Cutty Sark

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Cutty Sark
O Cutty Sark, ancorado em Greenwich, Londres, Inglaterra.
Carreira   Bandeira da marinha que serviu
Data de encomenda 1868
Construção Scott and Linton, Dumbarton
Lançamento 22 de novembro de 1869
Período de serviço 1870 - 1954
Estado Navio-museu em Greenwich, Londres
Características gerais
Deslocamento 2 100 t
Comprimento 64,74 m
Boca 11 m
Velocidade 17 nós

O Cutty Sark é um clipper (veleiro) britânico. Da classe "extreme clipper", é a última das embarcações de transporte de chá, preservada como símbolo de uma era.

História[editar | editar código-fonte]

O século XIX[editar | editar código-fonte]

Foi construído em 1869 em Dumbarton, no rio Clyde (Escócia), nos estaleiros Scott & Linton, com projeto do engenheiro naval Hercules Linton. Foi lançado ao mar em 23 de Novembro desse mesmo ano, tendo efetuado a sua primeira viagem em Fevereiro de 1870. Deve o seu nome à indumentária da personagem "Nannie", uma bruxa dançarina, do poema "Tam o'Shanter", de Robert Burns, publicado em 1791.

A embarcação destinava-se ao transporte de chá, naquela época objecto de um dinâmico comércio entre a China e a Grã-Bretanha. Este comércio gerava grandes lucros, nomeadamente se se chegasse a Londres com o primeiro chá da temporada, o que demandava embarcações ágeis e velozes. O início da carreira do Cutty Sark, entretanto, não foi dos mais promissores. Na corrida do chá de 1872, contra o clipper Thermopylae, ambas as embarcações largaram juntas do porto de Xangai a 18 de Junho, mas o Cutty Sark foi ultrapassado duas semanas depois, após sofrer uma avaria no timão ao passar pelo estreito de Sunda. Chegou a Londres a 18 de Outubro, uma semana após o seu rival. Apesar de ter perdido a disputa, o Cutty Sark obteve reputação à época porque o seu comandante preferiu prosseguir a viagem com um timão improvisado a deter-se em um porto para efectuar os reparos necessários.

Em fins do século XIX os clippers foram substituídos pelos barcos a vapor na rota do chá. Estes últimos podiam passar através do canal de Suez e, além disso, a entrega da carga era mais garantida. O Cutty Sark foi destinado então ao comércio de com a Austrália. Sob o comando do respeitado capitão Richard Woodget conseguiu transportar cargas de lã em apenas 67 dias. Neste período, conseguiu a sua melhor marca, 360 milhas náuticas (666 km) em 24 horas de navegação, a uma média de 15 nós (27,7 km/h).

Em 22 de Julho de 1895, foi vendido à empresa portuguesa Joaquim Antunes Ferreira & C.ª, por 1.250 libras esterlinas, sendo rebaptizado como "Ferreira". A sua tripulação portuguesa, não obstante, referia-se ao clipper como "Pequena Camisola" que é a tradução da expressão escocesa "Cutty Sark".

Transportou vários tipos de mercadorias entre a metrópole e as então colónias africanas, em 1916 sofreu estragos provocados pelo mau tempo, até 1922, navegou entre Portugal, Angola, Moçambique, Brasil, EUA e Reino Unido[1] .

Do século XX aos nossos dias[editar | editar código-fonte]

Em 1916 foi profundamente reformado, reconvertido em goleta no porto de Cidade do Cabo (África do Sul) e rebatizado como "Maria do Amparo". Em 1922 o capitão Wilfred Dowman adquiriu a embarcação, devolveu-a ao seu aspecto original e destinou-a a embarcação de recreio.

O Cutty Sark tem também seu eco na literatura graças ao poema de Hart Crane, "The Bridge", publicado em 1930.

Em 1954 foi levado a Greenwich, no Sudeste de Londres, e colocado em doca-seca. Ao final do século XX conservava-se como um barco-museu, constituindo-se em uma das principais atrações turísticas daquele bairro londrino, próximo ao Museu Marítimo Nacional, ao antigo Hospital e ao Parque. É um dos pontos de passagem obrigatórios durante a Maratona de Londres.

A embarcação arvora uma bandeira com a legenda "JKWS", o código que representa Cutty Sark no Código internacional de sinais, introduzido em 1857.

A embarcação inspirou a marca de whisky com o mesmo nome. Uma imagem do veleiro figura no rótulo e antigamente, a marca patrocinava uma corrida de clipper conhecida como "Cutty Sark Tall Ships' Race".

No início do século XXI, encontrava-se em processo de restauração, em sua doca-seca em Greenwich, ao custo estimado de 25 milhões de libras esterlinas. Uma etapa do projecto previa elevar o casco do mesmo na doca a cerca de três metros de altura, para a construção de museu que permitisse aos visitantes observar o seu casco por baixo. Entretanto, com o devastador incêndio de 21 de maio de 2007[2] , os trabalhos foram suspensos.

Características[editar | editar código-fonte]

O Cutty Sark é um das três últimas embarcações sobreviventes da era dos clippers. Possui estrutura metálica e coberta em pranchas de madeira.

  • Tonelagem Bruta de Registro: 921 toneladas
  • Comprimento: 210 pés (64 metros)
  • Altura do mastro principal: 152 pés (46,3 metros) acima do convés

Notas

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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