Sete Sábios da Grécia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Sete sábios)
Ir para: navegação, pesquisa
Sete Sábios da Grécia
Filosofia Pré-Socrática
Thales-04.jpg
Data de nascimento: Séculos VII e VI a.C.
* Local: Grécia
Portal Filosofia

Índice

[editar] Introdução

Aos Sete Sábios da Grécia eram atribuídas grande quantidade de máximas e preceitos - sentenças proverbiais -, por todos conhecidas. Algumas eram tão famosas que foram inscritas no templo de Apolo em Delfos. A lista dos Sete sábios não foi sempre a mesma, mas a mais difundida, do tempo de Platão, é a seguinte: Tales de Mileto, Periandro de Corinto, Pítaco de Mitilene, Bias de Priene, Cleóbulo de Lindos, Sólon de Atenas e Quílon de Esparta.[1]

A história posiciona os Sete Sábios da Grécia (gr: οἱ ἑπτὰ σοφοί) no período da fundação das pólis, que pode ser traduzido por "cidade", termo que dá origem à palavra "política". Neste período (séculos VII e VI a.C.) desenvolve-se o conceito de política, tal qual a entendemos atualmente, como também as bases da cultura ocidental.

No parágrafo VII de sua obra República, de 51 a.C., Cícero escreve: "Os sete homens a quem os gregos chamaram de sábios foram todos versados na administração pública; e, realmente, em nada se aproxima tanto a virtude humana da divina como a fundação de novas nações ou a conservação daquelas já fundadas".

[editar] História

Fora do âmbito mítico, vinte e dois homens foram citados como pertencentes ao grupo dos sete sábios[2], são eles: Tales, Pítaco, Bias, Sólon, Quilon de Esparta, Cleobulo, Periandro, Míson, Aristodemo, Epiménides, Leofanto, Pitágoras, Anacarses, Epicarmo, Acusilau, Orfeu, Pisístrato, Ferecides, Hermióneo, Laso, Panfilo e Anaxágoras. Nunca houve um consenso entre os historiadores, os únicos que sempre pertenceram ao grupo são os quatro primeiros da lista.

Como características, os sábios eram muito sintéticos em suas afirmações. De Sólon, temos: "Se sabes, cala"; de Bias: "Odeia o falar ligeiro"; de Cleobulo: "Ser ávido de escutar e não de falar" e de Quilon de Esparta: "Que a tua língua não corra à frente do teu pensamento". De Bias de Priene temos a seguinte máxima, profunda e atual: "A maioria dos homens é perversa"[3], a qual traz a mensagem embutida, de que a maioria é perversa. Numa rápida averiguação histórica, até o momento, sempre que o homem se fez maioria, a perversidade foi duramente percebida.

[editar] Máximas e Preceitos[4]

Tales de Mileto

  • Conhece-te a ti mesmo [5] [6] [nota 1].
  • A ignorância é incômoda
  • Espera receber de teus filhos, quando fores velho, o mesmo tratamento que dispensaste a teus pais
  • Evita as palavras que possam ferir os amigos
  • Evita enriquecer por vias desonestas
  • Evita os adornos exteriores e procura os interiores
  • Perto ou longe, importa lembrar os amigos
  • Quem promete, falta.
  • Se és chefe, começa por saber dominar-te

Pítaco de Mitilene

  • A ambição é insaciável
  • Ama a educação, a temperança, a prudência, a verdade, a fidelidade, a experiência, a gentileza, a companhia dos outros, a exatidão, os cuidados domésticos, a arte e a piedade.
  • Dá-te ao respeito
  • Não faças o que não gostares que te façam
  • Não reveles projetos para, se falhares, não seres motivo de troça
  • Sabe aproveitar a oportunidade
  • Sábio é quem sabe discernir o futuro; o passado é passado, mas o porvir é incerto.

Bias de Priene

  • A maioria é perversa
  • Adolescente, sê activo; velho, sê sábio
  • Aprende a saber ouvir
  • Fala sempre com propósito
  • Não sejas nem mau, nem tolo
  • O cargo revela o homem
  • Persuade pelo bem, e nunca pela força
  • Reflete nos teus atos.
  • Sê cuidadoso na realização de um projeto e, uma vez iniciado, prossegue sem desfalecimento.
  • Vê-te num espelho.

Sólon de Atenas

  • Aconselha o que for justo, não o que aches agradável
  • Evita a mentira, confessando a verdade
  • Evita o prazer, se ele for causa de remorso
  • Guia-te pela razão
  • Honra pai e mãe
  • Mede as tuas palavras pelo silêncio e o silêncio pelas circunstâncias
  • Nada em excesso
  • Nunca digas tudo o que sabes
  • Procura ser honesto, porque a honestidade é melhor do que uma palavra honrada
  • Respeita os amigos
  • Quando souberes obedecer, saberás chefiar
  • Se exiges a honestidade dos outros, começa por ser honesto
  • Toma a peito as coisas importantes

Cleóbulo de Lindos

  • A medida é coisa ótima
  • A sabedoria é preferível à ignorância
  • Aconselha retamente os teus concidadãos
  • Casa com uma mulher da tua condição; se casares com uma rica, em vez de sogros arranjarás patrões
  • Considera inimigo público quem odiar o povo
  • Cuidado com a língua
  • Evita a violência
  • Evita acariciar a tua esposa em público; quem a desfruta em público procede mal, mas quem a acaricia, desperta paixões fúteis

Míson de Queneia ou Periandro de Corinto

  • A democracia é preferível à tirania
  • Guarda os segredos
  • Indaga as palavras a partir das coisas, não as coisas a partir das palavras
  • O estudo abarca todas as coisas
  • Os prazeres são mortais, as virtudes, imortais
  • Um lucro desonesto é uma calúnia contra o espírito

Quílon de Lacedemonia

  • Cuida de ti mesmo
  • Foge dos intriguistas
  • Não desejes o impossível
  • Não maldigas dos outros, para não ouvires críticas desagradáveis
  • Põe a razão antes da língua
  • Quando beberes, fala pouco para não cometeres indiscrições
  • Respeita os velhos

[editar] Notas

[nota 1] ^ Posteriormente Sócrates adotou essa máxima, que acabou sendo vinculada ao seu nome.

Referências

  1. Higino 221, Fabulae, CCXXI, Os Sete Homens Sábios
  2. Crescenzo, L., História da Filosofia Grega - Os pré-socráticos. Editorial Presença: Lisboa, 1988.
  3. Laércio, Diógenes, Vida dos Filósofos I, 71.
  4. António Pinela, Reflexões, 1980.
  5. [1] Euroshophia, António Pinela, Reflexões, 1980
  6. [2] Wilson Mileris, 2005
Ferramentas pessoais
Espaços nominais
Variantes
Ações
Navegação
Colaboração
Imprimir/exportar
Ferramentas
Noutras línguas