Astério de Amasya

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Santo Astério de Amasya
Cidade turca de Amasya
Bispo de Amasya
Nascimento circa 350 d.C.1  em Capadócia
Morte circa 410 d.C.1  em Amasya, Ponto (província romana)
Veneração por Igreja Católica
Gloriole.svg Portal dos Santos

Santo Astério de Amasya foi elevado à posição de bispo de Amasya entre 380 d.C. e 390 d.C., após uma carreira como advogado. 1 2 . Ele nasceu na Capadócia e provavelmente morreu em Amasya, atualmente na Turquia e, na época, na província romana do Ponto. Parte significativa de seus sermões sobreviveu é particularmente importante para a história da arte e como fonte para entendermos como era a vida social durante seu tempo. Astério, bispo de Amasya, não deve ser confundido com o polemista ariano Astério, o Sofista2 .

Índice

Vida e obras [editar]

Astério de Amasya foi um contemporâneo mais jovem de Anfilóquio de Icônio e dos três grandes Padres capadócios2 . Pouco se sabe sobre a sua vida, exceto que ele foi educado por um escravo cítio. Como Anfilóquio, ele foi um advogado antes de se tornar um bispo entre 380 e 390 d.C., e ele se utilizou de seu talento profissional na retórica em seus sermões3 . Dezesseis homilias e panegíricos sobre os mártires ainda existem, com grande familiaridade com os clássicos e contendo uma rara concentração de detalhes sobre a vida cotidiana de sua época. Uma delas, a Oração 4: Adversus Kalendarum Festum, ataca os costumes pagãos e os exageros da festa de ano novo, negando tudo o que Libânio tinha dito em apoio a elas. Este sermão foi proferido em 1 de janeiro de 400 d.C. e é uma das evidências para identificar o período em que Astério pregou3 .

Referências artísticas [editar]

Na Oração 11: sobre o martírio de Santa Eufêmia, Astério descreve uma pintura do martírio e a compara com pinturas feitas por famosos pintores helênicos pré-cristãos, como Eufranor e Timômaco4 , o sermão foi citado duas vezes no Segundo Concílio de Niceia, em 787 d.C., que concluiu o período da iconoclastia, como evidência a favor da veneração de imagens2 . Como descrito por ele, o ícone da santa era uma tela em exposição numa igreja próxima ao seu túmulo. Ele desafiava os especialistas, pois a maneira como ele mostrava sua morte, pelo fogo, não condizia com os relatos tradicionais. A descrição é uma ekphrasis (descrição de uma obra de arte) excepcionalmente detalhada do período, embora os especialistas discordem sobre quão fiel ela é à obra real4 . Na "Oração 1:sobre o homem rico e Lázaro"5 , ele critica as roupas bizantinas:

..através de artíficios vãos e desejos viciados, você procura o linho fino e junta os fios dos vermes persas e tece a aerada teia da aranha e, no tintureiro, paga alto preço para que ele possa pescar a concha do mar para tingir a veste com o sangue da criatura [ púrpura ] - este é o ato de um homem excessivo, que abusa sua substância e que não encontra mais lugar para derramar sua supérflua riqueza. Pois no Evangelho, um homem assim é flagelado, sendo retratado como estúpido e feminilizado, se adornando com os adornos de pobres garotas
 
Oração 1, Astério de Amasya

Roupas decoradas com imagens religiosas e usadas por leigos ao que parece também fora condenadas:

..tendo encontrado alguma forma de tecer inútil e extravagante que, pelo enlace da agulha e da urdidura, produz o efeito de uma pintura [ tapeçaria ] e que imprime nas suas roupas as formas de variadas criaturas, produzem, para si e para sua esposa e filhos, roupas decoradas com flores e tecidas com dez mil objetos....Você pode ver nelas o casamento na Galiléia e jarros de água; o paralítico sendo carregado em sua cama; o cego sendo curado com a argila; a mulher no seu período segurando as bordas da roupa; a pecadora aos pés de Jesus; Lázaro retornando do túmulo. Ao fazê-lo, eles acham que estão agindo de forma piedosa e que estão vestidos de uma forma que agrada a Deus. Mas, se querem ouvir meu conselho, eles deveriam vender estas roupas e honrar a imagem viva de Deus. Não faça imagens de Cristo em suas roupas. Já é suficiente que ele tenha uma vez sofrido a humilhação de residir num corpo humano por iniciativa própria e pelo nosso bem. Assim, não o leve em suas roupas e sim em sua alma.
 
Oração 1, Astério de Amasya

Outros detalhes interessantes do modo de vida dos ricos são mencionados em sua condenação. A aparente contradição destas posições confundiram Arnold Hauser em sua famosa "História Social da Arte", que erroneamente declarou que Astério seria um iconoclasta6 . Porém, a crítica de Astério às imagens nas roupas não vinha de nenhuma objeção às imagens em si e sim por conta da frivolidade e do alto custo (inútil) da atitude.

Textos [editar]

Outros sermões de Astério de Amasya existiam ainda no tempo de Fócio, que fez referência a mais dez sermões adicionais desconhecidos em sua Bibliotheca, códice 271 2 . Um destes sermões perdidos indica que Astério morreu muito velho2 .

Quatorze sermões genuínos foram impressos por Migne na Patrologia Graeca (40, 155 - 480), com uma tradução para o latim2 , juntamente com outros sermões "de Astério", na verdade compostos por Astério, o Sofista. Outros dois sermões genuínos foram descobertos em um manuscrito em Monte Atos por M. Bauer. Eles foram publicados pela primeira vez por A. Bretz (TU 40.1, 1914).

Referências

  1. a b c Writers from the time of Augustine" (em inglês). [S.l.: s.n.]. Página visitada em 17/03/2011.
  2. a b c d e f g Asterius of Amasea. In: Roger Pearse (trad.). Sermons (1904): Preface to the online edition (em inglês). Ipswich, UK: [s.n.], dezembro de 2003.
  3. a b Introduction to his sermons (em inglês). Early Christian Writings. Página visitada em 17/03/2011.
  4. a b Castelli, Elizabeth A. In: Richard Valantasis. Religions of Late Antiquity in Practice (em inglês). [S.l.]: Princeton University Press, 2000. ISBN 0691057516, 9780691057514
  5. Asterius of Amasea. In: Roger Pearse (trad.). Sermão 1 (em inglês). Ipswich, UK: [s.n.], dezembro de 2003.
  6. Hauser, Arnold. The Social History of Art (em inglês). [S.l.: s.n.].

Ligações externas [editar]