Torre Hassan

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Torre Hassan
Tour Hassan-Rabat-2.jpg
A Torre Hassan vista desde sul, o interior do recinto da mesquita incompleta
 Marrocos, Rabat
34° 1' 27" N 6° 49' 22" O
Status Inacabada
Construção 1184–1199 (815 anos)
Estilo arquitetônico Almóada
Uso Minarete; local histórico e turístico
Altura
Telhado 44 m
Construção
Contratante Yakub al-Mansur

A Torre Hassan (em francês: Tour Hassan; em árabe: صومعة حسان) é o minarete de grandes dimensões construído no século XII da Mesquita Hassan. Situa-se em Rabat, a capital de Marrocos, e apesar de inacabado, é um dos ícones de Rabat. A mesquita pretendia ser a maior do mundo,[1] a seguir às de Meca e à Grande Mesquita de Samarra, no Iraque, mas a sua construção foi abandonada em 1199.[2]

A mesquita fazia parte do plano do califa almóada Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur (Yakub I; referido como Almançor nos documentos históricos portugueses) de transformar Rabat na sua capital e no símbolo do "do seu poder e da sua fé"[1] e comemorar a sua retumbante vitória sobre os cristão na batalha de Alarcos.[3] Pretendia-se que minarete, mais de 80  metros de altura, como a mesquita, fosse o maior do mundo, mas não ultrapassou pouco mais de metade do planeado (44 metros). Construído em arenito vermelho,[4] as obras foram iniciadas em 1184[5] ou 1195, mas foram interrompidas após a morte de Yakub e nunca foram retomadas. O resto da mesquita também ficou incompleta, tendo apenas sido construídas partes de algumas paredes e erigidas 200 colunas.[2]

Além da mesquita, Yakub al-Mansur promoveu outras grandes obras em Rabat, sobretudo de carácter militar, como terminar a construção da Casbá dos Oudaias iniciada pelo seu avô Abd al-Mu'min e dotar a cidade de extensas muralhas,[1] que delimitavam uma área que se fosse urbanizada teria espaço para muito mais de 100 000 habitantes, o que esteve muito longe de acontecer até ao século XX, pois após a morte de Yakub, os seus sucessores abandonaram a cidade em favor da mais desenvolvida Salé, situada no outro lado do rio Bu Regregue.[6]

O Mausoléu de Mohammed V, onde jaz o rei Mohammed V de Marrocos(1909–1961) e os seus dois filhos, o rei Hassan II de Marrocos (1929–1999; pai de Mohammed VI, coroado em 1999) e de Moulay Abdallah, completado em 1971, foi construído na extremidade do recinto da mesquita inacabada oposta à da torre. Juntamente com a mesquita anexa ao mausoléu, o conjunto situado junto à margem do rio Bu Regregue, forma um dos conjuntos históricos mais importantes de Rabat e é uma das principais atrações turísticas da cidade.[6] A maior parte do recinto que deveria ser a mesquita almóada assemelha-se a um bosque de grossas colunas.[2]

Descrição[editar | editar código-fonte]

A torre é uma das obras emblemáticas da arquitetura almóada. A sua escala monumental não tem paralelo no Magrebe da sua época e é considerada um dos melhores exemplares da arquitetura islâmica ocidental.[2] O seu estilo é similar ao de outros dois minaretes célebres construídos durante o reinado de Yakub al-Mansur: a Giralda de Sevilha e a Koutoubia de Marraquexe, sendo este último o mais antigo. Segundo a tradição, os três minaretes foram projetados pelo eminente cientista sevilhano Jabir ibn Aflah (Geber), sem bem que geralmente se aponte Ahmad Ben Baso, outro Al Andalus, como arquiteto da Giralda, embora admitindo-se que teve a colaboração de Jabir. Em todo o caso, tanto a torre de Sevilha como a de Rabat têm uma planta e estilo muito semelhante ao da Koutoubia.[carece de fontes?]

O espaço da mesquita ocupa 26 000 m²[7] e forma um retângulo com 180 metros na direção norte-sul por 140 m na direção este-oeste (ou 183 por 138 m segundo outras fontes).[7] Teria 14 portas e seria a maior mesquita medieval a seguir à de Samarra,[2] e a maior do ocidente islâmico, com o dobro do tamanho da maior mesquita de Marrocos, a Quaraouiyine de Fez, a qual tem capacidade para 20 000 fiéis.[6] O eixo longitudinal está orientado na direção da Qibla (Meca), uma característica comum nas mesquitas construídas no Califado Almóada. A mesquita situa-se numa encosta íngreme e para a sua construção foi erguida uma enorme plataforma plana ao nível do ponto mais elevado da encosta.[2]

Panorâmica da colina da Mesquita Hassan. O edifício branco em segundo plano é o Mausoléu de Mohammed V.

