Sahaja

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Sahaja (sânscrito; IAST: sahaja; Devanagari: सहज, que significa "espontâneo, natural, simples, ou fácil" [1]) é um termo de certa importância na espiritualidade indiana, especialmente em círculos influenciados pelo Movimento tântrico. Ananda Coomaraswamy descreve seu significado como "a última conquista de todo o pensamento", e "o reconhecimento da identidade de espírito e matéria, sujeito e objeto", continuando "Não há então nenhum sagrado ou profano, espiritual ou sensual, mas tudo que vive é puro e vazio ". [2]

Origem[editar | editar código-fonte]

As origens da palavra estão em Apabhramsha, uma língua extinta, e antigo bengali, antigo oriá, ahamiya antigo, todas línguas orientais indianas, onde seu primeiro atestado uso literário ocorre no século 8 dC. [3] [4] A palavra era usada em um contexto espiritual pelo mestre norte indiano, siddha tântrico, Saraha no século 8 dC:

Assim, a partir da espontaneidade que é única,

Repleta de perfeições do Buda,

São todos seres sencientes nascidos, e nela vêm para descansar

Mas não é nem concreta nem abstrata.

Manuscritos de Charyapada, o texto do século VII, e a mais antigo espécime conhecida da língua bengali. A imagem é de um rolo de papel com 1400 anos (2006).

Nath[editar | editar código-fonte]

O conceito de espiritualidade espontânea entrou no hinduísmo com os Nath iogues como Gorakhnath e foi muitas vezes aludido indiretamente e simbolicamente na Linguagem Crepuscular (Twilight - Secreta, Oculta, assim como a luz do Luar - sandhya bhasa) que é comum às tradições Sahaja, como encontrada no texto Charyapada, e nos trabalhos de Matsyendranath e Daripada. [5] Ele influenciou o movimento bhakti através da tradição Sant, exemplificado pelos Bauls de Bengala, Dnyaneshwar, Meera, Kabir [6] e Guru Nanak, fundador da fraternidade Sikh. [7]

Três palavras em sânscrito expressam a essência do caminho de vida Natha: [19]

sama: O mesmo, igual, correspondendo, equilíbrio, equanimidade

Samarasa: Equanimidade em sentimentos, não-discriminação, a mente em repouso

Sahaja: Alegria Natural, amoral, elevando todas as coisas mundanas a um status divino, para dissolver sentidos naturais em expressão divina

Twilight Language[editar | editar código-fonte]

Como popularizado por Roderick Bucknell e Martin Stuart-Fox em 1986, a noção de "língua crepuscular" é um sistema de linguagem polissêmica e comunicação supostamente associada com as tradições tântricas em Vajrayana budista e hinduísta. Ela inclui a comunicação visual, comunicação verbal e comunicação não-verbal. Textos tântricos muitas vezes são escritos em uma forma de linguagem crepuscular que é incompreensível para o leitor não iniciado. Como parte de uma tradição esotérica da iniciação, os textos não devem ser utilizados por aqueles sem um guia experiente e o uso da língua crepuscular garante que os não iniciados não terão facilmente acesso ao conhecimento contido nessas obras. 

Como já foi dito muitas vezes, textos tântricos são escritos em "linguagem crepuscular" (sandha-bhasa, gongpay-kay), que, assim como os estados Hevajra-tantra, uma "linguagem secreta de uma grande convenção de yoginis, que os shravakas e os outros não poderiam decifrar. " Isto significa que os textos do tantra budista não podem ser entendidos sem o comentário verbal específico por professores Vajrayana autorizados. - Judith Simmer-Brown

Sahajiva[editar | editar código-fonte]

Yoga em particular, teve uma influência vivificante sobre as várias tradições Sahajiya. [8] A cultura do corpo (kāya-sādhana) através de processos de hatha-yoga é de suma importância no culto Nath e encontrado em todas as escolas Sahaja. Quer concebido como "êxtase supremo" (Maha-sukha) pelos Sahajiyas Budistas, ou como "amor supremo" pelos Vaishnava sahajiyas, a força do corpo foi considerada necessária para ter uma realização de tal supremacia. [9 ]

Sahaja é uma das quatro palavras-chaves dos Nath Sampradaya (Tradição Nath) juntamente com Svecchachara, Sama e Samarasa. Meditação Sahaja e adoração foram predominantes nas tradições tântricas comuns ao Hinduísmo e Budismo, em Bengala, já nos séculos 8o-9o. O britânico professor Nath  Mahendranath escreveu:

