Terapia de vidas passadas

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Terapia de vidas passadas (TVP), regressão, regressão de memória ou ainda retrocognoterapia (Salvino, 2008) consiste em fazer o paciente relembrar suas supostas vidas passadas através da hipnose.[1][2]

Histórico[editar | editar código-fonte]

O nome Terapia de Vidas Passadas (Past Life Therapy) foi cunhado pelo Doutor em Psicologia Morris Netherton, em 1967, quando desenvolveu um método próprio de hipnose, que designou como Hipnose Ativa. O fundamento dessa abordagem extrai da hipnose regressiva o seu fundamento: em estado alterado de consciência, o cliente regressaria a um passado além do limiar da vida atual, onde se encontra um reservatório mnemônico cuja instância é o que o pesquisador Hemandra Banerjee denominou de "memória extra-cerebral". Segundo a hipótese da Terapia de Vidas Passadas, ao atingir o núcleo do trauma, seu inconsciente libera o material psíquico retido através do que Freud chamou de "catarse". Com a catarse, a energia psíquica é liberada e o sujeito sentiria um alívio significativo em seus sintomas. Esse alívio psíquico seria a causa das curas físicas e psicológicas registradas pelos terapeutas de regressão. Além de Morris Netherton, são considerados os precursores dessa corrente terapêutica Hans Tendam, Roger Woolger e Edith Fiore. Até hoje, esses autores são considerados referências na área e leitura obrigatória nos cursos de formação.

A terapia pode ser feita pela ajuda da hipnose, mas alguns ensinamentos não necessitam deste método. A hipnose possibilita ao experienciador adentrar em estados mais profundos de consciência ou o transe regressivo propriamente dito, onde desencadeia o fenômeno da retrogocnição ou lembrança de vidas passadas. Outros métodos podem ser usados, como por exemplo, a autopesquisa contínua de alguma dificuldade pessoal. O autopesquisador adentra profundamente dentro de si, pesquisando-se até que em dado momento regride sozinho, lembra de flash ou de situação continua em sonhos PES (percepção extrassensorial). Se lembrando de experiências no passado ou traumas, uma pessoa pode identificar a origem de seu problema e curá-lo. Um dos mais famosos escritores americanos sobre o assunto é Brian L. Weiss, graduado pela Columbia University e Yale Medical School e titular da cadeira de psiquiatria no Mount Sinai Medical Center de Miami,[2] com várias obras traduzidas para o português.

Ela pode ser útil de várias formas, no tratamento de: fobias e medos irracionais, problemas psicossomáticos, disfunções de alimentação, problemas familiares, distúrbios sexuais, problemas de casamento e de relacionamento. Ela trata padrões negativos de ser e de agir, encontrando os motivos para as dificuldades na vida atual e pondo em ação uma mudança positiva, modificando atitudes e formas de entender a existência. O motivo para procurar a terapia de vidas passadas, diferente do que pensam muitas pessoas, não é procurar mudar nada no passado, mas sim melhorar sua vida agora. Com muita frequência traumas e padrões negativos de comportamento do passado continuam a nos influenciar, sem que nos apercebamos, até hoje e isso pode se manifestar no presente como uma fobia, alergia, uma doença crônica ou uma deficiência física, um vício, um distúrbio mental, incapacidade de se relacionar, uma atração ou repulsa inexplicável em relação a alguém.[3]

Proponentes[editar | editar código-fonte]

Entre os conhecidos terapeutas dos países de língua inglesa que utilizam e ensinam a Terapia de Vidas Passadas incluem-se os Drs. Brian Weiss, Barbara Brennan e Ken Page nos E.U.A. e o Dr. John Plowman no Reino Unido. Em quase todos os grandes centros do Brasil encontra-se psicólogos e psiquiatras que aplicam a técnica.

No Brasil existem diversas linhas terapêuticas de TVP, cada qual possuindo suas particularidades e diferenças. Em ultima análise, as semelhanças entre elas são muito mais consideráveis que as diferenças. As divergências se situam num plano mais teórico e no foco que cada terapeuta concentra a sua atenção. As escolas mais sérias, como ensinadas pelo INTVP, fundado por Maria Júlia e Ney Prieto Peres, não se utilizam do aspecto espiritual e o relegam a segundo plano, preferindo focar em aspectos psicológicos próprios da consciência objetiva atual e do "significado" que a pessoa dá a experiência de vidas passadas. Outras abordagens, como a da SBTVP ( Sociedade Brasileira de Terapia de Vidas Passadas) por outro lado, procura colocar a TVP num nível mais kármico, levando em consideração a missão de vida do atendido. Esta é considerada por alguns como a abordagem mais espiritual da Terapia de Vidas Passadas no Brasil, pois supostamente lida com a questão das "presenças" (espíritos obsessores para o Espiritismo)[4]. Outras abordagens menos ortodoxas utilizam a técnica do mentor (seria uma alma de maior adiantamento espiritual que vem auxiliar nas regressões), da proposta encarnatória (nossa missão na vida), do pós-morte (a vida após a morte), vidas futuras, guias espirituais, dentre outros.

