Filipe Mukenga

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Filipe Mukenga (Luanda, 7 de Setembro de 1949) é um cantor e compositor angolano.

Biografia[editar | editar código-fonte]

           BIOGRAFIA E TRAJECTÓRIA MUSICAL DE FILIPE MUKENGA


Cantor e compositor, Filipe Mukenga, de seu nome próprio Francisco Filipe da Conceição Gumbe, natural de Luanda, onde nasceu aos 7 de Setembro de 1949, na maternidade velha de Luanda, canta e compõe à 50 anos. Muitos o consideram precursor da NOVA MÚSICA DE ANGOLA. Como ele próprio afirma: “ a NMA é uma música aberta ao mundo e caracterizada por uma grande riqueza de conteúdo e harmonia”. No Jazz ele vai buscar as dissonâncias, os acordes invertidos e pouco comuns na música africana. Com efeito, na arte de Mukenga, além da herança cultural do seu povo, cruzam-se as mais variadas influências, desde os coros protestantes, que escutava quando menino e acompanhava os seus pais no culto dominical (o Jazz, os Blues, a Soul Music), a música francesa e a música latino-americana.

De todo este manancial de influências, Filipe Mukenga construiu uma música altamente elaborada, com textos de grande qualidade, a maior parte deles escritos por Filipe Zau, seu parceiro inseparável nos caminhos da composição e da procura de novas sonoridades. Com um reportório muito personalizado, traduzido em canções inspiradas nos ritmos de Angola e com teor internacional muito grande, Mukenga está tão perto do seu continente como da Europa e da América.

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Em 1964, impulsionado pelos BEATLES, que faziam sucesso em todo o mundo e Angola não escapou ao fascínio da sua música, Filipe Mukenga inicia a sua actividade musical apresentando-se no Cinema Restauração e no Programa “O CHÁ DAS SEIS”. A rubrica do referido programa “ Um minuto para mostrar o que vale”, e no qual se inscrevera, estava virado para a descoberta de novos valores.

Não foi nada auspiciosa a sua primeira experiência em palco. De tanto nervosismo, acabará por esquecer a letra de uma bela canção “Donnez moi tes seize uns”, do monstro da canção francesa, CHARLES AZNAVOUR. Não tendo tido êxito na primeira aparição em palco, não desistiu, tendo regressado ao “CHÁ DAS SEIS” , no Sábado da semana seguinte, com nova canção francesa de ALAIN BARRIÈRE. Seguro e já dominando os nervos, interpretara com muito nível, acompanhado pela Orquestra CASAL RIBEIRO, durante um minuto, a canção “Elle etait si jolie”. Foi o delírio na plateia e nesse dia, levara para casa, diversos prémios, nomeadamente uma camisa de marca Triple Marfel, oferta das lojas SARATOGA. E assim, tudo começou.

Entre 1964 e 1969, influenciado pela Pop Music Anglo-Saxónica e outros géneros da época, integrou três grupos que naquele tempo surgiram em Luanda. Recorda-se aqui, nomeadamente, os BRUCUTUS, os INDÓMITOS no qual Mukenga começa a afirmar-se como cantor e compositor de grandes dotes musicais e, finalmente, o APOLLO XI grupo no qual Filipe Mukenga surge já bastante maduro e experiente. Nessa época, proliferavam no país vários conjuntos da chamada música moderna como os THE FIVE KINGS, com Mello Xavier na voz e nas teclas, os THE BLACK STARS, com Gégé Belo na guitarra, os ELECTRÓNICOS, com Vum-Vum KAMUSASADI na voz, os ROCKS, com Eduardo Nascimento, igualmente na voz, a NAVE, com os irmãos SAMBO e João Silvestre na guitarra, etc.

No período compreendido entre 1969 e 1976, Mukenga conclui o cumprimento do serviço militar obrigatório no exército português e forma o Duo MISOSO com José da Piedade Agostinho, a partir do qual as suas preocupações musicais se foram acentuando em relação aos ritmos tradicionais angolanos, às harmonias baseadas nos acordes invertidos, às dissonâncias, às línguas nacionais e, naturalmente, à componente social da sua música. Filipe Mukenga integra ainda, nesse período, o Projecto KISANGELA da JMPLA e chefia, em determinado momento, a sua Secção de Música reunindo os melhores cantores do país na época como URBANO DE CASTRO, DAVID ZÉ, ARTUR NUNES, SANTOS JÚNIOR, CALABETO, TINO DYA KIMUEZU, ARTUR ADRIANO, EL BELO, FATÓ e tantos outros, participando em espectáculos musicais de mobilização do povo para a “segunda luta de libertação nacional” e angariando fundos para o glorioso MPLA.