O minarete é quadrado, com 15 metros de lado (outras fontes refrem 16,2 m)[7] e encontra-se a meio do lado norte, alinhado com mihrab. Em vez de escadas, a torre tem rampas interiores, supostamente para que o almuadem pudesse subir até ao topo a cavalo para fazer as chamadas para as orações. Na encosta desse lado existem quatro escadarias, duas delas flanqueando o minarete. As escadas conduzem ao bairro vizinho da base da plataforma da mesquita, onde estava planeada a construção de um sahn (pátio) com diversas pontos de entrada para a mesquita. No lado sul, a chão da mesquita está praticamente ao nível das ruas vizinhas. No canto sudeste ergue-se o mausoléu de Mohammed V, assente numa plataforma mais elevada que o resto do recinto da mesquita.[2]

O que seria o interior da mesquita tem a estrutura de um vasto hipostilo,[2] com 19 naves[7] com colunas de iguais dimensões disposta em numa planta em grelha. A sala de orações central tem 21 arcadas, cada uma com 6 metros de largura e colunas espaçadas também 6 m entre si. A arcada central e as mais exteriores que formam as extremidades oriental e ocidental são lgeiramente maiores, com 10 m de largura. A planta da mesquita tem a forma de um T, que é típica das mesquitas magrebinas, com três vestíbulos transversais com 10 metros de largura paralelos à parede da qibla. Como a mesquita nunca foi acabada, o que se vê atualmente é a estrutura em grelha, marcada pelas bases das colunas, o que permite perceber a planta, mas não o volume.[2]

Recinto da mesquita vista do teto da pequena mesquita anexa ao Mausoléu de Mohammed V. Ao fundo avista-se a cidade de Salé.

No extremo norte da mesquita, há um sahn composto por 11 arcadas no sentido este-oeste e 7 arcadas no sentido norte-sul. Apesar das suas dimensões assinaláveis, com 70 por 42 metros, o sahn é relativamente pequeno se comparado com a vastidão do espaço coberto da mesquita, o que mais um vez é característico das mesquitas magrebinas. Existem mais dois sahns, junto à parede da qibla, algo muito pouco comum, que serviriam para suprir as necessidades de arejamento e iluminação da enorme sala de orações, para o que o sahn no lado norte seria insuficiente. Nestes pátios havia segregação de sexos, o que providenciava espaços ao ar livre dentro da mesquita só para homens ou só para mulheres.[2]

Devido ao facto das obras nunca terem ultrapassado as primeiras fases de construção, não há quaisquer elementos decorativos na estrutura principal. No entanto, o minarete, apesar de também incompleto e de aparência simples, apresenta um delicado e intrincado trabalho de relevos em todas as quatro faces,[2] com padrões de linhas entrelaçadas, arcos cegos e sebkhas (redes) diferentes em cada uma das faces. Alguns autores consideram o minarete a mais elaborada das estruturas almóadas.[6]

Apesar da mesquita nunca ter sido terminada, pelo menos conforme os planos originais, alguns autores referem que nela teria existido uma sala de orações com um teto em madeira de cedro que foi utilizada até 1755, quando foi destruída pelo mesmo terramoto que arrasou Lisboa e que também derrubou as colunas centrais.[6] Os materiais da mesquita foram usados ao longo dos séculos pelos habitantes locais para construirem as suas casas e algumas fontes referem que as colunas que atualmente existem são metade das que existiam originalmente.[3]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c Coindreau, Roger. Les Corsaires de Salé (em francês). 3ª (1ª ed. 1948) ed. [S.l.]: Eddif, 2006. 243 p. p. 37. ISBN 9789981896765 Página visitada em 30 de maio de 2012.
  2. a b c d e f g h i j k Jami' Hassan (em inglês). archnet.org. ArchNet: Islamic Architecture Community. Página visitada em 5 de agosto de 2012.
  3. a b Le Guide Vert - Maroc (em francês). Paris: Michelin, 2003. 460 p. p. 371. ISBN 978-2-06-100708-2
  4. Hoisington, William A., Jr.. Lyautey and the French Conquest of Morocco (em inglês). [S.l.]: Palgrave Macmillan, 1995. 288 p. p. 110. ISBN 9780312125295 Página visitada em 5 de agosto de 2012.
  5. Rabat, Modern Capital and Historic City: a Shared Heritage. UNESCO World Heritage Centre - World Heritage List (whc.unesco.org). Em inglês ; em francês. Páginas visitadas em 5 de agosto de 2012.
  6. a b c d e Ellingham, Mark; McVeigh, Shaun; Jacobs, Daniel; Brown, Hamish. The Rough Guide to Morocco (em inglês). 7ª ed. Nova Iorque, Londres, Deli: Rough Guide, Penguin Books, 2004. 824 p. p. 340. ISBN 9-781843-533139
  7. a b c d Hassan Mosque and Tower (em inglês). www.fundacion.telefonica.com. Fundación Telefónica. Página visitada em 5 de agosto de 2012.

Bibliografia e ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Torre Hassan
  • Caillé, Jacques. La mosquée de Hassan à Rabat (em francês). Paris: Arts et métiers graphiques, Institut des hautes-études marocaines, 1954.


Rabat, Capital Moderna e Cidade Histórica, um Património Partilhado A Mesquita e a Torre Hassan estão incluídas no sítio Rabat, Capital Moderna e Cidade Histórica, um Património Partilhado, Património Mundial da UNESCO. Welterbe.svg