Rodrigo de Castelo Branco

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D. Rodrigo de Castelo Branco ou de Castelblanco, nome que aparece ainda com outras grafias distintas, foi um fidalgo castelhano que em 28 de junho de 1673 recebeu um «Regimento das Minas de Prata de Itabaiana», suas verdadeiras instruções. Natural de Ciudad Rodrigo, na Espanha, era filho de Manuel Fernandes de Castelo Branco e Catarina Correia Galvea.

Primeiros atos no Brasil[editar | editar código-fonte]

Passava por grande conhecedor de jazidas de prata, e foi bem acolhido na corte portuguesa.

Ao chegar à Bahia no final do mesmo ano, com seu ajudante e primo, Jorge Soares de Macedo, guias e comitiva, trazia grande número de material para o lavor das minas e ensaio dos minérios.

Diz um cronista: «Depois de andar pelo Peru, recolhera-se à Europa e como soube que o Rei de Portugal carecia de especialista, se apresentou para se encarregar dos descobrimentos.

Era habilidoso e se deu bem na corte, recebendo a plena confiança do Rei que o nomeou fidalgo de sua casa. O alvará de 14 de julho de 1673 lhe fez mercê do foro de fidalgo da Casa Real por serviços que ia prestar nas minas do Brasil. Foi ainda nomeado administrador-geral das minas, dando-lhe amplas facilidades mas pingues vencimentos. Tudo isso porque andara nas minas de prata em Lipes, na atual Bolívia, e no Cuzco, Peru.

Logo foi mandado entabular em Sergipe as minas de prata da Itabaiana, famosas minas descobertas (ou não) por Robério Dias. O artigo 8 do citado Regimento estendia a autoridade de D. Rodrigo a todas as demais minas «que constava haver no sertão e convinha logo entrar a descobrir». Foi nomeado para investigar as ditas minas de prata da serra de Itabaiana, em terras do atual Estado de Sergipe, em 28 de junho do mesmo ano de 1673.

Data de 4 de dezembro de 1677 carta do mesmo Príncipe Regente, meio perplexo, a Fernão Dias, em que lhe diz: «Pelas cartas que me escrevestes, fiquei entendendo o zelo que tendes do meu serviço; e como trataveis do descobrimento da serra do Sabaraboçu e outras minas nesse sertão, que enviastes amostras de cristal e outras pedras; e porque fio do vosso zelo, que ora novamente continues esse serviço com assistência do administrador geral D. Rodrigo de Castelo Branco e do tesoureiro geral Jorge Soares de Macedo, a quem ordeno, que desvanecido o negócio a que os mando das minas de prata e ouro de Parnaguá, passem a Sabaraboçu por ultima diligência das minas dessa repartição, em que há tanto tempo se continua sem efeito, espero que com a vossa indústria e advertência que que fizerdes ao mesmo administrador, tenha o bom sucesso que se procura; e a vós a mercê que podeis esperar de mim, quando do se consiga.» Assim o principe temia não o encontrar no sertão e enviara a D. Rodrigo, mas êste deveria ouvi-lo e seguir suas direções.

No dia 24 de dezembro de 1673 D. Rodrigo e seu primo o capitão de infantaria Jorge Soares de Macedo, seu contador, apresentaram-se ao Governador Geral do Brasil.

A 24 de abril de 1674 o Governador Afonso Furtado enviou carta ao sargento-mor Belchior da Fonseca Saraiva, apelidado o Moribeca, para dar favor e ajuda no desempenho de sua missão a D. Rodrigo, mas este pegou maleita, teve que se deter na casa do sertanista João Peixoto Viegas.

A 11 de julho de 1674 D. Rodrigo chegou a Itabaiana, iniciando suas pesquisas que duram até 1676. Trazia o apontador Francisco João da Cunha, o escrivão João de Maia e o Capitão Jorge Soares de Macedo. Mas, adoecendo, recolheu-se à Bahia, onde examinou minério trazido de Paranaguá e concluiu que não continham prata. Teria sido nomeado apenas para a administração das minas da Itabaiana, mas percorreu no entanto com João Peixoto Viegas os serros vizinhos a Salvador, teria ido à Jacobina, e andava nessa faina quando recebeu em 11 de junho de 1676 ordem para se recolher à Bahia. Viera com os honrosos cargos de governador administrador geral das minas, se Pedro Taques ganhando 600$000 réis de ordenado ao ano, acompanhado pelo primo Macedo, que seria o primeiro governador da praça de Santos em 1700 nomeado com patente de mestre-de-campo, para fazer o descobriento das minas da Itabaiana, sertão da Bahia, Sabarabuçu e Paranaguá. Segundo o mesmo Taques, ficaram os dois de 1674 a 1678 na Itabaiana ou Tabaiana, sem resultado algum.

