Brancos

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Os termos caucasóide ou caucasiano foram criados para classificar o grupo humano de origem caucasiana, que é mais conhecido como "raça branca", pelo seu tom de pele geralmente claro (apesar de a espectrometria dermatológica não ser o único fator para descrever tal grupo étnico). Todavia, desde a década de 1950, a noção de raças humanas vem sendo amplamente questionada, descartando-se a sua suposta importância biológica e sendo o termo usado apenas como um conceito social.

Índice

[editar] Histórico

Através das grandes navegações e a expansão territorial européia, os europeus tiveram contato com outros povos e o termo "branco" surgiu para definir os diferentes povos, tendo em vista a característica fenotípica mais evidente: a cor da pele. Como foram os europeus que cunharam essa definição, o termo acabou sendo mais relacionado com a Europa e toda a civilização ocidental.

[editar] Origem do termo caucasiano

Famoso exemplar de crânio Georgiano que Blumenbach descobriu em 1795, com o qual hipotetizou a origem dos Europeus como sendo provenientes do Cáucaso.

O termo surgiu de antigos estudos feitos por adeptos da craniologia. Estes mesmos adeptos perceberam que os crânios de pessoas que viviam lá eram iguais (metricamente) aos de Europeus, povos Norte-Africanos nativos (como os Kabyle), alguns povos do Subcontinente indiano e da Ásia Ocidental.[1] O termo "raça caucasiana" foi criado pelo filósofo Christoph Meiners no século XVIII. Entretanto, o termo só foi mais popularizado no século XIX, com o nome de "Varietas Caucasia" pelo cientista e naturalista alemão Johann Friedrich Blumenbach, que pegou emprestado o termo de Meiners..[2] Blumenbach definiu esta classificação racial baseando-se nas feições do crânio de povos Caucasianos, similares as encontradas nos povos Europeus.[3] Da similaridade do crânio o qual Blumenbach adquiriu para com os crânios da populações Européias, Blumenbach formou a teoria de que as feições comuns a todos os Europeus teriam surgido no Cáucaso.

[editar] Distribuição geográfica

Os locais que possuem população predominantemente branca são as regiões do Maghreb, da Europa, América do Norte (exceto México), a porção meridional da América do Sul, Oriente Médio; e países como Austrália e Nova Zelândia, também há populações consideráveis na África do Sul, na Índia e na América Latina, como por exemplo no Brasil, Argentina, Chile, Costa Rica e Uruguai.

O conceito acerca da determinação de quem é branco ou não varia entre um país e outro. No Brasil por exemplo, as pessoas declaram-se ao censo do IBGE como quiserem [4]. De acordo com o último censo do IBGE, aproximadamente metade da população brasileira (49%) se declara como branca.

[editar] Brancos no Brasil

Os portugueses deixaram forte influência genética na população brasileira.

Uma pesquisa realizada com mais de 34 milhões de brasileiros, dos quais quase vinte milhões se declaram brancos, perguntou a origem étnica dos participantes de cor ou raça branca. A maior parte apontou origem brasileira (45,53%). 15,72% apontou origem italiana, 14,50% portuguesa, 6,42% espanhola, 5,51% alemã e 12,32% outras origens, que incluem africana, indígena, judaica e árabe.[5]

Os números condizem fortemente com o passado imigratório no Brasil. Entre o final do século XIX e início do século XX, sobretudo após a Abolição da Escravatura, o Estado brasileiro passou a incentivar a vinda de imigrantes para substituir a mão-de-obra africana. Entre 1870 e 1951, de Portugal e da Itália chegaram números próximos de imigrantes, cerca de 1,5 milhão de italianos e 1,4 milhão de portugueses. Da Espanha chegaram cerca de 650 mil e da Alemanha em torno de 260 mil imigrados. Os números refletem as porcentagens das origens declaradas pelos brancos brasileiros.[6]

