Intencionalidade

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Este termo é um conceito filosófico preciso.

Intencionalidade é um conceito filosófico recuperado por Franz Brentano da Escolástica, uma subcategoria dentro da filosofia medieval para definir o estatuto da consciência, qualificada por estar dirigida para algo, ou de ser acerca de algo, possuída pela maior parte dos nossos estados conscientes. O termo foi mais tarde usado por Edmund Husserl, que defendeu que a consciência é sempre intencional. A intencionalidade distingue a propriedade do fenómeno mental: ser necessariamente dirigido para um objecto, seja real ou imaginário. É neste sentido, e na fenomenologia de Husserl, que este termo é usado na filosofia contemporânea.[1]

As nossas crenças, pensamentos, anseios, desejos, são sempre acerca de alguma coisa. Do mesmo modo, as palavras que usamos para exprimir essas crenças e outros estados mentais são acerca de coisas. O problema da intencionalidade consiste na compreensão da relação que se verifica entre um estado mental, ou a sua expressão, e as coisas acerca das quais esse estado mental se constitui como tal.[2]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Latim intentionem, de intentus, particípio passado de intendere=tender a, voltar-se para um determinado fim, propósito[3] .

Latim id quod et quo intendit, intus actionis=o que faz e pelo que se faz o dentro da ação. Aquele dentro onde o ser age[4] .

Visão moderna de intencionalidade[editar | editar código-fonte]

O conceito de intencionalidade foi reintroduzida na filosofia contemporânea do século XIX pelo filósofo e psicólogo Franz Brentano, em sua obra Psicologia do Ponto de Vista Empírico (1874). Brentano descreve a intencionalidade como uma característica de todos os atos de consciência, fenômenos "psíquicos" ou "mental", pelo qual ele poderia ser separado dos fenômenos "físico" ou "natural".[5]

Todo fenômeno mental é caracterizado por aquilo que os escolásticos da Idade Média chamaram a inexistência intencional (ou mental) de um objeto, e aquilo que podemos chamar, ainda que de forma não completamente não-ambígua, referência a um conteúdo de direção, no sentido de para um objeto (que não deve aqui ser entendido como querendo dizer uma coisa), ou objectividade imanente. Todo o fenómeno mental inclui algo em si como objecto, embora nem todos o façam da mesma maneira. Na representação algo é representado, no juízo algo é afirmado ou negado, no amor amado, no ódio odiado, no desejo desejado, e assim por diante. Esta "in-existência" é uma característica exclusiva dos fenômenos mentais. Nenhum fenômeno físico exibe nada parecido. Poderíamos, portanto, definir os fenômenos mentais, dizendo que eles são aqueles fenômenos que contêm um objeto intencionalmente dentro de si.

Taxonomia de Dennett sobre as atuais teorias sobre a intencionalidade.[editar | editar código-fonte]

Daniel Dennett oferece uma taxonomia das teorias atuais sobre a intencionalidade no capítulo 10 de seu livro A Postura Intencional".

[...] primeiro decide-se tratar o objeto cujo comportamento se quer prever como um agente racional; depois imaginam-se que crenças esse agente devia ter, dado o seu lugar no mundo e o seu objetivo. Imaginam-se também os desejos que deveriam motivar, com base nas mesmas considerações, e finalmente, prevê-se que este agente racional atuará por forma a alcançar os seus propósitos, à luz das suas crenças. Um pouco de raciocínio prático a partir do conjunto escolhido de crenças e desejos fornecerá em muitas ocasiões – mas não todas – uma decisão sobre o que o agente deveria fazer; é o que conseguimos prever que o agente fará.

[6]

Os Sistemas Intencionais são, para Dennett, toda estrutura, artefato ou organismo, cujo comportamento pode ser explicado e/ou predito a partir da postura intencional.[7] A postura intencional se constitui na percepção de mundo que ocorre através da linguagem. Quando um bebê nasce, ele chega ao mundo desprotegido e sem linguagem, aos poucos vai se constituindo através das informações e ideias que recebe, assumindo uma forma de interpretação e com isso sua postura intencional.[8]

Um dos exemplos usados pelo autor para demonstrar a postura intencional consiste em sugerir que o leitor se imagine jogando xadrez com um computador e observe que existe a intenção do computador em vencer a partida. Este computador que possui apenas instruções binárias sem nenhum tipo de consciência ou percepção, mas é percebido como possuidor de certa intenção através da postura intencional do jogador humano.[9]

A maioria, senão todas, as teorias atuais sobre a intencionalidade aceitam a tese de Franz Brentano da irredutibilidade de expressões idiomáticas intencionais. A partir desta tese as seguintes posições emergem:

  • Expressão idiomática intencional é problemática para a ciência;
  • Expressão idiomática intencional não é problemático para a ciência, que é dividido em:

Referências

  1. Simon Blackburn – Dicionário de Filosofia, 1997. Tradução portuguesa Ed. pela Gradiva.
  2. Mautner, T. The Penguin Dictionary of Philosophy. Penguin Books Ltd, 1997. Ed. Portuguesa – Edições 70, 2010.
  3. Vocabolario Etimologico della Lingua Italiana, Francesco Bonomi.
  4. MENEGHETTI, Antonio. Dicionário de Ontopsicologia. 2 ed. rev. Recanto Maestro: Ontopsicologica Editrice, 2008. ISBN 978-85-88381-41-4.
  5. Franz Brentano, Psychology from an Empirical Standpoint.
  6. DENNETT, Daniel Clement. The Intentional Stance. Cambridge, The MIT Press, (1987)
  7. Dennett: Postura Intencional e Evolucionismo André Joffily Abath - Universidade Federal da Paraíba Centro de Ciências Humanas Letras e Artes (2000)
  8. e Tipos de Mentes: Rumo a uma Compreensão da Consciência Daniel Clement Dennett - Rio de Janeiro, Rocco, (1997)
  9. 2003 C. A. Dennett e a Postura Intencional..
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