Doença periodontal

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Doença periodontal é uma doença infecto-inflamatória que acomete os tecidos de suporte (gengiva) e sustentação (cemento, ligamento periodontal e osso) dos dentes. Caracteriza-se pela perda de inserção do ligamento periodontal e destruição dos tecido ósseo adjacente. A evolução deste processo leva à perda dos dentes, pois o comprometimento e a destruição, pela ação bacteriana, acúmulo de tártaro e inflamação destas estruturas colaboram para a formação de bolsas periodontais que levam à mobilidade dentária.

Introdução[editar | editar código-fonte]

Entende-se por doença periodontal um conjunto de condições inflamatórias, de carater crônico e de origem bacteriana que começa afetando o tecido gengival e pode levar, com o tempo, à perda dos tecidos de suporte dos dentes. Os microrganismos responsáveis por esses eventos estão presentes na placa bacteriana dental.

A placa bacteriana é o principal fator etiológico da doença periodontal como foi demonstrado de forma inequívoca pelo trabalho clássico sobre gengivite experimental em humanos de Löe e colaboradores. Nesse estudo, que representa um marco histórico ao entendimento dos fatores etiológicos da doença periodontal partindo-se de um quadro clínico de gengiva saudável, o livre acúmulo de placa bacteriana na superfície dental, foi capaz de produzir gengivite em períodos de 7 a 21 dias. Com a retomada regular e eficaz das medidas de higiene bucal por parte do indivíduo, uma gengiva novamente saudável foi observada dentro de alguns dias.1

O termo gengivite refere-se a inflamação de gengiva marginal e é de caráter reversível, enquanto que por doença periodontal destrutiva ou periodontite é referida a inflamação dos tecidos de suporte de dente, detectada pela presença de sangramento à sondagem e perda de inserção - osso, cemento e ligamento periodontal -, resultando disso a formação de bolsa periodontal2

A gengivite - a mais comum das doenças periodontais -, pode ocorrer em qualquer indivíduo se houver acúmulo suficiente de placa bacteriana dental na margem e/ou nível dentogengival. É considerada uma doença infecto-inflamatória, caracterizando-se por vermelhidão da gengiva marginal, edema, e sangramento à sondagem. A inflamação na margem gengival é devida a uma resposta ao acúmulo gradual de biomassa supragengival3 . Os microrganismos mais comuns associados são da espécie estreptococos, Actinonicetes e espiroquetas4 .

Para se evitar a doença deve-se manter sempre bem limpos e higienizados os dentes e a região onde eles se instalam, e se consultar com um dentista regularmente.

Esta doença tem o seu desenvolvimento mais acelerado em paciente diabéticos, imunossuprimidos e fumantes. Existem vários índices através dos quais é possível avaliar o grau de doença periodontal.

Nos últimos anos,o tema DOENÇA PERIODONTAL vem ganhando ainda maior destaque pela sua correlação em Medicina, particularmente na OBSTETRÍCIA, pela sua relação direta com desfechos desfavoráveis em gestações, como parto prematuro e óbitos neonatais associados a sepsis do recém-nascidos por microorganismos bacterianos ligados aos estreptococos do grupo B.

Etiologia[editar | editar código-fonte]

A etiologia da doença periodontal e gengival é microbiana, sendo agravada quando a higiene bucal é negligenciada. Neste sentido, Genco (1996) considera ser a doença periodontal induzida por alterações qualitativas da microflora presente na cavidade bucal, alterações essas que podem modificar o equilíbrio entre os microrganismos e o hospedeiro, permitindo o estabelecimento de resposta inflamatória. É, portanto, uma infecção oportunista.

Mais de trezentas espécies de microrganismos foram isolados da área subgengival, mas apenas cerca de vinte a trinta são considerados periodontopatogênicas5 .

A agressão aos tecidos periodontais se faz sentir pela liberação de produtos bacterianos como enzimas, endo e exotoxina, alérgenos. Contrapondo-se a ela há a resposta do hospedeiro (fatores de defesa), o que pode explicar a diferença de suscetibilidade e severidade da doença.

