Convento de Santa Clara (Vila do Conde)

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Vila do Conde: vista panorâmica; à direita, o antigo Convento de Santa Clara.
Convento de Santa Clara.
Igreja de Santa Clara de Vila do Conde.

O Convento de Santa Clara localiza-se na cidade de Vila do Conde, distrito do Porto, em Portugal. Foi um convento feminino instituído em 1318 e extinto no século XIX. Do antigo conjunto, restam-nos a magnífica igreja em estilo gótico e parte do edifício conventual, reedificada parcialmente no século XVIII.[1] [2] [3]

História[editar | editar código-fonte]

O convento foi fundado por iniciativa de D. Afonso Sanches, filho bastardo de Dinis I de Portugal, e de sua esposa, D. Teresa Martins.

Do património edificado ao longo dos séculos, restam-nos hoje a igreja em estilo gótico, a área residencial (outrora designada como os "dormitórios novos"), edificada no século XVIII, os arcos do antigo claustro com o seu chafariz e o extenso aqueduto - o aqueduto de Santa Clara, em parte destruído.

Na igreja encontram-se alguns importantes túmulos: o de Beatriz de Portugal, filha do beato Nuno Álvares Pereira, o dos Condes de Cantanhede e os dos fundadores.

Um dos momentos mais notáveis da história do convento ocorreu sob a abadessa D. Isabel de Castro (1518-1543). A reedificação de 1777 em gosto neopalladino é do mestre pedreiro Henrique Ventura Lobo, que trabalhou na Cadeia do Tribunal da Relação do Porto.

A lenda da Abadessa Berengária e a lenda da Menina do Merendeiro - originárias do convento - testemunham, da parte das monjas da casa, anseios duma vivência cristã muito depurada.

Após o decreto de extinção das ordens religiosas (1834), a vida no convento foi-se apagando lentamente, até chegar ao seu termo em 1892, com a morte da última freira.

Em 1902 as dependências do antigo convento receberam a Casa de Detenção e Correcção do Porto, depois Reformatório de Vila do Conde e Escola Profissional de Santa Clara, sendo hoje conhecido como Centro Educativo de Santa Clara, estabelecimento de tutela de menores que funcionou até 2007.

Atualmente encontra-se abandonado.[4]

Em setembro de 2008 foi assinado um contrato entre o Turismo de Portugal e o Grupo Pestana com vista à sua transformação em Pousada de Portugal.

A Lenda da Berengária[editar | editar código-fonte]

Conta-se que, a certa altura da história do Convento de Santa Clara de Vila do Conde, havia bastante relaxamento na vida religiosa das monjas. Orgulhosas, recusavam os trabalhos, davam-se a falatórios inconvenientes e eram pouco zelosas em acorrer à reza nas horas canónicas.

Havia, entretanto, uma exceção: a irmã Berengária. Humilde, cumpridora, imitava os melhores exemplos das passadas Clarissas, não se furtando às tarefas mais humildes, que executava com alegria e sentido fraterno.

Aconteceu que nesse período, a abadessa faleceu e foi preciso eleger a sucessora. Havia muitas interessadas no cargo, que dava autoridade e visibilidade social. Quem não pensava nisso era sem dúvida a solícita Berengária.

Na hora da eleição, cada uma das eleitoras, para que as amigas não acedessem ao abadessado, votou do modo que menos pudesse prestar – na Berengária – pensando assim protelar a decisão, ao entregar o voto a uma incapaz.

Mas, quando a irmã Berengária verificou que tinha sido eleita segundo todas as regras, decidiu aceitar o cargo. Não o tinha pedido, mas não o recusava.

As demais monjas mofavam e recusavam-se a obedecer-lhe, afirmando que a votação não fora a sério.

Perante da rebeldia manifesta, a nova abadessa foi firme e ousada: ordenou que as suas antecessoras, que ali jaziam sepultadas, viessem prestar-lhe a homenagem de obediência que as freiras vivas recusavam. Eis então que as antigas abadessas se ergueram das sepulturas e ali se mostraram em atitude respeitosa.

O resultado não podia ser outro: as monjas arrependeram-se da sua soberba e acataram a autoridade da nova abadessa.

A Abadessa Berengária é efetivamente uma figura histórica, tendo estado à frente do convento de 1384 a 1406. Embora o milagre que lhe é atribuído, seja uma lenda, a narrativa é de cunho edificante, ao valorizar virtudes indispensáveis à vida em comunidade, como a dedicação ao trabalho, a oração e, sobretudo, a obediência.

Em 1625, frei Luís dos Anjos já recolheu esta lenda no seu Jardim de Portugal, remetendo-a a uma versão anterior, em latim. No Convento de Santa Clara ela é evocada numa tábua, por escrito, e numa tela, ambas da segunda parte de Seiscentos.

O escritor Joaquim Pacheco Neves, em 1980, dramatizou-a, intitulando a peça de A Lenda da Berengária.

Referências

  1. Igreja de Santa Clara (Largo do Monte) Bens com Protecção Legal. IGESPAR. Página visitada em 6 de fevereiro de 2010.
  2. DINIZ, Sofia / AVELLAR, Filipa (2004). Convento de Santa Clara / Reformatório de Vila do Conde / Centro Educativo de Santa Clara SIPA. IHRU. Página visitada em 6 de fevereiro de 2010.
  3. SERENO, Isabel (1994). Igreja do Convento de Santa Clara SIPA. IHRU. Página visitada em 6 de fevereiro de 2010.
  4. Fumo no mosteiro de Santa Clara provocou pânico na população Jornal de Notícias.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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