Revolta de Vorkuta

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Memórial as vítimas da revolta no Gulag de Vorkuta

67° 30′ N 64° 05′ E

A Revolta de Vorkuta foi um grande protesto no campo de concentração de presos no Gulag de Vorkuta em Vorkuta, Rússia, em julho-agosto de 1953, logo após a prisão de Lavrentiy Beria. A revolta foi violentamente sufocada pela administração do campo após duas semanas de impasse sem que tivesse havido inicialmente derramamento de sangue.

História[editar | editar código-fonte]

O Vorkuta Rechlag ou Campo Especial nº 6 consistia de 17 diferentes "departamentos" envolvidos na construção de minas de carvão, mineração de carvão e silvicultura. Em 1946, passou a abrigar 62.700 presos diminuindo para 56.000 em julho de 1953, sendo uma parte substancial dos guardas do campo ex-presidiários. De acordo com Aleksandr Solzhenitsyn, a revolta foi provocada por dois acontecimentos desconexos em junho de 1953: A detenção de Lavrentiy Beria em Moscou e a chegada de presos ucranianos ocidentais que, ao contrário dos presos russos a longo tempo no campo, ainda sentiam falta de sua liberdade.[1]

Os prisioneiros estavam bem organizados, seguindo inclusive as notícias transmitidas pela Voz da América e a BBC em rádios roubados. [2] Eles não souberam somente da morte de Stalin e da prisão de Beria mas também das greves que estavam acontecendo na época em Berlim Leste contra o comunismo imposto pelos soviéticos.[3] Esta noticia motivou mais ainda os prisioneiros; Se eles podem fazer greves, nos também podemos.[2]

A revolta, inicialmente na forma de uma greve passiva, foi iniciada em ou um pouco antes de 19 julho de 1953 em um único "departamento" e rapidamente se espalhou para outros cinco. [2]

As demandas iniciais dos presos era de dialogar com representantes do governo vindos de Moscou, eles argumentavam que os comandantes locais não podiam decidir nada sem a autorização da capital.[2] Em poucos dias o número total de presos em greve chegou a 18.000. Os detentos permaneceram dentro do perímetro do arame farpado.

Durante a primeira semana após o inicio da greve, a administração do campo não tomou nenhuma ação enérgica contra os presos, somente aumentando o número de guardas em torno do perímetro. As minas foram visitadas por Roman Rudenko da Procuradoria Geral do Estado da URSS e pelo comandante Ivan Maslennikov das tropas internas.[2] Os generais falaram aos prisioneiros nos pátios do acampamento, a greve até agora continuava de forma pacífica. No entanto, a 26 de julho a multidão invadiu o composto de segurança máxima, liberando 77 de seus detentos.

Em 31 de julho, o General Kuzma Derevyanko, comandante do campo começou prisões em massa dos grevistas,[1] os presos responderam com barricadas. No dia seguinte, 01 de agosto, depois de novos confrontos entre detentos e guardas, Derevyanko ordenou de disparar na multidão. De acordo com Leonid Markizov, 42 grevistas foram mortos no local e 135 feridos (muitos deles, privado de ajuda médica, morreram mais tarde). Testemunhas oculares porem citam centenas de casualidades.[4] De acordo com Aleksandr Solzhenitsyn no seu livro Arquipélago Gulag, houve 66 mortos.[5]

Após o fim da revolta, muitos dos grevistas foram presos e colocados em células de segurança máxima, mas sem maiores execuções. Condições foram ligeiramente melhoradas especialmente para os presos "políticos".[1]

Comemoração[editar | editar código-fonte]

A cada ano, os sobreviventes da revolta Vorkuta comemoram o evento. Em 01 de agosto na Mina No. 29, eles ergueram um pequeno memorial aos mortos. Solzhenitsyn escreveu:

"Perto do monte de escórias na mina 29, alguém nos dias de Khrushchev ergueu uma cruz - Em seguida, ele foi derrubada, e alguém ergueu-a novamente".[6]

Silde descreveu como os presos Vorkuta, independentemente da sua nacionalidade, observavam o 01 de agosto como dia de luto:

"Todos os anos, desde 1953, os presos de Vorkuta fixam uma fita preta na sua roupa como um sinal de eterna solidariedade e lealdade para com os seus camaradas caídos".[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c L. Latkovskis e M. G. Slavėnas (Volume 51, No.3 - Outono 2005). Baltic Prisoners in the GULAG Revolts of 1953 (em en) 'GULAG Revolts of 1953' Lithuanian Quartely Journal of Arts and Sciences. Visitado em 12 de julho 2013.
  2. a b c d e Anne Applebaum. "Gulag – A History". London: Penguin Books Ltd, 2003. Capítulo 24. p. 438-443. ISBN 13:978-0-14-028310-5.
  3. Steininger, Deutsch Geschichte 1945–1961 Band 2, S. 457
  4. Edward Buca; Vorkuta; Londres; 1976; p 271-272; editora Constable; ISBN-13: 978-0094608801
  5. Arquipélago de Gulag, Alexander Soljenítsin, vol. 3, Livraria Bertrand, 1975
  6. Solzhenitsyn, Aleksandr I. The Gulag Archipelago, 3 Vols. 1918–1956. Harper and Row: New York, 1976.
  7. Silde, Adolfs. The Profits of Slavery. Pagina 231-232. Stockholm: Latvian National Foundation, 1958