Além da placa bacteriana dental presente na superfície do dente, diversos fatores podem interagir, modificando o ambiente do sulco gengival, favorecendo a proliferação e multiplicação de microrganismos. Nesse sentido, cabe referir o papel desempenhado pelo cálculo dental (placa bacteriana calcificada) e pelos fatores retentivos de placa, em especial as reconstruções dentais com excessos que dificultam a remoção mecânica da placa e modificam o equilíbrio ecológico da bolsa6

A seqüência de eventos de uma gengiva clinicamente sadia até a gengivite foi determinada por inúmeros estudos epidemiológicos e clínicos. Embora a transição de gengivite para periodontite em humanos não esteja determinada de modo claro, estudos em animais comprovam desde que suprimida a adequada higiene bucal por um tempo significativo7 . O fato de que nem toda gengivite evolui para periodontite -no entanto, toda periodontite, num determinado momento, foi precedida de uma gengivite - parece reforçar ainda mais a natureza complexa do processo.

Histopatologia[editar | editar código-fonte]

Gengivite subclínica[editar | editar código-fonte]

Normalmente, a gengivite é uma doença crônica. Entretanto, não há nenhum limite nítido que histologicamente distingua a gengiva saudável da gengivite. Até mesmo a clinicamente saudável exibe acúmulo de células inflamatórias. Com base nos achados em estudos experimentais com animais, um desenvolvimento seqüencial de mudanças histológicas nos tecidos gengivais saudável até periodontite foi evidenciado:

  • a lesão inicial,
  • a lesão precoce,
  • a lesão estabelecida e
  • a lesão avançada.

Porém, nem todos os estágios são foram demostrados histologicamente em indivíduos humanos. O caráter do infiltrado celular nem em gengivite nem em periodontite parece seguir uma progressão lógica, consistente, assim como o conceito de desenvolvimento seqüencial permanece questionável.

As alterações teciduais vistas microscopicamente refletem uma variação, a mais moderada delas não está relacionada a patologia clinicamente visível. Estes achados subclínicos são estágios precoces de inflamação revelados pela presença de alguns neutrófilos, macrófagos, linfócitos e muito poucos plasmócitos no tecido conjuntivo subsulcular. Até mesmo as reações inflamatórias subclínicas são acompanhadas por áreas de lise de fibras do tecido conjuntivo, principalmente na região abaixo do epitélio sulcular.

Gengivite clínica[editar | editar código-fonte]

A gengivite clínica induzida pela placa é caracterizada por vermelhidão, inchaço e sangramento à sondagem. A condição é reversível e pode persistir sem posterior progressão à periodontite com perda de inserção de tecido conjuntivo.

Alterações epiteliais[editar | editar código-fonte]

Histologicamente, os tecidos gengivais demostram uma resposta ao acúmulo da placa bacteriana na área do sulco gengival. Produtos de baixo peso molecular das bactérias penetram no epitélio e iniciam várias alterações tanto no epitélio quanto no tecido conjuntivo. A gengivite é caracterizada pela formação de uma pequena bolsa gengival ou pseudobolsa, que é resultado da perda de inserção de epitélio juncional, e por edema do tecido gengival. Não há migração apical do epitélio juncional, porém aumenta os seus espaços intercelulares e prolifera no tecido conjuntivo subjacente com a formação de extensos retículos epiteliais. Normalmente, há uma migração significativa de células inflamatórias, em particular neutrófilos, através do epitélio juncional para o sulco gengival. Estas células servem para proteger os tecidos periodontais contra ataques microbianos, e os neutrófilos freqüentemente formam uma parede entre a placa microbiana e o epitélio sulcular e juncional. Assim, os neutrófilos no sulco fagocitam as bactérias pelo engolfamento dos microrganismos nos vacúolos.

Embora as bactérias no sulco gengival estejam em íntima relação com o epitélio sulcular e juncional, na gengivite crônica as bactérias em geral não penetram no epitélio. Agregações bacterianas, no entanto, podem ser vistas em contato com superfícies epiteliais e, às vezes, são encontradas nos espaços intercelulares.