É notório, porém, que quase metade dos brancos pesquisados declararam ser de origem brasileira. É explicável pelo fato de a imigração portuguesa no Brasil ser bastante antiga, remontando mais de quinhentos anos, fato que muitos brasileiros brancos desconhecem tais origens por já terem suas famílias enraizadas no Brasil há séculos. [7]

Se se considerar os brancos que se afirmaram de origem brasileira como descendentes remotos de portugueses, 60,03% da população branca do Brasil é de origem portuguesa. Em suma, vivem em Portugal 10 milhões de portugueses e no Brasil 26 milhões de pessoas que se consideram etnicamente portuguesas e outras 41 milhões que são, provavelmente, de remota origem lusitana. Observando os muitos milhões de mestiços e negros brasileiros que também possuem antepassados portugueses, é clara a extrema importância dos portugueses na formação étnica do povo brasileiro.

Apenas 4,80% dos brancos brasileiros pesquisados afirmaram ter antepassados indígenas, enquanto somente 1,88% declararam ter antepassados negros africanos. Tais números, porém, não condizem com a realidade genética dos brancos brasileiros que possuem, na maioria dos casos, significante contribuição genética de índios e africanos, devido a séculos de miscigenação entre europeus, nativos e escravos negros.

[editar] Distribuição

A distribuição de pessoas brancas pelo território brasileiro não é uniforme, devido a fatores históricos de colonização e povoamento. O Sul do Brasil é, historicamente, a região com maior percentual de brancos, somando hoje 79,6%. Isto deve-se ao seu modelo colonizador: até meados do século XIX, tratava-se de uma região muito pouco povoada. A chegada de imigrantes, em sua maioria alemães e italianos, teve um enorme peso demográfico, pois povoaram regiões anteriormente vazias ou habitadas pelos índios. [8] O Sudeste do Brasil também é uma região de maior percentual de brancos, compondo hoje 58,8%, pois foi grande receptor de imigrantes europeus, como portugueses, italianos e espanhóis. Porém, o componente negro africano e mestiço foi de fundamental importância étnica regional.[9]

No restante do País, o número de brancos é superado pelo número de pardos. Tal fato é historicamente explicável: O Sul e Sudeste do Brasil receberam a esmagadora maioria dos imigrantes europeus no período da grande imigração (entre 1870 e 1920), em decorrência da falta de mão-de-obra nas lavouras de café e no campo em geral. As outras regiões que na época tinham economia praticamente estagnada, não precisavam de imigrantes. Em decorrência, a população dessas regiões é na sua maioria de pardos descendente de antigos colonos portugueses, que se miscigenaram com índios e negros. Regiões do Nordeste como o Recôncavo baiano e a maior parte litorânea são em sua maioria de mestiços 62,5% como mulatos e mamelucos ou mesmo uma mistura dos três grupos étnicos, seguidos de brancos 29,2%[10]. Na região amazônica, o caboclo, mestiço de índio e branco, é predominante. O Centro-Oeste, região recentemente povoada, teve nos nordestinos sua principal fonte de migrantes. A única exceção é o Mato Grosso do Sul, grande receptor de agricultores sulistas de origem alemã e italiana e, portanto, os brancos hoje são uma ligeira maioria.

[editar] Genética

Através de um importante mapeamento genético, chegou-se à conclusão que o brasileiro de "raça" branca é descendente quase que exclusivamente de europeus do lado paterno (90%). Já no lado materno, apresenta uma intensa miscigenação: 33% de linhagens ameríndias, 28% de africanas e 39% de européias. Isso é explicado historicamente: no início da colonização, os colonos portugueses não trouxeram suas mulheres, o que acarretou no relacionamento entre homens portugueses com mulheres indígenas e, mais tarde, com as africanas. Em outras palavras, a maior parte dos brancos do Brasil tem 90% de seus antepassados homens oriundos da Europa, enquanto 60% de suas antepassadas eram indígenas ou africanas.[11]

[editar] Referências

[editar] Ligações externas

[editar] Ver também

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