Antônio Pereira (Ouro Preto)

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de Antônio Pereira, veja Antônio Pereira (desambiguação).

Antônio Pereira é um distrito de Ouro Preto.[1][2] Localiza-se na latitude 20º18'14" Sul e longitude 43º28'53" Oeste e possui altitude média de 860 metros. Dista 16 km de Ouro Preto - cidade histórica, reconhecida mundialmente por este fato - e 9 km de Mariana - também cidade histórica, com arquitetura pertencente ao barroco mineiro. Não possui construções tão antigas como Mariana e Ouro Preto, mas é lugar de lindas cachoeiras. Atualmente, a área é protegida por lei, após anos de exploração agressiva aos recursos naturais por parte de garimpeiros em busca de ouro e pessoas em busca de cascalho, material usado em construções.

Nossa Senhora da Lapa em passeada, 15 de Agosto, festa tradicional de Antônio Pereira.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Trata-se de um arraial antigo que foi um dos primeiros núcleos mineradores de Minas Gerais; como destaca[3]: "Folclore oral desta região que foi cognominada berço da mineiridade". Dentre os pontos turísticos, destacam-se as ruínas da igreja de Nossa Senhora da Conceição, incendiada (segundo locais, por uma vela que veio a cair sobre um tapete)[nota 1], em cujo interior existe um curioso cemitério, ainda utilizado. A imponente fachada, em blocos de pedra, chama a atenção. Outro passeio interessante é à gruta da Lapa, porque possui em seu interior uma pequena capela.

Na grande fome de 1700-1, o bandeirante português Antonio Pereira Machado[3] (de São João das Caldas, perto de Guimarães[4]) seguiu para o norte, chegando ao lugar a que deu nome por ali se ter fixado, chamando-o porém na ocasião o Bonfim do Mato Dentro. Em 1703, desgostoso com a abundância de animais ferozes, voltou à vila do Carmo. Teria sido o padre João de Anhaia[nota 2] o verdadeiro fundador do arraial de Antonio Pereira, com Mateus Leme e com Antonio Pompeu Taques, pois se estabeleceram como mineradores nas numerosas minas como as do Romão, Mata-mata, Macacos, Capitão Simão, Fazenda do Barbaçal, Mateus, da Rocinha.

Em 1716 foi fundada a igreja de Nossa Senhora da Conceição, curada como igreja matriz em 1720 e colativa em 1752; Localmente chamada como igreja da lapa, ou igreja de nossa senhora da lapa.

Posicionamento geográfico[editar | editar código-fonte]

Antônio Pereira faz fronteiras com com São Bartolomeu, Santa Bárbara, Ouro Preto, e Mariana.[4]

Posicionamento geográfico de Antônio Pereira, fazendo fronteiras com São Bartolomeu, Santa Bárbara, Ouro Preto, e Mariana

Pontos turísticos[editar | editar código-fonte]

Três pontos são visitados com frequência por pessoas do Brasil ou mesmo estrangeiros: Gruta da Lapa, Garimpo de Topázio Imperial, e Igreja Queimada.

Placa na entrada da gruta da lapa

Igreja queimada[editar | editar código-fonte]

A igreja queimada, localizada na saída/entrada de Antônio Pereira para quem vem/vai à Mariana, datada do século XVIII. Esta, junta com a gruta da lapa, são os marcos históricos do local. A igreja é cercada de mitos locais, o mais acentuado está em volta do fato que foi criada para a santa local, nossa senhora da lapa, como a chama os locais. Segundo lendas, a santa misteriosamente sai da igreja e aparecia na gruta da lapa, onde segundo os locais foi achada originalmente, até o momento em que foi queimada de forma misteriosa, os locais acreditam que a santa o fez para permanecer na gruta da lapa, atualmente com uma pequena capela na entrada para a santa. Uma versão mais plausível e interessante é apresentada por [3], baseado em pesquisas com pessoas locais. Segundo a versão, uma pessoal de origem aparentemente da Bahia, roubou a igreja que na época era coberta de metais preciosos, então colocou fogo na mesma. O são-cristão local, chamado Roque, foi acusado de deixar uma vela acessa, causando o incêndio, e preso pelo crime. Segundo[3], Antônio Pereira era rico, com casas e igrejas cobertas de ouro e prata; depois veio a era do topázio imperial, hoje achado em pequenas quantidades.

Placa com descrição histórica na entrada da igreja queimada, hoje um cemitério local.
Igreja queimada, frente.

