Ahmed III

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Sultão Ahmed III recebe embaixadores no Palácio de Topkapı

Ahmed III (turco otomano: احمد ثالث Aḥmed-i sālis) (30 de dezembro de 16731 de julho de 1736) foi um sultão do império otomano, filho do sultão Mehmed IV (1648–87). Assumiu o trono em 1703, depois de seu irmão Mustafa II (1695–1703) ter sido deposto pelos Janízaros. O grão-vizir Nevşehirli Damat İbrahim Paşa e sua esposa, princesa Hatice (filha de Ahmed III) controlaram o governo de 1718 a 1730, um período conhecido como era da tulipa. Abdicou em 1730 e morreu seis anos depois aos 62 anos. Foi sucedido pelo sultão Mahmud I.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ahmed III sempre cultivou boas relações com a França, em vista das atitudes claramente ameaçadoras da Rússia imperial.

Em 1709, concedeu asilo em território otomano ao rei Carlos XII da Suécia (1682–1718) depois da derrota sueca frente a Pedro I, o Grande, na Batalha de Poltava, no âmbito da Grande Guerra do Norte.

Influenciado por Carlos XII, Ahmed III declarou guerra à Rússia e o exercito otomano; comandado pelo vizir  Nevşehirli Damat İbrahim Pasha; venceu os russos na Campanha do  Rio Prut em 1711. Como resultado, os russos devolveram ao império otomano a costa do Mar de  Azov, concordaram em demolir algumas fortalezas, como a de Taganrog, bem como parar de intervir nos negócios da República das Duas Nações, além de fornecer o salvo conduto para o retorno de Carlos XII à Suécia.

Ahmed III conquistou o Peloponeso aos venezianos. Porém no âmbito da Guerra Austro-Turca (1716-1718) foi derrotado pelos imperiais na Batalha de Petrovaradin em 1716, perdendo Belgrado e sendo forçado a assinar o Tratado de Passarowitz em Požarevac.

Interveio a seguir na Pérsia (atual Irã) ao final da Guerra Russo-Persa (1722-1723), quando impôs à dinastia safavid o Tratado de Constantinopla (1724) que dividiu as terras conquistadas entre russos e otomanos, sendo anexando ao Império Otomano parte do Azerbaijão e da Transcaucásia (atuais territórios da Georgia e Armênia).

Internamente, Ahmed III alterou as disposições tradicionais, restringindo a nomeação de nobres de religião não islâmica (dhimis) para o governo de províncias, depois de o príncipe Dimitri Cantemir da Moldávia aliar-se a Pedro I, o grande da Rússia, durante a campanha de 1711.

A nova política de nomeações da porta otomana descontentou os aristocratas locais, sobretudo os phanariotas da Grécia e os boiardos da Valáquia, onde o príncipe Estevão Catacuzeno aliou-se à Eugenio de Savoia durante a Guerra Austro-Turca (1716-1718).

Em 1730, abdicou em favor de seu sobrinho Mahmud I, após ser confrontado com uma insurreição dos janízaros, liderados pelo albanês Patrona Halil. Depois de jurar lealdade ao novo sultão, retirou-se para os Kafes anteriormente ocupados por seu sobrinho Mahmud e morreu no Palácio de Topkapi ao fim de seis anos de confinamento.

A Era da Tulipa[editar | editar código-fonte]

Durante o sultanato de Ahmed III; ocorreu a chamada Era da Tulipa ( 21 de julho de 1718 - 28 de setembro de 1730 ) ( turco otomano : لاله دورى, turco : Lâle Devri )

Foi um período da história otomana entre o Tratado de Passarowitz, em 21 de julho de 1718 e a Revolta de Patrona Halil de 28 de setembro 1730, que se caracterizou como um período relativamente pacífico, durante o qual o Império Otomano começou a se orientar para a Europa.