A 29 de novembro de 1677 escreveu o Príncipe Regente (futuro D. Pedro II) à câmara de São Paulo e pessoas gradas da vida, recomendando-lhes auxílio e socorro a D. Rodrigo de Castelo Branco. Escreveu na mesma data às câmaras de Santos e São Paulo a fim de que aplicassem a tal mister dos novos descobrimentos o produto da taxas lançadas nesses municípios destinadas a satisfazer o donativo da Holanda e paz com a Inglaterra.

Data de 4 de dezembro de 1677 carta do mesmo Príncipe Regente, meio perplexo, a Fernão Dias Pais, em que lhe diz: «Pelas cartas que me escrevestes, fiquei entendendo o zelo que tendes do meu serviço; e como trataveis do descobrimento da serra do Sabaraboçu e outras minas nesse sertão, que enviastes amostras de cristal e outras pedras; e porque fio do vosso zelo, que ora novamente continues esse serviço com assistência do administrador geral D. Rodrigo de Castelo Branco e do tesoureiro geral Jorge Soares de Macedo, a quem ordeno, que desvanecido o negócio a que os mando das minas de prata e ouro de Parnaguá, passem a Sabaraboçu por ultima diligência das minas dessa repartição, em que há tanto tempo se continua sem efeito, espero que com a vossa indústria e advertência que que fizerdes ao mesmo administrador, tenha o bom sucesso que se procura; e a vós a mercê que podeis esperar de mim, quando do se consiga.» Assim o principe temia não o encontrar no sertão e enviara a D. Rodrigo, mas êste deveria ouvi-lo e seguir suas direções.

A 13 de abril de 1678, na comitiva de D. Rodrigo, foram providos o Capitão da guarda Manuel de Souza Pereira, que chefiava 30 homens aos quais no Rio de Janeiro foram adidos um alferes e outros 20 homens; o capelão-mor reverendo Padre Félix Pais Nogueira, com soldo; o mineiro João Álvares Coutinho e o tesoureiro Manuel Vieira da Silva. Eram todos baianos, exceto Coutinho, de Sergipe del Rei. Além disso, Francisco João da Cunha foi provido apontador da administração para seguir para o sul. A 18 de abril, patente nomeia Manuel Cordeiro e João Carvalho Freire (soldado na -soldado na praça da Bahia desde 9 de agosto de 1664 que se tornou grande sertanista) ajudantes de ordens do mestre de campo Jorge Soares de Macedo para ir à repartição do Sul no descobrimento e entabolamento das minas de Paranaguá e Sabaraboçu.

Macedo, não tendo conseguido barco, partiu da Bahia com dois ajudantes, João CArvalho Freire e Manuel Cordeiro; um sargento, João Teixeira de Carvalho; e cinco soldados, vindo por terra da Bahia. Na patente de capitão de infantaria dada em 8 de março de 1697 a Carvalho Freire consta que «por ser na força do inverno, o navio arribou algumas vezes com perigo, e fez a jornada por terra a pé descalço com Soares de Macedo e Francisco João da Cunha) passando 70 rios que há desde a Bahia até o porto de São Vicente, padecendo grandes trabalhos na marcha pelas praias de toda aquela costa, adiantando-se por ordem do tenente-general a prevenir mantimentos e os intessesses necessários para a dita jornada, o que fez por várias vezes a diversas partes, chegando à vila de São Paulo, voltar para a de Santos, e assistir ao dito administrador geral como o fez», etc. e «mais particularmente no apresto e carga de sete embarcações em que o mesmo tenente general o levou da vila de Santos para a ilha da Cananéia, donde por ordem sua acompanhou o vedor geral Manuel da Costa Duarte. Por morte do administrador, aliás, em 1682, virá por terra para a Bahia. Data de 20 de agosto de 1678 provisão a João Álvares Coutinho para que seguisse com D. Rodrigo para Paranaguá e Sabaraboçu. Cumpriu tudo, apesar de velho e doente, e depois da morte de D. Rodrigo, em 1682 voltou pelo sertão para a Bahia, onde ainda vivia, octogenário, em 1696.

