Normose

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Normal se refere à resposta mais comum em um gráfico na análise de uma determinada variável. Ou seja, o normal representa aquilo que é o mais frequente, a maioria, o mais comum.

Normose é um conceito de filosofia para se referir a normas, crenças e valores sociais que causam angústia e podem ser fatais, em outras palavras "comportamentos normais de uma sociedade que causam sofrimento e morte".[1] Dessa forma os indivíduos que estão em perfeito acordo com a normalidade e fazem aquilo que é socialmente esperados acabam sofrendo, ficando doentes ou morrendo por conta das normoses.[1]

É comum justificar a manutenção de um comportamento não saudável por ser normal, algo que "todo mundo faz", porém essa justificativa é falaciosa e acaba apenas perpetuando uma sociedade cheia de normoses.

Definições[editar | editar código-fonte]

É comum esperar que ao seguir todas as normas sociais um indivíduo será feliz e saudável, mas isso não acontece, pois diversas das nossas normas sociais atuais são patológicas.[1]

Pierre Weil define normal como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou agir, que são aprovados por consenso ou pela maioria. Patológico é definido como algo que causa sofrimento e morte.[2] Saudável é aquilo que gera bem-estar e qualidade de vida.

Critérios[editar | editar código-fonte]

Para que um comportamento possa ser definido como normose[2] :

  • Não perceber esse comportamento quanto faz mal;
  • A maioria concorda que esse comportamento é normal;
  • Esse comportamento causa sofrimento e morte.

Ou seja, nem todo conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou agir, que são aprovados por consenso ou pela maioria provocam alguma doença ou transtorno e levam a sofrimento e morte. O normal para determinada sociedade, comunidade ou indivíduo pode também trazer benefícios ou simplesmente não terem consequências nem negativas nem positivas.

Tipos de normalidades[editar | editar código-fonte]

Assim toda a variedade que compõe o Ethos no qual indivíduo está inserido possui normalidades saudáveis, normalidades doentias e normalidades neutras. Por exemplo:

  • Normalidade saudável: levantar cedo para caminhar.
  • Normalidade nem saudável nem doentia: almoçar ao meio-dia.
  • Normalidade patológica (normose): comer para diminuir a ansiedade.

Normoses gerais[editar | editar código-fonte]

Normoses gerais são aquelas aceitas pela maioria da humanidade[2] :

  • Fantasia da Separatividade: Sentir-se separado e independente das outras pessoas e da natureza;
  • Guerra justa: Guerras são formas normais e necessárias para resolver conflitos entre nações;
  • Sentimento de propriedade: Acreditar que produtos naturais são posses humanas;
  • Consumismo: Consumir à vontade sem pensar nas consequências sociais e ambientais.

Normoses específicas[editar | editar código-fonte]

As normoses podem ser subdivididas em questões específicas como:

  • Normoses alimentares[2] : Frituras, doces, refrigerantes, excesso de carne, excesso de sal, bebidas alcoólicas...
  • Normoses relacionais[2] : Egoísmo; confundir amor com sensualidade; sexo com foco só nos genitais...
  • Normoses educacionais[2] : Confundir ciência com positivismo; não usar intuição e sentimentos na educação...
  • a mída incentiva violencia como fosse normal e aceitavel

Origem do conceito[editar | editar código-fonte]

Segundo Pierre Weil, em seu artigo A Normose Informacional, "Normose é um termo que foi forjado por Jean Yves Leloup na França, e por Roberto Crema, no Brasil".[3]

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Normose - a patologia da normalidade, ed. Vozes, Roberto Crema, Jean-Yves Leloup, Pierre Weil; org. Suzana Beiro