O Pasquim

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Nota: Se procura outro significado de Pasquim, consulte Pasquim (desambiguação).

O Pasquim
Periodicidade semanal
Formato tablóide
Sede Rio de Janeiro
Circulação
Preço
Assinatura
Slogan

Fundação 1969 (publicado até 1991)
Fundador Jaguar, Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Ziraldo
Proprietário
Pertence a
Presidente
Dire(c)tor
Editor

Se(c)ções

Website N/A

O Pasquim foi um semanário brasileiro editado de 1969 a 1991, reconhecido por seu papel de oposição ao regime militar.

De uma tiragem inicial de 20 mil exemplares, que a princípio parecia exagerada, o semanário (que sempre se definia como um hebdomadário) atingiu a marca de mais de 200 mil em seu auge, em meados dos anos 70, se tornando um dos maiores fenômenos do mercado editorial brasileiro.

A princípio uma publicação comportamental (falava sobre sexo, drogas, feminismo e divórcio, entre outros) o Pasquim foi se tornando mais politizado a medida que aumentava a repressão da ditadura, principalmente após a promulgação do repressivo ato AI-5. O Pasquim passou então a ser porta-voz da indignação social brasileira.[1]

Índice

[editar] História

O projeto nasceu no fim de 1968 após uma reunião entre o cartunista Jaguar e os jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral; o trio buscava uma opção para substituir o tablóide humorístico A carapuça, de Sérgio Porto (que acabara de falecer).[2] O nome, que significa "jornal difamador, folheto injurioso", foi sugestão de Jaguar; "terão de inventar outros nomes para nos xingar", disse ele, já prevendo as críticas das quais seriam alvo.[3]

Com o tempo figuras de destaque na imprensa brasileira, como Ziraldo, Millôr, Prósperi, Claudius e Fortuna, se juntaram ao time, e a primeira edição finalmente saiu em 26 de junho de 1969.

Além de um grupo fixo de jornalistas, a publicação contava com a colaboração de nomes como Henfil (que não participara da fundação do jornal por ter brigado anteriormente com os cartunistas mais "velhos" como Ziraldo e Claudius na discussão de um projeto anterior), Paulo Francis, Ivan Lessa, Carlos Leonam e Sérgio Augusto, e também dos colaboradores eventuais Ruy Castro e Fausto Wolff. Como símbolo do jornal foi criado o ratinho Sig (de Sigmund Freud), desenhado por Jaguar, baseado na anedota da época que dizia que "...se Deus havia criado o sexo, Freud criou a sacanagem".

No fim da década de 1960, em função de uma entrevista polêmica com Leila Diniz, foi instaurada a censura prévia aos meios de comunicação no país, por um decreto que ficou conhecido pelo nome da atriz. Em novembro de 1970 a redação inteira do O Pasquim foi presa depois que o jornal publicou uma sátira do célebre quadro de Dom Pedro às margens do Ipiranga, (de autoria de Pedro Américo). Os militares esperavam que o semanário saísse de circulação e seus leitores perdessem o interesse, mas durante todo o período em que a equipe esteve encarcerada - até fevereiro de 1971 - o Pasquim foi mantido sob a editoria de Millôr Fernandes (que escapara à prisão), com colaborações de Chico Buarque, Antônio Callado, Rubem Fonseca, Odete Lara, Gláuber Rocha e diversos intelectuais cariocas.[4][5]

As prisões continuariam nos anos seguintes, e na década de 80 bancas que vendiam jornais alternativos como o Pasquim passaram a ser alvo de atentados a bomba. Aproximadamente metade dos pontos de venda decidiu não mais repassar a publicação, temendo ameaças. Era o início do fim para o Pasquim.

O jornal ainda sobreviviveria à abertura política de 1985, mesmo com o surgimento de inúmeros jornais de oposição e de novos conceitos de humor (Hubert, Reinaldo e Cláudio Paiva, egressos do Pasquim, fundaram O Planeta Diário[6]). Graças aos esforços de Jaguar, o único da equipe original a permanecer no Pasquim, o semanário continuaria ativo até a década de 90. A última edição, de número 1.072, foi publicada em 11 de novembro de 1991. Mas antes, no carnaval carioca de 1990 toda a equipe do Pasquim foi homenageada pela escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz com o enredo "Os Heróis da Resistência".

[editar] O Pasquim no século XXI

Um primeiro ensaio para a volta da publicação deu-se através de um periódico intitulado Bundas, lançado em 1999 e que durou pouco tempo. O nome Bundas era uma paródia à revista Caras, e seu lema era "Quem mostra a bunda em Caras não mostra a cara em Bundas" e "Bundas, a revista que não tem vergonha de mostrar a cara".

Em 2002, Ziraldo e seu irmão Zélio Alves Pinto lançaram uma nova edição do O Pasquim, renomeado OPasquim21.[7] Esta versão também teve vida curta, apesar de contar com alguns de seus antigos colaboradores, e deixou de ser publicada em meados de 2004. [8]

Ironicamente o jornal original acabou ganhando um documentário produzido com recursos do governo. O Pasquim - A Subversão do Humor foi lançado em junho de 2004 e exibido pela TV Câmara.

Em abril de 2006 a Editora Desiderata lançou O Pasquim - Antologia . 1969 - 1971, uma compilação feita por Jaguar e Sérgio Augusto de matérias e entrevistas das 150 primeiras edições do semanário.[9] O livro foi um sucesso, entrando para a lista de mais vendidos daquele ano[10] e motivando o lançamento de um segundo volume em 2007, desta vez cobrindo o material do período entre 1972 e 1973.

[editar] Notas e referências

[editar] Ligações externas

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