e a economia proporcionada pela telessaúde para o sistema de saúde no período de junho/2006 a julho/2011. A economia gera é estimada em R$ 31.970.549,13[14].

A população alvo é constituída de cidadãos de baixa renda residentes em municípios remotos e usuários dos serviços públicos de saúde.  Atualmente, o programa está ligado a 1.916  Equipes de Saúde da Família (ESF) com possibilidade de beneficio para uma população de mais de 5.7 milhões de habitantes de todas as faixas etárias, pois o atendimento engloba todas as áreas, da medicina fetal e neonatologia à geriatria. Por meio das atividades de telessaúde, o atendimento na rede pública de saúde passa a ter suporte multidisciplinar de especialistas das universidades, colaborando para que o Sistema Único de Saúde cumpra seu papel de universalidade, integralidade e equidade. Os serviços de telessaúde resultam em benefícios não somente aos pacientes, mas também aos profissionais da saúde, isolados e sem recursos tecnológicos para diagnosticar e tratar determinadas patologias e casos críticos. Além da Atenção Primária, o serviço de telediagnóstico está em operação em diversas unidades de urgência, beneficiando também essa população que passa a contar com serviço especializado de qualidade a distância.

Até o início das operações da RTMG, o acesso a especialistas nas diversas áreas da saúde por pacientes de pequenas cidades no interior de Minas Gerais, particularmente em regiões remotas, era restrito e, quando possível, com um enorme desconforto através de viagens longas por estradas mal conservadas. Além disso, visto que essas cidades se localizam principalmente em regiões pobres, os gastos com transporte desses pacientes representavam uma parcela considerável do orçamento municipal (em alguns casos, até 25% dos gastos municipais com saúde).A implantação da telessaúde causou grande impacto na qualidade de vida dessa população e nas finanças desses pequenos municípios. Facilitando o acesso aos especialistas nos grandes centros, a telessaúde permite diagnósticos mais rápidos e tratamentos mais eficazes.Do ponto de vista econômico, a telessaúde reduz os gastos públicos de saúde, visto que no atendimento presencial, o deslocamento do paciente até o especialista custa cerca de dez vezes mais que o custo do atendimento à distancia. Desde o início das atividades da RTMG a telessaúde em Minas Gerais economizou para o sistema público de saúde cerca de R$ 35 Milhões(até Julho/2013) para um investimento de R$ 16,5 Milhões. Exemplificando o impacto econômico dessa tecnologia, a economia resultante da redução pela telessaúde de 4 encaminhamentos por mês em cada município (1% dos encaminhamentos mensais) é suficiente para cobrir todos os gastos da Rede

Núcleo Telessaúde SC[15][editar | editar código-fonte]

O Núcleo Telessaúde SC oferece apoio assistencial e educação permanente aos profissionais de saúde por meio de diversos serviços. O principal objetivo é fortalecer a Atenção Básica investindo no protagonismo das equipes.

O Telessaúde SC é um dos núcleos que compõem o Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes, e atua em todo o território nacional, com parcerias estabelecidas desde sua origem.

O Núcleo Telessaúde Santa Catarina, em parceria com a SES-SC e algumas secretarias municipais, tem cobertura para 100% dos municípios do estado, com oferta de todos os serviços previstos no Programa Nacional, consolidando-se como uma importante ferramenta de apoio assistencial e educação permanente dos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS).

Histórico[16][editar | editar código-fonte]

O Telessaúde Santa Catarina é um dos Núcleos que compõem o Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes, e atua em todo o território nacional, com parcerias estabelecidas desde sua origem.

Esse Programa foi criado no Ministério da Saúde no ano de 2007, mas em 2005 a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SC) já havia dado início a uma proposta de exames a distância com oferta de laudos por especialistas, por meio de um Programa Estadual denominado Telemedicina. Sua proposta foi facilitar o acesso do cidadão aos exames médicos de média e alta complexidade, iniciando seu piloto com a emissão de laudos à distância para Eletrocardiogramas e exames laboratoriais. Também foi implantada uma rede digitalizada para facilitar a comunicação intra hospitalar para serviços de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e raio X. A estrutura tecnológica do sistema de Telemedicina foi desenvolvida pelo INCoD, do Departamento de Informática e Estatística do Centro Tecnológico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Em 2007, quando o Ministério da Saúde criou o Programa Telessaúde Brasil, Santa Catarina já possuía experiência em Telemedicina e uma considerável cobertura de rede, sendo um dos nove estados selecionados para estabelecer um dos Núcleos Estaduais de Telessaúde e ofertar os serviços de teleconsultoria, tele-educação e segunda opinião formativa.