O homem nasce com um instinto de naturalidade. Ele jamais esqueceu os dias de sua perfeição primordial, exceto de tal maneira que a memória tornou-se enterrada sob a superestrutura artificial da civilização e seus conceitos artificiais. Sahaja significa natural ... A árvore cresce de acordo com Sahaja, natural e espontâneamente em completa conformidade com a Lei Natural do Universo. Ninguém diz a ela o que fazer ou como crescer. Não tem swadharma ou regras, deveres e obrigações contraídas por nascimento. Possui apenas svabhava - o seu próprio eu inato ou essência - para guiá-la. Sahaja é essa natureza, que, quando estabelecido em si mesmo, traz o estado de absoluta liberdade e da paz [10].

Vaishnava-Sahajiya[editar | editar código-fonte]

O culto Vaishnava-Sahajiya se tornou popular no século 17 em Bengala. Buscava experiência religiosa através dos cinco sentidos. A relação divina entre Krishna e Radha (formas do divino masculino e feminino divino) eram celebradas por Chandidas (Bangla: চন্ডীদাস) (nascido em 1408 dC), Jayadeva (cerca de 1200 dC) e Vidyapati (c 1352 - 1448 c) cujas obras prenunciava as "rasas" ou "sabores" de amor. Os dois aspectos da realidade absoluta foram explicadas como o desfrutador eterno e o apreciado, Krishna e Radha concebidos como princípios ontológicos de que todos os homens e mulheres são manifestações físicas,que pode ser realizado através de um processo de atribuição (Aropa), no qual a relação sexual de um casal humano se transforma em amor divino entre Krishna e Radha, levando à mais alta realização espiritual, o estado de união ou Yugala. O elemento do amor, a inovação da escola Vaishnava Sahajiya, baseia-se essencialmente no elemento de yoga na forma de disciplina física e psicológica [11].

Vaisnava-Sahajiya é uma síntese e complexa de tradições que, devido às suas práticas tântricas sexuais, foram percebidas com desdém por outras comunidades religiosas e grande parte do tempo foram forçadas a operar em segredo. Sua literatura empregou um estilo criptografado e enigmático. Por causa da necessidade de privacidade e sigilo, pouco se sabe definitivamente sobre a sua prevalência ou práticas [12].

Baul[editar | editar código-fonte]

Baul (Bengali: বাউল, Hindi: बाऊल) são um grupo de trovadores místicos de Bengala tanto uma seita religiosa sincrética e uma tradição musical. Bauls são um grupo heterogêneo, cuja composição é constituída principalmente de Vaishnava hindus e muçulmanos sufis. [13] [14] Eles muitas vezes podem ser identificados por suas roupas distintas e instrumentos musicais. [15]

Sahaja-Siddhi[editar | editar código-fonte]

O 'sahaja-siddhi "ou o" siddhi "ou" realização natural "ou a" realização do estado natural incondicionada" era também um trabalho textual, o Sahaja-Siddhi revelado por Dombi Heruka (sânscrito Dombi Heruka ou Ḍombipa) [16 ], um dos oitenta e quatro Mahasiddhas. [17] A citação a seguir identifica a relação do "fluxo mental" (fluxo mental) para o sahaja-siddhi. Além disso, é preciso lembrar que, apesar de Sundararajan & Mukerji (2003:. 502 p) usarem um pronominal masculino o termo "siddha" não é específico de género e que não eram mulheres, tantos sadhakas superiores, entre as comunidades siddha:

"... O praticante é agora um siddha, uma alma realizada. Ele torna-se invulnerável, além de todos os perigos, quando todas as formas derretem no Sem Forma, "quando Surati se funde em nirati, japa está perdido em Ajapa " (Sākhī, "Parcā ko Aṅga," d.23) A reunião de Surati e nirati é um dos sinais de sahaja-siddhi; Surati é um ato de vontade, mesmo quando o praticante se esforça para libertar-se de apegos mundanos, mas quando o seu mundanismo está totalmente destruído com a dissolução do ego, há nirati, a cessação do fluxo mental, o que implica a cessação de todos os esforços obstinados. Nirati (ni-rati) é também a cessação de atrações, já que o objeto de atração e o buscador estão agora unificados. In termos de Layayoga, nirati é dissolução da mente no "Som" Nada ". [18]

