Agentes nos assuntos

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Agentes nos assuntos (em latim: agentes in rebus; sg. agens in rebus), também conhecidos como angeliáforos (em grego: ἀγγελιαφόροι) ou magistrianos (μαγιστριανοί) [1] foram um serviço de mensageiros do Império Romano tardio e agentes gerais do governo central do século IV ao VII.

História[editar | editar código-fonte]

A data exata da instituição deles é desconhecida. São mencionados pela primeira vez em 319, mas podem datar das reformas de Diocleciano no final do século III . Os agentes substituíram os muito detestados frumentários (frumentarii), e caíram sob jurisdição do mestre dos ofícios, daí o nome grego alternativo de magistrianos (magistrianoi).[1] Como resultado das reforças de Diocleciano, os frumentários foram dissolvidos. A administração imperial central ainda precisava de mensageiros, e os agentes nos assuntos exerceram este papel. Originalmente atuaram como portadores de expedições, mas eventualmente assumiram uma variedade de deveres - o título em si traduz-se como "Aqueles que são Ativos em Assuntos". Sobreviveram no Império Bizantino, sendo eventualmente abolidos em algum momento no final do século VII , com muitas das funções do mestre sendo assumidas pelo logóteta do dromo.[2] A última referência aos agentes nos assuntos vem da crônica de Teófanes, o Confessor, onde o magistriano Paulo é registrado como tendo sido enviado em uma embaixada em 678.[3]

Organização[editar | editar código-fonte]

Os agentes nos assuntos foram formados em uma escola (schola) do palácio, em comum com outros serviços públicos do Dominato, seus serviços foram militarizados, e considerados uma milícia (militia). De fato, os agentes foram divididos em cinco níveis, retirados dos oficiais juniores da cavalaria: equestres, circidores, biarcos (biarchi), centenários (centenarii) e ducenários (ducenarii).[4] Dois foram apontados para cada província em 357, um em 395 e mais novamente após 412. Cada membro dos agentes nos assuntos foi normalmente promovido em outros ramos do governo. O Código de Justiniano nota ainda que os agentes gozavam de imunidade de perseguição tanto civil como criminal, a menos, se sancionado pelo mestre dos ofícios.[5] agentes seniores foram regularmente apontado para o posto de príncipe dos ofícios (princeps officii) das prefeituras pretorianas, das prefeituras urbanas e das dioceses, assim exercendo controle sobre este burocráticos departamentos e reduzindo a independência deles.[6]

Tal como para a função deles, o historiador do século VI Procópio de Cesareia nota em sua História Secreta:

Os imperadores anteriores, em modo a ganhar a informação mais rápida acerca dos movimentos do inimigo em cada território, disseções ou acidentes imprevistos em cidades individuais, e as ações dos governadores e outros oficiais em todas as partes do império, e também de modo que aqueles que transmitiram o tributo anual possam fazê-lo então sem perigo ou atraso, estabeleceram um rápido serviço de mensageiros públicos.[7]

Como o serviço manipulou as comunicações e os sistemas de comunicação dentro do império, os deveres deles incluíam a supervisão das estradas e pousadas do curso público (sistema postal público), o transporte de cartas, ou verificação se os viajantes estavam carregando a garantia (evectio) correta enquanto usavam o curso. Outros deveres atribuídos aos agentes incluíam o papel de funcionário aduaneiros, a supervisão dos trabalhos públicos e o aquartelamento de soldados.[2] Eles foram também usados para supervisionar a prisão de oficiais seniores como requerido, escoltar romanos seniores em exílio (tais como João Crisóstomo em 404), e mesmo auxiliar na aplicação da regulamentação governamental da igreja.[8] Amiano Marcelino e Procópio também notam o uso deles como embaixadores em várias ocasiões.[9]

Outras tarefas incluíam a supervisão da burocracia provincial e transmissão de comandos imperiais, frequentemente ficando na área para assegurar a implementação deles. Estando fora do controle dos governadores provinciais, alguns agentes, os curiosos (curiosi; em grego: διατρέχοντες; transl.: diatrechontes) foram apontados como inspetores e atuaram como uma espécie de agentes secretos. Como suas atribuições de rotina trouxeram-os em contado com questões de grande preocupação para a corte, e como eles também reportavam para a corte tudo o que viam ou ouviam em suas missões variadas, os agentes podem ser vistos como tendo uma função de inteligência, no sentido moderno mais amplo do termo.[2] Este papel, bem como o extraordinário poder deles, fazia-os temíveis: o filósofo do século IV Libânio acusou-os de falta grave, aterrorizando e extorquindo os provincianos, "cães pastores que juntaram-se ao bando de lobos". Não obstante, a vasta maioria operou abertamente, e as reivindicações de agentes operando como uma polícia de segurança moderna são certamente exageradas.[10]

O número dos agentes tendeu em direção da inflação,[2] e o corpos eram vistos com certa desconfiança pelos imperadores, que repetidamente tentaram regular seu tamanho:[10] 1174 no ano 430 de acordo com o Código de Teodósio, e 1248 sob Leão I, o Trácio (r. 457-474).[5][11] Éditos imperiais também regulamentaram a promoção deles, que era para ser estritamente na velhice, com a exceção anual de dois oficiais, que o imperador poderia avançar ao seu prazer.[12]

Referências

  1. a b Kazhdan 1991, p. 36.
  2. a b c d Kazhdan 1991, p. 37.
  3. Teófanes, o Confessor século IX, p. 6178.
  4. Kelly 2004, p. 20; 40.
  5. a b Justiniano século VI, p. XII.20.4.
  6. Kelly 2004, p. 96; 210.
  7. Procópio de Cesareia 552, p. XXX.
  8. Sinnegen 1959, p. 248.
  9. Sinnegen 1959, p. 249.
  10. a b Kelly 2004, p. 207.
  11. Teodósio II século V, p. 27.23.
  12. Kelly 2004, p. 212.

Biografia[editar | editar código-fonte]

  • Kazhdan, Alexander Petrovich (1991). The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-504652-8 
  • Kelly, Chistopher (2004). Ruling the Later Roman Empire. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press. ISBN 0-674-01564-9 
  • Sinnegen, William J. (1959). «Two Branches of the Roman Secret Service». The American Journal of Philology. 80 (3)