Alcanhões

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 Portugal Alcanhões  
—  Freguesia  —
Brasão de armas de Alcanhões
Brasão de armas
Alcanhões está localizado em: Portugal Continental
Alcanhões
Localização de Alcanhões em Portugal
Coordenadas 39° 18' N 8° 40' O
País  Portugal
Concelho STR.png Santarém
Administração
 - Tipo Junta de freguesia
 - Presidente Pedro Guilherme Madeira Mena Esteves (PS)
Área
 - Total 11,44 km²
População (2011)
 - Total 1 469
    • Densidade 128,4 hab./km²
Gentílico: Alcanhoense
Código postal 2000 Alcanhões
Orago Santa Marta
Feiras: Feira anual de Santa Marta (último fim-de-semana de Julho)

Alcanhões é uma vila portuguesa do distrito de Santarém, a cerca de 80 km de Lisboa, pertencente à província do Ribatejo, com cerca de 1 469 habitantes. A vila ribatejana tem uma área de 11,44 quilómetros quadrados e está situada num planalto.

Detém a categoria de freguesia, sendo limitada a norte por Achete e São Vicente do Paul, a este por Vale de Figueira, a sul pela cidade de Santarém e pela Ribeira de Santarém e a oeste pela Póvoa de Santarém.

População[editar | editar código-fonte]

População da freguesia de Alcanhões [1]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
1 267 1 415 1 635 1 872 2 047 2 114 2 308 2 359 2 420 2 359 1 858 1 993 1 764 1 615 1 469
Distribuição da População por Grupos Etários
Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos
2001 200 202 793 420 12,4% 12,5% 49,1% 26,0%
2011 203 116 777 373 13,8% 7,9% 52,9% 25,4%

Média do País no censo de 2001: 0/14 Anos-16,0%; 15/24 Anos-14,3%; 25/64 Anos-53,4%; 65 e mais Anos-16,4%

Média do País no censo de 2011: 0/14 Anos-14,9%; 15/24 Anos-10,9%; 25/64 Anos-55,2%; 65 e mais Anos-19,0%

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O topónimo de Alcanhões não tem uma origem bem conhecida, sendo ainda motivo de controvérsia. Há várias teorias.

Uma delas, defendida pelo filósofo Adolfo Coelho, sugere que provém do vocábulo "canhões", à qual se antepôs o "al" árabe.

Existe outra versão, esta defendida pela Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, que afirma que "Alcanhões" era uma palavra muito utilizada na região, outrora.

Património[editar | editar código-fonte]

  • Paços Reais de Alcanhões
  • Praça Glauco de Oliveira
  • Igreja de Santa Marta
  • Capela de Nossa Senhora das Maravilhas
  • Ruínas de balneários romanos
  • Mercado Local de Alcanhões
  • Fontanários

Destaca-se no brasão de armas um chafariz em alusão às águas termais cloretadas sódicas para tratamento de doenças de pele e reumáticas, com resultados comprovados e classificadas como uma das melhores da Península Ibérica.

História[editar | editar código-fonte]

Alcanhões teve, claramente, a presença dos romanos, dados os vestígios que apresenta. Na parte norte da vila encontram-se ruínas daquilo que foram balneários tipicamente romanos. Foi também ocupada pelos mouros antes da conquista de Santarém, local onde já existia uma povoação.

No século XII, Alcanhões fazia parte da freguesia de São Mateus, tal como o bairro ribeirinho da cidade de Santarém.

No século XIV, aquele lugar teria servido de ponto de encontro da Corte Real, destacando-se a sua presença sobretudo nos reinados de D. Pedro I e D. Fernando nos Paços Reais de Alcanhões, como comprovam as crónicas de Fernão Lopes.

Foi aqui, em Alcanhões, que se acordou a paz com Castela e Aragão numa situação de grande instabilidade política no reinado de D. Fernando. Foi também aqui que se engendrou o plano definitivo para o assassinato de D. Maria Teles, que era casada com o infante D. João (filho de D. Inês de Castro e de D. Pedro I) e que era irmã da rainha D. Leonor Teles. A herdeira do trono era D. Beatriz, filha do rei. O assassinato não passava de um pretexto para celebrar o casamento entre o infante D. João e D. Beatriz e, assim, estaria encontrado o herdeiro ao trono. Então, o infante D. João, antevendo a possibilidade de vir a ser Rei de Portugal, decide matar a sua própria mulher, D. Maria Teles em Coimbra. E assim, partem de Alcanhões, onde delinearam o plano definitivo para o assassinato da irmã da rainha D. Leonor, "às pressas". Por este motivo é que, ainda hoje, as pessoas naturais de Alcanhões são adjetivados de "apressados" e com tendência para fazer tudo imediatamente.

