Adela Coit

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Adela Coit
Nascimento 11 de setembro de 1863
Frankfurt am Main
Morte 7 de outubro de 1932 (69 anos)
Birling Gap
Cidadania Império Alemão
Progenitores
  • Friedrich Ludwig von Gans
  • Augusta Ettling
Cônjuge Stanton Coit
Filho(s) Richard Wetzlar Coit,
Elizabeth Anne Augusta Wetzlar Coit,
Margaret Helene Wetzlar Coit Wichert,
Virginia Coit Flemming
Irmão(s) Paul Gans, Ludwig Wilhelm von Gans
Ocupação sufragista

Adela Coit (Frankfurt am Main, Reino da Prússia, 11 de setembro de 1863 – Birling Gap, East Sussex, Reino Unido, 7 de outubro de 1932), também conhecida como Fanny Adela Coit, Adela Stanton-Coit, Adele Coit ou Adela Wetzlar, foi uma activista e sufragista alemã, com cidadania britânica, adepta do Movimento Ético, que propunha transmitir valores humanistas, "sem fazer referência a doutrinas religiosas ou crenças sobrenaturais".[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascimento e Família[editar | editar código-fonte]

Nascida sob o nome Adela von Gans em Frankfurt am Main, atual Alemanha, a 11 de setembro de 1863, era filha de Augusta Ettling (1839-1909) e de Friedrich Ludwig Gans (1833-1920), conhecido como Fritz von Gans,[2] famoso empresário industrial, filantropo, mecenas, coleccionador de arte[3][4] e cristão-novo alemão, descendente de uma das mais antigas famílias judias com sobrenome fixo e residente durante mais de 150 anos em Celle, tendo a sua família sido forçada a partir para Frankfurt em 1814 devido às políticas antissemitas impostas pelo governo municipal.[5]

Era irmã mais velha de Paul Frederick von Gans (1866-1915), reputado químico, inventor e mecenas alemão, e de Ludwig Wilhelm von Gans (1869-1946), químico, farmacêutico e empresário industrial.[6][7] Pelo lado materno era sobrinha de David Wilhelm Ettling (1831-1882), gerente de uma filial bancária da família Rothschild em Madrid, e pelo lado paterno era neta de Ludwig Aaron Gans (1794-1871),[8] empresário judeu alemão e co-fundador da Leopold Cassella & Co., uma das mais conhecidas e bem sucedidas empresas de exportação e importação de especiarias, que no final do século XIX tornou-se no maior fabricante mundial de corantes azo, para além de tintas e corantes para tingir tecidos.[9][10][11]

Casamento e Descendência[editar | editar código-fonte]

Margaret Coit acompanhada por várias sufragistas, incluindo a húngara Rosika Schwimmer, no Congresso Internacional pelo Sufrágio de Budapeste (1913).

Casou-se pela primeira vez com Moritz Benedikt Julius Wetzlar (1855-1892), também referido como Maurice Benedictus Wetzlar, natural de Frankfurt, com quem teve três filhos, Richard Wetzlar (1889-1960), Elizabeth Anne Augusta Wetzlar (1892-1978) e Margaret Helene Wetzlar Wichert (1890-1966).

Após enviuvar, Adela Wetzlar viajou para o Reino Unido, onde contraiu matrimónio novamente em 1898 com Stanton Coit (1857-1944), escritor, filantropo e sufragista americano, com cidadania britânica, líder do Movimento Ético no Reino Unido, que apadrinhou os filhos do seu primeiro casamento dando-lhes o seu apelido.[12][13] Do seu segundo casamento, teve uma filha, Virginia Coit Flemming (1904-1992), que foi mãe do economista inglês e director do Wadham College em Oxford John Stanton Flemming (1941-2003).[14]

Anos mais tarde, a sua filha Margaret, adoptando o nome Margy Coit,[15] militou pelo sufrágio feminino, tal como a sua mãe, tendo em 1913 sido uma das principais delegadas da Liga de Militância Espiritual Feminina no congresso da Aliança Internacional pelo Sufrágio Feminino em Budapeste.[16][17]

Feminismo[editar | editar código-fonte]

A viver em Hyde Park Gate, Londres, e com cidadania britânica, em 1898, Adela foi a única mulher eleita para a Royal Institution,[18] começando pouco depois a militar publicamente pelos direitos das mulheres.[19] Durante o mesmo período, tornou-se também adepta do Movimento Ético.

Posteriormente, em Berlim, juntamente com o seu marido, participou no congresso de fundação da Aliança Internacional da Mulher em 1904 e foi eleita tesoureira da mesma organização em 1907, continuando a trabalhar ativamente durante a Primeira Guerra Mundial.[20] Ainda em 1907, ingressou na Women's Social and Political Union e anos mais tarde tornou-se membro da Women's Tax Resistance League.[21][22][23]

Em 1911, realizou uma reunião da Women's Tax Resistance League, onde se tornou membro do primeiro Comité do Fundo de Luta Eleitoral da National Union of Women's Suffrage Societies. [24]

A partir de 1913 ingressou como membro do comité executivo da London Society for Women's Suffrage.

