Ana Plácido

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Ana Plácido
Nome completo Ana Augusta Vieira Plácido
Pseudônimo(s) Gastão Vidal de Negreiros, Lopo de Sousa, Pedro de Sousa
Nascimento 27 de setembro de 1831
Porto
Morte 20 de setembro de 1895 (63 anos)
São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão
Nacionalidade Portugal Portuguesa
Cônjuge Manuel Pinheiro Alves (1850)

Camilo Castelo Branco (1888)

Ocupação Escritora e tradutora

Ana Augusta Vieira Plácido (Porto, 27 de Setembro de 1831 - São Miguel de Seide, 20 de Setembro de 1895) foi uma escritora portuguesa e grande paixão do escritor Camilo Castelo Branco.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ana Plácido era filha de António José Plácido Braga e de Ana Augusta Vieira. Quando contava 19 anos o pai obrigou-a a casar-se o comerciante Manuel Pinheiro Alves, de 43 anos, que estivera emigrado no Brasil e onde fizera fortuna. Estabeleceram residência na Rua do Almada, no Porto.

Em 1856, Ana Plácido, que não era fisicamente bonita, mas que possuía uma personalidade forte e atraente, insatisfeita com o seu casamento, iniciou uma ligação adulterina com Camilo Castelo Branco. Em 1858 teve um filho, Manuel Plácido, reconhecido como sendo seu pelo marido Pinheiro Alves, mas que muitos autores especulam ter sido filho de Camilo. Após queixa do marido contra o par de adúlteros, Ana Plácido é presa a 6 de Junho de 1860, e Camilo foge à justiça durante algum tempo, mas acaba por se entregar a 1 de Outubro. Ambos ficaram detidos na Cadeia da Relação, no Porto, aguardando o julgamento.

Depois de julgados e absolvidos do crime de adultério, em 16 de Outubro de 1861, Camilo e Ana Plácido passaram a viver juntos, tendo tido dois filhos, Jorge Camilo, nascido em 1863 e Nuno Plácido, nascido em 1864.

Com a morte do primeiro marido em 1863, Manuel Plácido, o alegado legítimo filho de Pinheiro Alves, recebeu avultada herança do pai, tendo Ana Plácido sido a administradora dos bens. Camilo, Ana Plácido e os três filhos passaram então a residir na casa de campo de Pinheiro Alves em São Miguel de Seide, que mais tarde ficaria conhecida como Casa de Camilo Castelo Branco. Camilo tinha então 38 anos de idade e Ana 32. Foi nessa casa que Camilo escreveu grande parte da sua obra, enquanto Ana Plácido administrava a propriedade.

Em 9 de Março de 1888, finalmente Camilo e Ana casaram-se. Camilo Castelo Branco, atormentado pela cegueira e paralisia resultantes da sífilis de que sofria havia anos, suicidou-se em 1890. Ana Plácido morreria anos mais tarde, subitamente, na noite de 20 de Setembro de 1895, em São Miguel de Seide.[1] Os filhos não tardariam a segui-la (Manuel morrera já em 1877): Nuno morreu em 1896 e Jorge em 1900.

Os filhos de Ana Plácido[editar | editar código-fonte]

Ana Plácido teve três filhos. O primeiro, Manuel Augusto Plácido Pinheiro Alves (Porto, 11 de Agosto de 1858 - Póvoa do Varzim, 17 de Setembro de 1877),[2] oficialmente filho do marido Pinheiro Alves (mas muito provavelmente filho adulterino de Camilo, uma vez que o "legítimo" pai nunca reclamou o poder paternal sobre a criança, após a separação do casal); e mais dois, de Camilo: Jorge Camilo Castelo Branco (Lisboa, 28 de Junho de 1863 - 1900),[3] e Nuno Plácido Castelo Branco (São Miguel de Seide, 15 de Setembro de 1864 - 1896).[4]

Manuel Plácido parece ter sido um jovem que amava bailes, que morreria aos 19 anos de uma "febre", provavelmente meningite.

Jorge era declaradamente louco, com episódios violentos em que agredia os pais, tendo estado mesmo internado no Hospital de Alienados Conde Ferreira (de 2 de Agosto a 27 de Outubro de 1886) aos cuidados dos psiquiatras Ricardo Jorge, António Maria de Sena e Júlio de Matos, tendo sido considerado um doente irrecuperável. Terminou os seus dias num estado de apatia depressiva e de degradação (cuspia a quem passava e impedia que lhe limpassem o quarto, despejando os dejectos no soalho).

Nuno Camilo viria a ser um estroina irresponsável, sempre metido em sarilhos sórdidos. Desordeiro, alcoólico, perdulário, viciado no jogo e incapaz de trabalhar, em 1881 casou-se por interesse com uma herdeira rica, Maria Isabel da Costa Macedo (1865-1884),[5] que raptara, instigado e ajudado pelo seu pai Camilo. Com Maria Isabel da Costa Macedo teve uma filha que acabaria por morrer poucos dias depois da infeliz mãe, no Verão de 1884. Por via da morte da filha, Nuno herdou o remanescente da fortuna da mulher, que entretanto fora gastando na boemia continuada. No mesmo ano, ligou-se a Ana Rosa Correia (1862-1956),[6] descendente de lavradores de Landim, com quem teria 7 filhos: Flora (1886), Camilo (1888), Nuno Plácido (1889), Raquel (1890), Simão (1891), Manuel (1893) e Estela (1895).

Obra[editar | editar código-fonte]

Colaborou em diversas publicações, nomeadamente na Revista Contemporânea de Portugal e Brasil [7] (1859-1865) e na Gazeta Literária do Porto [8] (1868); fez traduções, ajudou Camilo em alguns textos e também se dedicou à poesia. No decurso da sua carreira literária assinou algumas vezes com pseudónimos, sendo os mais conhecidos Gastão Vidal de Negreiros e Lopo de Souza.

  • Luz coada por Ferros (1863), tiragem de 1000 exemplares.
  • Herança de Lágrimas (1871), assinada por Lopo de Sousa, edição muito limitada. A segunda edição fac-similada deste livro deu-se na comemoração do lº centenário de sua morte em 1995.


Referências