Dente incluso

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Dente incluso, também denominado dente retido por alguns, é um órgão dentário que, mesmo completamente desenvolvido, não fez sua erupção na época normal, encontrando-se no interior do osso, totalmente rodeado por tecido ósseo e mucosa.

Etiologia[editar | editar código-fonte]

As inclusões mais frequentes ocorrem com dentes que fazem erupção mais tardia, que são os terceiros molar. Têm como fatores relacionados com a inclusão dental:

Fatores locais[editar | editar código-fonte]

  • Deficiência de desenvolvimento maxilar ou mandibular associada ao tamanho dos dentes (coroa/raiz) originado a falta de espaço na arcada.
  • Condensação óssea, limitando o movimento de erupção normal do dente.
  • fibromucosa espessa ou sua inflçamação.
  • Anquilose de dentes temporários alterando a cronologia de erupção.
  • Alteração da posição dos dentes permanentes devido à falta de tratamento conservador dos dentes temporários.
  • Presença de dentes supra-numerários.

Fatores gerais[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que doenças como anemia, distúrbios endócrinos e nutricionais favorecem as inclusões dentárias por agirem sobre o desenvolvimento ósseo. Enfermidades metabólicas do cálcio (raquitismo e múltiplas síndromes que apresentam anomalias de erupção dentária).

Fatores diversos[editar | editar código-fonte]

  • Parto com fórceps promovendo traumatismo na face.
  • Hábitos alimentares com dieta menos consistente proporcionando menor desenvolvimento dos maxilares originando um espaço insuficiente para a erupção.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Ver também:Classificação dos terceiros molares inclusos

Genericamente, as inclusões classificam-se em três diferentes tipos:

Inclusão óssea[editar | editar código-fonte]

É caracterizada pela inclusão completa do dente no interior do tecido ósseo, que o cerca de todos os lados.

Inclusão submucosa[editar | editar código-fonte]

Ocorre quando um dente está no interior do tecido ósseo, exceto uma parte da coroa, recoberto pela fibromucosa.

Semi-incluso[editar | editar código-fonte]

Ocorre quando o dente já rompeu a fibromucosa que o recobria, mas não terminou sua erupção.

Incidência[editar | editar código-fonte]

Segundo a maioria dos autores, a incidência das inclusões é:

Indicações para a remoção[editar | editar código-fonte]

  • Dificuldades na higienização na região de segundos e terceiros molares promove a instalação de doença periodontal e caries, podendo comprometer a permanência desses elementos dentais se não forem diagnosticadas e tratadas.
  • Finalidades protéticas: dentes inclusos devem ser removidos antes da confecção de próteses dentárias, para não comprometer sua estabilidade futura.
  • Cistos e tumores odontogênicos podem surgir quando estão presentes os dentes inclusos, quando devemos fazer um controle radiográfico nessas inclusões, avaliando o espaço folicular ao redor da coroa do dente (maior que 3 mm é sugestivo de processo de degeneração do saco pericoronário em cisto dentígero ou ameloblastoma).
  • A inclusão dos terceiros molares inferiores na região do ramo mandibular origina uma área com menor quantidade de tecido ósseo aumentando a fragilidade da mandíbula diante de um impacto, podendo ocasionar fratura de mandíbula.
  • Pacientes que necessitam de retração de segundos e primeiros molares por meios de técnicas ortodônticas. A presença de terceiros molares pode interferir no tratamento.
  • Pericoronarite: ocorre quando na erupção parcial do terceiro molar inferior, quando o saco pericoronário passa a funcionar como uma bolsa, ocorrendo a penetração de alimentos no festão gengival ou traumatismo mecânico da oclusão, originando a pericoronarite. Os acidentes de erupção do terceiro molar devem-se à infecção do saco pericoronário associada a um processo inflamatório bacteriano, Acompanhado de trismo (masseter e bucinador), linfoadenopatia, febre.

Contra-indicações da remoção[editar | editar código-fonte]

As contra-indicações para a remoção de dentes inclusos envolvem basicamente o estado físico geral do paciente. Em pacientes debilitados, aguardamos o momento oportuno para a intervenção.

Nos processos agudos locais, quando os benefícios potenciais forem maiores que as complicações e riscos potenciais, deve-se realizar o procedimento; caso contrário, o procedimento deve ser adiado.

Cirurgia[editar | editar código-fonte]

Caninos e pré-molares[editar | editar código-fonte]

Tipos de inclusão[editar | editar código-fonte]

  • Inclusão vestibular.
  • Inclusão palatina.
  • Inclusão mista: situada parte no vestíbulo e parte na abóbada palatina, cruzando o processo alveolar.
  • Inclusão sob/sobre os ápices dos dentes contíguos.
  • Inclusão em edêndulos.
  • Situados em posição pré-eruptiva.
  • Inclusão raras - fora do processo alveolar.

Tipos de incisão[editar | editar código-fonte]

  • Incisão de Partsch (superior e inferior).
  • Incisão de de Newmann (trapezoidal) superior e inferior.
  • Incisão de Wassmund.
  • Incisão de interpapilar.
  • Incisão tipo mentoplastia (incisão curvilínea na parte interna do lábio inferior).

Vias de acesso para dente superior[editar | editar código-fonte]

Técnica para cirurgia dos dentes inclusos ântero-superior por acesso palatino.

Acesso palatino[editar | editar código-fonte]
Anestesia[editar | editar código-fonte]

Faz-se anestesia infra-orbitária do lado da inclusão, e nas retenções bilaterais, anestesia infra-orbitária em ambos os lados. Anestesia do nervo nasopalatino e dos nervos palatinos anteriores.