A Partida[editar | editar código-fonte]

Em 24 de setembro de 1678 D. Rodrigo partiu. Segundo Pedro Taques, havia estado na Itabaiana de 1674 a 1676. Com ele partiu um escrivão das minas, com soldo, João da Maia, um apontador do rol do ponto dos trabalhadores Francisco João da Cunha, reinol e um mineiro,João Álvares Coutinho, de Sergipe. Deviam levar como prático de mineração este Coutinho, pois no caso de Jorge Soares de Macedo, que partira antes, em abril, ir desempenhar outra missão, ficaria com seu primo D Rodrigo.

Francisco João da Cunha nascera em Cascais, onde servia como militar desde 1670, acompanhando o capitão Soares de Macedo na escolta de D. Rodrigo. Seguiu com os dois à Itabaiana, foi com Jorge Soares e João Peixoto Viegas ao sertão do Picaraçá, onde gastaram um ano. Viajou depois para o Reino com Jorge Soares de Macedo no galeão São Pedro d Rates, dar parte do que haviam feito. Acompanhou depois duas vezes D. Rodrigo à serra do Jaraguá, e foi por ele promovido ao posto de ajudante da administração, embarcando-o para Paranaguá. Depois nas Minas da Conceição, Cananéia e Iguape, e campos de Curitiba, providenciou sobre o sequestro feito nos bens do Provedor das Minas Manuel de Lemos Conde. Em 1681 seguiu com D. Rodrigo e foi pelo mesmo encarregado de ir buscar Garcia Rodrigues Pais no no arraial do Sumidouro. Morto o administrador, voltou para a Bahia com Matias Cardoso de Almeida e o restante da comitiva: andaram cem léguas, sofrendo grandes vicissitudes, tendo três encontros ferozes com o gentio.

D. Dodrigo chegou em novembro de 1678 ao Rio de Janeiro e mandou o sertanista do Rio de Janeiro com uma tropa, ajudante João de Campos de Matos, pesquisar o interior e a serra do Mar, pois lhe dissera saber onde existia ouro. Diligência inutil.

A 25 do mesmo mês, D. Rodrigo chegou a Santos para providenciar a partida de Soares na incumbência da fundação da colônia do Sacramento com D. Manuel Lobo.

Em 20 de dezembro de 1678 foi publicado um Bando em todas as vilas da capitania de São Paulo que dava perdão aos criminosos foragidos, exceto nos crimes de lesa-majestade divina e humana, que se apresentassem à força com que D. Rodrigo queria entrar no sertão para descobrir minas.

No dia 31, último dia do ano, o tenente de mestre de campo general Jorge Soares de Macedo se apresenta na vila de São Paulo, como encarregado do descobrimento de minas de prata e esmeralda, para receber - como recebeu - quase dois contos de rs, ou 1:752$000 em dinheiro, mais os índios disponiveis; mais 3.000 alqueires d farinha de trigo a 720 rs o alqueire; 300 arrobas de carne de porco a 960 rs; l00 ou 200 alqueires de feijão a 480 rs; 8 mil varas de pano de algodão tecido a 80 rs, para os panos que vestia o séquito; 40 arrobas de fio torcido de algodão de três linhas a 200 rs a libra, para preparar as cordas, e duas arrobas de fio de algodão singelo; 19 espingardas, 12 catanas, 15 arrobas de tabaco de rolo. Para levar 200 índios sagitiários em reconhecimento das das galenas argentiferas do sertão do Sul até o Rio da Prata e as ilhas de São Gabriel, levando por capitão-mor da infantaria Brás Rodrigues de Arzão e por sargento-mor Antônio Afonso Vidal. D. Rodrigo partiria, por sua vez, para o sertão de Paranaguá.

