Ousia

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Ousía (Οὐσία, pronúncia moderna "ussía") é um substantivo da língua grega formado a partir do feminino do particípio presente do verbo "ser", εἶναι, einai. A palavra é, por vezes, traduzida para português como substância ou essência, devido à sua vulgar tradução para latim como substantia ou essentia. É termo utilizado em Filosofia [1] e em Teologia.[2]

Uso científico e religioso[editar | editar código-fonte]

Filósofos gregos, como Platão e, principalmente, Aristóteles utilizaram esta palavra frequentemente nos seus discursos; é do uso dado por estes dois autores que decorre o atual significado atribuído correntemente à palavra, tanto em contexto filosófico como teológico.

Aristóteles usou o termo ao criar filos de animais, nos seus tratados de taxonomia biológica. Para este autor, o conceito de hypostasis (ou hipóstase) referia-se à existência de um ponto de vista lato, enquanto que ousia se referia a um espécime ou individual das coisas ou seres.

Martin Heidegger, mais tarde, defendeu que o significado original da palavra se perdeu na sua tradução para o Latim e, consequentemente, para as línguas modernas. Para este autor, significava "Ser" e não "substância"; isto é, não se pode aplicar a um conceito cuja etimologia remete para algo que permanece (-estância) "sob" outra (sub-). Usou, ainda o termo binomial parousia - apousia para significar 'presença' - 'ausência' e o termo hypostasis para significar existência.

Significado teológico primitivo[editar | editar código-fonte]

Orígenes, (c. 182 – c. 251) usou o termo ao dizer que Deus é um gênero de ousia com três espécies distintas de Hipóstases: o Pai, o Filho, e o Espírito Santo.

Os Sínodos de Antioquia, em 264-268 condenaram o termo homoousios (mesma substância) para se referir ao Filho e ao Pai, devido às raizes gregas e filosóficas da palavra, contudo a expressão foi consagrada pelo Primeiro Concílio de Niceia como fórmula de fé, já que Paulo de Samosata, cujos predicados teológicos estavam então em discussão, usava a palavra homoousios para significar que o Logos ou o Filho era uma só pessoa com o Pai.

No Primeiro Concílio de Niceia em 325 debateram-se, de fato, os termos homoousios e homoiousios. A palavra homoousios significa "a mesma substância", enquanto que a palavra homoiousios significa "de substância similar". Note-se que os termos diferem apenas numa letra (a letra grega iota). Existe mesmo uma expressão idiomática em inglês ("differ not by one iota.") que faz eco deste conceito: duas coisas que não difiram um iota são duas coisas que têm a mesma substância.

O Credo de Calcedônia de 451 afirmava que Deus tinha uma só ousia, ainda que tivesse três hipóstases.

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  1. CHAUI, Marilena, Convite à Filosofia, Ed. Ática, São Paulo, 2000
  2. Doutrina Católica - acesso a 28 de Novembro de 2007