The Fury

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The Fury
A fúria (PT/BR)
Estados Unidos
1978 • cor • 118 min 
Direção Brian DePalma
Roteiro John Farris
Elenco Kirk Douglas
Amy Irving
John Cassavetes
Género terror
Idioma inglês
Página no IMDb (em inglês)

The Fury, (br/pt: A fúria), é um filme de 1978 dirigido por Brian De Palma e estrelado por Kirk Douglas, Amy Irving e John Cassavetes.

Produção[editar | editar código-fonte]

Mantendo-se fiel ao gênero que lhe deu seu primeiro grande sucesso comercial, De Palma dirigiu dois anos após Carrie, a estranha um novo filme de terror centrado na temática paranormal. Com roteiro de John Farris baseado em seu próprio romance homônimo, A fúria explora a busca de Peter Sandza por seu filho Robin que, dotado de poderes extra-sensoriais, fora sequestrado por uma agência secreta do governo americano.

Coadjuvante em Carrie (1976), Amy Irving recebeu em seu segundo trabalho no cinema o principal papel feminino, o da paranormal Gillian Bellaver, que auxilia Peter, interpretado por Kirk Douglas, em sua busca pelo filho raptado. Ben Childress, o funcionário do governo responsável pela agência secreta dedicada à paranormalidade, é interpretado pelo diretor e ator John Cassavetes. O elenco inclui ainda Carrie Snodgress, Andrew Stevens e Charles Durnham.

O filme foi editado por Paul Hirsch, com quem o diretor já trabalhara em diversas outras oportunidades, e fotografado por Richard H. Kline. Do ponto de vista técnico, um de seus pontos altos é a ágil trilha sonora de John Williams, onde se manifesta a inconfundível influência de Bernard Herrmann, colaborador habitual de Alfred Hitchcock.

Além da Cesareia Palestina, Israel, onde têm lugar as cenas iniciais, as principais locações de A fúria localizam-se no estado americano de Illinois, em geral, e na cidade de Chicago, em particular. A famosa cena do parque de diversões teve lugar na pequena cidade de Bolingbrook.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

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Peter Sandza, funcionário do governo americano alocado no Oriente Médio, prepara-se para retornar para os Estados Unidos quando seu filho Robin, um paranormal, é raptado em um atentado forjado por seu maior amigo, o colega Ben Childress. Ele dirige uma agência secreta dedicada a estudos psíquicos e pretende utilizar Robin para fins militares.

Onze meses mais tarde, em Chicago, a jovem Gillian Bellaver descobre em uma demonstração na faculdade que possui poderes extra-sensoriais, e que é capaz de involutariamente provocar sangramentos em outras pessoas. Assustada, ela procura a ajuda do Instituto Paragon, dedicado a estudos de fênomenos paranormais. Após submeter-se satisfatoriamente aos testes comprobatórios e ser admitida, ela começa a ter visões relacionadas a Robin, que também estivera durante um curto período internado na instituição.

Peter, que permanece fugindo ao encalço de Childress, mantém um relacionamento com Hester, enfermeira do instituto, na esperança de obter informações sobre Robin. Avisado de que Gillian está tendo visões sobre ele, e de que será brevemente transferida aos cuidados diretos de Childress, planeja com a amante sua fuga.

Gillian consegue escapar do instituto com a conivência de Hester - que falece durante a manobra, atropelada pelo carro que era dirigido pelos seguranças contratados por Childress, e alvejados por Peter. A paranormal utiliza suas habilidades para localizar Robin, e os dois dirigem-se para encontrar o filho sequestrado.

Sob a pressão de um programa de pesquisa muito intenso, que incluía a administração maciça de barbitúricos, Robin tornou-se entrementes instável e irritadiço. Percebendo a aproximação de Gillian, suspeita de que ela está a caminho para tomar o seu lugar, e utiliza seus poderes para matar sua orientadora e amante, a Dra. Susan Charles. Gillian e Peter tentam penetrar na mansão onde o jovem está internado, mas são surpreendidos. Percebendo que Robin está fora de controle, Childress permite que Peter confronte o filho.

Robin mostra-se insensível aos apelos de Peter e ataca o pai. Os dois lutam e o jovem termina falecendo após cair do telhado da mansão. Peter atira-se em seguida, e Gillian é deixada aos cuidados de Childress.

Pela manhã, Childress minimiza os acontecimentos trágicos da noite anterior e procura aliciar Gillian para seu programa de pesquisa. Fingindo aceitar os termos do acordo, a jovem aproxima-se dele e beija-o nos olhos, cegando-o deste modo. Concentra, então, todos os seus poderes paranormais para fazer o diretor da agência explodir em uma nuvem de sangue e tripas.

Influências[editar | editar código-fonte]

Como em boa parte de sua filmografia inicial, De Palma demonstra claramente em A fúria sua admiração por Alfred Hitchcock. Sem ainda permitir-se realizar um filme inteiro sob sua influência, como seria o caso em Dressed to Kill ou Body Double, há inúmeras referências, diretas ou indiretas, ao cineasta inglês. Um dos exemplos mais marcantes é a famosa cena do parque de diversões (ver abaixo), citação de uma das mais notáveis sequências de Strangers on a Train.

Mais do que referências individuais, é a construção do argumento que parece invocar, em muitas ocasiões, o trabalho de Hitchcock. Classificado, evidentemente, como filme de suspense, A fúria possui entretanto diversas sequências de cunho humorístico - por exemplo, a divertida passagem em que Peter é auxiliado por uma matrona doente a escapar da perseguição de Childress às expensas da filha e do genro, que permanecem amarrados enquanto ela ajuda o fugitivo a disfarçar-se. Este equilíbrio entre a tensão da situação principal e pequenos momentos de hilaridade proporcionados por personagens secundárias que ajudam a impulsionar a narrativa é considerado por muitos uma marca registrada do cineasta inglês.

Outro aspecto que certamente contribui para estabelecer este legado é a trilha sonora de John Williams, inspirada no trabalho de colaborador habitual de Hitchcock, Bernard Herrmann. Esta influência se faz notar especialmente, por exemplo, na sequência de abertura.

Sequências Notáveis[editar | editar código-fonte]

  • A Fuga de Gillian: nesta sequência, Gillian escapa do Insituto Paragon e corre pela rua, perseguida por um carro dirigido por seguranças de Childress, e acompanhada à distância por Hester, que desloca-se pela calçada. Peter, que aguarda mais adiante, atira e acerta o motorista; desgovernado, o carro vira para a direita, e atropela Hester, que falece instantaneamente. Na grande cena de ação de seu filme, onde o espectador espera ouvir todos os gritos e ruídos que correspondem àquilo que vê, De Palma decidiu empregar a câmera lenta e restringir o uso do som à trilha sonora. O resultado, que evoca o baile de formatura de Carrie, potencializa o caráter trágico do argumento, registrando cada detalhe da felicidade de Hester com o sucesso da fuga antes de ser abalroada pelo veículo dos perseguidores e o desespero de Peter ao perceber que, involuntariamente, provocara a morte de sua amante.
  • Inferno: na última cena de A fúria, Gillian utiliza seus poderes paranormais para fazer Childress explodir. Após proferir as palavras "Vai para o inferno!" (Go to hell!), ela concentra todos os seus esforços, fazendo a personagem de John Cassavetes desfazer-se em uma nuvem de sangue e tripas. Nesta longa sequência, De Palma emprega inúmeras técnicas cinematográficas - por exemplo, faux raccords, plongés e contraplongés - para registrar sob diversos ângulos e em diferentes velocidades a explosão do vilão Childress.

Referências[editar | editar código-fonte]

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