Notas:[editar | editar código-fonte]

1. ver imagem no final - fonte: Wikipedia

2. Coomaraswamy, Ananda Kentish (1985). The dance of Śiva: essays on Indian art and culture. Edition: reprint, illustrated. Courier Dover Publications. ISBN 0-486-24817-8, ISBN 978-0-486-24817-2. Fonte: Dance of Shiva

3. Shashibhusan Das Gupta, Obscure religious cults (Calcutta: Mukhopadhyay, 1969), chapter 1

4. Per Kvaerne, On the Concept of Sahaja in Indian Buddhist Tantric Literature, Temenos, vol.11, 1975, pp88-135

5. Nayak, Pabitra Mohan Nayak (2006). The Literary Heritage of Sonepur. Orissa Review. May, 2006.

6. Kabir: In the bliss of Sahaj, Knowledge of Reality, no.20 Fonte:  Kabir In The Bliss of Sahaj

7. Niharranjan Ray, The Concept of Sahaj in Guru Nanak's Theology and its Antecedents', in Medieval Bhakti Movements in India, edited by N.N.Bhattacharyya (New Delhi: Munshiram Manoharlal, 1969), pp17-35

8. Shashibhusan Dasgupta (1946, 1969 third edition, 1976 reprint). Obscure Religious Cults. Firma KLM Private Limited: Calcutta, India. Sarasvati Printing Press.

9. Dasgupta, Shashibhusan (1946, 1969 third edition, 1976 reprint). Obscure Religious Cults. Firma KLM Private Limited: Calcutta, India. Sarasvati Printing Press, p.xxxviii.

10. Shri Gurudev Mahendranath, The Pathless Path to Immortality

11. Dasgupta, Shashibhusan (1946, 1969 third edition, 1976 reprint). Obscure Religious Cults. Firma KLM Private Limited: Calcutta, India. Sarasvati Printing Press.

12. Enclicpopedia Britannica - Vaishnava-Sahajiya

13. Enciclopedia Britannica - Baul

14. "Bauled over". The Times of India. Feb 6, 2010. Bauled Over

15. Hoiberg, Dale; Indu Ramchandani (2000), Students' Britannica, Popular Prakashan, p. 172, ISBN 0-85229-760-2  - Students Britannica - Baul

16. Rigpa Shedra (2009). 'Dombi Heruka'. Source: [5] (accessed: November 6, 2009) Dombi Heruka 

17. Chattopadhyana, Debiprasad (ed.)(1970). Taranatha's History of Buddhism in India. Indian Institute of Advanced Study, Simla. p.245-246

18. Sundararajan, K. R.; Mukerji, Bithika (2003). Hindu Spirituality, Volume 2, Motilal Banarsidass Publishers. ISBN 978-81-208-1937-5, p.502 Hindu Spirituality

19. Twilight Yoga I - Ecstasy, Equipoise, and Eternity,  Shri Gurudev Mahendranath.  Twilight Yoga


Fontes:[editar | editar código-fonte]

- Arora, R.K. The Sacred Scripture (New Delhi: Harman, 1988), chapter 6: Sahaja - Das Gupta, Shashibhusan. Obscure religious cults (Calcutta: Mukhopadhyay, 1969) - Davidson, Ronald M. "Reframing Sahaja: genre, representation, ritual and lineage", Journal of Indian Philosophy, vol.30, 2002, pp45–83 - Dimock, Edward C. Jr. "The Place of the Hidden Moon - Erotic Mysticism in the Vaiṣṇava-sahajiyā Cult of Bengal, University of Chicago Press, 1966 - Kvaerne, Per. "On the Concept of Sahaja in Indian Buddhist Tantric Literature", Temenos, vol.11, 1975, pp88-135 - Mahendranath, Shri Gurudev. Ecstasy, Equipoise, and Eternity. Retrieved Oct. 20, 2004. - Mahendranath, Shri Gurudev. The Pathless Path to Immortality. Retrieved Oct. 20, 2004. - Neki, J.S. "Sahaja: an Indian ideal of mental health", Psychiatry, vol.38, 1975, pp1–10 - Ray, Niharranjan. "The Concept of Sahaj in Guru Nanak's Theology and its Antecedents", in Medieval Bhakti Movements in India, edited by N.N.Bhattacharyya (New Delhi: Munshiram Manoharlal, 1969), pp17–35

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]