Sermonde

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Portugal Sermonde  
—  freguesia portuguesa extinta  —
Brasão de armas de Sermonde
Brasão de armas
LocalFregVNGaia-Sermonde.svg
Concelho primitivo Vila Nova de Gaia
Concelho (s) atual (is) Vila Nova de Gaia
Freguesia (s) atual (is) Grijó e Sermonde
Extinção 2013
Área
 - Total 1,41 km²
População (2011)
 - Total 1 360
    • Densidade 964,5/km2 
Orago São Pedro

Sermonde é uma das freguesias agregadas da atual freguesia de Grijó e Sermonde[1] , concelho de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto. Tem 1,41 km² de área e 1360 habitantes (2011)[2] . Densidade: 964,5 hab/km². De carácter ainda marcadamente rural, é o território com menos habitantes do concelho. Tem por lugares principais Asprela e Brantães.

Toponímia[editar | editar código-fonte]

O topónimo Sermonde deriva de Sesmondi, genitivo latino de Sesmondo, ou seja, "propriedade de Sesmondo". Sesmondo é um nome germânico associado ao significado de proteção[3] . Sesmondo, do qual se conhecem os patronímicos Sesmondiz, Sesmundiz e Sezemondisi, eram nomes frequentemente usados no Norte da Península Ibérica entre os séc. V e XIII, herdados dos Suevos e Visigodos. De facto, os nome de origem germânica predominavam sobre os de origem Cristã e Romana. Assim, algures na Idade Média, estas propriedades terão pertencido a um Sesmondo, nome que lhes ficaria associado.

História[editar | editar código-fonte]

Sermonde teve presença pré-romana e romana, em relação com o Castro do Monte Murado (Srª da Saúde, Pedroso), um povoado castrejo habitado pelos Túrdulos Velhos e posteriormente romanizado (ano 7 d.C.)[4] . No sopé sul do Castro, com abundantes fontes de água, os terrenos férteis de Sermonde seriam usados para a atividade agrícola, pastorícia ou caça. Relevante também da ocupação romana, a Via XVI do Itinerário de Antonino, estrada romana que ligava Lisboa a Braga e que passaria nos limites de Sermonde servindo o Castro, num trajeto sensivelmente semelhante ao da atual EN1[5] .

Da ocupação Suévica e Visigótica (séc. V a VIII) ficaram vestígios na toponímia, como o próprio nome Sermonde (ver Toponímia) e possivelmente Brantães (do antropónimo Burunta)[6] .

Após a invasão Muçulmana no início do século VIII, estabelece-se ao longo do vale do Douro uma zona-tampão instável entre cristãos e muçulmanos. Uma parte significativa da população ter-se-á refugiado a Norte, ficando esta faixa de território praticamente desabitada. A reconquista e repovoamento da região começa com a presúria de Portucale em 868. As terras sucessivamente tomadas, de início assenhoreadas pelos respetivos "presores" – nobres da monarquia asturo-leonesa – vão-se parcelando ao longo do séc. X e XI por múltiplos herdeiros, vendidas a fidalgos em ascensão económica e social, ou doadas ao clero. É no contexto de aquisição de propriedades por um dos fidalgos da época, Soeiro Fromarigues, já detentor de vasto património a Sul do rio Douro, que surge a primeira referência escrita a Sermonde. Trata-se de uma escritura de 1087, a designada Carta de Penso[7] , em que Soeiro Fromarigues adquire a Mendo Trutesendes, por 100 “modios”, três partes de uma tal “vila” de Penso localizada entre "Billanes" e "Curveiros", sendo outra parte dividida com "Sesmondi" e com "Rial", abaixo do castro de Pedroso e no percurso do rio Serzedo[8] .

Carta de Penso, Baio-Ferrado Mosteiro de Grijó, pág. 110

Neste período fundam-se também muitas das paróquias que perduraram até à atualidade, incluindo a paróquia de Sermonde, fundada em data imprecisa, certamente antes de 1144. No més de Agosto desse ano, descendentes de Ederónio Alvites doam o "Monasterio sancti de Sesmondi" ao Bispo do Porto D. Pedro Rabaldes e seus sucessores, o que pressupõe existência anterior[9] [10] . Aquele Ederónio Alvites terá sido o fundador do "Monasterio" de Sermonde – seria um pequeno cenóbio, não propriamente um mosteiro na acepção atual do termo – cujos direitos de propriedade e padroado foram transmitidos aos herdeiros, o que lhes permite fazer a referida doação à Diocese do Porto. Ederónio Alvites viveu na primeira metade do séc. XI, casado com Tristina Pinioliz. A eles também se atribui a fundação do Mosteiro de Pedroso entre 1017 e 1026, do qual o de Sermonde será portanto contemporâneo.[11]

Desde então, e até ao presente, a Igreja de Sermonde foi de apresentação à Sé do Porto, independente dos vizinhos Mosteiros de Grijó e Pedroso.

