Alfredo da Silva

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Alfredo da Silva
Nascimento 30 de junho de 1871
Lisboa
Morte 22 de agosto de 1942 (71 anos)
Sintra
Nacionalidade Portugal Português
Ocupação Industrial

Alfredo da Silva GCMAI (Lisboa, 30 de junho de 1871Sintra, 22 de agosto de 1942) foi um industrial português, um dos maiores empreendedores numa época em que contrastava com o ritmo de Portugal. Foi o fundador de um império abrangendo empresas emblemáticas, como a Companhia União Fabril (CUF), a Tabaqueira, o Estaleiro da Rocha do Conde de Óbidos (depois Lisnave), o Banco Totta e Companhia de Seguros Império.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Filho de um próspero comerciante lisboeta, Caetano Isidoro da Silva, e de sua mulher, Emília Augusta Laymée Ferreira, bisneta dum Francês, Alfredo da Silva estudou em França até que a morte de seu pai, ocorrida em 1885, o obrigou a regressar a Portugal.

Caetano Isidoro explorava com o irmão uma casa comercial de móveis e colchões, tendo entre os seus clientes a Casa Real[1] , mas tinha muito mais do que isso; uma extensa carteira de participações em bancos e empresas importantes — ações da Carris, Banco Lusitano, Banco de Portugal, Crédito Predial e Companhia das Águas de Lisboa, atual EPAL[2] .

Enquanto jovem, Alfredo da Silva evidenciava um especial interesse pela química industrial, a que se juntava um fascínio pela cultura alemã. Enquanto estudava botânica, física e tecnologia química, aprendeu diferentes idiomas: francês, que era nessa época a língua usual do comércio; inglês; alemão. A isso acrescentou o estudo de contabilidade, logística, operações comerciais e financeiras e noções gerais do Direito[3] .

Depois de se matricular no Curso Superior de Comércio, em 1887, vai assumir em 1890 o encargo de gerir a herança da família. Em 1893 já era administrador da Companhia Aliança Fabril (CAF) e do Banco Lusitano[4] .

Carris e os Elétricos de Lisboa[editar | editar código-fonte]

Em 1892, a direção da Carris convidou Alfredo da Silva a realizar uma visita de estudo a algumas cidades da Europa onde os melhores sistemas de tracção mecânica estivessem a funcionar. O relatório que produziu terá sido o elemento decisivo para a adopção do sistema de tracção eléctrica com condutor aéreo por parte da Carris, os vulgos Elétricos de Lisboa[5] ..

Ultrapassados diversos diferendos e objeções, fruto de opiniões que viam com maus olhos a participação de capitais estrangeiros no empreendimento, em breve começariam os trabalhos de assentamento das vias, que a Lisbon Electric Tramways, empresa de capitais britânicos a quem a Carris arrendara as linhas, adjudicara à Portuguese Construction Company. Por fim, na madrugada de 31 de agosto de 1901 o primeiro eléctrio lisboeta percorria o trajeto Terreiro do PaçoBelémAlgés[6] ..

Alfredo da Silva — que viria a ser diretor da Companhia entre 1896 e 1899, com Zófimo Consiglieri Pedroso e Carlos Krus —tinham sido os principais obreiros desta transformação[7] .

Companhia Aliança Fabril[editar | editar código-fonte]

Foi enquanto diretor do Lusitano que Alfredo da Silva comprou ao Banco de Portugal ações da Aliança Fabril de que o Banco Lusitano era credor. Alfredo da Silva vinha mantendo contactos com a direção da Companhia, no sentido de resolver um débito que ascendia a 38 contos. Na verdade, no início de 1893 a Aliança Fabril encontrava-se numa difícil situação — à qual procurava fazer face remodelando e reapetrechando a fábrica que possuía na Avenida 24 de Julho. A relativamente pequena Aliança Fabril fabricava essencialmente velas, sabões duros e moles, óleo de purgueira, glicerina, oleína e outros produtos, enfrentando uma forte concorrência dos produtos estrangeiros similares, especialmente de origem inglesa[8] .

Ao seu estilo, Alfredo da Silva participou na reunião de accionistas que teve lugar em 7 de Abril de 1893, formulando críticas em relação à direcção da companhia, num protesto a que se associaram Martinho Guimarães, do Conselho Fiscal, e Ernesto Driesel Schröeter, futuro ministro da Fazenda de João Franco, apontando para a necessidade de reformar os estatutos da Aliança Fabril. Foi então nomeada uma comissão destinada a proceder a essa reforma, dela fazendo parte Alfredo da Silva, e eleitos novos corpos gerentes: Eusébio Serôdio Gomes, Manuel José Gomes Revelo e João Eduardo Ahrends e como substitutos Feliciano de Abreu e Alfredo da Silva. Todavia, Ahrends não aceitou o cargo e o lugar que deixou vago foi imediatamente ocupado por Alfredo da Silva. Alfredo da Silva assumiu, assim, as suas novas funções de administrador-gerente da Aliança Fabril[9] .

