Majestade de Batlló

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Majestade de Batlló (Museu Nacional d'Art de Catalunya.

Majestade de Batlló é uma imagem em madeira policromada do século XII, que apresenta Cristo crucificado em forma de Cristo Majestade o triunfante sem rastos de sofrimento. É uma das mostras mais interessantes da imagética medieval deste tipo iconográfico na Catalunha. A sua proveniência é dos Pirenéus catalães do município de la Garrotxa. Esta obra encontra-se exposta no Museu Nacional de Arte da Catalunha de Barcelona.

História[editar | editar código-fonte]

A Majestade deve o seu nome ao colecionador Enric Batlló i Batlló, que a comprou num mercado de antiguidades e a doou à Assembléia de Barcelona no ano de 1914. Quando chegou ao museu estava coberta por uma capa de verniz que impedia ver a policromia.1

Crê-se que este tipo de iconografia se introduziu na Catalunha pelos pisanos, quando chegaram em 1114 para ajudar o conde de Barcelona Ramon Berenguer III na sua conquista das ilhas Baleares.2 No românico, a madeira foi um dos materiais mais usados para a elaboração de mobiliário litúrgico e as imagens para o interior dos templos, utilizando-se para os Cristos crucificados dois blocos ou troncos de madeira, um para o corpo outro para os braços, era normal que depois de talhadas as imagens se policromassem.3

A imagem de Cristo crucificado, na Idade Média mostra-se em vários tipos de iconografia: com o torso desnudado e com o perizoniumo túnica curta atada à cintura e morto na cruz com os olhos fechados e o rosto com dramatismo e certa tensão; e o outro tipo, como a Majestade de Batlló, em cima da cruz com uma túnica grande apertada na cintura e triunfante, com a particularidade de ter os olhos abertos e sem nenhum sinal de dor.

Esta representação foi a mais abundante no Ocidente durante todo o século XII seguindo o protótipo de Cristo de Santa Faz de Lucca. Depois de novas datações deste Cristo considera-se que é uma obra tardia de finais do século XII ou inícios do século XIII, pelo qual se explica problemas na cronologia de outras crucificações, seguramente a Santa Faz de Lucca é uma cópia de um protótipo anterior como o da catedral de Milan ou o da Majestade de Battló de Barcelona.4

A Majestade de Batlló esteve sempre relacionada com o Volto Santo da catedral de Lucca. Compara-se com outras através da indumentária, a túnica e a cinta como a da Catedral de Braunschweig de 1173 ou a conservada no Museu de Arte Sacra de San Gimignamo.5 Na Catalunha relacionou-se com a de Las Palmas, a de Sant Salvador de Bellver, a de Beget, a de Angostrinay, a de Eller, apesar de que só a de Bellver e a de Beget, dispõem de pregas tubulares.6

Descrição[editar | editar código-fonte]

La Majestade (MNAC).

A obra está talhada em madeira de cipreste e a sua proveniência situa-se habitualmente na região de Olot, no município de la Garrotxa. A imagem de Cristo tem as medidas de 94x96x17 cm e a cruz de 156x120x4 cm.7

Caracteriza-se a imagem pela atitude rígida e solene, com os olhos abertos, com uma talha esquemática, que combina com certo sentido de detalhe como os que se observam no cabelo e na barba, faltam os pés e alguns dedos nas mãos. O Cristo está vestido com uma larga túnica com mangas também largas (túnica manicata) e pregas tubulares paralelas que alternam na sua tonalidade, (que se podem também na majestade de Baget da la Garrotxa); está policromada com círculos de cor vermelho com fundo azul e motivos vegetais de clara influencia oriental; encontram-se tecidos islâmicos com decoração parecida no Museu Episcopal de Vic. A cruz está pintada à base de franjas azuis, brancas e vermelhas e apresenta na parte superior a inscrição:

JHS NAZARENUS REX IUDEORUM (Jesus da Nazaré Rei dos Judeus)

No reverso da cruz e no seu centro há restos da pintura de um Agnus Dei. Enquanto à pintura dos círculos da túnica encontra-se relacionada com o sudário, de tecido islâmico, de San Ramón morto em 1126, da catedral de Roda de Isábena.8


Simbologia[editar | editar código-fonte]

A representação de Cristo com os olhos abertos interpreta-se como o triunfante sobra a morte, assim como do caráter das vestes, faz-se a sua leitura, como reflexo do Apocalipse. O Agnus Dei, é o Cordeiro Pascual que salva os homens com o seu sangue assim como ao mesmo tempo representa o Cordeiro triunfante sobre a morte e que compartilha com Deus o trono e é adorado pelos homens.9 10

Cronologia[editar | editar código-fonte]