Por três anos, Telemedicina e Telessaúde atuaram com plataformas e objetivos específicos diferentes, até que em 2010  foram integrados, formando o Sistema Catarinense de Telemedicina e Telessaúde (STT). Passou-se a ofertar, numa mesma plataforma, laudos a distância de diversas modalidades, acesso dos pacientes aos exames, webconferências, minicursos e teleconsultorias. Atualmente, o Telessaúde Santa Catarina tem cobertura para 100% dos municípios do estado, com oferta de todos os serviços previstos no Programa Nacional.

Serviços[editar | editar código-fonte]

Tele-educação[17][editar | editar código-fonte]

O Núcleo Telessaúde SC realiza diversas atividades de educação permanente, sempre voltadas aos profissionais de saúde. Elas têm como foco a contínua reflexão e avaliação dos processos de trabalho e das práticas de saúde. São ofertados:

  • Cursos a distância: cursos de curta duração sobre temas relevantes na área da saúde, sempre com certificação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
  • Webpalestras: palestras virtuais que ocorrem semanalmente ao vivo (e são disponibilizadas on-line) abordando temas atuais e presentes na rotina dos profissionais de saúde
  • Webseminários, Fóruns de Discussão, Reuniões de Matriciamento: espaços de discussão entre profissionais e equipes de saúde com foco em temas clínicos ou de processo de trabalho, buscando a interação e o compartilhamento de experiências entre os participantes.

Telediagnóstico[18][editar | editar código-fonte]

Possibilita o acesso a exames e laudos médicos a distância, com rapidez e facilidade. A partir do fornecimento de tecnologias às unidades de saúde, exames de diferentes especialidades são laudados por meio do portal on-line do Sistema Catarinense de Telessaúde e Telemedicina (STT). Esse serviço é ofertado em Santa Catarina em parceria com Secretaria Estadual de Saúde (SES/SC) com tecnologia da UFSC. Desde 2005, quando foi lançado, até abril de 2018, aproximadamente 1,7 milhão de exames foram realizados por meio desse sistema!

Teleconsultoria[19][editar | editar código-fonte]

O serviço de teleconsultoria consiste em uma consulta entre o profissional de saúde e Um teleconsultor do Telessaúde SC. O objetivo é que o teleconsultor possa responder as dúvidas sobre manejo, condutas, procedimentos clínicos, ações de saúde e questões relativas ao processo de trabalho. As respostas são baseadas em evidências científicas atuais e adequadas ao contexto do profissional de saúde. A teleconsultoria pode ser síncrona (realizada em tempo real) ou assíncrona (realizada por meio de mensagens off-line e respondidas em até 72 horas). Esse serviço visa apoiar os profissionais nas questões práticas diárias, ampliando e qualificando as possibilidades de cuidado e a eficácia da Atenção Básica.

Integração com a Regulação[20][editar | editar código-fonte]

A grande aposta do Telessaúde SC atualmente é a integração com as centrais de regulação estadual e municipais para inserção da teleconsultoria no fluxo de encaminhamentos para média complexidade. Assim, pacientes que precisam de encaminhamento com urgência são priorizados e aqueles que não precisam são atendidos com rapidez e segurança na Atenção Básica!

Segunda Opinião Formativa[21][editar | editar código-fonte]

São dúvidas enviadas para o serviço de Teleconsultoria por profissionais de saúde que, por sua relevância, são selecionadas e revisadas, com base nas melhores evidências científicas e clínicas, para serem publicadas no acervo on-line da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Com base nesse conjunto de perguntas e respostas, os profissionais podem tirar suas dúvidas a partir da leitura de situações ou casos semelhantes aos presentes na sua rotina de trabalho.

