Cana-de-açúcar

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Como ler uma caixa taxonómicaCana-de-açúcar
Faz S Sofia canavial 090607 REFON .JPG
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Poales
Família: Poaceae
Género: Saccharum
Espécies[1]

S. spontaneum

S. robustum

S. officinarum

S. barberi

S. sinense

S. edule

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A cana-de-açúcar é uma planta que pertence ao gênero Saccharum L.. Há pelo menos seis espécies do gênero, sendo a cana-de-açúcar cultivada um híbrido multiespecífico, recebendo a designação Saccharum spp. As espécies de cana-de-açúcar são provenientes do Sudeste Asiático. A planta é a principal matéria-prima para a fabricação do açúcar e álcool (etanol).

É uma planta da família Poaceae, representada pelo milho, sorgo, arroz e muitas outras gramas. As principais características dessa família são a forma da inflorescência (espiga), o crescimento do caule em colmos, e as folhas com lâminas de sílica em suas bordas e bainha aberta.

É uma das culturas agrícolas mais importantes do mundo tropical[carece de fontes?], gerando centenas de milhares de empregos diretos. É fonte de renda e desenvolvimento, embora nitidamente concentradora de renda. Na região de Ribeirão Preto, a principal zona produtora do Brasil,[2] 98.228 pessoas tinham renda inferior a R$ 100 mensais até 2007.[3]

A principal característica da indústria canavieira é a expansão por meio do latifúndio, resultado da alta concentração de terras nas mãos de poucos proprietários, mormente conseguida através da incorporação de pequenas propriedades, gerando por sua vez êxodo rural.

Geralmente, as plantações ocupam vastas áreas contíguas, isolando e/ou suprimindo as poucas reservas de matas restantes, estando muitas vezes ligadas ao desmatamento de nascentes ou sobre áreas de mananciais. Os problemas com as queimadas, praticadas anteriormente ao corte para a retirada das folhas secas, são uma constante nas reclamações de problemas respiratórios nas cidades circundadas por essa monocultura. Ademais, o retorno social da agroindústria como um todo, é mais pernicioso que benéfico para a maioria da população.

O setor sucroalcooleiro brasileiro despertou o interesse de diversos países, principalmente pelo baixo custo de produção de açúcar e álcool. Este último tem sido cada vez mais importado por nações de primeiro mundo, que visam reduzir a emissão de poluentes na atmosfera e a dependência de combustíveis fósseis. Todavia, o baixo custo é conseguido, por vezes, pelo emprego de mão-de-obra assalariada de baixíssima remuneração e em alguns casos há até seu uso com características de escravidão por dívida.[4]

No Brasil, a agroindústria da cana-de-açúcar tem adotado políticas de preservação ambiental que são exemplos mundiais na agricultura[carece de fontes?], embora nessas políticas não estejam contemplados os problemas decorrentes da expansão acelerada sobre vastas regiões e o prejuízo decorrente da substituição da agricultura variada de pequenas propriedades pela monocultura. Já existem diversas usinas brasileiras que comercializam crédito de carbono, dada a eficiência ambiental.

As queimadas também têm diminuído devido ao aumento de denúncias e endurecimento da fiscalização, embora muitas dessas denúncias terminem sem uma penalização formal. Em cidades como Ribeirão Preto, Araraquara, Barretos, Franca, Jaboticabal e Ituverava, as multas e advertências a usinas e produtores que queimam seus canaviais cresceram 27% em 2009 em relação a 2008, segundo levantamento da Cetesb.[5]

Para renovação do cultivo, algumas indústrias canavieiras fazem, a cada quatro ou cinco anos, plantios de leguminosas(soja) que recuperam o solo pela fixação de nitrogênio. Quanto aos problemas advindos da queima controlada na época do corte, existe já um movimento em direção à mecanização da colheita que aumenta de ano para ano,além de rigorosos protocolos que prevem o fim da queima até o ano de 2014.