A expedição partiu a 14 de março, por terra, para as pretendidas minas de Paranaguá. Ali era, exploradas minas de ouro, chamadas de Peruna, descobertas pelo paulista capitão-mor Gabriel de Lara, assim como a mina de Itambé, no ribeirão de Nossa Senhora da Graça, descoberta por João de Araújo e de Nossa Senhora da Conceição descoberta por Salvador Jorge Velho.

Em Paranaguá[editar | editar código-fonte]

A 14 de abril de 1679 D. Rodrigo chegou a Curitiba. Em Paranaguá fez muitas diligências sobre minas de ouro e prata, fazendo nomear para tais investigações o provedor Manuel de Lemos Conde e o Capitão Francisco Jacome Bajarte. Examinou detidamente as antigas cavas das minas chamadas de D. Jaime Comére, acompanhado por Álvares Coutinho e pelo futuro sargento-mor João Martins Claro, e depois as lavras de Butiatuva; da de Itaimbé; Peruna; de Nossa Senhora da Conceição da Cachoeira e outras reveladas pelos Paulistas.

A 13 de agosto de 1679 há «Instruções» de D. Rodrigo, datadas das minas do Itaimbé, destinadas ao capitão Domingos de Brito Peixoto, ao sertanista Pedro da Guerra, ao capitão-mor Diogo Domingues de Faria, com referência à gente da administração que ali deixava em atividade, principalmente o apontador Francisco José da Cunha e o capelão-mor Padre Félix Pais Nogueira. D. Rodrigo empregou ainda os sertanistas Luis de Góis, Antônio Luís Tigre, Agostinho de Figueiredo, ao sertanista Luís da Costa, ao bandeirante paulista João de Arraiolos e o Padre Antônio de Alvarenga em bandeiras pesquisadoras de metais. No dia 28 do mesmo mês, determinou que João Alvares Coutinho, Manuel de Lemos Conde, ao sertanista paulista Manuel Veloso da Costa e o Padre João de Granica examinem os serros de Paranaguá onde diziam existir prata e lhe trouxessem amostras. As esperanças iam em diminuição.

Em 27 de abril de 1680 D. Rodrigo, tendo declarado que positivamente não existia prata no sítio inspecionado, elabora um Regimento das Minas destinado a todos os provedores e guardas-mores, datado de Paranaguá. Voltou a Santos em maio de 1680, depois de grandes dispêndios em dinheiro. Expediu, em Iguape, um Regimento para ser observado pelo provedor da vila, Manuel da Costa, com referência a minas. Não se achavam mesmo, afinal, as grandes quantidades de ouro com que sonhava a Corte em Lisboa…

Retorno a São Paulo em 1680[editar | editar código-fonte]

Tendo vindo por mar, aportou em Santos e no dia 30 de maio de 1680 já estava em São Paulo para organizar sua expedição a Sabarabuçu. Apresentou-se à Câmara paulista em 1º de junho e a 3 voltou à câmara para se reunir com os sertanistas Matias Cardoso de Almeida, Jerônimo de Camargo, Antônio de Siqueira de Mendonça e Pedro da Rocha Pimentel. Decidem não ser oportuna a partida imediata. Castelo Branco fica então na vila em preparativos, providenciando sobre o desastre sucedido com Soares, e inspecionando as minas do entorno, Jaraguá, Araçoiaba, outras.

A 20 de junho, D. Rodrigo propôs à Câmara de São Paulo reunir os mais notáveis sertanistas para ouvir informações e conselhos. A Câmara neste ano era composta pelo juiz ordinário Antônio de Godói Moreira tendo por vereadores João Pinheiro, Francisco Correia de Lemos, Diogo Barbosa do Rego e procurador do conselho Manoel Rodrigues de Arzão. Outro auto declara que a Junta de 20 de junho de 1680 foi composta de Lourenço Castanho Taques, juiz ordinário vitalício, Gaspar Cubas Ferreira, Manuel da Rosa e Manuel de Gois, como vereadores, e o procurador Manuel Leão! Foram convocados Matias Cardoso de Almeida, Jerônimo de Camargo, Antônio de Siqueira de Mendonça, Pedro da Rocha Pimentel e outros mais paulistas, votando todos que deviam mandar plantar roças para que a tropa, ao chegar, tivesse mantimento - conselho aceito.