Incisão[editar | editar código-fonte]

Faz-se incisão interpapilar na fibromucosa palatina no colo dos dentes no sentido perpendicular da abobada palatina até o osso, de primeiro molar até os incisivos nas inclusões unilaterais e incisões de primeiro molar até primeiro molar do lado oposto nas inclusões bilaterais. As incisões transversais na abóbada palatina devem ser evitadas pelo risco de lesão dos vasos que aí transitam. As lesões da artéria palatina podem causar necrose da fibromucosa do mesmo lado.

Deslocamento mucoperiosteal[editar | editar código-fonte]

É feito com deslocadores rombos, cuidadosamente para não lesar a fibromucosa e o periósteo, obtendo o retalho ampliado com acesso cirúrgico satisfatório. Em seguida, imobiliza-se o retalho passando um ponto na fibromucosa e fixa-se o fio de sutura no molar do lado oposto.

Ostectomia[editar | editar código-fonte]

É realizada com brocas cirúrgicas ou cinzel e martelo. Deve ser feita de forma a expor toda a coroa e parte da raiz. Nos caninos inclusos, a ostectomia deve ser feita no maior diâmetro da coroa, para facilitar sua remoção da cavidade óssea, pois o principal obstáculo na remoção dos caninos retidos está na coroa e não em sua raiz. Com o método de odontossecção, a quantidade de ostectomia é reduzida. A ostectomia é realizada com brocas cirúrgicas esféricas n° 8, efetuando orifícios circundando a coroa e terço radicular do incluso, seguida pela união dos orifícios criados, seccionando o osso. Em seguida, com a broca cirúrgica de fissura 702 corta-se o dente na região de colo. Seccionando o dente introduz-se elevador reto com movimento rotatório, separando raiz e coroa.

Remoção das partes seccionadas[editar | editar código-fonte]

Removida a coroa, tem-se um amplo espaço para a remoção da raiz. Pode ser realizado na raiz um orifício com broca esférica e em seguida com um elevador faz-se a remoção da raiz.

Toalete da região cirúrgica[editar | editar código-fonte]

Inspeciona-se cuidadosamente a cavidade óssea, remove-se espículas ósseas ou dentes que possam ter ficado na cavidade e elimina-se o saco pericoronário com uma pinça hemostática,Pinça goiva tesoura, descolador ou curetas. A omissão na manobra de remoção do saco pericoronário pode trazer transtornos infecciosos e tumorais.

Sutura[editar | editar código-fonte]

Faz-se um sangramento preenchendo a cavidade óssea e em seguida coapta-se o retalho em sua posição normal, faz-se uma compressão com gaze em todo o retalho e em seguida sutura-se com pontos interpapilares, seda 3-0 ou 4-0 agulhado ou fios reabsorvíeis de ácido poliglicólico. Deve-se evitar o uso de mononáilon devido à irritação do fio na língua e bochechas originando aftas.


Acesso vestibular[editar | editar código-fonte]
Anestesia[editar | editar código-fonte]

Faz-se anestesia infra-orbitária nervo nasopalatino e dos nervos palatinos na região do dente incluso.

Incisã][editar | editar código-fonte]

Pode ser feita uma incisão semilunar ou uma incisão de Newmann ou Newmann modificada. A incisão deve ser ampla o suficiente para o acesso ao dente incluyso, como para a reposição do retalho, de forma a acomodar a suturasobre o tecido ósseo e priósteo e não a sutura sobre a cavidade óssea.

Deslocamento mucoperiosteal[editar | editar código-fonte]

Deve ser realizado de forma cuidadosa envolvendo o periósteo, sem lesá-lo, evitando traumatismos que possam reperutir sobre a vitalidade do tecido gengival.

Ostectomia[editar | editar código-fonte]

É realizada com borcas cirúrgicas ou cinzel e martelo. A tábua vestibular não tem a dureza e a solidez da abóbada palatina, permitindo uma ostectomia mais facil. Irrigação farta com soro fisiológico estéril deve ser realizada, evitando-se necrose óssea e infecção no pós-operatório.

Remoção do dente[editar | editar código-fonte]

Pode ser realizada com odontosecção, com elevadores retos aplicados com movimentos rotatórios entre o dente e parede óssea.

Toalete da região cirúrgica[editar | editar código-fonte]

Removem-se o saco pericoronário, restos dentários e ósseos.

Sutura[editar | editar código-fonte]

É feita com pontos isolados com fio de seda 3-0 ou 4-0.



Vias de acesso para dente inferior[editar | editar código-fonte]

Acesso vestibular[editar | editar código-fonte]
Anestesia[editar | editar código-fonte]

Faz-se um bloqueio unilateral ou bilateral no nervo mentual, bloqueio do nervo lingual, infiltração na região de lingual, infiltração na área a ser incisada.

Incisão[editar | editar código-fonte]

Depende da altura da inclusão, a qual deve proporcionar um retalho sufiente para o acesso cirúrgico.

Deslocamento mucoperiosteal[editar | editar código-fonte]

Com um descolador faz-se esta manobra descolando o retalho mucoperiosteal e afasta-se de maneira a não traumatizar o retalho.

Ostectomia[editar | editar código-fonte]

É feita com brocas cirúgicas.

Remoção do dente[editar | editar código-fonte]

Pode ser realizada com odontosecção, com elevadores retos aplicados com movimentos rotatórios entre o dente e parede óssea.

Toalete da região cirúrgica[editar | editar código-fonte]

Removem-se o saco pericoronário, restos dentários e ósseos.

Sutura[editar | editar código-fonte]

Reposiciona-se o retalho, mantendo comprimido sobre sua posição e sutura-se com pontos isoloados com fio de seda 3-0 e 4-0.

Terceiro molar[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Tratado de Cirurgia Bucomnaxilofacial; Ronaldo de Freitas; Santos Editora; 2008.