O nome do período deriva do costume nobre importado da Europa de cultivar tulipas, que esteve em voga entre a alta sociedade otomana. A introdução deste costume coincide com as novas políticas estabelecidas pelo Sultão Ahmed III e por seu genro e principal auxiliar, o vizir Nevşehirli Damat İbrahim Pasha, centrado na melhoria das relações comerciais externas e no aumento das receitas comerciais decorrentes.

O período viu um florescimento das artes, cultura e arquitetura adotando-se um estilo mais elaborado, influenciado pelo barroco europeu. Um exemplo clássico é a Fonte de Ahmed III em frente ao Palácio de Topkapi em Istambul. O estilo arquitetônico é uma fusão de elementos islâmicos clássicos com os europeus barrocos, tornando-se uma arquitetura otomana distinta daquela praticada no século XVII.

Legado[editar | editar código-fonte]

O sultanato de Ahmed III durou vinte e sete anos, sendo ele o monarca otomano que obteve maior sucesso militar contra os russos, mediante a vitória na campanha do Rio Prut (1711).

Quanto aos aspectos territoriais a recuperação de Azov e da Moreia e a conquista de partes da Pérsia conseguiram contrabalançar o território balcânico cedido à Casa de Habsburgo através do Tratado de Passarowitz , em decorrência da derrota na Guerra Austro-Turca .

Internamente legou as finanças do Império Otomano uma condição favorável, obtida sem excessos na tributação, mas pelo incremento da atividade comercial decorrente da interação com novos mercados externos, fruto de acordos comerciais e diplomáticos.

Ahmed III foi também um patrono culto da literatura e da arte. Durante seu sultanato instalou-se em Istambul a primeira impressora a usar o alfabeto árabe, operada por Ibrahim Muteferrika (um cidadão húngaro, convertido ao islã). Note-se que a imprensa havia sido introduzida em Constantinopla em 1480, porém todos os trabalhos publicados antes de 1729 eram em idioma grego, armênio ou hebraico.

Apesar disto, foi um monarca impopular, visto que sua política de nomeações o indispôs com a nobreza Dhimi, enquanto a adoção de costumes ocidentais, o fausto de sua corte e sua aproximação com os estados europeus o tornaram mau visto pelos setores mais tradicionalistas da sociedade otomana.

Descendencia[editar | editar código-fonte]

Conforme o costume da época, Ahmed III teve em seu harem cerca de vinte e uma consortes; que lhe deram um total de sessenta e nove filhos, dos quais trinta e cinco eram do sexo masculino.

Dentre seu descendentes, destacam-se os sultões Mustafá III (1717-1774) e Abdul Hamid I (1725-1789), além do príncipe herdeiro Hâmeza (1717-1756).

Literatura:[editar | editar código-fonte]

Ahmed III aparece como personagem literário na novela “Cândido” de Voltaire, onde o personagem principal encontra-se com o sultão deposto em um navio que ia de Veneza para Constantinopla. Ahmed III está na companhia de outros monarcas europeus depostos, e Cândido inicialmente duvida de suas credenciais, sendo retrucado pelo Sultão: “Não estou brincando, meu nome é Ahmed III. Durante vários anos fui sultão; Destronei meu irmão; Meu sobrinho me destronou; Eles cortaram as cabeças dos meus vizires; Estou terminando meus dias no velho serralho; Meu sobrinho, o sultão Mahmoud, às vezes me permite viajar pela minha saúde e venho passar o Carnaval em Veneza ".

Este episódio foi abordado pelo moderno escritor turco Nedim Gürsel como cenário de sua novela de 2001 “A Viagem de Cândido à Istambul”.

Na verdade, não há relatos de que o Sultão deposto tivesse permissão para fazer viagens ao exterior, por tanto Voltaire (ou Gürsel) praticam um exercício de liberdade literária, sem ancoragem numa base histórica real.


Precedido por
Mustafa II
Sultão Otomano
17031730
Sucedido por
Mahmud I
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