Desde 20 de junho, D. Rodrigo escolheu Matias Cardoso de Almeida comandante de sua gente por ser o maior conhecedor dos sítios, com patente de tenente-general pois Jorge Soares de Macedo continuava aprisionado em Buenos Aires, Aliás, Matias se oferecera sem soldo algum, e prometia ainda fornecer 60 negros. Incorporaram-se à bandeira sertanistas célebres como o sargento-mor Estêvão Sanches de Pontes. Seriam capitães das três companhias de paulistas voluntários Manuel Cardoso de Almeida, João Dias Mendes e André Furtado. A estas três companhias se reuniram os índios mandados buscar em Santa Catarina, mas os Paulistas, com a notícia de que Manuel Lobo se deixara aprisionar dos castelhanos, passaram a notar em D. Rodrigo frouxidão de ânimo e muito mais ainda no seu mineiro João Alves Coutinho.

Por outro lado, desde 18 de dezembro de 1679 havia troca de cartas entre D. Rodrigo e Fernão Dias Pais com referência ao descobrimento de minas.

A expedição de 1681[editar | editar código-fonte]

Em 2 de março de 1681, com aprovação de D. Rodrigo, a Câmara de São Paulo nomeou Estêvão Sanches de Pontes para ir como sargento-mor da sua tropa; como desde 8 de fevereiro de 1679 tinha nomeado para Capitão Manoel Cardoso de Almeida, formaram-se assim três companhias.

A tropa de D. Rodrigo partiu a 19 de março de 1681 com 240 homens, entre os que Matias Cardoso de Almeida como tenente-general adjunto; o capitão-mor Brás Rodrigues de Arzão, o sargento-mor Antônio Afonso Vidal; sargento-mor Estêvão Sanches de Pontes; Manuel Cardoso de Almeida, João Saraiva de Morais, Domingos do Prado (filho de João do Prado da Cunha e Mécia Raposo); Jerônimo Cardoso, o filho deste Francisco Cardoso, João Dias Mendes, André Furtado de Mendonça como capitão de companhia. A morosidade dos preparativos havia irritado os Paulistas mas D. Rodrigo saiu bem apetrechado, tropa de animais, víveres e munições, cuidados especiais. Havia 120 trabalhadores para as minas, 60 indios para condução dos objetos de D. Rodrigo, mais 60 índios de Matias Cardoso. Chegaaram a Atibaia já a 24 de março.

Por grande ironia, data de 27 de março de 1681 carta em que Fernão Dias Pais, do sertão, escreve: Deixo abertas cavas de esmeraldas no mesmo morro donde as levou Marcos de Azeredo, já defunto, coisa que há de estimar-se em Portugal." A tradição quer que tais esmeraldas tenham sido colhidas na região dos rios Jequitinhonha e Araçuaí.

A 19 de abril de 1681 diz-se que «fugiam-lhe índios na passagem de Sapucaí». Assim, o caminho seguido portanto não foi o de Paraíba do Sul. Tal caminho de Atibaia ou de Sapucaí e o do Paraíba do Sul se comunicavam, porém, por diversas gargantas na serra da Mantiqueira. Na região de Santo Antônio da Cachoeira ou Piracaia, as gargantas do rio Cachoeira e Muquem, afluentes do rio Atibaia e situados entre os morros do Lopo e a pedra do Selado; fronteiras a Jacareí, as gargantas do rio do Peixe e do rio das Cobras, afluentes do Paraíba e situados ao sul da pedra do Selado; fronteiras a São José dos Campos, as gargantas do rio Buquira; fronteiras a Pindamonhangaba, e entre os morros do Itapeva e Pico Agudo, a garganta do Piracuama; a partir do Jacareí, as gargantas convergem para a região mineira do Sapucaí, hoje São José do Paraíso, Santana do Sapucaí, etc. Fronteiras a Guaratinguetá, as gargantas do Pragui e Guaratingueta; a fronteira de Lorena a Piquete, fronteira de Cachoeira (Bocaina) há a garganta do Embaú, onde se fez a habitual entrada para as Minas Gerais, ganhando o vale do Passa Vinte depois da travessia da Serra. Os animais levados por D. Rodrigo irão reforçar, com frutas e sementes, os arraiais de Baependi e na Ibituruna, falados antes, de Jaques Felix. E Lourenço Castanho Taques havia limpado os caminhos dos índios, conquistados no lugar batizado por isso mesmo Conquista.