No foral de Gaia e Vila Nova, concedido por D. Manuel I, em 20 de Janeiro de 1518, são referidos os foros a que a população de Sermonde estava obrigada.

Em 2013, no âmbito da reorganização nacional do território das freguesias, Sermonde é extinta enquanto freguesia autónoma, sendo agregada com Grijó numa nova freguesia denominada Grijó e Sermonde.[12]

Brasão[editar | editar código-fonte]

As chaves em aspa fazem lembrar São Pedro, orago da freguesia; as espigas de milho querem significar os trabalhos agrícolas; a fonte quer representar e lembrar a fonte da Ameixoeira e outras de menor significado existentes na freguesia; por fim, a lira faz lembrar a tradição musical existente na população desde tempos remotos. A autoria é de Luís Moreira (Gabinete de Estudos e Projetos de Heráldica Administrativa). Aprovado em Assembleia de Freguesia a 7 de Outubro de 1997.

Património[editar | editar código-fonte]

Igreja Matriz de Sermonde: A igreja primitiva com origens no séc. XI e utilizada ao longo dos tempos foi substituída pela atual, cuja primeira pedra foi colocada a 27 de Janeiro de 1876. A bênção e inauguração ocorreu a 29 de Junho de 1877. A arquitetura é marcadamente oitocentista, sóbria e modesta. Da frontaria sobressai um torreão sineiro central, coroando a empena; o pórtico é rectangular e sobrepujado por amplo janelão. No interior: a imagem do séc. XVIII de São Pedro (orago da freguesia), Menino Jesus, Santa Ana e Cristo Crucificado. A habitação adjacente hoje em ruínas, antiga residência paroquial, e terrenos anexos outrora pertencentes à paróquia, foram vendidos após a implantação da República e são hoje propriedade particular.

Igreja Matriz de Sermonde

Capela de Nª Srª de Lurdes: inaugurada no dia 23 de Agosto de 1885 em homenagem às aparições da Virgem Maria em Lourdes. As obras ter-se-ão iniciado em 1883, nas comemorações dos 25 anos das aparições, conforme data gravada na padieira da porta principal, por iniciativa de Teodoro José de Lima e graças a donativos da população. Em 1985, ano do centenário, são feitas obras de beneficiação: construção de torre sineira na fachada principal, alpendre, casa de mordomos na retaguarda e revestimento de interiores e exteriores com azulejos brancos, sobras de obras de manutenção da igreja matriz. A festa anual realizava-se no último domingo de Agosto com arraial, novena, missa e procissão até à igreja.

Associações e Instituições[editar | editar código-fonte]

Tuna Juvenil de Sermonde: coletividade centenária fundada em 1904 dedicada à promoção da música, cultura, recreio e desporto. Até aos anos 60 fizeram parte da instituição uma tuna musical e um grupo cénico. Em 1970 foi criado um grupo coral clássico (Coro da Tuna Juvenil de Sermonde), que se viria a tornar um dos mais conceituados coros amadores da região, tendo atuado um pouco por todo o país. Foi dirigido por nomes destacados como Ferreira dos Santos, Fernando Lapa (maestros titulares) e Cesário Costa (convidado). O Coro manteve atividade regular até 2013. A coletividade foi distinguida com a medalha de mérito municipal classe prata (1984) e ouro (2004).

Associação Sermonde Cultural: associação fundada em 2010 com o objetivo de divulgar as tradições e cultura popular. Tem rancho folcórico (Danças e Cantares de Sermonde) e grupo de bombos (Amigos do Rufo).

Centro de Solidariedade Cristã Maranatha - Tenda do Encontro

Educação[editar | editar código-fonte]

Escola Básica de Asprela: pré-escolar e 1º ciclo

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19,Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 2 de fevereiro de 2013.
  2. INE. Census 2011, pág. 112 (pdf) (em português). Visitado em 4 Janeiro 2015.
  3. Germanic personal names in Galicia.
  4. http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5357
  5. http://viasromanas.planetaclix.pt/#bragalisboa
  6. Barbosa da Costa, Francisco. S. Pedro de Sermonde Notas Biográficas. [S.l.: s.n.].
  7. Baio-Ferrado Mosteiro de Grijó
  8. Barbosa da Costa, Francisco. S. Pedro de Sermonde Notas Biográficas. [S.l.: s.n.].
  9. Censual do Cabido da Sé do Porto
  10. Maria João Oliveira e Silva. SCRIPTORES ET NOTATORES: A Produção Documental da Sé do Porto (1113-1247). Univ. Porto Fac. Letras. Dissertação de Mestrado. 2006
  11. Mattoso, José. A nobreza medieval portuguesa: a família e o poder. Lisboa: Editorial Estampa, 1981. Capítulo A nobreza rural portuense nos séculos XI e XII.
  12. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19,Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 2 de fevereiro de 2013.