Reserva Particular do Patrimônio Natural da Universidade de Santa Cruz do Sul

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Reserva Particular do Patrimônio Natural da Unisc
Localização Sinimbu
Dados
Área 221,39 ha
Gestão APESC (Associação Pró-ensino de Santa Cruz do Sul)
Coordenadas 29° 23' S 52° 32' O

A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) da Unisc é uma unidade de conservação a qual foi criada em 2009, através da Portaria nº 16, de 18 de março de 2009, possuindo 221,39 hectares,[1] sendo atualmente uma das maiores unidades de conservação desta categoria (RPPN) no estado do Rio Grande do Sul[2] , estando inserida no Bioma Mata Atlântica e apresentando vegetação característica da Floresta Estacional Decidual[3] .

Floresta estacional decidual da RPPN da Unisc.

Localização[editar | editar código-fonte]

A RPPN da Unisc localiza-se no Estado do Rio Grande do Sul, no município de Sinimbu, distando cerca de 48 km ao norte do município de Santa Cruz do Sul. Infelizmente é a única RPPN da região da escarpa do Planalto, embora o Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul tenha sugerido a criação de Unidades de Conservação nesta região para a proteção dos últimos fragmentos representativos de mata primária desta região no ano de 2003.[4] [5] [6] .

Pequena queda d'água localizada no interior da área.

Caracterização[editar | editar código-fonte]

A Reserva está inserida no Bioma Mata Atlântica, apresenta vegetação predominantemente secundária e característica da Floresta Estacional Decidual[5] . Foi criada no ano de 2009, e abrange uma área de 221.39 hectares, caracterizada por ser um ecótono entre a floresta estacional decidual e a floresta ombrófila mista, apresentando altitudes mínimas em torno de 150 m ao leste, junto ao leito do rio Pardinho, e máximas em topo de morros, atingindo em torno de 650 m[5] . O uso dos recursos naturais por antigos moradores do local fez com que boa parte da vegetação nativa fosse removida para diversos fins, restando nas encostas de morros, áreas visivelmente menos impactadas, as quais, devido às condições topográficas, dificultaram a realização de atividades agro-silvi-pastoris[5] [7] .

Pesquisa[editar | editar código-fonte]

Apesar de ser uma área de preservação recentemente criada, as atividades de pesquisa na área tiveram início já no ano de 2006, antes da área vir a ser uma RPPN[5] , e já conta com publicações quali-quantitativas relevantes a respeito da fauna e flora da área e da região, as quais receberam suporte dos laboratórios de entomologia e de botânica da Universidade de Santa Cruz do Sul:

- Mastofauna de médio e grande porte [7] .

- Avifauna[6]

- Flora arbórea e arborescente[5] [8]

Flora[editar | editar código-fonte]

A flora arbórea e arborescente é caracterizada por apresentar elementos típicos da floresta estacional decidual e da floresta ombrófila mista, onde foram encontradas 149 espécies nativas e 11 espécies exóticas, das quais cinco são consideradas espécies invasoras e precisam de medidas urgentes para controle[5] . A reserva abriga ainda 12 espécies ameaçadas de extinção de acordo com as listas da Flora Ameaçada do Rio Grande do Sul, Flora Brasileira Ameaçada de Extinção e lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza: Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze, Gochnatia polymorpha (Less.) Cabrera, Maytenus aquifolia Mart., Dicksonia sellowiana Hook, Albizia edwallii (Hoehne) Barneby & J.Grimes, Myrocarpus frondosus Allemão, Cedrela fissilis Vell., Myrcianthes pungens (O.Berg) D.Legrand, Podocarpus lambertii Klotzsch ex Endl., Rudgea parquioides (Cham.) Müll.Arg., Picramnia parvifolia Engl. e Picrasma crenata (Vell.) Engl.[5] Em estudo realizado em uma encosta na área, foram amostrados, em um hectare, 1063 indivíduos pertencentes a 69 espécies[8] .