Índice

[editar] Processamento da cana

Antiga moenda de madeira para cana-de-açúcar no Goiás

A cana colhida é processada com a retirada do colmo (caule), que é esmagado, liberando o caldo que é concentrado por fervura, resultando no xarope, a partir do qual o açúcar é cristalizado, tendo como subproduto o melaço ou mel final. O colmo é às vezes consumido in natura (mastigado), ou então usado para fazer caldo de cana e rapadura. O caldo também pode ser utilizado na produção de etanol, através de processo fermentativo, além de bebidas como cachaça ou rum e outras bebidas alcoólicas, enquanto as fibras, principais componentes do bagaço, podem ser usadas como matéria prima para produção de energia elétrica, através de queima e produção de vapor em caldeiras que tocam turbinas, e etanol, através de hidrólise enzimática ou por outros processos que transformam a celulose em açucares fermentáveis.

Praticamente todos os resíduos da agroindústria canavieira são reaproveitados. A torta de filtro, formada pelo lodo advindo da clarificação do caldo e bagacilho, é muito rica em fósforo e é utilizada como adubo para a lavoura de cana-de-açúcar. A vinhaça, um subproduto da produção de álcool, contém elevados teores de potássio, água e outros nutrientes, sendo utilizada para irrigar e fertilizar o campo. Pode também ser utilizada como biomassa para produção de biogás (composto basicamente de metano e gás carbônico).

[editar] Economia e história

Corte de madeira em área florestal para o plantio de cana-de-açúcar.

A cana de açúcar foi introduzida no Brasil no início do século XVI, quando foi iniciada a instalação de engenhos de açúcar, a primeira indústria implantada na nova possessão de Portugal, que em pouco tempo substituiu a indústria extrativa do pau-brasil.[6]

Foi a base da economia do nordeste brasileiro, na época dos engenhos. A principal força de trabalho empregada foi a da mão-de-obra escravizada, primeiramente indígena e em seguida majoritariamente de origem africana. Os regimes de trabalho eram muito forçados em que esses trabalhadores, na ocasião da colheita, chegavam a trabalhar até 18 horas diárias, sendo utilizada até o final do século XIX. Com a mudança da economia brasileira para a monocultura do café, esses trabalhadores foram deslocados gradativamente dos engenhos para as grandes fazendas cafeeiras. Com o tempo, a economia dos engenhos entrou em decadência, sendo praticamente substituído pelas usinas. O termo engenho hoje em dia é usado para as propriedades que plantam cana-de-açúcar e a vendem, para ser processada nas usinas e transformada em produtos derivados.

O Brasil é hoje o principal produtor de cana-de-açúcar do mundo. Seus produtos são largamente utilizados na produção de açúcar, álcool combustível e mais recentemente, biodiesel.

A cana-de-açúcar foi a base econômica de Cuba, quando tinha toda a sua produção com venda garantida para a União Soviética, a preços artificialmente altos. Com o colapso do regime socialista soviético, a produção de cana cubana tornou-se inviável.

A cana-de-açúcar também é o principal produto de exportação em países do Caribe como a Jamaica, Barbados, etc. Com a suspensão de preferências européias à cana caribenha em 2008, espera-se um colapso semelhante na indústria canavieira caribenha.

Vários países da África austral, principalmente a África do Sul, Moçambique e a ilha Maurício, são igualmente importantes produtores de açúcar.

Uma tonelada de cana-de-açúcar produz 80 litros de etanol sendo que um hectare de terra produz 88 toneladas de cana-de-açúcar, no total são produzidos 7040 litros de etanol por hectare.

[editar] Produção de cana-de-açúcar no Brasil

Abaixo, os dados de produção por região, de 1995 a 2000, em milhões de toneladas (fonte: MB Associados).

Estados 1995 1996 1997 1998 1999 2000 Var % a.a
Paraná 19,4 21 23 24,5 26 28 7,7
São Paulo 174 180 185 190 195 200 2,8
Minas Gerais 16,7 17 18 19 19,5 20 3,6
Centro-oeste 19,3 21 24 27,5 31 34 12,0
Alagoas/Pernambuco 42,3 35 36 37,5 39 40 - 1,1
Outros 49 50 52 53,5 55 56,5 2,9
Total Brasil 321 324 338 352 366 379 3,4


[editar] Condições de trabalho

[editar] Sinonímia do gênero

[editar] Classificação do gênero

Sistema Classificação Referência
Linné Classe Triandria, ordem Digynia Species plantarum (1753)

Na classificação taxonômica de Jussieu (1789), Saccharum é o nome de um gênero botânico, ordem Gramineae, classe Monocotyledones com estames hipogínicos.