Em 4 de junho de 1681 D. Rodrigo escreveu carta, do arraial de São Pedro do Paraopeba (Taques ainda diz Paraipeva) em que felicita Fernão Dias Pais pelos seus serviços nos descobrimentos de esmeraldas. Avançavam lentamente pois grande parte da matalotagem de Castelo Branco, em cavalos por falta de índios, dava consideravel trabalho ao ajudante João Carvalho Freire.

O encontro com Garcia Rodrigues Pais e as turmalinas[editar | editar código-fonte]

A 26 de junho, Garcia Rodrigues Pais deu a D. Rodrigo em manifesto as pedras verdes (128 oitavas, em saco lacrado) que o pai descobrira no rio dos índios Mapaxós (ou iguais às que os Azeredos tinham tirado no rio dos Pataxós). Desta apresentação lavrou-se auto escrito por João de Moura. Emissários de Matias Cardoso como «capitão-mor da entrada de D. Rodrigo» já anunciavam a chegada proxima deste à feitoria de Santana do Paraopeba, como «administrador Geral das minas descobertas e por descobrir.» Um intruso, na opinião daqueles paulistas que levavam anos nos sertões! De qualquer jeito, D. Rodrigo quis comprar de Garcia mantimentos e roças, que este colocou à disposição e com o espírito de renúncia que caracterizara a personalidade do pai, e dividiu com ele as esmeraldas… D. Rodrigo partiu para o Sumidouro, onde se deteria para colher informações, e Garcia para São Paulo.

Garcia fora mandado buscar por Francisco João da Cunha no arraial do Sumidouro, onde se encontrava doente da maleita que dizimara a tropa e matara seu pai, conforme se lê na sua patente de 14 de julho de 1694 para capitão do forte de Santa Maria da Barra. No dia 28 de junho, D. Rodrigo despachou seu auxiliar, o militar Francisco João da Cunha para São Paulo, para levar as pedras. Borba Gato estaria acampado a légua e meia - retrocedendo ao saber de sua chegada para saudar parentes e amigos. Há sete anos estava ausente de São Paulo, distante da mulher e das filhas. Era o sucessor de Fernão Dias Pais, que tivera provisão anterior e também muito legítima de governador de sua leva e dos distritos de seus descobrimentos e conquistas. Borba Gato deve ter entendido a jurisdição de D. Rodrigo à letra do Regimento que a prorrogava somente para as minas existentes no sertão que ele mesmo descobrisse. As do Sabaraboçu estando descobertas, o governo delas pertencia ao chefe da bandeira legalmente investido por quem o podia investir. Tanto que na ordem real pela que fora investido D Rodrigo o rei declarou que não seria exautorado Fernão Dias Pais, mas pelo contrário devia ser atendido e respeitado. E demonstrou-se gabola e fanfarrão D. Rodrigo, gabando-se de familiar do Príncipe-Regente e de sua influência na corte; os Paulistas se remoendo de inveja, criado o aborrecimento suplementar… Borba Gato decerto teria dito que não obedeceria à investidura indefinida do administrador, quando ele representava a especial e certa de Fernão Dias Pais; que nem respeitaria a posse dada por Garcia a D. Rodrigo no Paraopeba, tampouco entregaria o descobrimento do Sabaraboçu. E D. Rodrigo foi por isso adiando a partida e adiando decisões…

