Moses ibn Ezra

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Moses ben Jacob ibn Ezra (em árabe, أبو هارون موسى بن يعقوب ابن عزرا; n. Granada, entre 1055-1060 — m. após 1138) (em hebraico, משה בן יעקב הסלח אבן עזרא) conhecido como ha-Sallah ("escritor de penitências") foi um rabino, filósofo, linguista e poeta judeu do Al-Andalus.

Família[editar | editar código-fonte]

Vinculado com Abraão ibn Ezra, e discípulo de Isaac ibn Ghiyyat, Ibn Ezra pertencia a uma das famílias proeminentes do Al-Andalus. De acordo com Isaac Israeli, tinha três irmãos, Isaac, José, e Zerahiah, que foram distinguidos eruditos.

Obras[editar | editar código-fonte]

A sua "Arugat ha-Bosem" tem em sete capítulos:

  1. observações gerais a respeito de Deus, o homem e a filosofia;
  2. a unidade de Deus;
  3. o inadmissível de aplicar atributos a Deus;
  4. o inapropriado de dar nomes a Deus;
  5. movimento;
  6. natureza;
  7. intelecto.

As figuras citadas por Ibn Ezra na sua obra são Hermes (identificado com Enoch), Pitágoras, Sócrates, Aristóteles, Platão, (pseudo-)Empédocles, Al-Farabi, Saadia Gaon, e Ibn Gabirol.

A sua retórica[editar | editar código-fonte]

A sua obra "Kitab al-Muḥaḍarah wal-Mudhakarah" chegou a ser muito mais famosa. Trata-se de um tratado de retórica e poesia, composto segundo as bases do "adab" árabe, sendo o único do seu tipo na literatura hebraica. Foi escrito a pedido de um amigo, o qual lhe fizera oito perguntas a respeito da poesia hebraica, as quais correspondem com cada um dos oito capítulos da obra.

Os quatro primeiros tratam da prosa e dos seus escritores, da poesia e dos seus poetas, e do dom natural para a poesia que têm os árabes, o qual ele atribui ao clima da Arábia. Conclui o quarto capítulo dizendo que, salvo raras exceções, as partes poéticas da Bíblia não têm métrica nem ritmo.

O quinto capítulo começa com a história do estabelecimento dos judeus no Al-Andalus, o qual, de acordo com o autor, começa durante o Êxodo, pois a palavra "Sefarad", usada pelo profeta Obadias (verso 20), significa "Hispânia". A seguir, a descrição da atividade literária dos judeus espanhóis, nomeando os autores mais importantes e as suas obras.

No sexto capítulo, o autor cita várias máximas e descreve a condição intelectual geral da sua época. Desprecia a indiferença mostrada pelo público para os eruditos. Esta indiferença, declara, não afeta a sua personalidade; embora não se conte entre aqueles mal tratados pelo destino, experimentou a boa e a má fortuna. Por outro lado, não possui pretensão alguma de reconhecimento público graças a que foi dotado com a virtude da contenção e da moderação.

No capítulo sete, o autor discute a questão de se é possível compor poesia em sonhos, como alguns autores dignos de confiança fizeram.

O oitavo capítulo é dividido em duas partes, a primeira relacionada com todo o que tem a ver com a poesia e os poetas, e, a segunda, descreve em vinte párrafos, aquilo que tem a ver com os tropos, as figuras, e outra formas poéticas.

A sua poesia[editar | editar código-fonte]

Ibn Ezra é considerado por muitos judeus como o melhor poeta hebraico. Os seus poemas seculares são recolhidos em duas obras: em Tarshish, e na primeira parte do seu Diwan.

O "Tarshish" é dividido em dez capítulos, cada um dos quais se divide seguindo uma ordem alfabética. Está escrito seguindo o estilo árabe de poesia chamado "tajnis," o qual consiste na repetição de palavras em cada estrofe, mas com um significado diferente em cada repetição. O primeiro capítulo é dedicado a certo Abraão (com toda segurança, não se trata de Abraão ibn Ezra), cujos méritos são exaltados seguindo um estilo oriental. Nos nove capítulos que restam discerne-se a respeito de: (cap. ii.) o vinho, o amor e as canções; (iii.) a beleza da vida no campo; (iv., v.) o mal de amores e a separação dos amantes; (vi.) amigos infiéis; (vii.) a velhice; (viii.) vicissitudes da fortuna, e a morte; (ix.) a fé em Deus; (x.) a glória da poesia.

Poesia sacra[editar | editar código-fonte]

A maior parte das 220 composições sacras de Ibn Ezra encontram-se no machzor, o tradicional livro de orações judeu para o Yamim Noraim, o Rosh Hashaná (Ano Novo judeu) e o Yom Kipur (Dia do Perdão). Estes poemas de penitência, ou selichot, valeram-lhe o apelativo de HaSallach.

A sua intenção é convidar o homem a buscar no seu interior, representando a vaidade da glória mundana, a desilusão que deve ser experimentada pelos hedonistas, e o inevitável juízo divino.

Avodah, que faz parte da obra, foi habilmente elaborada, e, a sua introdução, é parte do machzor português. Ao contrário dos seus predecessores, Ibn Ezra começa a sua narração da história bíblica com a entrega da Torá, não com a criação de Adão.

O piyyuttim que segue ao texto da mishná do serviço do Templo, especialmente o piyyut, "Feliz é o olho que o contemplou", são considerados como peças de considerável beleza.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Encyclopedia Judaica, Tomo 8, S. 1170-1174

Referências

  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em espanhol, cujo título é «Moses ibn Ezra».