A lâmina basal que separa o tecido conjuntivo dos epitélios juncional e sulcular na área inflamada mostra alterações comumente vistas na inflamação, que são observáveis com o microscópio eletrônico. Estas alterações incluem duplicações, interrupções e largura alteradas. Fragmentos de lâmina basal separadas também podem ser vistos no tecido conjuntivo subjacentes.

O epitélio oral mostra uma expressão alterada de citoqueratinas, particularmentena região onde o epitélio oral se funde-se com o epitélio sulcular. Não se sabe se esta mudanças acontecem devido ao controle de difenreciação epitelial alterado, mas elas poderiam ser resultado da liberação de mediadores inflamatéorios. O número de células de Langerhans, as células macrofágicas dentríticas intraepiteliais, aumentam de número no início da inflamação gengival provavelmente porque os antígenos estranhos que processam e estimulam as respostas das células-T neste estágio da doença são particularmente importantes.

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

A ocorrência e desenvolvimento da doença periodontal a partir da placa bacteriana dental se baseia em um mecanismo oposto àquele conhecido para à cárie dental.

Classificação[editar | editar código-fonte]

A gengivite e a periodontite são as duas categorias mais prevalentes de doença periodontal, destacando-se pela sua gravidade ou especificidade a GUNA - Gengivite ulcerativa necrosante aguda -, periodontite pré-puberal, periodontite juvenil, periodontite rapidamente progressiva, periodontite em adultos e periodontite refratária.

Recentemente Ranney (1993) propôs uma nova classificação para as doenças periodontais. No que tange às três primeiras formas de periodontite acima referidas, o autor denominou-as respectivamente de periodontite da infância, da adolescência e do adulto jovem, agrupando-as sob o título genérico de Periodontite de evolução precoce. Para o autor, a denominação tradicional pode ser apenas a expressão da mesma patologia, diagnosticada em momentos diferentes da vida do indivíduo.

Classificar as doenças periodontais constitui uma tarefa muito difícil, e isto trona-se evidente pelo grande número de classificações existentes. As principais dificuldades encontradas referem-se, principalmente, aos diferentes critérios de classificação, à diversidade de opinião dos autores diante dos processos patológicos que atingem o periodonto e, também, à terminologia empregada para descrever estes processos.

As doenças periodontais vêm sendo classificadas há vários anos em dois grupos principais:

É uma doença periodontal de natureza inflamatória, que envolve apenas a gengiva; quando os tecidos de sustentação se encontram igualmente envolvidos, a doença recebe o nome de periodontite. Estas doenças podem ter seu curso alterado e/ou agravado por outros fatores, tais como oclusão traumática e alterações de ordem sistêmica.

Gengivite[editar | editar código-fonte]

Periodontite[editar | editar código-fonte]

  1. Periodontite da pré-puberdade
  2. localizada
  3. generalizada
  1. Síndrome de Down
  2. diabetes tipo I
  3. síndrome de Papillon-Léfevre
  4. AIDS
  5. outras doenças

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento da doença, no seu estágio inicial, consiste em raspagem sub-gengival da raiz do dente, pelo cirurgião dentista, removendo o principal causador, que é a placa bacteriana aderida ao dente. Nos estágios mais avançados da doença, há a necessidade de cirurgias, e, às vezes, antibioticoterapias.

Referencias[editar | editar código-fonte]

  1. Löe et al., 1978
  2. Lindhe et al., 1973; WH, 1984
  3. Oppermann et. al., 1993; Genco, 1996.
  4. Socransky e Haffajee, 1994
  5. Moore et al., 1982; Slot, 1986
  6. Lang et al., 1983
  7. Lindhe et al., 1973

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Tommasi, Antonio Fernando; Diagnóstico Patologia Bucal; Pancast.
  • Yvonne de Paiva Buischi, Promoção de Saúde Bucal na Clínica Odontógica, 2000.
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