Escola do Recife

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Foi na Faculdade de Direito do Recife (hoje: Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco) onde nasceu e floresceu o movimento intelectual poético, crítico, filosófico, sociológico, folclórico e jurídico conhecido como a Escola do Recife, nos anos de 1860 e 1880 e cujo líder era o sergipano Tobias Barreto.[1] Outras figuras importantes do movimento foram Sílvio Romero, Artur Orlando, Clóvis Beviláqua, Capistrano de Abreu, Graça Aranha, Martins Júnior, Faelante da Câmara, Urbano Santos da Costa Araújo, Abelardo Lobo, Vitoriano Palhares, José Higino Duarte Pereira, Araripe Júnior, Gumercindo Bessa e João Carneiro de Sousa Bandeira.

História[editar | editar código-fonte]

Escola do Recife, em 1870, foi um movimento de caráter sociológico e cultural que tomou lugar nas dependências da Faculdade de Direito do Recife, atualmente, unidade da Universidade Federal de Pernambuco. Vale a pena lembrar que a Faculdade de Direito do Recife, inaugurada pelo Decreto Imperial de Dom Pedro I, de 11 de agosto de 1827, foi a primeira faculdade do gênero no Brasil, junto com sua irmã do Largo São Francisco, em São Paulo - da Universidade de São Paulo. Por ter sido durante muito tempo o único espaço para o grande debate intelectual na região norte e nordeste do País a Faculdade de Direito do Recife abriu espaço para idéias que resultaram na denominada "Geração de 1871", termo substantivo para Escola do Recife. Assim, tanto a Escola do Recife, ou Geração de 1871, contribuiu para a confecção intelectual brasileira nos temas da sociologia, da antropologia, crítica literária e estética. Seus postulados foram a valorização da mestiçagem no Brasil, resultado do cruzamento de raças; a valorização do homem brasileiro e a investigação do caráter nacional, sempre em debate com correntes teóricas europeias, o positivismo, o evolucionismo e talvez o marxismo. Os membros mais proeminentes da Escola foram Tobias Barreto, Clovis Bevilacqua, Silvio Romero e Joaquim Nabuco. Não seria de todo incongruente integrar autores como Gilberto Freyre e Pontes de Miranda nesta seleção, embora os autores de Casa Grande & Senzala e do Tratado de Direito Privado tenham começado suas carreiras nos anos da 1930 e 1910, respectivamente, sem a real existência, portanto, da Escola do Recife. A Escola do Recife, de fértil atividade intelectual e cultural, gozou de bastante trânsito até a inauguração das modernas faculdades de Ciências Sociais no Brasil nos anos de 1930 e 1940, caso da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, da Universidade de São Paulo e da Universidade do Brasil, atual UFRJ. Isto porque os temas incorporados anteriormente pelos "bachareis" passaram a ser sistematicamente trabalhados e repensados pelos novos pesquisadores saídos dos bancos da Sociologia, da Antropológia e da Ciência Política. Mesmo assim, seria erroneo ignorar a produção cultural e intelectual da Escola do Recife, bem como da Faculdade de Medicina da Bahia, para o progresso das Ciências Sociais no Brasil.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. O culturalismo jurídico da Escola do Recide www.conpedi.org. Página visitada em 2009-06-12.

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Gilberto Freyre. "O Perfil de Euclides da Cunha e Outros Perfis. Rio de Janeiro, Record.
  • Roberto Ventura. "Estilo Tropical". São Paulo, Companhia das Letras.
  • Lilia Schwarcz "O Espetáculo das Raças". São Paulo, Companhia das Letras.
  • Vamireh Chacon "Idéias Sociológicas no Brasil". São Paulo, Editora Nacional.