Casou-se no ano seguinte, em 19 de Abril de 1894, com Maria Cristina Resende Dias de Oliveira, sendo seu padrinho o banqueiro João Baptista Dotti, um dos principais accionistas da Companhia Aliança Fabril. Dedicou-se por inteiro à actividade da fábrica da Avenida 24 de Julho, não deixando, contudo, de participar nas sessões da Sociedade de Geografia de Lisboa (onde assumiu o cargo de secretário da secção da indústria e participou na comissão de reforma dos estatutos da Sociedade, colaborando com Luciano Cordeiro) então dominadas pelas discussões em torno dos problemas de administração colonial, em particular a questão da concessão do caminho de ferro do Chire[10] .

Até então soubera bem aproveitar e habilmente rentabilizar o capital que herdara, construindo um caminho próprio onde desde já se denotam um carisma pessoal ou pelo menos um estilo próprio e a capacidade que a fortuna lhe foi propiciando de bem tecer e coordenar uma rede de conhecimentos que se entrecruzarão ao longo da vida[11] .

Constituição da CUF[editar | editar código-fonte]

Pragmático e visionário, aos 26 anos concebeu um projeto audacioso, que viria a modelar o futuro da indústria portuguesa: a fusão da sua empresa, a CAF, com a CUF. Era uma questão de sobrevivência, pois ambas as companhias estavam a enfrentar sérias dificuldades financeiras.

Foi assim que, em 22 de abril de 1898 foi formalizada a constituição da nova CUF, que doravante produzia sabões, velas e óleos vegetais, e viria a tornar-se um gigante da indústria, ao iniciar em Portugal a produção de adubos em grande escala.

Em 1907 a Companhia União Fabril estava em plena expansão e era necessário encontrar um local para instalar novas unidades fabris. Alfredo da Silva escolheu o Barreiro. A pequena vila à beira do Rio Tejo nunca mais viria a ser a mesma. De resto a empresa veio a espalhar várias fábricas pelos país, empregando 16 mil trabalhadores ao todo. O lema da CUF era "O que o País não tem, a CUF cria". Ao prestígio de Alfredo da Silva e da sua empresa não era alheio o facto de esta oferecer excelentes condições de trabalho aos seus funcionários e às respectivas famílias (bairros residenciais, ensino gratuito, etc. [12] .

Atentados e participação política[editar | editar código-fonte]

Alfredo da Silva foi vitima de dois atentados fracassados o que o conduziu a exilar-se para Espanha e França gerindo a CUF à distância.

Alfredo da Silva foi eleito deputado em 1906 antes de apoiar Sidónio Pais e de conquistar um lugar na Câmara Corporativa logo em 1935. Com o auxílio da grande burguesia, opõe-se frontalmente à lei das 8 horas de trabalho. Apoiou o Estado Novo e manteve uma relação de cordialidade com Oliveira Salazar com evidentes vantagens para ambos, políticas para o ditador e empresariais para Alfredo da Silva. No ano de 1936 é adjudicada a concessão do "Estaleiro da Rocha Conde de Óbidos" pertença da A.G.P.L. à CUF: foi a revolução da construção naval em Portugal e o embrião da Lisnave.

Alfredo da Silva, graças ao seu poderio económico e ao sentido do negócio podia, por vezes, interessar-se por empreendimentos diferentes da sua mais habitual actividade industrial. Exemplo disso é a aquisição do Cine-Teatro Éden, que nem sequer tinha a intenção de explorar como tal, mais tarde irá vendê-lo com grande lucro.

Fracassos[editar | editar código-fonte]

Nem em tudo o empresário foi bem sucedido. Assim, existiram dois projectos que Alfredo da Silva nunca conseguiu realizar: o primeiro remonta ao ano de 1926, quando ele tentou avançar com a constituição da Companhia Portuguesa de Rádio Marconi, perdendo-a para terceiros (dois anos antes de Salazar se tornar Ministro das Finanças e 4 anos antes deste se tornar Presidente do Conselho). O outro caso é passado nos anos 1930 quando ele tenta em concurso que seja arrendada à CUF a concessão da Linha de Caminho de Ferro Sul-Sueste, pertença dos Caminhos de Ferro do Estado, não tendo também êxito.

Condecorações[editar | editar código-fonte]

A 31 de Dezembro de 1932 foi feito Grã-Cruz da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial Classe Industrial[13] e a 28 de Outubro de 1933 foi feito 47.º Sócio Honorário do Ginásio Clube Figueirense.[14]

Vida familiar[editar | editar código-fonte]

Em 1894 casa-se com Maria Cristina de Resende Dias de Oliveira, filha Alfredo Dias de Oliveira e de Luisa Amélia de Resende.

Tiveram apenas uma filha, Amélia de Resende Dias de Oliveira da Silva, que se casa com D. Manuel Augusto José de Mello, filho do Conde do Cartaxo.

Alfredo da Silva faleceu na sua casa de Sintra a 22 de Agosto de 1942, a CUF passando depois pelo comando do Grupo Mello, composto pelo seu genro Manoel de Mello e seus filhos Jorge de Mello e José de Mello.

Este são os fundadores do Grupo Mello que conta, em grande parte com a fortuna do sogro e avô, mas conseguiram aumentá-la e consolidá-la até ao 25 de Abril. Depois disso grande parte da fortuna do Grupo Mello foi expropriada. Hoje em dia, esta encontra-se de novo na família e em crescimento.

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

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