Pressupostos teóricos[editar | editar código-fonte]

Desde muito tempo atrás, séculos, milênios, uma grande parcela da humanidade já carrega consigo a certeza da reencarnação. Os povos orientais, especialmente, levaram para dentro de suas filosofias e religiões esse conceito. A psicologia no mundo ocidental parece ter levado quatro mil anos para começar a vislumbrar a explicação da reencarnação para justificar as doídas dores da alma do homem contemporâneo; suas depressões, seus delírios, suas ansiedades e somatizações, seus padrões negativos de comportamento , tudo aquilo, enfim, que ele usa para se manter vivo. Embora há poucos anos entre nós, já há algumas décadas terapeutas em diferentes partes do mundo, especialmente nos Estados Unidos, começaram a confrontar-se com experiências pessoais ou de clientes que durante sessões de psicoterapia ou de hipnose vivenciaram acontecimentos ocorridos em épocas passadas, em outra faixa de tempo, sabendo mesmo, por exemplo, relatar fatos históricos dos quais não tinham tido nenhuma informação cultural anterior, ou a falar línguas a eles estranhas. A partir do estudo sistematizado dessas experiências, e principalmente dos resultados terapêuticos obtidos, técnicas de regressão no tempo foram estudadas e aperfeiçoadas, sendo possível ao cliente lembrar-se de todo o processo.

O objetivo é propiciar ao indivíduo oportunidades seguras para que possa revivenciar os episódios traumáticos, geralmente ocorridos em situações que ficaram mal resolvidas no passado e se transformaram em problemas no presente. ao tomar conhecimento do trauma anterior, o indivíduo traz para o nível do entendimento, para a mente consciente, o porquê do problema, que vem sendo experimentado até então desconectado da razão. Para a maioria das pessoas a regressão se faz acompanhar de uma catarse dessa energia bloqueada na forma de uma grande liberação de emoções. Noutras vezes o indivíduo ainda necessita de uma reprogramação de vida, a esse processo a terapia de vida passada chama conscientização e transformação. Como todas as técnicas psicoterápicas, inclusive as analíticas, a TVP trabalha com as dores emocionais sendo uma ciência do comportamento humano, enquanto terapia, usando da compilação e sistematização como técnica do tratamento.[5]

A maior parte do trabalho terapêutico compreende liberar algo que ficou bloqueado no passado, ou está preso no inconsciente do indivíduo, este fardo, transportado para a vida atual, precisa ser eliminado através do seu esclarecimento e de sua compreensão, para dar lugar a um novo tipo de resposta psíquica e comportamental, esse é o objetivo da terapia. A causa original pode ser emocional, física ou mental, mas ficará marcada como uma cicatriz na vida atual e poderá se manifestar como alguma forma de doença ou outro tipo de mal-estar, não necessariamente físico. A recordação, desidentificação e resignificação desses problemas do passado, com a posterior  reprogramação de modos de ser e agir perante a vida é que vão proporcionar a cura.

A diferença fundamental entre a TVP e as outras escolas psicológicas ortodoxas como a psicanalítica, a cognitiva-comportamental e muitas outras é a crença na reencarnação e o entendimento de que a nossa espiritualidade, sendo parte integrante e inseparável de nosso ser, também pode padecer de processos patológicos que levam a repercussões desagradáveis em nossa vida levando à dor, ao sofrimento e ao desespero. Existe uma tendência a se mistificar a TVP ou mesmo associá-la a determinadas religiões, é provável que isso aconteça justamente pela abordagem espiritualizada e reencarnacionista do processo em si, o que é indissociável de suas bases teóricas. Como nas sociedades ocidentais ciência e espiritualidade ainda são incompatíveis existe uma tendência a que as escolas, conselhos e entidades de classe tomem partido de determinada opinião mais "psicológica" e "científica" taxando esse tipo de terapia de "espírita", "mística" ou simples charlatanismo, que infelizmente, temos que admitir, pode acontecer, como em qualquer área do conhecimento humano[6]

Visão espírita[editar | editar código-fonte]

Ensina a Doutrina Espírita que o esquecimento do passado é necessário para que o espírito em sua atual existência não seja sobrecarregado com as lembranças e emoções de outras vidas.