1978, foi o ano em que pela primeira vez, Filipe Mukenga pisou terras de JOSÉ MARTI – Cuba, e participa no XI Festival Mundial da Juventude e Estudantes.


Em 1980, durante a visita à Angola da mais importante caravana artística brasileira de sempre, que apresenta em várias localidades do país, o projecto KALUNGA, conhece DJAVAN que, transforma as suas composições NVULA e HUMBIUMBI, inseridas no álbum SEDUZIR de 1983, nas canções angolanas mais internacionais.

Três anos mais tarde, em 1983, Filipe Mukenga integra a caravana artístico-cultural angolana que, pela primeira vez, pisa terras do Brasil, apresentando-se nos estados do RIO de JANEIRO, S. PAULO e BAHIA, o espectáculo CANTO LIVRE DE ANGOLA.

Em 1988 Mukenga deslocou-se pela primeira vez à Portugal – Lisboa, integrando uma delegação angolana de Jornalistas e de músicos para o 1º ENCONTRO DE JORNALISTAS DOS SETE PAISES DE EXPRESSÃO OFICIAL PORTUGUESA, evento que encerrou com um grande espectáculo no Teatro D. Maria, ao Rossio, com músicos dos diferentes países participantes.

Em 1990, Mukenga grava em Lisboa e para a EMI-VALENTIM DE CARVALHO, o seu primeiro disco intitulado NOVO SOM, lançado em Lisboa em Maio do ano seguinte, coincidindo com a assinatura dos acordos de BICESSE, que seriam logo a seguir desrespeitados, atrasando-se, desta forma, a Paz tão almejada para o desenvolvimento de Angola e a felicidade de todo o seu povo. Rui Veloso, figura de destaque do music-hall português, constitui uma mais-valia deste CD, dando uma participação especial na canção título do mesmo, “NOVO SOM”.

Em 1992, Filipe Mukenga integrou a delegação musico-cultural angolana, que se deslocou à Espanha – SEVILHA, para participar na grande Exposição Universal ali programada.

Dois anos mais tarde, em 1994, Mukenga segue para Paris e grava para a Editora LUSÁFRICA, o seu segundo disco de originais, que decide intitular KIANDA KI ANDA. Este disco é considerado, até hoje, e por muita gente, o seu melhor álbum de canções.

Em 1996, Filipe Mukenga volta à Paris para gravar com músicos angolanos e o cantor português, FERNANDO TORDO, o litero-musical intitulado O CANTO DA SEREIA- O ENCANTO, um projecto musical em que é co-autor com o compositor Filipe Zau.

Em 1999 e a convite da Embaixada de Angola na República Federativa do Brasil, Filipe Mukenga participa nas cerimónias da inauguração da CASA DE ANGOLA no estado da BAHIA e, no ano seguinte, novamente no Brasil e nos Estados do RIO de JANEIRO e S. PAULO, apresenta-se respectivamente com NEY MATTOGROSSO, ZÉLIA DUNCAN e CASSIA ELLER, um projecto do PÃO MUSIC 2000. Ainda no ano de 2000, Mukenga regressa ao Brasil e à BAHIA para ser a grande atracção do vigésimo FEMADUM – Festival de Música e Artes do OLODUM, iniciando nessa altura, a gravação do seu terceiro disco intitulado MIMBU IAMI.

Em 2001, Filipe Mukenga prossegue, em Salvador da BAHIA, com a gravação do seu terceiro disco e desfila no carnaval com o grupo carnavalesco MALÊ DEBALÊ. No ano seguinte, isto é, em 2002, Filipe uma vez mais em Salvador da BAHIA, participa no CARNAVÁFRICA, carnaval com o qual o povo baiano entendeu homenagear o Continente negro. Conclui, em Lisboa, a gravação de MIMBU IAMI, com participação especial do seu amigo DJAVAN no tema WEZA.

Em 2003, Lisboa regista o lançamento na RDP África de MIMBU IAMI, disco que sai para o mercado português com o selo da editora MOVIEPLAY.

Após 13 anos na diáspora, em 2004 Filipe Mukenga regressa à sua Pátria com o intuito de a servir numa nova fase da sua vida, marcada pela obtenção da PAZ, finalmente conseguida.

Em 2005 Filipe Mukenga é convidado pelo cantor-actor brasileiro Maurício Mattar, a participar na gravação do seu disco intitulado MEU SEGUNDO DISCO. Nessa mesma altura, participa igualmente no Projecto ENLACE, (Brasil e Angola unidos contra o SIDA) marcado com um grande espectáculo de beneficência na sala “CLARO HALL” no RIO de JANEIRO, uma iniciativa da Srª TCHIZÉ dos SANTOS.