Em 10 de julho D. Rodrigo escreveu à câm de São Paulo, queixando-se de fugas de índios e dificuldades que o continuavam a impedir de ir ao serro que continha as esmeraldas. Em 31 de agosto, chegou a São Paulo seu enviado, Cunha. Apresentou a 1º de setembro à câmara de São Paulo um saquinho cozido e lacrado com pedras verdes e transparentes, remetidas por D. Rodrigo, para o Rei. Estava remetendo estas à Câmara, remeteria outras à câmara de Guaratinguetá e deixara por guarda das minas de esmeraldas José de Castilho (Garcia Rodrigues Pais só chegou a São Paulo no dia 1º de dezembro de 1681). Declarou o ajudante que as pedras haviam sido descobertas pelo governador Fernão Dias Pais no rio dos Pataxós na mesma mina de onde antigamente as tiraram os Azeredos. Nesse mesmo dia 1º o padre João Leite da Silva, irmão de Fernão Dias Pais, se apresentou à câmara reunida na vila de São Paulo para protestar que, havendo-se propalado que D. Rodrigo intentava se apoderar das minas de esmeraldas descobertas em Sabaraboçu, segundo constava das cartas do tenente-general Matias Cardoso de Almeida nas que declarava que o dito administrador D. Rodrigo dissera que destas minas tiraria os gastos de jornada, requeria dos oficiais admoestarem ao referido administrador que não tocasse nas minas até o rei decidir o conveniente. A Câmara não tomou conhecimento do protesto mas o levou ao conhecimento de D Rodrigo, em 8 de outubro. De qualquer jeito, publicou-se um Bando nas vilas da capitania proibindo que se fosse às minas de esmeraldas descobertas por Fernão Dias Pais, sob pena de morte e confisco.

Em 8 de outubro, em documento datado do Sumidouro, D. Rodrigo escreve sobre o protesto do Padre João Leite da Silva - e comenta irônicamente que o governador das esmeraldas tinha morrido sem confissão e desamparado no sertão, pois não quiseram lhe enviar nem um sacerdote, tendo ele parentes que o eram na vila de São Paulo.

Permanência no Sumidouro e morte[editar | editar código-fonte]

Em 25 de maio de 1682 D. Rodrigo, ainda do Sumidouro, envia amostras de minérios pelo contador Manuel Castanhoe faz referência a que Francisco João da Cunha lá de novo se encontrava, embora houvesse desertado o soldado que o acompanhara, Ambrósio de Araujo, e o tesoureiro Manuel Vieira da Silva não mais quisesse vir, alegando doença.

23 de agosto de 1682 é a data que alguns autores dão para o assassinato de. D Rodrigo. Por esse crime, Manuel de Borba Gato foragiu-se nos sertões do rio Doce e reapareceu em povoado apenas em 1700, recomendando então o governador do Rio de Janeiro que se fizesse silêncio sobre seu processo, no interesse dos descobrimentos de ouro que desde 1678 vinha ele tentando no rio das Velhas e na chamada serra do Sabaraboçu.

D. Rodrigo, que a pretextos distintos no Sumidouro demorara meses, em arraial separado, foi assassinado por dois tiros de mosquete, antes de que se eclipsasse Borba Gato largos anos nos sertões. O arraial era farto em banquetes, regalos e libertinagem, farto de peixe fino e caça delicada, vinho e conservas de São Paulo. A soldadesca em licença, caças e jogos e noites em orgias com as índias. Tal a perda de tempo e o relaxamento da disciplina que o Borba vitupera em denúncia ao Rei, mas, sagaz, D. Rodrigo fingia prosseguir, ordenava preparativos e exigia que Borba lhe entregasse as munições de pólvora e balas de que carecia para afrontar o sertão dos tapajós, já que desistia de ir ao Sabará. O que Borba negou, por pertencerem não à Fazenda Real, mas ao inventário da bandeira, compradas à sua custa e à custa do sogro. Afirmou que sua bandeira estava não dissolvida, mas em continuação das diligências autorizadas e legalizadas pelo Governador Afonso Furtado. Irritados os sequazes de D Rodrigo, soldados e índios do padroado real, que teriam tomado por insuportável o motivo da recusa, evidente insubordinação contra um superior hierarquico e revestido de poder absoluto e militar, concluindo-se que as iam tomar por força. D. Rodrigo dissimulava ignorar tal intenção, mostrando-se surpreendido pelo fato. Pediu entrevista a Borba, em lugar neutro, cada um sem armas e com dois pagens. Borba anuiu, discutindo ambos urbanamente até que por estulta exigência, quis Borba que D. Rodrigo prometesse se retirar do distrito do rio das velhas. Proferiu D. Rodrigo palavras de ameaça, e os dois pagens de Borba levaram os trabucos à mira e vararam o fidalgo, ali morto instantaneamente.