Papo Saúde[editar | editar código-fonte]

O Papo Saúde é série de vídeos quinzenal produzida pelo Núcleo Telessaúde SC com o objetivo de ampliar as reflexões e a compreensão sobre saúde e cidadania de forma leve e descontraída, sem perder o foco no interesse público e na relevância das discussões propostas. Os vídeos também são disponibilizados com legenda para uso do público ou exibição na UBS através do e-mail telessaudesc@gmail.com.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://dab.saude.gov.br/portaldab/biblioteca.php?conteudo=publicacoes/manual_telessaude
  2. E-Health, Telehealth, and Telemedicine: A Guide to Startup and Success
  3. http://www.rute.rnp.br
  4. http://www.telessaudebrasil.org.br
  5. SUS tem rede de apoio virtual - O Estado de S.Paulo, 7 de março de 2010 (visitado em 7-3-2010)
  6. Página da Secretaria Estadual do Rio Grande do Sul - http://www.saude.rs.gov.br/lista/545/Telessa%C3%BAdeRS
  7. a b Alkmim, MBM; Ribeiro, AL. (Org.). Incorporación de la telesalud en el sistema público de salud de Minas Gerais, Brasil. 1aed.Santiago de Chile: Naciones Unidas, 2012
  8. Ribeiro, A. L. P. et. al (2010), "Implantação de um sistema de telecardiologia em Minas Gerais: projeto Minas Telecardio." Arq Bras Cardiol, vol. 95, No.
  9. Alkmim, M. B. M. y otros (2007), "Success Factors and Difficulties for Implementation of telehealth System for Remote Villages: Minas Telecardio Project Case in Brazil." Journal of Health Technology and Application, vol. 5, No 3.
  10. http://www.telessaude.hc.ufmg.br/telessaude/index.php?option=com_content&view=article&id=23&Itemid=35
  11. ALKMIM, M.B. e RIBEIRO, A.L.P. (org.) e outros. Incorporación de la Telesalud em el Sistema Público de Salud de Minas Gerais, Brasil. Publicado por: Comisión Económica para América Latina y el Caribe (CEPAL), Nações Unidas (ONU). Santiago de Chile, 2012. Disponível em: <http://www.eclac.cl/publicaciones/xml/6/48606/TelesaludMinaGerais.pdf>. Acessado em: 19/12/2012
  12. Ministério da Saúde. "Portaria 2.546", 2011. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm./2011/prt2546_27_10_2011.html>. Acessado em: 27/12/2012
  13. http://www.telessaude.hc.ufmg.br
  14. FIGUEIRA, R. M. e outros. Estudo de Análise Econômica e de Impacto da Aplicação de Serviços de Telessaúde na Atenção Básica em Municípios de Minas Gerais - Relatório Final, Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, 2012
  15. «Telemedicina e Telessaúde SC - Soluções inovadoras para saúde». telessaude.ufsc.br. Consultado em 22 de junho de 2018. 
  16. «Histórico - Sistema Catarinense de Telemedicina e Telessaúde». telessaude.ufsc.br. Consultado em 22 de junho de 2018. 
  17. «Tele-Educação - Sistema Catarinense de Telemedicina e Telessaúde». telessaude.ufsc.br. Consultado em 22 de junho de 2018. 
  18. «Telediagnóstico - Sistema Catarinense de Telemedicina e Telessaúde». telessaude.ufsc.br. Consultado em 22 de junho de 2018. 
  19. «Teleconsultoria - Sistema Catarinense de Telemedicina e Telessaúde». telessaude.ufsc.br. Consultado em 22 de junho de 2018. 
  20. «Regulação Regional - Sistema Catarinense de Telemedicina e Telessaúde». telessaude.ufsc.br. Consultado em 22 de junho de 2018. 
  21. «Segunda Opinião Formativa - Sistema Catarinense de Telemedicina e Telessaúde». telessaude.ufsc.br. Consultado em 22 de junho de 2018. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Em português[editar | editar código-fonte]

Em outras línguas[editar | editar código-fonte]