Beleza natural[editar | editar código-fonte]

Alguns dos lugares mais belos ficam nas Cachoeiras da Pedreira. São três cachoeiras naturais cuja estrutura é mantida por formações rochosas naturais. A primeira destas é rasa, altura máxima de aproximadamente um metro e a queda de água não é alta. A segunda, chamada pelos locais de Cachoeira da Escuridão, devido ao fato de que o sol não alcança a mesma todo o tempo, ou mesmo por que esta gera “certo medo”, é funda, altura maior do que um adulto de estatura normal, tendo aproximadamente dois metros de profundidade em alguns pontos. A queda de água é mais alta do que a primeira, mas não tão alta quanto a terceira. A terceira, nomeada pelos locais de Cachoeira da Lajinha, é praticamente plana, como uma área de piscina, possuindo profundidade maior. Até o momento, boa parte da área não sofreu relevantes alterações por ação humana. Existem outros pontos, como a Lagoa Azul, ou mesmo a Cachoeira da Vila, atualmente tomada pela empresa Vale. O local é cercado por montanhas, que durante as chuvas formam espelhos de água, e a rica quantidade de minério ajuda a formar uma paisagem bela.

Projetos sociais[editar | editar código-fonte]

Como forma de mitigar os problemas sociais enfrentados pelos moradores no local, vários projetos sociais foram fundados, mas infelizmente somente alguns sobreviveram, sobretudo devido à falta de atenção dada ao local pelas autoridades: Casa Escola e CEAP. A Casa Escola é um projeto fundado com o intuíto de proteger as crianças locais, fundada por Marcos Lucena. O CEAP (Centro Educativo de Antônio Pereira) foi mantido pela prof. Ida e atualmente esta sobre a liderança da Igreja Batista de Antônio Pereira. O CEAP foi famoso por criar padrinhos para as crianças locais, por meio de uma parceria com a Compassion. Por essa razão, muitos padrinhos possuíam nacionalidade estrangeira.

Educação[editar | editar código-fonte]

Toda a educação dos locais gira em torna da Escola Estadual de Antônio Pereira e do Colégio Arquidiocesano de Ouro Preto Unidade II, este último fechado em dezembro de 2016, mantendo apenas sua matriz em Ouro Preto[5]. A primeira é uma escola pública, ao passo que a segunda foi uma escola privada, mas que oferecia bolsas de estudos a estudantes com certo grau de destaque, muitas das quais pagas pela empresa local chamada Samarco S.A. A educação superior é, em grande parte, oferecida pela Universidade Federal De Ouro Preto, Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) e cursos do SENAI, todos com processo seletivo.

Rompimento de barragem em Mariana[editar | editar código-fonte]

Nesta imagens, alguns locais de Antônio Pereira mostram sua vontade na volta das atividades por parte da Samarco; demonstrações similares existem em Mariana.

Em 5 de novembro de 2015, em Bento Rodrigues, ocorreu o rompimento da barragem da Sarmaco. No entanto, a central da empresa fica em Antônio Pereira, o que deixou a economia local muito prejudicada. Muitos moradores são a favor do retorno das atividades, na esperava da geração de novos empregos. Atualmente a empresa, e empreitaras ligadas a essa, estão fechada ou operando com número reduzido de funcionários.

Notas

  1. Existem várias versões da história, sem uma aceita de forma unânime. A mais mítica diz que a santa queimou a igreja depois de ter sido colocada de forma continua na igreja queimada, em cada vez a mesma voltava para a gruta da lapa.
  2. Os autores[3] colocam o Padre João e Antônio Mateus Leme, e o capitão Antônio Pompeu Fagundes como fundadores consecutivos na linha do tempo.

Referências

  1. www.ouropreto.com.br. «Antônio Pereira - Ouro Preto». Consultado em 13 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 3 de setembro de 2011 
  2. Prefeitura de Ouro Preto. «Antônio Pereira». Consultado em 13 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 13 de dezembro de 2014 
  3. a b c d e Antônio Pereira e Turma de letras 91/2 ICHS-UFOP, Florentina Gomes, e Lázaro Francisco da Silva. Aspectos folclóricos III: historia de Antonio Pereira. Editora UFOP: Ouro Preto, 1993.
  4. a b Da Silva Gonçalves Ferreira, D. et al. Antônio Pereira: na visão dos jovens que fazem a diferença. Projeto Jovens de Ouro e Terezinha Lobo Leite. http://www.ouropreto.com.br/secao/artigo/terezinha-lobo-leite. Acessado em 23 04 2017
  5. «Unidade Cônego Paulo Dilascio». arquidiocesano.com. Consultado em 23 de janeiro de 2017