Lagoinha (Belo Horizonte)

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Lagoinha (Belo Horizonte)
—  Bairro do Brasil  —
Distritos
Energia elétrica (%) Sim
Água encanada (%) Sim
Coleta de lixo (%) Domiciliar
Fonte: Não disponível

Lagoinha é um bairro da região Noroeste de Belo Horizonte.[1]

Origem[editar | editar código-fonte]

A base de formação do bairro Lagoinha foram os migrantes da região central de MG e imigrantes italianos trazidos à época da construção da capital. Nascido fora dos limites planejados para a nova capital mineira, o bairro foi um dos primeiros de origem operária, e suas casas foram construídas em torno de uma pequena lagoa, onde hoje está erguido o Complexo Viário da Lagoinha. Antigamente a região era pantanosa e cercada por várias lagoas, o que possivelmente explica o nome dado ao bairro. Os imigrantes italianos e os migrantes viviam em perfeita harmonia e cooperação, formando uma comunidade que compartilhava o mesmo território rico em manifestações culturais mineiras e italianas. No bairro Lagoinha, ainda existem algumas famílias remanescentes dos operários ligados à Comissão Construtora. Durante muito tempo o local ficou conhecido como cantinho da velha Itália em Minas Gerais.

A atual favela chamada de Pedreira Prado Lopes, vale dizer, encontra lugar relevante na história da construção da capital. No início das obras de Belo Horizonte, o então engenheiro Antônio Prado Lopes Pereira, da 1a classe da Comissão Construtora da Capital, 3a divisão, já explorava o local para dali retirar suas pedras e usá-las na edificação de casas da cidade. Abílio Barreto, ao falar sobre os materiais empregados na construção da Nova Capital, ressalta o problema das pedras: “Quando a Comissão Construtora entrou definitivamente no período das construções, com exceção das pequenas pedreiras mal exploradas pelos empreiteiros de obras e que não davam resultado satisfatório, nenhuma havia ainda em condições de poder suprir a avultada quantidade desse material, que se ia tornando grandemente necessário”

Antes da Avenida Antônio Carlos, a Rua Itapecerica, apesar de estreita e muito congestionada, era a principal via de acesso ao bairro.

A popular Praça Vaz de Melo era reduto do baixo meretrício e dos boêmios de segunda classe, que conviviam de forma amistosa com os demais moradores. Seu nome foi uma homenagem ao principal comerciante do local, Guilherme Vaz de Melo. Em consonância com essa herança boêmia, a Lagoinha é considerada um dos berços do samba em Belo Horizonte. Dessa época vem a designação do popular copo lagoinha, atribuído a um modelo popular de copo de vidro muito utilizado nos botequins e rodas de samba tão tradicionais na região.

Boemia[editar | editar código-fonte]

Os últimos boêmios de Belo Horizonte não se esquecem da velha Lagoinha, um bairro de limites difusos, mas de características marcantes. Escondida pela rodoviária, cortada por viadutos e radicalmente transformada com a chegada do trem metropolitano, a Lagoinha de 1950 era reduto de seresteiros, dançarinos e amantes da noite de Belo Horizonte. Ali, a menos de um quilômetro do Centro, viviam à margem da capital, com seu comércio agitado, os botequins sempre abertos e cheios, suas pensões, o ribeirão Arrudas, o mercado, as farmácias, os camelôs, as delegacias, o barulho do trem do subúrbio e cinemas (como os cines Paisandu e São Geraldo). Tinha ligação com o local da atual rodoviária, onde também situavam a Feira de Amostras e a Rádio Inconfidência.

Esta paisagem era emoldurada, no lado oposto, pela rotina dos bairros da Graça, Colégio Batista, Concórdia e um pedaço da Floresta, separados da Lagoinha por uma colina, e que, ainda hoje, abrigam típicas famílias de classe média com uma tranqüilidade própria das cidades do interior. Espremida entre esses bairros e o Centro, a Lagoinha fervilhava dia e noite na pura boemia, e se perdia no crescimento da cidade que, inevitavelmente, pediria passagem para estender-se às regiões que o bairro dividia.

Contexto boêmio na atualidade[editar | editar código-fonte]

Hoje, o bairro tem um panorama completamente diferente. O principal motivo que transformou esta realidade foi a demolição dos velhos casarões e de parte da zona boêmia.

Com o passar dos anos, os quintais das casas restantes (muitas vezes comunitários) diminuíram. E elas deixaram de ostentar o rigor antes visto nas fachadas.

O charme do lugar também entrou em decadência. Das tradicionais rodas de samba, aos redutos do baixo meretrício, a boemia perdeu espaço. Esta boemia que tanto havia se desenvolvido na década de 60, acabara por afastar o convívio familiar, fazendo com que famílias tradicionais se mudassem do bairro.

Mas a Lagoinha boêmia começou mesmo a morrer, quando da construção do túnel Lagoinha-Concórdia, em 1971, recebendo o golpe de misericórdia, quando o túnel, junto com os viadutos que ligavam o Centro à zona Norte, foi duplicado, em 1984. Foi definitivamente sepultada com a chegada do trem metropolitano, de modernas plataformas de embarque e desembarque, bem no coração do bairro, atrás da rodoviária.

