Carlos Herculano Lopes
Carlos Herculano Lopes, (Coluna, 23 de outubro de 1956), nasceu no Vale do Rio Doce, Minas Gerais. Começou a escrever ainda criança, e, aos 11 anos, mudou-se para Belo Horizonte, onde se formou em Comunicação Social. Trabalhou em vários jornais e, hoje, é repórter do EM Cultura, caderno do jornal O Estado de Minas. Em 1987, conquistou o Prêmio Lei Sarney, como autor-revelação. Dois de seus romances, Sombras de julho e O vestido foram levados ao cinema pelos diretores Marco Altberg e Paulo Thiag, respectivamente.
Em 1980, e aos 24 anos, Carlos Herculano estreou na literatura com a edição independente de O Sol nas Paredes, livro de contos que o próprio autor encarregava-se de vender em bares e faculdades. Seu segundo livro foi Memórias da Sede, também de contos, com o qual venceu o Prêmio de Literatura Cidade de Belo Horizonte/MG, em 1982. Os jurados foram os escritores Murilo Rubião, Ari Quintela e Lúcia Machado de Almeida.
O reconhecimento chegaria com o terceiro livro, o romance A Dança dos Cabelos (1984), vencedor do Prêmio Guimarães Rosa, da Secretaria de Cultura de Minas Gerais. Aceitando o desafio de assumir a voz feminina, Herculano constrói uma narrativa de estrutura complexa, em que três protagonistas, avó, mãe e filha, todas chamadas Isaura, costuram retalhos de suas vidas para contar a história de uma só personagem. A segurança com que o autor conduz essa trama de muitos planos, sua extraordinária competência para construir perfis psicológicos e um estilo exato anunciavam um escritor disposto a enfrentar qualquer desafio para encontrar a melhor maneira de contar uma boa história. A previsão confirmou-se nos livros que se seguiram, e, hoje, Herculano é considerado um dos mais sólidos talentos de sua geração.
No romance Sombras de Julho, muitas vozes são chamadas a contar a história de dor, medo e vingança desencadeada pelo assassinato de um rapaz num conflito por terras. Com o livro, Herculano venceu a Quinta Bienal Nestlè de Literatura Brasileira, em 1990. O Pescador de Latinhas reúne uma coletânea de crônicas publicadas pelo autor no jornal Estado de Minas e exibe seu talento para conjugar o humor e a observação da alma humana em textos que falam de desejos prosaicos como o da mulher que sonhava viajar ou o da personagem que arranca todas as portas de sua casa para patiná-las. Em Coração aos Pulos, Prêmio Especial do Júri da União Brasileira de Escritores em 2002, Herculano exercita a concisão poética em minicontos arrebatadores. E, em Entre BH e Texas revela as influências, admirações e desafios que forjaram sua carreira. A vitória sobre o maior desses desafios é, possivelmente, O Vestido, romance baseado em um dos mais conhecidos poemas de Carlos Drummond de Andrade, “Caso do vestido”. A paixão da mulher que se dispõe a entregar o marido a outra para fazê-lo feliz ganha um tom épico e um ritmo ágil que levam a uma leitura ininterrupta, quase sôfrega. O livro foi finalista do Prêmio Jabuti, em 2005. Pelo conjunto da obra, Carlos Herculano Lopes foi um dos 10 finalistas do Prêmio Jorge Amado, em 2002.
Índice |
[editar] Obras
[editar] Romances
- A Dança dos Cabelos de maria– 1984, Record
- Sombras de Julho e de junho – 1991, Atual
- O Último Conhaque – 1995, Record do pastor
- O Vestido e a calça – 2004, Geração Editorial
- Poltrona 27 - no prelo
[editar] Contos & crônicas
- O Sol nas paredes - 1980, Pulsar
- Memórias da sede - 1982, Leme
- Coração aos Pulos – 2001, Record
- O Pescador de Latinhas – 2001, Record
- Entre BH e Texas – 2004, Record
- O Chapéu do seu Aguiar - 2006, Leitura
- A Ostra e o Bode - 2007 , Record
[editar] Edições estrangeiras
- Itália – O Vestido (Il Vestito) - 2005, Cavallo di Ferro
- Itália - Sombras de julho (Ombre di Luglio) - 2008, Il Fillo
[editar] Referências sobre o autor e suas obras
- “Carlos Herculano Lopes faz uma faxina na forma e no conteúdo, e ao longo de sua vitoriosa carreira literária, confirma não apenas o talento versátil e o estilo singular, mas seu vínculo e compromisso com uma arte do mais alto padrão estético.” Ronaldo Cagiano, crítico e escritor
- Sobre A Dança dos Cabelos: “Inventivo no enredo, no apuro da frase, no trato das sexualidades ilegítimas e dos amores heréticos, está na praça um romance de alto nível.” Deonísio da Silva, O Estado de São Paulo
- “A Dança dos Cabelos é a vida vivida e refletida na arte, o viver do outro fermentando e jorrando de maneira lírica.” Duílio Gomes, O Estado de Minas
- Sobre Coração aos Pulos: “o gesto simples, que nada tem a ver com a mera simplificação, vem bem a calhar quando o que se procura é a leitura menos polêmica e mais sedutora, e, por conta disso, a ampliação do número de leitores de contos, curtos e longos.” Nelson de Oliveira, Jornal do Brasil.