Dizem os autores - «entre ambos, surdo rancor - a arrogância do espanhol e sua prosápia, vantagens e regalias, a rudeza do cabo Paulista, afetada por tal situação sua autoridade e o seu senhorio, que via nele usurpador talvez de glórias e vantagens obtidas pelos sacrificios alheios. Chegado ao Sumidouro, não mais encontrara Fernão Dias Pais, morto, e não se pode se entender com Borba Gato, porque julgava que como sucessor de Pais lhe cabia o governo dos distritos descobertos e que a D. Rodrigo se devia dar jurisdição apenas sobre as minas que descobrisse. Segundo escreve Pedro Taques, Borba «com alguma liberdade lhe estranhou a inação e o amortecimento em que se conservava, caçadas de aves e animais terrestres para o regalo e a grandeza de sua mesa». E mais: «Travando-se de razões menos comedidas, o sobredito Borba precipitou-se tão arrebatado de furor que, dando em D. Rodrigo violento empuxão, o deitou ao fundo de alta cata na que caiu morto.»

Aí já temos duas versões. O sítio é até hoje chamado o Alto do Fidalgo. Se tiver sido pelos sequazes de Borba, foi em presença deste; pode ter sido à sua revelia, após a violenta discussão já que D. Rodrigo pretextava espera de novos recursos de São Paulo e insistia em receber a pólvora dos paulistas. Era lugar de campos e caatingas, lagos e cavernas de calcário, onde mergulham sumidouros; para o nascente, rio acima, terreno montanhoso, coberto de florestas colossais nos vales. O exército do espanhol se agitou em vingança contra o crime de lesa-majestade na pessoa de representante do Rei: os chefes Paulistas abandonam o Borba, fazendo causa comum com os soldados e Borba se entrincheirou, preparou resistência, ganhou tempo, esperando auxilio de tribos aliadas e o Terço da expedição que se atrasara, comandados por José de Castilhos.

Desde a morte de José Dias muitos companheiros se haviam dispersado pelos arredores de Sete Lagoas ao baixo rio das Velhas; o truque dos que saem de noite e entram no acampamento de madrugada tocando cornetas e alaridos. Borba Gato arrefece também os chefes paulistas com suas justificações, e voltaram para São Paulo. Alguns, porém, não absolutamente envergonhados! - se internaram livres pelo sertão, se apoderaram do gado, instrumentos e munições de D. Rodrigo e se espalhamra pelos sertões, Sete Lagoas(ou Vapabuçu), Curumataí (o rio dos sapos), Jaguara (iauara ou rio do cão ou lobo), Piracicaba (piracicava ou montanha em que pára o peixe) e o rio São Francicco, fundando fazendas de criação que mais tarde abasteceriam as minas. Matias Cardoso de Almeida, segundo afirma Pedro Taques, se recolheu a São Paulo em 1682 e teve descanso até 1689, ou teria ido para a Bahia por terra, segundo outros. Com a dispersão do povo de Borba Gato é irrefutável que vão-se fundar fazendas nos sertões do São Francisco em Sete Lagoas e Jaguaré, por ex°, por Matias Cardoso, seu filho Januário Cardoso e seu cunhado Antônio Gonçalves Figueira.

Segundo o historiador Helio Viana, Martinho Dias teria sido o assassino; mas Borba Gato foi o acusado principal, o que o impediu de voltar a São Paulo, apesar de ter mantido contactos constantes, para evitar a justiça. Sabe-se que viveu no interior na capitania mesma, tendo parte em diversas bandeiras, inclusive diz-se que na de 1693, na do Padre João de Faria Fialho, que antes de 1700 descobriu ouro no Rio das Velhas. Outros, dizem que se refugiou nos desconhecidos sertões de Piracicaba, onde viveu muitos anos no seio de uma tribo índia. Em todo caso, a câmara a 2 de novembro de 1682 vai denunciá-lo formalmente ao rei.

Em 25 de fevereiro de 1683 foi mandado abrir na Bahia o inventário de Castelo Branco, cujo procedimento correto na remessa das amostras entregues por Garcia Rodrigues nada prova por que mereceu o desprezo d ehistoriadores, seguindo as opiniões de Pedro Taques.