Abd-ul-Hamid I

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Abd-ul-Hamid I
Nascimento 12 de março de 1725, 20 de março de 1725, 22 de maio de 1725
Constantinopla
Morte 7 de abril de 1789
Constantinopla
Cidadania Turquia, Império Otomano
Progenitores Mãe:Rabia
Pai:Ahmed III
Cônjuge Ayşe Sine, Nakşidil
Filho(s) Mustafa IV, Mahmud II, Esma
Ocupação político
Religião Islão
Assinatura
Tughra of Abdülhamid I.JPG

Abd-ul-Hamid I, 1725-1789 foi o 27° Sultão do Império Otomano, actual Turquia e sucessor de seu irmão Mustafa III em 1774. Foi proclamado Sultão em 21 de Janeiro de 1774.

Nascido em Constantinopla, era filho mais novo do sultão Ahmed III (reinado 1703-1730). Conforme os costumes daquele tempo, por ser um potencial herdeiro do trono, Abdül Hamid viveu confinado no palácio durante o reinado de seus primos Mahmud I e Osman III e de seu irmão mais velho Mustafá III. Isso durou até 1767. Durante esse período, ele recebeu sua educação inicial de sua mãe Rabia Şermi, que lhe ensinou história e caligrafia . [2]

Ascenção ao Trono[editar | editar código-fonte]

Ascendeu ao trono no início de 1774, sucedendo seu irmão mais velho Mustafa III, que morrera de ataque cardíaco em dezembro de 1773.

O império Otomano achava-se então em meio à uma enorme crise, enfrentando uma longa guerra contra os russos onde a derrota mostrava-se iminente (Guerra Russo-Turca 1768-1774). O êxito militar dos russos propiciara o levante de diversos estados vassalos dos otomanos, tais como Síria, Egito e parte Grécia. O tesouro encontrava-se exaurido devido aos esforços de guerra.

Em junho de 1774 o exército russo sob o comando de Alexander Suvorov e Mikhail Kamensky derrotou as tropas otomanas sob comando do general Abdul-Rezak Paxá na Batalha de Kozludzha. Adul Hamid I viu-se forçado a assinar o desfavorável Tratado de Küçük Kaynarca em 24 de julho de 1774, concluindo a guerra e aceitando as condições impostas pela Rússia.

Segundo os termos do tratado, os otomanos cederam aos russos os portos de Azov e Kerch, permitindo à frota mercante russa o acesso direto ao Mar Negro; concederam a independência do Canato da Criméia (convertida num protetorado russo) e cederam a Bukovina (noroeste da Moldávia) aos austríacos, além de pagarem uma indenização de guerra de 4,5 milhões de rublos. Os russos obtiveram também o status de protetores dos cristãos ortodoxos residentes no Império Otomano.

Internamente, o governo otomano conseguiu sufocar as insurreições verificadas na Síria e na Moréia e superar a crise financeira.

Durante a Guerra Otomano-Persa (1775-1779), conteve as tentativas de Karim Khan Zend de tomar Bagdad e controlar parte do atual Iraque. A cidade de Basra chegou a ser ocupada pelos persas, mas foi retomada pelos otomanos liderados por Suleiman Agha em 1779.

A Rússia repetidamente explorou sua posição como protetora dos cristãos orientais para interferir explicitamente no Império Otomano, enquanto parte da elite otomana ansiava por uma revanche. A elevação das tensões levou ao início de um novo conflito a partir de 1787.

Guerra Russo-Turca (1787-1792) e Guerra Austro-Turca (1788-1791)[editar | editar código-fonte]

A nova guerra com os russos teve início com um ataque otomano à duas fortalezas perto de Kinburn, no sul da Ucrânia. Os russos contra-atacaram na Moldávia capturando as cidades otomanas de Khotyn e Iaşi.

O Sacro-Império Romano Germânico aliou-se aos Russos visando obter vantagens territoriais e declararam guerra aos otomanos, dando início a Guerra Austro-Turca (1788-1791). Os Sérvios, valendo-se da presença austríaca se insurgiram contra o domínio turco.

A cidade de Oczakov, na embocadura do Dnieper, caiu em 6 de dezembro de 1788 após um cerco de seis meses liderado por Potemkin e Suvorov. Os russos massacraram os sitiados.

Abalado pelos reveses, o sultão Abdul Hamid I morreu quatro meses após a queda de Oczakov, aos sessenta e quatro anos de um acidente vascular cerebral; no palácio de Topkapi em Istambul; sendo sucedido por seu sobrinho Selim III.

As guerras contra austríacos e russos prosseguiram até 1791 e 1792 respectivamente, sendo concluídas com os Tratados de Sistova e de Iaşi, pelo qual os russos obtiveram a posse de Odessa e Oczakov, além de outros territórios ao longo da costa do Mar Negro. Os otomanos mantiveram, contudo, o domínio sobre a Sérvia.

Personalidade e Legado[editar | editar código-fonte]

Durante seu reinado, o Império Otomano continuou na trajetória de decadência, sofrendo novos reveses militares contra o Império Russo, naquilo que a historiografia denomina a "Questão Oriental".

Apesar de seus fracassos, Abd-ül-Hamid foi um soberano admirado por seu povo, graças a sua índole benevolente e sua devoção religiosa, que lhe valeu ser chamado de Veli ("santo").

Ao início de seu governo superou a crise financeira decorrente da Guerra Russo-Turca (1768-1774).

Durante o incêndio de Constantinopla em 1782, esteve à frente dos combates ao fogo e liderou os esforços de reconstrução.

Criava cavalos árabes com grande paixão. Uma raça de árabes Küheylan foi nomeada "Küheylan Abdülhamid" em sua homenagem.

Vida Familiar[editar | editar código-fonte]

Abd-ul-Hamid I, teve nove consortes, que lhe deram onze filhos e treze filhas. Dentre os quais destacam-se a princesa Esma Sultan e os sultões Mustafá IV e Mahmud II.


Referências gerais[editar | editar código-fonte]

  • Grande Dicionário Enciclopédico ediclube, Dep. Legal BI – 1697-1996.
  • Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Dep. Legal 15022-1987

[1] Hoiberg, Dale H., ed. (2010). "Abdulhamid I". Encyclopædia Britannica . I: A-ak Bayes (15ª ed.). Chicago, IL: Encyclopædia Britannica Inc. p. 22. ISBN 978-1-59339-837-8 .

[2] Derman Sabancı (2002). "27. Osmanlı padişahı Sultan I. Abdülhamid'in eserleri" (PDF) . Manuscritos islâmicos.


Precedido por
Mustafa III
Sultão Otomano
17741789
Sucedido por
Selim III
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