Dois anos mais tarde, em Dezembro de 2007, Mukenga dá início à gravação do seu quarto disco NÓS SOMOS NÓS, com participações especiais de ZECA BALEIRO, produtor do CD, MARTINHO DA VILA e VÂNIA ABREU, em substituição de IVAN LINS por motivo de agenda. Nesse mesmo ano, convidado pela Associação CHÁ DE CAXINDE, compõe com Filipe Zau, a canção NOSSOS REIS TINHAM VALORES, considerada a melhor do carnaval luandense – edição 2007.

Em 2008, o autor de HUMBIUMBI participa no projecto musical “JUNTOS PELA PAZ, JUNTOS PELO FUTURO, ANGOLA SOLTA A TUA VOZ, na sequência de um anterior projecto realizado em Lisboa e intitulado A PAZ É QUE O POVO CHAMA, uma iniciativa da SEARCH FOR COMMON GROUND, ONG americana a trabalhar pela paz em muitos pontos do mundo. Pelo seu engajamento e contributos musicais dados ao processo da Paz em Angola, Mukenga foi nesse ano galardoado por aquela ONG americana com o COMMON GROUND MUSIC AWARD. Neste mesmo ano, Mukenga finaliza a gravação do seu mais recente trabalho discográfico NÓS SOMOS NÓS nos estúdios SARAVÁ DISCOS de Zeca Baleiro, em S.Paulo.

No ano de 2009 e no quadro de um programa da ETNIA, uma ONG portuguesa, cuja actividade cultural tem como objectivo uma aproximação cada vez mais forte e um maior e melhor conhecimento das realidades culturais de cada um dos países de expressão portuguesa, Mukenga visitou o Estado brasileiro do CEARÁ – Nova Olinda, onde se apresentou no Teatro da FUNDAÇÃO CASA GRANDE – Memorial do Homem KARIRI, na cidade de JOAÇABA e finalmente o RECIFE.

Em 2010, compõe com Filipe Zau, a canção ANGOLA, PAÍS DE FUTURO, que viria a ser escolhida por um Júri nomeado pelo Comité Organizador do CAN – Campeonato Africano das Nações, como a canção oficial do grande evento desportivo. Mukenga participa, igualmente na abertura do CAN, interpretando no Estádio 11 de Novembro o hino do CAN. No dia 15 de Outubro do mesmo ano, lança em Luanda, no CINE PLACE, uma das salas do Belas Shopping, o seu disco mais recente, NÓS SOMOS NÓS, com o qual homenageia todo o povo angolano pela obtenção da PAZ. Entretanto, no dia 30 de Agosto do ano de 2010, é dada ao Filipe Mukenga a honra da abertura no palco PALANCA do Cine Atlântico, em Luanda, da 2ª edição do “LUANDA INTERNATIONAL JAZZ FESTIVAL”, um evento musical de muito prestígio, tendo conquistado um lugar seguro na agenda cultural e anual de Angola.

Filipe Mukenga, em 2010 é galardoado pelo “ANGOLA 35GRAUS”, um evento já na sua 3ª edição, idealizado por Tchizé dos Santos e produzido pela empresa WEST SIDE INVESTMENTS, com o PRÉMIO DE CARREIRA, pelo seu contributo dado ao engrandecimento da música de Angola e à sua Cultura.

MOMENTOS MEMORÁVEIS

A sua primeira experiência nada auspiciosa no Cinema Restauração, rectificada com uma segunda aparição de sucesso, no programa CHÁ DAS SEIS, onde voltara a inscrever-se na rubrica “um minuto para mostrar o que vale”, apenas com 13 anos.

Memorável, também, foi a abertura no RIO de Janeiro e em 1983, do primeiro espectáculo intitulado “O canto Livre de Angola”, realizado na Sala Cecília Meireles, onde a dada altura e interpretando o tema “LEMBA”, de improviso e com a voz, foi imitando o som da marimba. O público da sala, apanhado desprevenido com a performance do artista, apenas soube aplaudi-lo, estrondosamente e de pé.


Momento igualmente emocionante, foi o seu primeiro ensaio com a orquestra de MARTIN OFFMAN, em Berlim Oriental, onde aconteceu, na altura, o 16º Festival Internacional de Música Ligeira. Ouvindo os primeiros acordes de “Mãe de um filho doente”, um poema do inesquecível “tio Raul David” com música da sua autoria, os olhos rapidamente ficaram marejados de lágrimas. Vivia no momento, a sua primeira experiência cantando com uma super orquestra. A segunda experiência, cantando com uma grande orquestra, aconteceu em 2011, no Centro de Conferências de Belas, numa noite em que se comemorava o 36º aniversário da proclamação da Independência de Angola, sua terra natal.