O bairro ainda mantém o nome, mas hoje, só existe mesmo na lembrança de antigos boêmios renitentes.

Pontos notáveis na Lagoinha[editar | editar código-fonte]

  • O Santuário de Nossa Senhora da Conceição. No local e nas ruas do entorno, acontece anualmente, no dia 8 de dezembro, a tradicional festa da Imaculada Conceição. Neste dia, é feriado em Belo Horizonte em sua homenagem.
  • O complexo viário da Lagoinha, formado por diversos viadutos e túneis.
  • O Hospital Público de Pronto Socorro Odilon Behrens.
  • A Igreja Batista da Lagoinha, conhecida mundialmente pela banda gospel Diante do Trono e que na verdade se localiza no bairro vizinho de São Cristóvão.
  • O D.I - Departamento de Investigações da Polícia Civil de Minas Gerais.
  • A Escola Estadual Silviano Brandão.
  • O Mercado da Lagoinha na Avenida Antônio Carlos, um espaço de convivência e de compras. Inaugurado em 1949, comercializava frutas, verduras e legumes. Desativado durante muitos anos, foi reformado em 2000 e passou a ser local de qualificação de mão-de-obra para a população carente.
  • A Praça do Peixe.
  • A Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Belo Horizonte (FACISABH), entidade privada de ensino superior.
  • O Unicentro Universitário de Belo Horioznte (UNI-BH), também entidade privada de ensino superior.
  • A Pedreira Prado Lopes (PPL), uma favela importante no contexto sociocultural de Belo Horizonte.
  • O Estádio de Futebol em areia Esmeraldo Botelho (popularmente conhecido como Campo do Pitangui).
  • O Conjunto IAPI (Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários);
  • O Hospital Belo Horizonte, no limite do bairro Lagoinha/Concórdia.
  • Residência do DJ EXBUSY. (Roberto Júnio).

Trânsito[editar | editar código-fonte]

O Complexo da Lagoinha como é conhecido na capital mineira, conta com diversas estruturas viárias, muitas delas ousadas historicamente. Durante muitos anos o bairro contou com quatro viadutos e um túnel, cuja função era a de permitir a interligação entre o Centro e as regiões Leste e Oeste às Avenidas Cristiano Machado, Antônio Carlos e Pedro II, respectivamente pelos viadutos A, B, Leste e Oeste.

O rápido crescimento da cidade fez com que o sistema se tornasse obsoleto. A BHTRANS realizou uma série de estudos para identificação de problemas e viabilização de soluções que pudesse melhorar o tráfego de trânsito na região, beneficiando diversos pontos da cidade. Para isto, foi construída uma trincheira na altura da Praça do Peixe, um viaduto de ligação entre as Avenidas Pedro II, Cristiano Machado e Antônio Carlos.

A capacidade do complexo foi aumentada pelo alargamento das vias da Avenida Antônio Carlos, que tinha dupla pista no sentido centro-bairro e dupla pista no sentido bairro-centro. São ao todo cinco pistas em cada uma das direções da avenida, além de alças elevadas de retorno, vias exclusivas para ônibus e táxis. Esta obra foi inaugurada em 2010 e contou ainda com um projeto paisagístico.

A obra melhorou a conexão Leste-Oeste nos dois sentidos, contribuindo com o aumento da velocidade média do tráfego em horários de pico, reorganizando o fluxo de veículos nas regiões atendidas pelo Complexo, além de beneficiar também usuários da Linha Verde, que com a pista exclusiva para ônibus, puderam usufruir do serviço de conexão com o Aeroporto Tancredo Neves de forma eficiente.

Carências[editar | editar código-fonte]

  • Policiamento ostensivo: o bairro seria mais bem atendido com a implementação de mais pontos do Programa Olho Vivo da Polícia Militar de Minas Gerais ao longo da Avenida Antônio Carlos.
  • Política para toxicomania: faltam ainda programas eficientes de assistência e proteção social, ainda mais considerando-se que a Lagoinha é uma região crítica como porta de entrada na cidade (devido à presença da rodoviária e e de uma das principais estações de metrô da cidade), abrigando muitos moradores de rua e assaltantes dependentes químicos, especialmente na região da antiga Praça Vaz de Melo, na histórica rua Itapecerica e nos arredores do Hospital Odilon Behrens.
  • Cultura: a instalação de um Ponto de Cultura, de um Ponto de Leitura e de uma ação do Cine Mais Cultura do Ministério da Cultura seria importante para o desenvolvimento social da região, se bem localizados e divulgados no bairro.
  • Comunicação: não há atendimento dos Correios e Telégrafos. Com as obras de duplicação da Avenida Antônio Carlos, o bairro perdeu a sua única agência dos Correios, a Agência IAPI. Não há hot spots para acesso gratuito via WiFi à internet. É notável inclusive a ausência de bancas de jornal na região como um todo.
  • Serviços financeiros: há pouquíssimas agências bancárias e terminais bancários de auto-atendimento.
  • Manta asfáltica: não há pavimentação asfáltica linear em muitas ruas. Com exceção das principais vias do bairro, a maioria dos logradouros sofre com buracos ou com sobras asfálticas depositadas desordenadamente sobre os paralelepípedos, causando desconforto aos pedestres, ciclistas e motoristas.

Referências

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]


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