Nos finais do século XIV, a antiga residência real era conhecida por "Paços Velhos de Alcanhões", devido ao seu avançado estado de degradação. Foi D. Manuel I que doou a propriedade a D. João de Meneses, mordomo-mor do reino de Portugal que exigia o pagamento de dois frangos por altura do Natal como renda, existindo ainda uma cláusula que obrigava o novo proprietário a recuperar os Paços Velhos de Alcanhões, impedindo a sua venda ou penhora. Hoje, ainda se conservam dois tanques, uma parte da torre de menagem e um antigo fontanário.

No início do século XVI, a povoação já era composta por cerca de 30 casas, um número considerável para a época. A partir de 1514, a povoação beneficiou de uma certa autonomia religiosa e, através de uma petição ao Prior de São Mateus, foi possível começar a realizar celebrações religiosas nesse lugar, pois tinham de percorrer uma longa distância para chegar à Igreja Paroquial da freguesia, localizada a cerca de 7 quilómetros das suas casas.

Finalmente, no dia 6 de outubro de 1852, estando no trono D. Maria II, o Cardeal D. Guilherme, Patriarca de Lisboa, concedia a total autonomia civil e religiosa a Alcanhões. Pode-se, assim, estabelecer esta data como o nascimento da freguesia alcanhoense e a sua separação da freguesia de São Mateus que teria sido extinto no ano anterior pelo mesmo cardeal. E assim, a freguesia da Ribeira de Santarém e de Alcanhões tornar-se-iam independentes uma da outra.

A 21 de março de 1928, Alcanhões foi elevada a vila por decreto assinado por Óscar Carmona, Presidente da República de Portugal na época, como resposta a uma proposta apresentada pelo Governador Civil de Santarém.

Junta de Freguesia de Alcanhões[editar | editar código-fonte]

As últimas eleições para a Assembleia de Freguesia, em 2013, determinaram que a lista do Partido Socialista fosse aquela com maior representação com 40,87% dos votos. O atual presidente da Junta de Freguesia é Pedro Mena Esteves, atualmente no seu segundo mandato.

  1. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes

Economia[editar | editar código-fonte]

Em Alcanhões estão instaladas diversas empresas vinícolas (produtoras de vinho), a sua maioria adegas familiares e tradicionais que se estão a modernizar, para além da Adega Cooperativa de Alcanhões, CRL., que tem um papel crucial na economia de Alcanhões, devido ao seu estatuto quer a nível nacional quer a nível internacional, tendo ganhado recentemente a medalha de prata no Concurso Mundial de Bruxelas, sendo este um concurso conhecido no mundo inteiro pelos especialistas. O vinho que se produz em Alcanhões representa aquilo que é o Vinho do Ribatejo e é paragem obrigatória para os interessados neste produto. Anualmente, em Alcanhões decorre a Festa do Vinho de Alcanhões, um roteiro por todas as adegas aderentes que termina na Adega Cooperativa de Alcanhões, onde são entregues os prémios aos melhores vinhos provados pelos enólogos e são dados a provar a quem quiser fazer o roteiro proposto pelo evento.

Além do cultivo da vinha, é também relevante o de oliveira, do trigo, de girassol e de hortícolas.

Destaca-se a presença de empresas de Agropecuária com a criação de gado suíno, bovino e avícola.

O setor industrial está intimamente ligado à vinicultura, à metalomecânica, ao processamento da madeira e à panificação.

Personalidades[editar | editar código-fonte]

Comendador Paulino da Cunha e Silva: Grande lavrador e proprietário, foi o fundador da Casa Agrícola dos Herdeiros de Paulino da Cunha e Silva, uma das casas agrícolas mais importantes de Portugal a partir dos finais do século XIX. Possuía um grande número de quintas e terrenos na região do Ribatejo e também na Estremadura. De entre as actividades desta empresa, destacam-se a criação de cavalos e touros, sobretudo para as lides tauromáquicas, os vinhos, os cereais e o azeite (em 1873, numa grande Exposição Internacional em Viena de Áustria, o azeite da Quinta da Comenda (Alcanhões) ali representado alcançou o primeiro prémio).

Conselheiro Henrique de Barros Gomes: Faleceu em Alcanhões a 9 de Novembro de 1898. Este conhecido estadista foi ministro da Fazenda, da Marinha, dos Negócios Estrangeiros na altura do "ultimatum" de Inglaterra (foi ele quem redigiu o protesto oficial do Governo português contra o acto inglês), e foi ainda director e vice-governador do Banco de Portugal.

Jacinto Rego de Almeida: Conhecido escritor e diplomata, exerceu funções de conselheiro económico na Embaixada de Portugal em Brasília. Nasceu em Alcanhões em 1942, tendo ido viver para o Brasil em 1968. Dos seus livros destacam-se "O Afiador de Facas" (1987), "O Monóculo" (1990) e "A Gravação" (1995) e, mais recentemente, "A verdadeira história do bandido Maximiliano" (2011) e "Paquita" (2015).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

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