Colaborou e travou correspondência durante anos com as feministas Millicent Garrett Fawcett, Chrystal MacMillan,[25] Katherine McCormick, Anne Lindemann, Annie Furuhjelm, Signe Bergmann, Carrie Chapman Catt,[26] Marguerite de Witt-Schlumberger, Anna Wicksell, Paula Pogány, entre muitas outras.[27]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Crawford, Elizabeth (2 de setembro de 2003). The Women's Suffrage Movement: A Reference Guide 1866-1928 (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 9781135434014 
  2. Gans, Friedrich L. von. Collection Fritz Gans (em francês). [S.l.: s.n.] 
  3. Staff, Metropolitan Museum of Art; N.Y.), Metropolitan Museum of Art (New York; York, N. Y. ) Metropolitan Museum of Art (New (1998). From Van Eyck to Bruegel: Early Netherlandish Painting in the Metropolitan Museum of Art (em inglês). [S.l.]: Metropolitan Museum of Art 
  4. Exhibition of Primitiv Masters (em inglês). [S.l.]: The Gallery. 1911 
  5. Dietz, Alexander (1988). The Jewish Community of Frankfurt: A Genealogical Study 1349-1849 (em inglês). [S.l.]: Vanderher Publications 
  6. International Catalogue of Scientific Literature: Bacteriology. R (em inglês). [S.l.]: International Council. 1912 
  7. Gall, Lothar (1995). Frankfurter Gesellschaft für Handel, Industrie und Wissenschaft: Casino-Gesellschaft von 1802 (em alemão). [S.l.]: Societäts-Verlag 
  8. Mosse, Professor in the School of European Studies W. E.; Mosse, Werner Eugen (1987). Jews in the German Economy: The German-Jewish Economic Elite, 1820-1935 (em inglês). [S.l.]: Clarendon Press 
  9. The Dyeing of Leather with the Dyestuffs of Leopold Cassella & Co., G.m.b.H., Frankfurt O.M. (em inglês). [S.l.]: Leopold Cassella & Company. 1900 
  10. Co, Leopold Cassella & (1905). The Printing of Cotton Fabrics: With the Dyestuffs of Leopold Cassella & Co (em inglês). [S.l.]: Leopold Cassella & Company 
  11. Cassella, Leopold (1890). The Dyeing of Wool: Including Wool-printing with the Dyestuffs of Leopold Cassella [and] Co GmbH. (em inglês). [S.l.]: Cassella 
  12. Crawford, Elizabeth (2 de setembro de 2003). The Women's Suffrage Movement: A Reference Guide 1866-1928 (em inglês). [S.l.]: Routledge 
  13. Coit, Stanton (1892). Neighbourhood Guilds: An Instrument of Social Reform (em inglês). [S.l.]: S. Sonnenschein & Company 
  14. Flemming, John Stanton; Barr, D. G. (1989). Modelling Money Market Interest Rates (em inglês). [S.l.]: Bank of England 
  15. Crawford, Elizabeth (2001). The Women's Suffrage Movement: A Reference Guide, 1866-1928 (em inglês). [S.l.]: Psychology Press 
  16. «Margy Coit with suffragettes». Exploring Surrey's Past (em inglês). Gothenburg University Library 
  17. Eversdijk, Nicole. Kultur als politisches Werbemittel (em alemão). [S.l.]: Waxmann Verlag 
  18. «Royal Institution (London, England) 6 December 1898, p 3». Newspapers (em inglês). The Morning Post. 1898. Consultado em 15 de junho de 2019 
  19. Mayhall, Laura E. Nym (6 de novembro de 2003). The Militant Suffrage Movement: Citizenship and Resistance in Britain, 1860-1930 (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press 
  20. Anthony, Susan B.; Stanton, Elizabeth Cady; Gage, Matilda; Blatch, Harriot Stanton; Harper, Ida H. (17 de março de 2017). History of Women's Marches – The Political Battle of Suffragettes (Complete 6 Volume Edition): Including Documents, Images, Letters, Newspaper Articles, Conference Reports, Speeches, Court Transcripts, Laws… Up to Today's Equal Pay Issues & Latest Statistics (em inglês). [S.l.]: e-artnow 
  21. «International Womens Suffrage, Part 1». Adam Matthew - A SAGE Publishing Company 
  22. Gross, David M. «Tax Resistance in "The Vote"». The Picket Line (em inglês) 
  23. «Mrs. Katherine Dexter McCormick, USA, Mrs. Adela Stanton-Coit, Great Britain, Anne Lindemann, Germany, Annie Furuhjelm, Finland, Signe Bergmann, Sweden, Chrystal MacMillan, Great Britain, Rosika Schwimmer, Hungary, Dame Millicent Garrett Fawcett, Great Britain, Carrie Chapman Catt, USA, Marguerite de Witt Schlumberger, France. The board of the International Woman Suffrage Alliance.». The New York Public Library Digital Collections (em inglês). 1913 
  24. Vellacott, Jo (1 de julho de 2016). From Liberal to Labour with Women's Suffrage, Second Edition: The Story of Catherine Marshall (em inglês). [S.l.]: McGill-Queen's Press - MQUP 
  25. Library, Manchester Central (1995). Women's Suffrage Collection from Manchester Central Library: A Listing and Guide to the Microfilm Collection (em inglês). [S.l.]: Adam Matthew 
  26. Voris, Jacqueline Van (1996). Carrie Chapman Catt: A Public Life (em inglês). [S.l.]: Feminist Press at CUNY 
  27. Vellacott, J. (12 de julho de 2007). Pacifists, Patriots and the Vote: The Erosion of Democratic Suffragism in Britain During the First World War (em inglês). [S.l.]: Springer