Ceratocisto odontogênico

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Ceratocisto odontogênico
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CID-10 K09.0
CID-9 526.0
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Ceratocisto odontogênico é um cisto benigno, mas localmente agressivo. Acredita-se que sua origem esteja na lâmina dentária e afeta comumente a mandíbula posterior. Está associado com a Síndrome de Gorlin.

Segundo Neville(2009), há uma concordância geral de que o ceratocisto odontogênico surge a partir dos restos celulares da lâmina dental, e seu crescimento parece estar relacionados a fatores desconhecidos, inerentes ao próprio epitélio(que sofre múltiplas mitoses) ou à atividade enzimática na parede cística.

Devido ao seu aspecto agressivo e seu potencial de recidiva,o ceratocisto odontogênico é classificado atualmente pela OMS como tumor odontogênico ceratocisto, considerado uma neoplasia benigna.

Características Clínicas: Os COs podem ser encontrados em pacientes com idade variável, desde à infância até a velhice, mas cerca de 60% dos casos são dignosticados em pessoas entre 10 e 40 anos. Há uma leve preferência por homens. A mandíbula é acometidaem 60% a 80% dos casos com uma marcante tendência para o envolvimento do corpo posterior e do ramo da mandíbula.(Neville,2009)Estes tumores tendem a crescer numa direção ântero-posterior, dentro da cavidade medular, sem causar expansão óssea óbvia (diagnóstico clínico e radigráfico diferencial). Geralmente são assintomáticos, porém em grandes dimensões(ocasionando assimetria facial) pode ocorrer dor, edema, drenagem ou ainda serem assintomáticos mesmo em lesões extensas. Na maioria dos casos observa-se lesão com características unilocar (no entanto em lesões grandes pode ser multiloculares), apresentando crescimento unilateral.

Características Radiográficas: Exibem uma área radiolúcida, com margens escleróticas frequentemente bem definidas.(Neville,2009) Geralmente são analisadas radiografias panorâmicas e tomografia computadorizada, pois a radiografia panorâmica fornece, com qualidade, a extensão da lesão cística e sua relação com estruturas adjacentes, no entanto a tomografia computadorizada tem indicação indispensável para o planejamento cirúrgico, apresentando detalhes preciosos sobre a expansão da lesão, a localização de dentes envolvidos e a topografia de suas margens (espessura e perfuração das corticais ósseas)do que as radiografias convencionais. O uso racional indica tomografias computadorizadas somente para lesões extensas.O CO, pode muitas vezes ser confundido com cisto dentígero por em 44% dos casos está associado com dentes inclusos,porém observa-se também menos comum que o cisto dentígero e radicular, reabsorção óssea das raízes dos dentes adjacentes, normalmente ocorre um deslocamento do dente e não reabsorção da raíz. É importante salientar que apenas o diagnóstico histopatológico é determinante.

Características Histopatológicas: Sabendo-se que o diagnóstico pré- operatório não pode ser estabelecido definitivamente sem suporte histopatológico, a primeira etapa é realizar uma biopsia incisional do ceratocisto que tem finalidade de estabelecer diagnóstico conclusivo. O corte histopatológico apresenta epitélio estratificado pavimento ceratinizado uniforme, com espessura variando entre 6 - 8 camadas de células, camada basal bem definida disposta em paliçada formada por células colunares ou cuboidais, cápsula fibrosa fina e friável, rica em mucopolissacarídeos, sendo as células inflamatórias raras. A camada de ceratina pode ser representada pela paraceratina (80% dos casos)ou pela ortoceratina (20%), sendo a primeira muito mais fina quando comparada a segunda.

Tratamento e Prognóstico: A maioria dos COs são tratados de forma similar à outros cistos odontogênicos, ou seja, através da enucleação e curetagem, além de descompressão em grandes lesões. A remoção completa em uma única peça frequentemente é difícil devido à natureza delgada e friável de sua parede cística.(Neville,2009) São associados tratamentos de prevenção de recidiva, tais como, cateurização química da cavidade óssea com solução de Carnoy após remoção do cisto, marsupialização, crioterapia que segundo Pogrel(2001)devido a capacidade do nitrogênio líquido de desvitalizar osso in situ e manter a estrutura inorgânica intacta, a crioterapia pode ser utilizada para lesões localmente agressivas nos maxilares. Entretanto, em decorrência da dificuldade em controlar a quantidade de nitrogênio líquido aplicada à cavidade, a necrose resultante e o edema podem ser imprevisível, por isso não é uma prática tanto utilizada.Por ser uma lesão que pode recidir, é importante que o paciente seja acompanhado semestralmente ou anulamente. Determina-se um período de cinco anos, no entanto há casos de recidivas 40 anos após remoção do cisto original, por isso é importante que o paciente faça anualmente uma radiografia para revisão,por tempo indeterminado.

Síndrome de Gorlin- Goltz: Pacientes com COs devem ser avaliados para manifestações da síndrome do carcinoma nevóide basocelular(síndrome de Gorlin)se o paciente estiver na primeira ou segunda década de vida ou se múltiplos ceratocistos forem identificados. A Síndrome de Gorlin, caracteriza-se por múltiplos carcinomas basocelulares na pele,COs,calcificações intracranianas e anomalias das costelas e das vértebras, o que resulta na importância de solicitar exames adicionais.

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