A sua cronologia é difícil de datar mas pelos caracteres da inscrição da cruz e pela pintura localiza-se no século XI e outros autores datam-na no século XII, a pintura é parecida aos frontais da zona de Ripoll, de meados do século XII, que se utiliza como argumento por diversos investigadores. Atualmente pode-se situar dentro de 1150.11 Os caracteres cúficos do bordo da túnica apresentam uma analogia com o motivo islâmico de uma cimalha do claustro de Saint Pierre de Moissac, parece uma prova da ampla difusão que durante o românico se fez de alguns recursos em distintos lugares.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Trens, M., (1966) Les majestats catalanes, (Monumenta Cataloniae, XIII) Barcelona, p.161
  2. Pijoán, José, (1927), Historia general del arte, Vol. IX, col. Summa Artis. El arte románico siglos XI y XII, p. 505
  3. Sureda, Joan, ( 1985) Historia Universal del Arte, Volumen IV, Editorial Planeta, p.132, ISBN 84-320-6684-2
  4. Barral i Altet, Xavier, Art de Catalunya, (1997), Barcelona, Volum 6 Thema, Equip Editorial, pp.192-193 ISBN 84-921314-6-2
  5. Armandi, M., 122 Volto Santo o Crist Majestat en Catàleg d'escultura i pintura medievals, 1. Fons del Museu Frederic Marès, Barcelona, 1991, cat.Núm. 122, pp. 105-109
  6. Bastardes i Parera, R., ( 1978), Les talles romàniques del Sant Crist a Catalunya, Art romànic IX, Barcelona, Artestudi, p.p.86-87 ISBN 84-8518-010-0
  7. Carbonell i Esteller, Eduard – Sureda i Pons, Joan, (1997) Tresors Medievals del Museu Nacional d'art de Catalunya,Barcelona, Lunwerg Editores, p.39, ISBN 84-7782-462-2
  8. Ainaud de Lasarte, J.( 1973), Art romànic. Guía, Barcelona, Ajuntament de Barcelona, Museu d'Art de Catalunya
  9. Schiller, Gertrud , Iconography of Christian Art, Volum II, (1972) Londres, pp.144-145, ISBN 0853313245
  10. Sureda, Joan, (1985) Historia Universal del Arte, Volum IV, Editorial Planeta, p.150, ISBN 84-320-6684-2
  11. Dalmases, Núria - José i Pitarch, Antoni, (1986) Els inicis i l'art romànic, Segle IX-XII a Història de l'Art català, volum I, Barcelona, Edicions 62

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • DDAA. Museu Nacional d'Art de Catalunya. Florència: Mnac i SCALA GROUP S.p.A, 2009. ISBN 978-84-8043-198-9.
  • Castiñeiras, Manuel; Camps, Jordi. In: Manuel. Romanesque art in the MNAC collections. [S.l.]: MNAC, 2008. ISBN 978-84-8043-196-5 Página visitada em 3 September 2012.
  • Museu Nacional D'Art de Catalunya. [S.l.]: MNAC, 1 March 2009. ISBN 978-84-8043-200-9 Página visitada em 3 September 2012.
  • Carbonell, Eduard; Pagès, Montserrat; Camps, Jordi; Marot. In: Eduard. Romanesque Art Guide: Museu Nacional D'Art de Catalunya. [S.l.]: Museu Nacional d'Art de Catalunya, 1998. Página visitada em 3 September 2012.
  • Carbonell, Eduard; Sureda i Pons, Joan. In: Eduard. The Medieval Treasures of the Museu Nacional D'Art de Catalunya. [S.l.]: Lunwerg, 1997. Página visitada em 3 September 2012.
  • Abrams, Harry N. The Art of Medieval Spain. A.D. 500-1200. New York : Metropolitan Museum of Art : 1993, 322.
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  • Ferguson, George Wells. Signs and Symbols in Christian Art. New York : Oxford University Press, 1954. 50, 297.
  • Kauffman, C.M. Biblical Imagery in Medieval England. London : Harvey Miller Pub., 2003. 73-4.
  • Kupfer, Marcia A. The Art of Healing: Painting for the Sick and the Sinner in a Medieval Town. University Park : Pennsylvania State University Press, 2003, 61-3.
  • Loverance, Rowena. Christian Art. Cambridge, Mass. : Harvard University Press, 2007, 100-1.
  • Mann, Janice. "A Monumental Catalan Crucifix", Bulletin of the Detroit Institute of Arts, Detroit. 1997, LXXI, 1-2, p.52, fig.9.
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  • Museu Nacional d'Art de Catalunya Online Collections http://art.mnac.cat/?&lang=es
  • Régamey,Pie-Raymond. Religious Art in the Twentieth Century. New York: Herder and Herder. 1963, 182.
  • Schiller, Gertrud. Iconography of Christian Art. Volume 2. "The Passion of Jesus Christ." Janet Seligman (tr.), Greenwich, CT: New York Graphic Society, 1972: 144-5, 472-3.