[editar] Produtos da cana-de-açúcar

O cultivo da cana-de-açúcar, implantado no Brasil no início do século XVI com o único objetivo de produzir açúcar para o mercado europeu, logo começou a fornecer outros subprodutos como o melaço que, juntamente com as espumas e depois o caldo de cana, foram utilizados para a fabricação de cachaça. Com a expansão do setor sucroalcooleiro a partir do século XX inúmeras outros empregos foram encontrados para derivados da cana-de-açúcar.[6]:

  • Açúcar cristal: indústrias alimentícias de bebidas, massas, biscoitos e confeitos.
  • Açúcar refinado granulado: produtos farmacêuticos; confeitos onde aparecem cristais; xarope de alta transparência; mistura seca.
  • Açucar refinado amorfo: consumo doméstico, misturas sólidas de dissolução instantânea, bolos e confeitos, caldas transparentes e incolores.
  • Açúcar refinado Graçúcar: preparo de glacês, suspiros, bolos, chantilly, etc.
  • Açúcar invertido: frutas em caldas, sorvetes, balas e caramelos, licores, geléias, biscoitos, bebidas carbonadas.
  • Açúcar mascavo: Açúcar bruto, sem refino, contendo melaço. Excelente como fonte de energia, é consumido no estado natural.
  • Açúcar demerara: Açúcar granulado resultado da purgação do açúcar mascavo. Usado em caldas, bolos, caramelos, pudins, compotas e licores.
  • Àlcool hidratado: Com 96% de álcool e 4% de água é usado como combustível para veículos automotivos.
  • Àlcool anidro: Composto de 99,5% de álcool e 0,5% de água, é usado como aditivo de combustíveis. No Brasil é misturado na proporção de 20 a 25% na gasolina.
  • Àlcool bruto: combustível e produção de álcoois extra fino e neutro.
  • Àlcool neutro: indústrias alcooquímica, cosméticos, bebidas, farmaceuticas e tintas e vernizes.
  • Cachaça/rum: Bebida alcoólica também utilizada como ingrediente na confecção de doces e salgados.
  • Rapadura: Pode ser considerado um açúcar bruto e sólido. Usada para adoçar café, leite, etc. e também é consumida ao natural.
  • Melado: É o ponto obtido quando o caldo de cana é fervido e engrossado, antes de cristalizar. Consumido puro ou misturado com queijo, biscoito, bolo, mandioca e outros. Também usado em confeitaria, bebidas e balas.
  • Bagaço: combustível para caldeira, produção de celulose, alimentação de gado confinado e produção de álcool de celulose (em estudos).
  • Torta de filtro: é resíduo da filtração do lodo na fabricação do açúcar e álcool durante a purificação do caldo. Usado como fertilizante.
  • Vinhaça: alimentação de animais, produção de proteínas, rações, metano e usada também como adubo.
  • Óleo fúsel: usado em solventes e para a extração de álcoois com diferentes graus de pureza.
  • Levedura seca: ração animal.
  • Melaço: produção de etanol, suplemento para forragens volumosas para gado de corte, suplemento para alimentação de porcos e cavalos, adubação orgânica, adubo foliar, cicratizar o pé de batata após chuva de granizo, pulverização do milho, confecção de molde na indústria de fundição, confecção de refratários, revestimento de forno e na massa de tijolo na indústria cerâmica, dar consistência à porcelana, fabricação de briquete em mineração, dar consistência ao papelão e à casquinha de sorvete, em pneus, em velas para filtro de água, produção de proteína, levedura para panificação e antibiótico.

Referências

  1. ITIS 42058
  2. Cana avança para o oeste, mas não tira status de Ribeirão - Folha de S.Paulo, 1 de março de 2010 (visitado em 13-3-2010)
  3. 98 mil têm renda abaixo de R$ 100 na região - Folha de S.Paulo, 16 de dezembro de 2009 (visitado em 13-3-2010)
  4. 4,4 mil foram descobertos em trabalho escravo em 2008 - O Estado de S.Paulo, 22 de dezembro de 2008 (visitado em 13-3-2010)
  5. Punição por queimada de cana cresce 27% - Folha de S.Paulo, 14 de fevereiro de 2010 (visitado em 13-3-2010)
  6. a b Cavalcante, Messias Soares. A verdadeira história da cachaça. São Paulo: Sá Editora, 2011. 608p. ISBN 9788588193628

[editar] Ligações externas

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