Aletria

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Aletria, doce típico de Natal

Aletria (do árabe hispanizado alaṭríyya ou aliṭríyya, a partir do árabe clássico iṭriyah, sendo este derivado do aramaico rabínico iṭṭĕrī[tā]: espécie de massa; este último seria proveniente do latim attrīta: 'esmigalhada', 'sopa'[1] ) é uma massa alimentícia, de fios finos, utilizada para fazer sopas e doces. A palavra "aletria" é equivalente à italiana ou francesa "vermicelle". [2]

O Llibre de Sent Soví, um conjunto de dois manuscritos do século XIV, em catalão, contém a compilação de 200 receitas, dentre as quais existem duas com alatria (170 : Qui parla con se cou alatria ou "como se cozinha aletria" e 171 : Qui parla con se cou carn ab alatria ou "como se cozinha carne com aletria"),[3] [4] Entretanto, aquilo que chamava aletria deveria ter um formato bem diferente dos atuais fios finos de massa.[5]

A aletria provavelmente foi trazida para a Península Ibérica pelos mouros, no século VIII ou IX.[6] Manteve-se em Portugal e incorporada na culinária portuguesa, passando a designar a massa de fios muito finos, com a qual se prepara um doce típico de Natal, presente em quase todas as regiões do país. No entanto, com o tempo, o nome "aletria" foi desaparecendo na Espanha, mantendo-se apenas na região do antigo Reino de Múrcia. [7] Destaca-se que a cozinha catalã se enriqueceu muito com produtos divulgados pelos árabes, inclusive a aletria.[8]

Também no Brasil, a aletria é usada em doces e sopas,[9] sendo também conhecida como "macarrão cabelo de anjo".

Aletria doce[editar | editar código-fonte]

Em cada localidade, a aletria apresenta particularidades - maior o menor quantidade de massa, com ou sem gemas. Nas Beiras a aletria é de consistência compacta e pode-se cortá-la em fatias. No Minho a consistência é mais cremosa.

Na receita básica, coloca-se a aletria a ferver com leite; junta-se um pedaço de casca de qualquer citrino, açúcar mascavado e margarina. Deixa-se ferver até reduzir bem e acrescenta-se mais leite, caso seja necessário. Tira-se do lume, misturam-se gemas bem batidas, mexe-se bem e leva-se tudo ao lume a engrossar, mas sem deixar ferver. Depois, despeja-se numa travessa, retira-se a casca do citrino e polvilha-se com canela. [10]

Referências