Visão lateral da área da RPPN da Unisc

Fauna[editar | editar código-fonte]

Mastofauna[editar | editar código-fonte]

Foram registradas 16 espécies de mamíferos silvestres, das quais 8 estão ameaçadas de extinção, dentre elas Alouatta guariba clamitans, Cebus nigritus, Eira barbara, Nasua nasua, Leopardus wiedii, Chironectes minimus, Lontra longicaudis e Cuniculus paca.[7] Também foram encontrados animais não silvestres na área da Reserva, os quais o controle torna-se indispensável para assegurar a sobrevivência e a viabilidade de populações da fauna silvestre local.[7]

Avifauna[editar | editar código-fonte]

Foram registradas na área 169 espécies de aves, das quais a maioria são aves florestais e 44 são espécies endêmicas da Mata Atlântica.[6] Destacam-se as cinco espécies ameaçadas de extinção para o Rio Grande do Sul encontradas no local: Odontophorus capueira, Patagioenas cayennensis, Triclaria malachitacea, Grallaria varia e Amazona pretrei (esta última ameaçada mundialmente: IUCN Red List), além de outras espécies raras ou na categoria "quase ameaçadas" (near threatened - IUCN) de extinção, bem como espécies típicas de florestas estacionais de encosta e espécies típicas das partes mais elevadas da escarpa no Rio Grande do Sul, demonstrando que a área encontra-se em um ecótono entre a floresta estacional decidual e floresta ombrófila mista.[6]

Ecoturismo e Educação ambiental[editar | editar código-fonte]

A reserva realiza também atividades de ecoturismo e educação ambiental em parte da área, onde existem 3 trilhas diferentes pela mata com diversos níveis de dificuldade, ideais para crianças e adultos[9] .

Desde 2006 a reserva vem recebendo visitas de estudantes, professores, universitários e comunidade em geral. Nos anos de 2007, 2008 e 2009 a RPPN recebeu visitas especiais de alunos e professores dos cursos de Biologia e Geoecologia das Universidades de Tubinga e Rotemburgo, da Alemanha.

A RPPN da Unisc é conhecida na região por possuir uma das maiores quedas d'água naturais do Rio Pardinho, sendo regionalmente conhecido por Salto do Rio Pardinho.

Salto do Rio Pardinho, queda d'água localizada nos limites da reserva.

Próximo à reserva, existem os pontos turísticos do município de Boqueirão do Leão conhecidos por Perau da Nêga e Cascata do Gamelão.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Portaria Nº 16, de 18 de Março 2009. Diário Oficial da União, seção 1, n. 53. 2009.
  2. Acessado em: 19.06.2011
  3. Teixeira, M. B.; Coura Neto, A. B.; Pastores, U.; Rangel, A. L. R. F. 1986. Vegetação: as regiões fitoecológicas, sua natureza e seus recursos econômicos – Estudo fitogeográfico. In: Folha SH. 22 Porto Alegre e parte das Folhas SH. 21 Uruguaiana e SI. 22 Lagoa Mirim: geologia, geomorfologia, pedologia, vegetação, uso potencial da terra. IBGE, Rio de Janeiro, Brasil, 796pp
  4. FONTANA, C.S., BENCKE, G.A. & REIS, R.E. 2003. Livro vermelho da fauna ameaçada de extinção do Rio Grande do Sul. EDIPUCRS, Porto Alegre, 632 p.
  5. a b c d e f g h Sühs, R.B.; Putzke, J. & Budke, J.C. 2010. Relações florístico-geográficas de espécies arbóreas em remanescente florestal da região central do Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Floresta 40: 635-646. Link:http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/floresta/article/view/18926/12243
  6. a b c d Oliveira,S.L. & Köhler, A. 2010. Avifauna da RPPN da UNISC, Sinimbu, Rio Grande do Sul, Brasil. Biotemas 23 (3): 93-103.
  7. a b c d Abreu Jr, E.F. & Köhler, A. 2009. Mastofauna de médio e grande porte na RPPN da UNISC, RS, Brasil. Biota Neotropica 9(4): 169-174.
  8. a b Sühs & Budke (2011). Spatial distribution, association patterns and richness of tree species in a seasonal forest from the Serra Geral formation, southern Brazil. Acta Botanica Brasilica 25(3) 605-617. Link: http://www.scielo.br/pdf/abb/v25n3/14.pdf
  9. Acessado em: 19.06.2011

Ligações externas[editar | editar código-fonte]