OUTRAS OCUPAÇÕES PROFISSIONAIS

Funcionário do MINFA – Ministério da Informação (1975 - 1977), tendo à cabeça como ministro, João Filipe Martins, é nomeado Delegado Provincial do mesmo organismo estatal, na província do Huambo. Após a sua extinção em Agosto de 1977, é integrado no Ministério da Indústria, onde não se sentindo devidamente enquadrado, com a ajuda de Boaventura Cardoso, actual Governador da província de Malanje, na altura funcionando na estrutura que, mais tarde, viria dar lugar ao surgimento do INALD, conseguiu transferir-se para a CULTURA. Actualmente, e após regresso à terra, foi novamente integrado nesse ministério, onde vem exercendo as funções de Consultor e Secretário Permanente do Prémio Nacional de Cultura e Artes.

TEMPOS LIVRES

Nos tempos livres, normalmente permanece em casa, lendo, ouvindo música ou compondo canções, onde se destacam as harmonias na base dos acordes invertidos, das dissonâncias, oriundas do Jazz e a riqueza dos conteúdos.

ÍDOLOS E REFERÊNCIAS ESTRANGEIRAS

CHARLES AZNAVOUR, ALAIN BARRIÈRE, ADAMO, OTIS REDDING, RAY CHARLES, THE BEATLES, PAULO DE CARVALHO, MILTON NASCIMENTO, DJAVAN, ARETHA FRANKLIN.




REFERÊNCIAS NACIONAIS QUE MARCARAM O SÉCULO XX

RUI MINGAS, DUO OURO NEGRO, EDUARDO NASCIMENTO, VUM-VUM KAMUSASADI, NGOLA RÍTMOS, OLIVEIRA DE FONTES PEREIRA, LICEU VIEIRA DIAS, ELIAS DYA KIMUEZU.


ÍDOLOS NACIONAIS


ELIAS DYA KIMUEZU, músico de sensibilidade refinada, marca o século XX, pelo seu excelente domínio da língua Kimbundu e pela riqueza das suas canções, do ponto de vista dos conteúdos.

ANTÓNIO AGOSTINHO NETO, fundador da Nação e do MPLA, como médico, homem de cultura, político e estratega de elevada estatura, levou Angola à sua Independência tão desejada pelo povo angolano, tornando-se numa figura incontornável da nossa história contemporânea, marcando de forma clara o século XX.



Filipe Mukenga, em Dezembro de 2011, contratado pela empresa DESTINOS, apresentou-se em Maputo-Moçambique, uma vez mais, e num grande espectáculo onde os fãs e público apreciador do seu trabalho, viveram momentos empolgantes de boa música.

Projectou no ano de 2012, a gravação de um novo CD, o seu 5º disco de originais. Gravado em Lisboa – Portugal para a GET RECORDS, o álbum foi lançado em Luanda e em Setembro de 2013 no Memorial Dr. António Agostinho Neto. “O MEU LADO GUMBE”, título do disco, tem arranjos e direcção musical de João Luiz Avellar, pianista brasileiro de talento que nos anos 80 trabalhou com DJAVAN.


No decurso de 2013, Filipe Mukenga conjuntamente com Flipe Zau, seu parceiro na arte da composição, recebeu uma menção honrosa durante  o Festival da Canção de Luanda pelo seu trabalho de composição no MUSICAL denominado  “O CANTO DA SEREIA”  e em Gala realizada no Cine Tropical no mesmo ano, é-lhe atribuído pelo TOP RÁDIO LUANDA,   o Prémio de melhor Produção Discográfica, tendo em conta a qualidade invejável do álbum “O MEU LADO GUMBE”. 

Em Setembro do corrente ano (2014) será, apresentado, no Festival da Canção de Luanda, novo musical intitulado “VOZ, CÂMARA E SAXOFONE, um trabalho original, de novo da Parceria Musical Filipe Zau – Filipe Mukenga que vai, com certeza, constituir-se no ex-libris do evento, organizado pela L.A.C. – Luanda Antena Comercial

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • Novo Som (CD, Emi-VC, 1991)
  • Kianda Kianda (CD, Lusáfrica, 1994)
  • Mimbu Iami (CD, 2003)
  • Nós Somos Nós (CD, Ginga, 2009)

Outros

Ligações[editar | editar código-fonte]