Bibliofilia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Der Bücherwurm ("O livro sem fim"), óleo de Carl Spitzweg (1850).

Por bibliofilia (grego: biblion - livro e philia - amor) entende-se a arte de colecionar livros tendo em vista circunstâncias especiais ligadas à publicação deles, segundo o verbete de Aurélio Buarque de Holanda. No entanto, são essas duas palavras "circunstâncias especiais" que mais despertam dúvida e mais lugar oferecem à divagação. Popularmente, denominamos de bibliófilo aquele que costumar ler com muita frequência. João José Alves Dias define um bibliófilo simplesmente como aquele que ama os livros.[1]

Vale ressaltar não confundir bibliofilia com a bibliomania, que consiste no simples ato de comprar livros, não necessariamente lendo-os. Assim, o bibliófilo o pode ser sem mesmo possuir nenhum livro assim como o bibliomaníaco pode sê-lo sem ler algum.

Interesse por raridades[editar | editar código-fonte]

De maneira geral, considera-se que os dois critérios fundamentais para julgar a importância de uma obra seriam: sua raridade e a importância do referido escrito na tradição cultural à qual ele se insere.

Ilustração de Theodor Kittelsen para o conto The Smith and the Baker de Johan Herman Wessel.

É nesse sentido que se multiplicam a cada dia livrarias de "obras raras" ou "livros raros". Mas o que é raro? De início, aquilo que é considerado raro pela maior parte dos bibliófilos é a primeira edição. A primeira edição possui uma aura mágica, que se liga, fundamentalmente ao fato de que foi e é a primeira aparição pública de uma obra para o público leitor. Por exemplo, o indivíduo que percorra as mãos pelas páginas de uma primeira edição de Machado de Assis, como Dom Casmurro, por exemplo, saberá que foi daquela forma, com aquele tipo, aqueles eventuais erros de correção, aquela encadernação e aquele papel, que o "bruxo do Cosme Velho" fez conhecer ao mundo essa obra maravilhosa que é até hoje um clássico brasileiro. O segundo tópico, a importância histórica, liga-se à vida da obra em si.

Uma primeira edição de Racine e Molière valem muito, tanto em termos financeiros quanto históricos, ao passo que uma primeira edição de Amadeu Amaral vale pouco. Racine e Molière fundaram o teatro clássico francês, e foram escritores brilhantes, Amadeu Amaral foi um poeta de razoável importância no Brasil do século XIX e XX, mas nada que se compare para o Brasil, com o que os dois foram para a França. Primeiras edições fazem-se todo o dia, de autores que pouco sobrevivem, o fato de ser a primeira edição por si só não nos diz nada.

José Mindlin[editar | editar código-fonte]

Sobre chegar ao ponto de desejar colecionar primeiras edições, o bibliófilo brasileiro José Mindlin dizia: "Quando se chega a esse estágio, aquele que pensava em ser na vida apenas um leitor metódico está irremediavelmente perdido".[2]

Mindlin ainda escreveu um livro, Uma vida entre livros, onde conta sua paixão sobre os livros. Foi dono da maior biblioteca particular do país, que calcula cerca de 45 mil obras, das quais muitas são raras. Antes de falecer, em março de 2010, Mindlin doou parte do seu acervo para a Universidade de São Paulo. A coleção conta com 25 mil volumes, tem o Brasil como tema [3]e recebeu o nome de "Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin".

Segundo ele, a maior qualidade de um bibliófilo é a paciência.

Notas e referências

  1. Iniciação à Bibliofilia, João José Alves Dias. Pró-Associação Portuguesa de Alfarrabistas, 2ª Feira do Livro Antigo, MCMXCIV.
  2. Paixão e perdição, José Castello. ISTOÉ, 12 de novembro de 1997.
  3. Educar para Crescer - "Os livros ficam"


Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]