Existe uma passagem do "Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, que alguns defendem autorizar o resgate das memórias de encarnações passadas:

“Ao entrar na vida corporal, o Espírito perde, momentaneamente, a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as ocultasse; entretanto, às vezes, tem uma vaga consciência disso e elas podem até mesmo lhe ser reveladas em algumas circunstâncias. Mas é apenas pela vontade dos Espíritos Superiores que o fazem espontaneamente, com um objetivo útil e nunca para satisfazer uma curiosidade vã.“

Vemos nessa passagem do “Livro dos Espíritos” que é possível lembrar de existências anteriores, quando há um motivo útil e quando os espíritos superiores aprovam.

Estudiosos espíritas costumam dizer que a TVP não é uma brincadeira, mas uma técnica séria e que deve, portanto, ser procurada apenas quando necessária. Em outras palavras, não se deve encarar a regressão como uma chance de descobrir uma vida passada ilustre ou por mera curiosidade.

Apesar da confusão sobre os dois temas: terapia de vidas passadas e espiritismo (pelo fato da TVP se basear na crença da reencarnação) a terapia se baseia em preceitos científicos estruturados através de estudos e pesquisas realizadas por psicólogos e psiquiatras como: Maria Júlia Peres, Lívio Túlio Pincherle, Hernani Guimarães Andrade, Hellen Wambach, Morris Netherton, etc. É um processo psicoterápico que trata de problemas psicológicos e emocionais, já o Espiritismo é uma doutrina religiosa, com crenças e dogmas que procuram ajudar o homem a resolver seus problemas de ordem espiritual para alcançar uma melhor evolução de seu espírito a longo prazo. Espiritismo é religião, terapia de vidas passadas é ciência, ainda com suas dúvidas e controvérsias, mas embasada em teorias semelhantes à outras disciplinas psicológicas.[7]

No livro Memória Cármica Emocional é descrito o Mecanismo do Carma, aliando mensagens psicografadas, ciência e casos verídicos, com seus desdobramentos complexos que envolvem as relações afetivas, que muitas vezes na vida atual, apresentam conflitos sem causa conhecida, sentimentos ocultos, que advém das memórias e de nossas experiências do passado. Quando acessamos a causa, mudamos nossa percepção e comportamento.

Visão cética[editar | editar código-fonte]

Céticos afirmam que apesar de os pacientes realmente acreditarem ter lembrado vidas passadas, trata-se de memórias falsas.[2]

Segundo o psicólogo cético Robert Baker, a crença na reencarnação é o principal previsor de que o paciente terá uma memória de vidas passadas durante a terapia de vidas passadas.[2]

Um dos casos mais notórios da terapia foi o de uma mulher americana que lembrava ter sido Bridey Murphy, e cantava canções irlandesas antigas; quando o caso foi investigado, foi demonstrado que ela lembrava não de uma vida passada, mas da sua infância.[8] O livro The Search for Bridey Murphy detalha esta história.[8]

O inegável é que mesmo que sejam fantasia, imaginação, alucinações ou mesmo criações mentais as regressões, dentro do processo terapêutico, são capazes de fazer sintomas desaparecerem ou promover a cura de aspectos doentios de personalidade. A maioria dos pacientes que passaram pela terapia de vidas passadas, diga-se de passagem, livraram-se de vários sintomas e melhoraram sua qualidade de vida[9].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Remembrances of Lives Past, Reportagem do The New York Times
  2. a b c d past life regression], site www.skepdic.com
  3. Souza, Ney (2010). «Site vidaspassadas.net». Consultado em 15 de dezembro de 2016 
  4. Pincherle, Lívio Túlio (1990). Terapia de vida passada. São Paulo: Summus Editora 
  5. Guimarães, Maria Teodora (1990). Terapia de vida passada. São Paulo: Summus Editorial. pp. 111,112,113 
  6. Souza, Ney (2010). «Site vidaspassadas.net». Consultado em 15 de dezembro de 2016 
  7. Souza, Ney (2010). «Site vidaspassadas.net». Consultado em 15 de dezembro de 2016 
  8. a b Bridey Murphy, no site www.skepdic.com
  9. Guimarães, Maria Teodora (1999). Viajantes. São Paulo: Editora do Conhecimento 

10. Coelho, Simone Mazzali T. (2017). Memória Cármica Emocional - O DNA espiritual oculto - Editora Appris - Artera

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